Oskar Lange

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Oskar Ryszard Lange
Nascimento 27 de julho de 1904
Tomaszów Mazowiecki, Polônia
Morte 2 de outubro de 1965 (61 anos)
Londres, Inglaterra
Ocupação economista
Influências
Escola/tradição Escola Marxista
Principais interesses Economia, Política econômica, Econometria
Ideias notáveis problema do cálculo econômico

Oskar Ryszard Lange (Tomaszów Mazowiecki, 27 de julho de 1904Londres, 2 de outubro de 1965) foi um economista e diplomata polonês. Suas idéias, opostas às de Ludwig von Mises, fizeram com que analisasse os preceitos econômicos da Escola Austríaca

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Oskar Lange era filho de Arthur Julius Lange e Sophie Albertine Rosner. Estudou direito e economia na Universidade de Cracóvia, onde se graduou em 1926 e obteve o mestrado em Direito em 1928. De 1926 a 1927, trabalhou no Ministério do Trabalho, em Varsóvia. Em seguida, foi assistente de pesquisa na Universidade de Cracóvia (1927–1931). Casou-se com Irene Oderfeld em 1932. Acusado de defender o comunismo, foi expulso do Partido Socialista Polonês. Resolveu, então, deixar a Polônia. Em 1934, obteve uma bolsa de estudos da Rockefeller Foundation e foi para a Inglaterra, de onde emigrou para os Estados Unidos em 1937. Tornou-se professor da Universidade de Chicago em 1938. Joseph Stalin ficou tão impressionado com o trabalho de Lange que não apenas conseguiu que o Presidente Franklin D. Roosevelt autorizasse o fornecimento de um passaporte para que Lange visitasse a União Soviética para falar com ele pessoalmente como também ofereceu-lhe um lugar no futuro gabinete polonês. Lange naturalizou-se americano em 1943. Pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial, ele rompe com o governo polonês no exílio, instalado em Londres, e passa a apoiar o Comitê Lublin (governo provisório da Polônia, estabelecido em 1944, e tutelado pela URSS[1]). Como resultado dessa viagem, as organizações de poloneses residentes nos Estados Unidos condenaram Lange e defenderam o governo polonês no exílio. Lange voltou aos Estados Unidos e se encontrou com o primeiro-ministro do governo polonês no exílio, Stanisław Mikołajczyk, que estava em Washington, D.C., e tentou convencê-lo de que as intenções de Stalin no tocante à Polônia poderiam ser razoáveis; ao mesmo tempo, Lange pediu ao Departamento de Estado que pressionasse os exilados poloneses. Posteriormente, Lange serviria como intermediário entre Franklin Delano Roosevelt e Joseph Stalin, na Conferência de Yalta, na discussão sobre o destino da Polônia após a guerra.

Monumento a Oskar Lange, na Universidade de Economia de Varsóvia

Após a guerra, em 1945, Lange voltou à Polônia e renunciou a sua cidadania americana.Voltaria aos Estados Unidos no mesmo ano como novo embaixador da Polônia (agora incluída na órbita soviética). [2]

Em 1946, Lange atuou como delegado da Polônia no Conselho de Segurança da ONU. Em 1947, retornou à Polônia, onde continuou a trabalhar para o governo polonês, ao mesmo tempo em que prosseguia suas atividades acadêmicas na Universidade de Varsóvia e na Escola de Planejamento e Estatística.

Entre 1961 e 1965, foi membro do Conselho de Estado Polonês, colegiado que atuava como chefe de estado coletivo.

O debate com a Escola Austríaca[editar | editar código-fonte]

O economista austríaco Ludwig von Mises a partir de 1920 e tendo como base as dificuldades econômicas da Revolução Russa defendeu posições liberais tais como a de que "o equilíbrio entre a oferta e a procura é impossível num mercado controlado" pois num comando centralizado da Política Econômica não existiria a escala de preços racional e operativa, o que impediria a alocação eficaz dos recursos disponíveis. No sistema liberal, a medição dos custos dos recursos e os preços de bens e serviços funcionariam como "índices de escassez" reproduzidos com fidelidade, o que não aconteceria no socialismo.

A primeira manifestação de Lange aconteceu em 1936 e baseou-se em dois pontos fundamentais: a calculabilidade dos preços (base do "índice de escassez") e a racionalidade do sistema. Em relação ao primeiro defendeu que a planificação socialista podia levar em conta preços históricos e seria mais eficiente pois não sofreria das "imperfeições do mercado". Quanto ao segundo, a visão global das alternativas de consumo, poupança, investimento e produção dada pela planificação garantiria a racionalidade. Acrescenta que a racionalidade da empresa capitalista tem um caráter privado e não social, o que leva "a um desperdício de meios e de recursos econômicos na escala do conjunto da sociedade". [3] Na sequência das observações, o inglês Maurice Dobb depois mudaria da calculabilidade dos preços e racionalidade do sistema para a análise do processo de acumulação.

Obra[editar | editar código-fonte]

Oskar Lange dedicou-se profundamente aos estudos econômicos, deixando cinco importantes obras:

  • (1959) Introdução à economia política;
  • (1960) Ensaios sobre planificação econômica;
  • (1962) Totalidade e desenvolvimento à luz da cibernética;
  • (1964) Problemas da economia socialista e da planificação.

Seu trabalho em prol da economia polonesa, para a qual propôs reformas capazes de reconciliar a planificação central com a relativa liberdade de mercado, acabou por influenciar a política econômica de outros países da Europa Oriental.

Obras publicadas no Brasil[editar | editar código-fonte]

  • Introdução à Econometria. Rio de Janeiro. Editora Fundo de Cultura, 1963.
  • Moderna Economia Política. Rio de Janeiro. Editora Fundo de Cultura, 1963.
  • "Economia Política". In: Economia (org. Lenina Pomeranz), coletânea de textos retirados de publicações científicas internacionais e polonesas. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo, Ática, 1981.

Referências

  1. Marek, Krystyna. Identity and Continuity of States in Public International Law. Genebra: Librairie Droz, 1968.
  2. «Lange to yield citizenship to be Poles' envoy». Chicago Daily Tribune [S.l.: s.n.] 20 August 1945. 
  3. ROSSETTI, José Paschoal. Política e Programação Econômicas. 3ª ed. Atlas, 1979, pp 92-94
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