Esquerda comunista

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A esquerda comunista ou comunismo de esquerda refere-se a várias correntes políticas marxistas que fizeram oposição de esquerda às posições defendidas pelo Bolchevismo. Os personagens mais notáveis da esquerda comunista foram Herman Gorter, Anton Pannekoek, Otto Rühle, Karl Korsch, Amadeo Bordiga, Onorato Damen, Marc Laverne e Paul Mattick. É importante ressaltar que, embora Rosa Luxemburgo tenha vivido antes do surgimento da esquerda comunista, teve grande influência política e teórica sobre essa corrente ideológica.

Posições[editar | editar código-fonte]

Há duas tradições principais dentro da esquerda comunista: a neerlandesa-alemã e a italiana. Ambas se opunham às coalizões com partidos socialistas, ao parlamentarismo, ao nacionalismo e aos movimentos de libertação nacional.

As diversas correntes ligadas à esquerda comunista faziam diferentes análises da Revolução Russa de 1917; porém todas eram bastante críticas quanto ao seu desenvolvimento ulterior, considerando a URSS como um capitalismo de Estado. A crítica estendeu-se também à Internacional comunista.

Sobretudo a corrente neerlandesa-alemã (não tanto a italiana)[1] historicamente posicionou-se numa tradição separada dos marxistas-leninistas (os quais são vistos pela esquerda comunista meramente como o aspecto esquerdista do Capital, ou seja, encaram-nos como uma variação direitista dentro do próprio movimento socialista).

Lênin era considerado pela esquerda comunista representante de um vanguardismo oportunista, um político astuto que identificava as correntes ideológicas populares que estavam se desenvolvendo espontaneamente na época (libertárias e socialistas), utilizando-as como plataforma política para chegar ao poder. Intelectuais modernos como Noam Chomsky dão crédito à estas críticas, notando que assim que subiram ao poder, Lênin e Trotsky tomaram medidas exatamente opostas àquelas que haviam pregado anteriormente - exatamente como havia sido previsto por Rosa Luxemburgo e demais aderentes da esquerda marxista ortodoxa.[2][3]

De acordo com Chomsky, uma das primeiras ações de Lênin e Trotsky após tomarem o poder estatal foi acabar com os conselhos operários, eliminando imediatamente as organizações dos trabalhadores destinadas a controlar seus próprios ambientes de trabalho - efetivamente matando o socialismo no berço, uma vez que a ideia central do modo de produção socialista encontra-se justamente no controle dos meios de produção pelo próprio proletariado.[4]

Ao seu tempo, Lênin respondeu às críticas que recebeu destacando seu pragmatismo em Esquerdismo, doença infantil do comunismo. A réplica mais ampla da Esquerda Comunista veio na forma da "Carta aberta ao camarada Lenin" por Herman Gorter.[5] Sua crítica à Internacional Comunista será de certo modo compartilhada, anos mais tarde, pelos trotskistas, sendo mais radical do que a da oposição surgida no âmbito do partido comunista russo - decistas e Oposição operária - que refluiu a partir de 1921, depois da Revolta de Kronstadt. O Grupo Operário do Partido Comunista Russo, de Gavril Miasnikov, juntou-se à esquerda comunista alemã, a partir de 1923.

Organizações atuais[editar | editar código-fonte]

No século 21 continuam existindo organizações internacionais que se identificam com as posições históricas da Esquerda Comunista e se identificam como tal. Entre as principais estão a Corrente Comunista Internacional (CCI), a Tendência Comunista Internacionalista (TCI) e os vários grupos homônimos italianos provenientes do Partido Comunista Internacional histórico.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Bourrinet, Philippe. The "Bordigist" Current (PDF) (em inglês) [S.l.: s.n.] p. 82. 
  2. «Noam Chomsky on Revolutionary Violence, Communism and the American Left». CHOMSKY.INFO. Consultado em 28 de dezembro de 2015. 
  3. «The Soviet Union Versus Socialism». CHOMSKY.INFO. Consultado em 28 de dezembro de 2015. 
  4. «América Rebelde - Uma entrevista com Noam Chomsky». Le Monde Diplomatique. Consultado em 28 de julho de 2016. 
  5. «Transcrito de: Herman GORTER. Carta aberta ao companheiro Lenin». Espaço Acadêmico. Consultado em 28 de dezembro de 2015. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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