Liga dos Comunistas

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A Liga dos Comunistas foi a primeira organização internacional marxista.[1] Seu embrião foi a "Liga dos Justos" fundada em 1836 por revolucionários alemães emigrados para Paris. Inicialmente a orientação ideológica era para o "socialismo utópico" de um grupo comunista cristão orientado pelas ideias de Gracchus Babeuf. Mais tarde a Liga se tornou uma organização internacional quando Karl Marx, Friedrich Engels e Johann Eccarius se juntaram a ela.

Liga dos Justos[editar | editar código-fonte]

A Liga dos Justos era um grupo dissidente da "Liga dos Outlaws", criada em Paris em 1834 por Theodore Schuster e outros imigrantes alemães.

Schuster era inspirado na obra de Philippe Buonarroti.

O lema da "Liga dos Justos" era "todos os homens são irmãos" e seus objetivos eram "o estabelecimento do Reino de Deus na Terra, com base nos ideais de amor ao próximo, igualdade e justiça".[2] A Liga dos Justos, nos últimos tempos, tinha uma estrutura piramidal, inspirada na sociedade secreta Carbonária, e suas ideias eram compartilhadas com o "socialismo utópico" de Saint-Simon e Charles Fourier. Seu objetivo era estabelecer uma "República Social" na Prússia que teria como princípios a "liberdade", a "igualdade" e a "virtude cívica".

A Liga dos Justos participou da revolta blanquista de maio de 1839 em Paris.[3] Depois da revolta seus integrantes foram expulsos da França e a Liga dos Justos passou a ter sua sede em Londres, onde fundaram um grupo militante, a "Sociedade Educacional para Trabalhadores Alemães" em 1840. Wilhelm Weitling, um importante membro da liga, se mudou para a Suíça, onde foi preso e posteriormente extraditado para a Prússia.

O livro de Weitling "Garantias da Harmonia e Liberdade" de 1842 criticava a propriedade privada e a sociedade burguesa na mesma época em que Proudhon e Karl Marx, e foi uma das bases da teoria social da Liga dos Justos que deu origem a Liga dos Comunistas.[4]

Atuação da Liga na Prússia[editar | editar código-fonte]

Várias forças políticas atuaram nas revoltas que eclodiram na Prússia alem da Liga dos Comunistas em 1848, Marx denominou as principais forças de "democratas burgueses" e "pequenos-burgueses" os trabalhadores rurais também tinham alguma força.[5] Apesar de Marx e Engels colocarem todas as suas esperanças na revolução, inclusive ambos foram de Bruxelas para Colônia, a Liga dos Comunistas não foi capaz de atingir seus objetivos durante a revolução.

Um grupo denominado "Clube dos Trabalhadores" foi criado na Prússia por membros da Liga, e se tornou numeroso e a mais importante organização revolucionária na Prússia. Essa organização lutou contra os prussianos na Revolução de 1848.

Durante a revolução Engels foi para Baden lutar contra os prussianos, Marx ficou em Colônia onde tinha fundado o jornal "Nova Gazeta Renana".

A revolução comunista de 1848-49 na Prússia, travada por integrantes da Liga dos Comunistas liderada por Marx e Engels, fracassou quanto as suas intenções de tomada do poder pelos comunistas, Marx foi expulso indo para Paris.[6]

Fim da Liga dos Comunistas[editar | editar código-fonte]

Em 1850, o espião prussiano Wilhelm Stieber fez amizade com Marx e conseguiu localizar o registro dos membros da Liga que estava na casa de Marx e o roubou. Muitos membros da Liga foram presos por toda Europa.[7]

Em 1852, sobretudo após o Julgamento de Comunistas em Colônia, a Liga foi formalmente encerrada. De fato, de acordo com Engels, três décadas depois, já na primeira frase de seu "Para a História da Liga dos Comunistas" (1885):

"Com a condenação dos comunistas de Colônia em 1852, cai o pano sobre o primeiro período do movimento operário autônomo alemão. [...]"[8]

Engels, no final daquele mesmo ano de 1852, no texto "O Recente Julgamento em Colônia" (assinado por Marx), publicado no New-York Daily Tribune, fornece detalhes:

"[...] O governo podia suportar poucas das revelações tão escaldantes como as que vieram à luz durante o julgamento. E, no entanto, tinha um tribunal como a província renana ainda não tinha visto. Seis nobres, da mais pura água reacionária, quatro senhores da finança, dois funcionários governamentais. Não eram homens para olhar de perto para a massa confusa de provas amontoadas diante deles durante seis semanas, quando continuamente ouviam repetir aos seus ouvidos que os acusados eram chefes de uma terrível conspiração comunista, erguida a fim de subverter tudo o que é sagrado — a propriedade, a família, a religião, a ordem, o governo e a lei! E, contudo, se ao mesmo tempo, o governo não tivesse dado a conhecer às classes privilegiadas que uma absolvição neste julgamento seria o sinal para a supressão do tribunal e que seria tomada como uma demonstração política direta — como uma prova de que a oposição liberal da classe média estava pronta a unir-se mesmo aos mais extremos revolucionários — o veredito teria sido uma absolvição. Tal como foi, a aplicação retroativa do novo código prussiano permitiu ao governo ter sete prisioneiros condenados enquanto apenas quatro foram absolvidos, e os que foram condenados foram sentenciados de prisão variando entre três e seis anos, como, sem dúvida, já terão verificado na altura em que a notícia vos chegou."[9]

Principais membros da Liga[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Address of the Central Committee to the Communist League
  2. The Basics of Marxist-Leninist Theory, G.N. Volkov, 1979.
  3. Marx and the Permanent Revolution in France: Background to the Communist Manifesto escrito por Bernard Moss, pg.10, 1998
  4. Karl Marx: Communist as Religious Eschatologist, escrito por Murray Rothbard pgs. 164-165 publicado no The Review of Austrian Economics, vol. 4, 1990
  5. Ver "Mensagem da Direção Central da Liga Comunista"
  6. Primitive Rebels', Eric Hobsbawm, 1965; editado por Norton Library
  7. Wilhelm Stieber, "The Chancellor's Spy," pgs. 25-38.
  8. Friedrich Engels, "Para a História da Liga dos Comunistas" (1885). Marxists.org. Obras Escolhidas em três tomos, Editorial Avante!. José Barata Moura, Eduardo CHITAS, Francisco MELO e Álvaro PINA, tomo III, pág: 192-212.
  9. MARX-ENGELS, Obras Escolhidas em três tomos. Editorial Avante!.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]