Economia planificada

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Economia planificada, também chamada de economia centralizada ou economia centralmente planejada, é um sistema econômico no qual a produção é prévia e racionalmente planejada por especialistas;[1] os meios de produção são propriedade do Estado; e a atividade econômica é controlada por uma autoridade central que estabelece metas de produção e distribui as matérias-primas para as unidades de produção. Nesse sistema, a escolha da proporção entre quanto do produto interno bruto deve ser investido e quanto deve ser consumido torna-se uma decisão política centralizada.[2]

Em uma economia planificada, não há desordem na produção. O planejamento é feito de forma que, teoricamente, não haja escassez ou abundância de determinado produto, portanto os preços raramente são modificados. Sua forma mais conhecida é o tipo de economia que foi adotada, durante cerca de 70 anos, pelo regime comunista-bolchevista da União Soviética, e por seus países satélites, bem como pela República Popular da China no período do Grande Salto Adiante (1958-63).[3] Os socialistas defendem a planificação da economia, em maior ou menor grau. Hoje em dia, muito poucos economistas, mesmo socialistas, ainda defendem uma economia totalmente centralizada e planificada, como foi a soviética.[1] Em 2013, só existiam duas economias totalmente planificadas no mundo: Cuba e Coreia do Norte.

Nas mais modernas economias planificadas, um poder central fica encarregado de decidir a respeito dos investimentos a serem realizados pela sociedade, a distribuição dos recursos necessários à produção, consumo e as metas a serem atingidas pelas empresas. Exemplo dessa chamada economia planificada podemos identificar no processo desenvolvido durante o período de 1964 a 1985 no Brasil, quando houve "quatro chamados Planos Nacionais de Desenvolvimento, denominados PND I, II, III e IV"; cada um desses com duração de cinco anos, indicando os rumos que a economia deveria seguir para o crescimento harmônico nos períodos. Em um programa de "dirigismo, ao nível definido e orientado por Keynes, a fim de evitar as conhecidas crises cíclicas da economia capitalista".

As empresas, cujo objetivo principal seria não seu lucro mas o progresso do país, não têm tanta preocupação com sua eficiência e o risco de falência ou concordata, como nas economias capitalistas. Têm apenas que cumprir as metas traçadas e realizar a produção e distribuição da melhor forma possível, atendendo às necessidades da população.

Muitas das economias totalmente planificadas que existiram sobretudo no século XX acabaram perdendo credibilidade ao longo dos anos 1980 e 1990, devido ao aumento da burocratização e à ausência de incentivos a ganhos de produtividade e inovações. Houve, no Brasil, apesar de este país não ser totalmente planificado na época, um "Ministério da Desburocratização" para tornar o processo mais rápido e menos burocratizado, com vistas ao custo e qualidade do produto e sua competitividade, a nível internacional, entre o III e o IV Plano Nacional de Desenvolvimento; e também a criação de órgãos como o "Ministério da Ciência e Tecnologia", ligando as instituições escolares às empresariais, com o fito de modernizar o aparelho produtivo, na figura do operário e do estudante, ao nível do chamado então "Primeiro Mundo", como eram, na época, chamados, países como os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão, França e outros. O Brasil se encontrava no nível dos países "em desenvolvimento", estando agora entre os principais emergentes do globo.

Planificação econômica[editar | editar código-fonte]

A planificação econômica refere-se à centralização, por parte do Estado, dos poderes de planejamento e execução das políticas econômicas, suprimindo o mercado e a livre concorrência.

A União Soviética foi a pioneira na aplicação da planificação econômica, quando dirigida por Stalin, elaborando um sistema de metas com duração estipulada em cinco anos, os chamados planos quinquenais, e dando ênfase ao setor energético e de indústrias pesadas, de bens de capital.

Através dos planos quinquenais, a União Soviética obteve progressos significativos na produção de aço, de bens de capital e produção de maquinária para a indústria. Este modelo foi seguido por todas as repúblicas da União, como também pelos satélites da União Soviética. Ainda hoje existem países que executam a planificação econômica, como Cuba e Coreia do Norte.

Porém, a planificação econômica, da forma que foi implementada, não produzia uma quantidade de riquezas suficiente para melhorar o padrão de vida dos cidadãos soviéticos, deixando, em segundo plano, a produção de bens de consumo, que, além da pouca oferta, tinham qualidade inferior aos produtos produzidos em economias de mercado, concentrando os recursos apenas onde o Estado considerava importante e negligenciando o que alguns considerariam serem necessidades populares.

A insubmissão do setor agrícola[editar | editar código-fonte]

Poucos dias depois da vitória da Revolução de 1917, foi baixado um decreto de 26 de outubro, pelo qual as Autoridades Centrais aboliram o direito de propriedade sobre as terras. Esse ato foi ratificado pela Lei de Socialização da Terra, abrangendo a gestão da terra e dos rebanhos. Como resultado, houve um decréscimo da produção agrícola,a ponto de que, em 1921, "a produção agrícola representava cerca de 1/3 da alcançada em 1913". Nesse mesmo ano de 1921, foram implantadas algumas medidas liberalizantes, trocando por um imposto único o confisco da produção pelo Estado. Em 1922, foi expedido o Código Agrário, regulando certos tipos de propriedade rural. Em 1927/1928, houve o fim desse período liberalizante, com a introdução dos planos quinquenais. Ao fim do período do plano, em 1932 a agricultura recuara 25,7% em relação ao período 1927/1928.[4] Essa tendência seria observada em outras economias planificadas como a República Popular da China e a antiga Iugoslávia, impulsionando a troca dos modelos de fazendas coletivas para cooperativas agrícolas.

Crítica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Economia de penúria

O economista e filósofo Ludwig von Mises afirmou a impossibilidade do cálculo de preço, que é necessário para a implantação de um sistema econômico planificado. Para ser determinada uma meta de produção, o que seria a primeira etapa para a economia planificada, é necessário conhecer a demanda, que, por sua vez, para ser conhecida, necessita de um preço determinado pelo mercado. Como não há mercado na economia planificada, não é possível conhecer o preço, logo não é possível conhecer a demanda, tornando a edificação de uma economia planificada teoricamente impossível. Essa ideia foi ampliada e fortalecida por Friedrich Hayek.

Chineses trabalhando durante a noite iluminados por lanternas durante o período do Grande Salto Adiante (1958-1960)
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Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências


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