Friedrich Hayek

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Friedrich Hayek Medalha Nobel
Nascimento 8 de maio de 1899
Viena, Cisleitânia, Áustria-Hungria
Morte 23 de março de 1992 (92 anos)
Friburgo em Brisgóvia, Baden-Württemberg, Alemanha
Nacionalidade Áustria Austríaco
Reino Unido Britânico
Influências
Influenciados
Magnum opus O Caminho da Servidão
Escola/tradição Escola Austríaca
Principais interesses Economia, Filosofia Social, Filosofia Política, Filosofia da mente, Epistemologia
Ideias notáveis Problema do cálculo econômico, Ordem espontânea, Conhecimento disperso, Catalaxia, Crítica ao planejamento da economia, Socialismo e Nazismo como formas de totalitarismo
Assinatura
Friedrich von Hayek signature.gif

Frederich August von Hayek (Viena, 8 de Maio de 1899Friburgo em Brisgóvia, 23 de Março de 1992) foi um economista e filósofo austríaco, posteriormente naturalizado britânico. Defensor do liberalismo clássico, é provavelmente melhor conhecido por sua associação à Escola Austríaca de pensamento econômico e por sua atuação como professor da London School of Economics. Deixou importantes contribuições para a psicologia, a teoria do direito, a economia e a política. Recebeu o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1974 "por seu trabalho pioneiro na teoria da moeda e flutuações econômicas e pela análise penetrante da interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e institucionais", que dividiu com um de seus principais rivais ideológicos, o economista socialista Gunnar Myrdal.

Nasceu em Viena, em uma família de cientistas e professores acadêmicos, onde seu pai era professor de Botânica na Universidade de Viena. Quando jovem, escolheu a carreira de economista. Serviu na Primeira Guerra Mundial, e disse que a experiência na Guerra e seu desejo para evitar que ressurgissem os erros que levaram à guerra fizeram grande influência na sua carreira. Ele morou na Áustria, na Grã-Bretanha, nos EUA e na Alemanha, e se tornou um cidadão britânico em 1938. Em 1952 publicou um livro sobre a percepção sensorial, The Sensory Order, que passou a ser incluído entre as obras de maior relevo na psicologia. Gastou o maior tempo de sua carreira na London School of Economics (LSE), na Universidade de Chicago, e na Universidade de Freiburg.

Em 1984, ele foi apontado como membro do Order of the Companions of Honour, pela Rainha Elizabeth II, no conselho da Primeira Ministra Margaret Thatcher, pelos seus "serviços no estudo da economia".[1] Ele foi o primeiro a receber o Hanns Martin Schleyer Prize, em 1984.[2] Recebeu também a US Presidential Medal of Freedom do presidente George H. W. Bush, em 1991. Em 2011, seu artigo O Uso do Conhecimento na Sociedade foi selecionado como um dos 20 principais artigos publicados pela The American Economic Review durante seus primeiros 100 anos.[3]

Foi um importante teórico social e filósofo político do século XX,[4] [5] e sua consideração sobre como a mudança dos preços comunica conhecimento, o que permite aos indivíduos coordenarem seus planos, é amplamente considerada como uma das grandes proezas da ciência econômica.[6] Na psicologia, propôs uma teoria da mente humana segundo a qual a mente é um sistema adaptativo. Em Economia, defendeu os méritos da ordem espontânea. Fez trabalhos importantes sobre a evolução social, sobre os fenômenos complexos e a metodologia das ciências sociais. Amplia a concepção constitucionalista liberal e teoriza sobre um sistema majoritariamente inspirado na commom law. Fundou a Mont Pèlerim Society com outros liberais para propagar o liberalismo no pós-guerra, entre os quais estavam Mises, Milton Friedman, Karl Popper, e outros pensadores de relevo.[7] Hayek fez bastante influência no ressurgimento do liberalismo no século XX, o que resultou, no plano prático, nos governos de Margaret Thatcher e Ronald Reagan.

Biografia e contribuições[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Friedrich von Hayek nasceu em 8 de Maio de 1889, em Viena. Seu pai, August von Hayek, foi um renomado botânico e um notável médico. Descendendo de uma família nobre, Hayek teve uma boa educação. Porém, em 1919, em razão de a Áustria banir os títulos de nobreza de seus cidadãos, sua família teve de retirar a etiqueta “von” do nome. O pai de Hayek deu sequência à tradição escolar da família, comprometendo-se com a botânica e escrevendo vários tratados no assunto. [8]

Um fato interessante é que Hayek era primo-segundo de Ludwig Wittgenstein, o renomado filósofo, e foi um dos primeiros sortudos a ter lido o ‘Tractatus Logico-Philosophicus’, a obra inovadora de Wittgesntein. Mais tarde, Hayek admitiu que a filosofia e as técnicas analíticas de Wittgesntein exerceram profundo impacto na sua vida e em suas ideias. Quando criança, seu pai sugeriu que ele lesse as obras de Hugo de Vries, juntamente com os trabalhos filosóficos de Ludwig Feuerbach. Durante seus anos escolares, Hayek ficou muito impressionado com as palestras sobre a ética aristotélica de um de seus tutores. Em 1917, foi para um regimento de artilharia no exército Áustro-Húngaro, e lutou bravamente na fronteira da Itália, perdendo parte da audição de sua orelha esquerda. Hayek até brincava com isso, dizendo que era uma coincidência histórica ele ter perdido parte da audição da orelha esquerda, enquanto Karl Marx havia perdido parte da audição da orelha direita. [9] Depois da guerra, Hayek trabalhou o resto da vida buscando uma carreira acadêmica com o propósito principal de impedir as situações que causaram a Primeira Guerra.

Educação[editar | editar código-fonte]

Hayek tinha uma ânsia por conseguir conhecimento, e, durante seus anos na Universidade de Viena, estudou extensivamente filosofia, psicologia e economia, e recebeu doutorados em direito e ciência política. Entre seus colegas de universidade, estavam pessoas que se tornariam proeminentes economistas, como Fritz Machlup, Gottfried von Haberler, e Oskar Morgenstern. Durante o tempo em que a universidade permaneceu fechada, Hayek se matriculou no Constantin von Monakow's Institute of Brain Anatomy. Nesse tempo, ele gastou mais seu tempo manchando células cerebrais para estudá-las. O tempo gasto no Laboratório de Monakow deu vazão à sua profunda curiosidade pelo trabalho de Ernst Mach, motivando seu primeiro projeto acadêmico, na área de psicologia, o qual foi publicado mais tarde sob o título de The Sensory Order (1952). Em seu último ano na Universidade de Viena, o trabalho de Carl Menger sobre a estratégia explanatória das ciências sociais, juntamente com a instrutiva presença de Friedrich Wieser na sala de tutorial, teve nele uma influência permanente. Sobre a tutela de Wieser, Hayek recebeu mais um doutorado, em economia.[10] Em 1923, ele foi para Nova York e, na New York University, se inscreveu para o programa de P.h.D, porém nesse tempo lhe faltou dinheiro, e ele teve de retornar a Viena. Depois desse retorno a Viena, Friedrich começou a trabalhar no campo da economia.[11]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Friedrich August von Hayek se casou com Helen Berta Maria von Fritsch em Agosto de 1926. Ela era secretária do escritório de serviço civil do governo da Áustria. Eles tiveram duas crianças. Em Júlio de 1950, se divorciaram e Hayek se juntou com Helene Bitterlich.[12]

Influência de Ludwig von Mises[editar | editar código-fonte]

Em Viena, Hayek conheceu Mises, um economista bastante conhecido na época por sua teoria monetária, e autor da obra Socialismo, que influenciou bastante Hayek. Segundo Hayek, essa obra fez com que ele deixasse de ter tendências socialistas fabianas e passasse a defender o liberalismo.[13] A obra de Mises foi publicada em 1922.[14] Nessa época, Hayek, junto com seus colegas Felix Kaufmann, Fritz Machlup, Alfred Schutz e Gottfried Haberler, passou a frequentar o seminário privado de Ludwig von Mises.[15]

Por recomendação de Wieser, quando voltou dos EUA, Hayek foi contratado por Mises como diretor do Instituto Austríaco de Ciclos Econômicos. Mises queria alguém que tivesse formação na área jurídica e entendesse economia. Para Wieser, Hayek tinha as duas características, e assim foi aceito no instituto. [16] Por influência da Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, defendida na época por Mises, Hayek escreveu o livro Monetary Theory and the Trade Cycle, em 1929. [17]

Na London School of Economics[editar | editar código-fonte]

Em 1931, Hayek foi convidado por Lionel Robbins a apresentar quatro palestras sobre economia monetária na Inglaterra, na London School of Economics and Political Science (LSE). Em razão das palestras, Hayek foi nomeado, para a universidade, como ‘Tooke Professor of Economic Science and Statistics’, cargo no qual ele permaneceu até 1950, tendo sido naturalizado britânico em 1938. Logo após entrar na LSE, Hayek se envolveu em um debate com John Maynard Keynes da Cambridge University. Hayek escreveu uma crítica extensa ao livro de Keynes Treatise on Money (1930), e Keynes replicou seu ataque criticando seu livro Prices and Production (1931). Ambos os economistas foram criticados por outros economistas, e isso os fizeram re-pensar sobre suas próprias teorias. Keynes concluiu essa auto-crítica primeiro, publicando em 1936 o que se tornaria o livro de economia mais conhecido da época, The General Theory of Employment, Interest and Money. O livro de Hayek foi aparecer apenas em 1941, The Pure Theory of Capital, mas o livro teve uma fama muito menor do que o livro de Keynes.

Em meados da década de 1930, Hayek travou um intenso debate com outros economistas sobre o socialismo. Esse debate foi sobre a (im)possibilidade de um sistema totalmente planificado. Esse debate começou a ter mais notoriedade com Mises, que na obra Socialismo, falou que em um sistema em que falta mercado e, assim, não há sistema de preços, não é possível fazer um cálculo econômico racional.[18] Esse debate ajudou a diferenciar abordagem da Escola Austríaca de outras escolas neoclássicas, que se focavam mais na teoria do equilíbrio geral.[19] Nesse debate, Hayek desenvolveu suas teses sobre o conhecimento aplicado à economia. Segundo ele, o conhecimento é sempre disperso na sociedade, usado de forma descentralizada e até contraditória entre cada indivíduo. Um planejador central nunca será capaz de obter o conhecimento de todos os processos econômicos, necessário para o cálculo, e sempre será menos eficiente na alocação dos recursos do que a ação empreendedora, feita por indivíduos descentralizadamente (ver abaixo: Hayek e a Wikipédia).[20] Esses trabalhos foram apresentados no London Economic Club em 1936.

Durante os anos da Segunda Guerra, a LSE evacuou para Cambridge. Nessa época, Hayek começou a criticar algumas doutrinas que ele chamou de “cientismo”, as quais ele definiu como a imitação do método das ciências naturais nas ciências sociais. Em 1944, ele publicou seu livro mais conhecido, The Road to Serfdom (O Caminho da Servidão), no qual ele mostra o risco, para a liberdade, das ideologias que pregavam planejamento central no pós-guerra, e mostrou a similaridade entre o nazifascismo com o socialismo/comunismo. No mesmo ano, Hayek foi eleito como um fellow na British Academy.

Final da Segunda Guerra, Chicago e a Mont Pèlerin Society[editar | editar código-fonte]

Em 1950, Hayek deixou a LSE para participar do Comitê sobre o Pensamento Social, na Universidade de Chicago. Seu primeiro curso foi um seminário sobre a filosofia da ciência, do qual participaram a maioria dos cientistas famosos da Universidade, incluindo Enrico Fermi, Sewall Wright e LeóSzilárd.

No final da Segunda Guerra, Hayek escreveu um trabalho sobre a psicologia baseado em seus estudos na área quando na Universidade de Viena. O livro se chamou Sensory Order (1952). Nesse livro, Hayek teoriza o mecanismo de plasticidade cerebral e de organização nos neurônios no cérebro de forma espontânea, o que passou a se chamar “aprendizado hebbiano” (ou Hayek-Hebbian Theory), o qual hoje é uma teoria relativamente bem aceita na academia científica. Seu trabalho em psicologia despertou atenção nas áreas de ciência cognitiva, ciência computacional, neurociência, ciência comportamental e psicologia evolutiva.

No mesmo ano, sua obra The Counter Revolution of Science (1952) foi publicada. Nela, Hayek explica seus trabalhos sobre o “abuso da razão” e o “cientismo”.

Em 1947, ele organizou 39 eruditos de 10 países diferentes, em Mont Pèlerin, no Lago de Gênova, nos Alpes Suíços. Esse foi o começo da Mont Pèlerin Society, organização fundada com o objetivo de reunir intelectuais alinhados aos princípios liberais clássicos em todo o mundo. Entre esses intelectuais, estavam Lionel Robbins, Ludwig von Mises, Milton Friedman, Fritz Machlup, Frank Knight, George Stigler, Walter Eucken, Aaron Director, Michael Polanyi e o filósofo austríaco Karl Popper. Hayek ajudou Popper a ir à LSE e a publicar seu livro A Sociedade Aberta e Seus Inimigos (1945).[21] Os dois permaneceram amigos para o resto da vida. Trocavam cartas, debatiam temas filosóficos, e ambos fizeram dedicatórias de livros entre si.

Em Chicago, Hayek permaneceu por 12 anos. Lá, ele escreve artigos sobre vários assuntos, como filosofia política, história das ideias e metodologia das ciências sociais. Aspectos dessa ampla gama de assuntos foram mostrados em seu livro The Constitution of Liberty (1960), o qual, segundo Hayek, ele teria preferido que fizesse mais sucesso do que O Caminho da Servidão, mas isso não aconteceu.

Saída de Chicago, nobel e últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1962, Hayek deixa a Universidade de Chicago e vai para a Universidade de Friburgo em Breisgau, na Alemanha Ocidental. Lá, ele permaneceu até 1968, quando aceitou o cargo de professor honorário na Universidade de Salzburg, na Áustria.

Em 1974, Hayek ganhou o Prêmio Nobel de economia “por seu trabalho pioneiro na teoria da moeda e flutuações econômicas e pela análise penetrante da interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e institucionais", o qual, ironicamente, foi dividido com um de seus maiores rivais ideológicos, o economista socialista Gunnar Myrdal. O Prêmio Nobel fez com que Hayek se revigorasse intelectualmente, voltando à produção intelectual de forma mais consistente. [22]

Retornou para Friburgo em 1977, e finalizou seu trabalho de três volumes Law, Legislation and Liberty (em português, Direito, Legislação e Liberdade) - 1973-1979.[23] Nessa obra, Hayek foca seus esforços em explicar as relações entre o sistema jurídico e a liberdade. Segundo ele, a lei deve ser mais descentralizada, como a commom law, dos países de tradição inglesa, e menos rígida e impositiva como a civil law. No segundo volume, ele critica as concepções de “justiça social”, que cresceram bastante na época principalmente depois da publicação de Uma Teoria da Justiça, de John Rawls. No terceiro livro, ele tenta conceber um modelo político ideal. A principal característica é que o legislativo deve ter mais limitações na criação das leis.

Cético quanto à democracia, Hayek elogiou o governo de Pinochet no Chile, que implantou um modelo econômico liberal baseado nos Chicago Boys, discípulos da economia de seu amigo Milton Friedman. Segundo Hayek, a democracia não é condição essencial à liberdade. O Chile, sob o governo de Salvador Allende (que possuía ideias comunistas), estava muito pior do que sobre Pinochet, embora o último tenha sido anti-democrático.

Com a deterioração de sua saúde, o filósofo William Bartley o ajudou a editar e publicar sua última obra, The Fatal Conceit: The Erros of Socialism (A Arrogância Fatal: Os Erros do Socialismo, em português), em 1988. Hayek morreu quatro anos depois, em 1992, com 92 anos de idadade, chegando a ter visto a queda da União Soviética e a reunificação da Alemanha.[24]

Principais teses[editar | editar código-fonte]

Hayek, como defensor do liberalismo clássico, travou intensos debates com aqueles que defendiam o planejamento central na economia. Segundo ele, o planejamento econômico confunde o mercado e destrói a ordem espontânea, já que os preços guiam os indivíduos para a melhor alocação dos recursos, e a intervenção nesse sistema é sempre prejudicial. A função do estado é manter uma base de ações previsíveis, focando na proteção da propriedade privada, para que as ações dos indivíduos não sejam prejudicadas no decorrer do percurso e podem vir a ajudar a sociedade através de um processo que Adam Smith chamou de "mão invisível".

Ele também travou intensos debates com aqueles que defendiam o socialismo. Mises abriu os olhos, principalmente nos países de língua alemã, sobre o problema da impossibilidade do socialismo, já que não há mercados, e assim não existem preços e cálculo econômico. Contra as respostas socialistas dadas ao desafio de Mises, Hayek desenvolve diversas teses, como a da dispersão do conhecimento, dizendo que um planejador central não é capaz de planejar a ordem econômica, já que o conhecimento se encontra disperso entre os indivíduos, e o planejamento descentralizado se torna assim mais eficiente.

Desenvolve trabalhos sobre a psicologia, no que ficou posteriormente conhecido como "hayek-hebb synaptic model". Ele desenvolve a ideia, entre outras, de que os neurônios se ajustam espontaneamente, no que ficou comprovado por alguns estudos sobre a plasticidade cerebral.

Realiza trabalhos com Mises sobre os ciclos econômicos na visão da Escola Austríaca, e publica várias obras sobre capital, moeda, preços e produção, nas décadas de 1920 e 1930, em razão das quais (principalmente) ele ganha o Prêmio Nobel posteriormente.

Seu livro The Road to Serfdom (O Caminho da Servidão) fez enorme sucesso nos países de língua inglesa, mas mais ainda nos EUA. Nesse livro, ele expõe as teses sobre a ineficiência das intervenções do governo na economia, e mostra como essas intervenções podem levar a sociedade à falta de outras liberdades. Na época do livro, vários países estavam se direcionando para longe dos princípios liberais clássicos, e o livro serviu de um grande aviso para os riscos dessa mudança. No mesmo livro, Hayek demonstra as semelhanças do nazifascismo com o socialismo/comunismo.

Tendo como uma das principais influências seu amigo Karl Popper, Hayek realiza vários trabalhos sobre a metodologia das ciências, principalmente as ciências sociais. Publica obras em que avisa do perigo da imitação das ciências naturais nas ciências sociais. Rejeita o positivismo. Criticou o que ele chamava de "cientismo" ou "construtivismo", e fez trabalhos importantes sobre os fenômenos complexos.

Em seu The Constitution of Liberty - que segundo ele seria melhor que fizesse mais sucesso do que The Road to Serfdom - fala sobre as vantagens da liberdade, e desenvolve, renova e amplia o constitucionalismo liberal.

Em The Denationalization of Money, Hayek prega que o estado deixe de emitir moedas de curso forçado, e deixe que moedas privadas possam ser emitidas e usadas na economia, de forma que elas compitam e a "melhor moeda" ganhe.[25] [26]

Em sua obra de três volumes sobre a lei - Law, Legislation and Liberty - advoga por um sistema jurídico baseado na commom law britânica, na qual as leis são desenvolvidas mais descentralizadamente, principalmente pelas próprias cortes, e melhoradas com o tempo. Apesar disso, seguindo ainda a tradição constitucionalista, Hayek diz que o legislativo teora uma função na elaboração das leis mais básicas e na positivação de algumas leis desenvolvidas na commom law.

Ele desenvolve obras sobre evolucionismo social, baseando-se nos iluministas escoceses. Segundo essa concepção, inconscientemente e sem se basear totalmente nos instintos, a sociedade desenvolve regras de conduta e valores culturais, como religião, língua, de forma que elas facilitam a vida em sociedade.

Influência pelo mundo[editar | editar código-fonte]

Milton Friedman disse, sobre Hayek, que "sua influência tem sido tremenda".[27]

Popper disse uma vez que “o trabalho de Hayek marca o começo do debate mais fundamental no campo da filosofia política”.[28]

O filósofo conservador Roger Scruton falou que Hayek “é um dos maiores pensadores do nosso tempo”.[29]

Saiu na revista The Economist que: "O terceiro-quarto desse século [século XX] tem sido tem sido descrito como 'o tempo de Keynes'. Em termos de problemas econômicos para enfrentar, o atual período pode corretamente ser chamado de o 'tempo de Hayek'."[30]

Influência na política do Leste Europeu[editar | editar código-fonte]

O presidente dos EUA Ronald Reagan colocou Hayek entre as duas ou três pessoas que mais influenciaram sua filosofia, e o acolheu na Casa Branca como convidado especial. Nos anos 70 e 80, os escritos de Hayek também exerceram uma grande influência nos líderes da revolução “velvet”, na Europa Central, durante o colapso da União Soviética. Aqui estão alguns exemplos que suportam essa influência:

Não há nenhuma figura que teve influência tão grande, nenhuma pessoa que teve mais influência sobre os intelectuais por trás da Cortina de Ferro do que Friedrich Hayek. Seus livros foram traduzidos e publicados por edições em mercados negros e secretos, lidos amplamente, e sem dúvida influenciaram o clima da opinião, o que, em última instância, trouxe o colapso da União Soviética.[31]
Milton Friedman (Hoover Institution)
Os mais interessantes entre os dissidentes de 1980 foram os liberais clássicos, discípulos de F. A. Hayek, de quem eles haviam aprendido sobre a importância crucial da liberdade econômica e da, na maioria das vezes ignorada, diferença conceitual entre liberalismo e democracia.[32]
Andrzej Walicki (History, Notre Dame)
O primeiro ministro da Estónia Mart Laar veio ao meu escritório outro dia para verificar a notável transformação desse país. Ele descreveu uma nação de pessoas que trabalhavam duro, mais virtuosas – sim, mais virtuosas, porque o mercado pune a imoralidade – e mais esperançosas sobre o futuro do que nunca foram em toda a história. Eu perguntei ao senhor Laar sobre onde o governo obteve a ideia dessas reformas. Você imagina o que ele respondeu? Ele disse: “Nós lemos Milton Friedman e Friedrich Hayek.[33]
—US Representative Dick Armey
Eu tinha 25 anos de idade e estava à busca de meu doutorado em economia quando a mim foi permitido gastar seis meses de estudos de pós-graduação em Nápoles, Itália. Eu li os livros-texto de economia do Ocidente e também o trabalho mais geral de pessoas como Hayek. No tempo em que retornei à Czechoslovakia, eu tinha um entendimento dos princípios do mercado. Em 1968, eu estava contente com o liberalismo político de Dubcek Prague Spring, mas fui bastante crítico da Terceira Via que eles buscaram na economia.[34]
Václav Klaus (former President of the Czech Republic)

Hayek e a Wikipédia[editar | editar código-fonte]

O fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, disse que Hayek é de importância central para se entender a Wikipédia. Quando graduando, Wales leu seu artigo The Use of Knowledge in Society (O Uso do Conhecimento na Sociedade), que o influenciou bastante. Segundo Hayek, a informação sempre se encontra dispersa, e nunca de forma centralizada. É impossível para um planejador central, ou uma autoridade central, conhecer melhor como controlar o sistema econômico do que a “soma” do conhecimento local de cada pessoa na sociedade. Dessa forma, sistemas sociais descentralizados tendem a administrar melhor essa informação, obtendo uma eficiência maior que uma autoridade central.

A Wikipédia é um exemplo de "ordem espontânea", na concepção hayekiana, sendo o resultado dos esforços conjuntos das pessoas para acumular conhecimento. Não são apenas "intelectuais" que escrevem, mas é um processo em que todos têm essa condição, e há uma auto-correção do processo por meio dos esforços dos indivíduos. Na Wikipédia, cada pessoa contribui com seu próprio conhecimento, formando um conjunto mais ou menos ordenado e auto-corretivo.

Segundo Wales, “não se pode entender minhas ideias sobre a Wikipédia sem entender Hayek”. E ele acrescenta: “O trabalhos de Hayek sobre o sistema de preços é central para a maneira como eu administro o Wikipedia Project”.[35]

Citações[editar | editar código-fonte]

Sobre a ordem espontânea[editar | editar código-fonte]

"O que na verdade constatamos em todas as sociedades livres é que, embora grupos de homens se unam em organizações para consecução de alguns fins específicos, a coordenação das atividades de todas essas várias organizações, bem como dos diversos indivíduos, é produzida pelas forças que favorecem uma ordem espontânea. A família, a propriedade rural, a fábrica, a pequena e a grande empresa e as diversas associações [...] são organizações que, por sua vez, estão integradas numa ordem espontânea mais abrangente."[36]


"Essa ordem, ao implicar um ajustamento a circunstâncias, cujo conhecimento está disperso por um grande número de indivíduos, não pode ser estabelecida por um sistema que centraliza as decisões. Só pode decorrer do ajustamento mútuo dos vários elementos e da sua reação aos eventos que atuam imediatamente sobre eles."[37]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Monetary Theory and the Trade Cycle, 1929.
  • Prices and Production, 1931.
  • Monetary Nationalism and International Stability, 1937.
  • Profits, Interest and Investment - and other essays on the theory of industrial fluctuations, 1939.
  • O Caminho da Servidão, 1944.
  • Individualism and Economic Order, 1948.
  • The Counter-Revolution of Science: Studies on the Abuse of Reason, 1952.
  • The Constitution of Liberty, 1960.
  • Studies in Philosophy, Politics and Economics, 1967.
  • A Tiger by the Tail, 1972.
  • Law, Legislation and Liberty, 3 volumes, 1973.
  • Denationalisation of Money, 1976.
  • New Studies in Philosophy, Politics, Economics and the History of Ideas, 1978.
  • 1980s Unemployment and the Unions, 1980.
  • The Fatal Conceit: The Errors of Socialism, 1989.

Livros disponíveis em português[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.schleyer-stiftung.de/preise/hms_preis/preise_schleyer_preistraeger_e.html
  2. http://www.schleyer-stiftung.de/preise/hms_preis/preise_schleyer_preistraeger_e.html
  3. Arrow, Kenneth J.; Bernheim, B. Douglas; Feldstein, Martin S.; McFadden, Daniel L.; Poterba, James M.; Solow, Robert M. (2011). "100 Years of the American Economic Review: The Top 20 Articles". American Economic Review [S.l.: s.n.] 101 (1): 1–8. doi:10.1257/aer.101.1.1. 
  4. Edward Feser (2006). "The Cambridge Companion to Hayek (Introduction)". Cambridge University Press. among the most important economists and political philosophers of the twentieth century. ... [He was] almost certainly the most consequential thinker of the mainstream political right in the twentieth century. It is just possible that he was the most consequential twentieth century political thinker, right or left, period. 
  5. Schrepel, Thibault (January 2015). "Friedrich Hayek's Contribution to Antitrust Law and Its Modern Application". ICC Global Antitrust Review [S.l.: s.n.]: 199–216. 
  6. Skarbek, David (March 2009). "F. A. Hayek's Influence on Nobel Prize Winners" (PDF). Review of Austrian Economics [S.l.: s.n.] 22 (1): 109–112. doi:10.1007/s11138-008-0069-x. 
  7. https://www.montpelerin.org/about-mps/%7CSobre a Mont Pèlerin Society
  8. [1]
  9. [2]
  10. [http://www.britannica.com/biography/F-A-Hayek
  11. [3]
  12. [4]
  13. http://www.hayek.ufm.edu/index.php?title=Axel_Leijonhufvud
  14. [5]
  15. [6]
  16. [7]
  17. [8]
  18. [ https://mises.org/library/moral-imperative-market]
  19. [9]
  20. [ http://mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=593]
  21. [ http://www.britannica.com/biography/F-A-Hayek]
  22. [10]
  23. http://www.britannica.com/biography/F-A-Hayek
  24. [11]
  25. "Ron Paul, Upping the Ante in His Campaign for Liberty, Hoists the Flag of Hayek". New York Sun. Consult. 28 January 2013. 
  26. “There is no justification in history for the existing position of a government monopoly of issuing money. It has never been proposed on the ground that government will give us better money than anybody else could.” See here
  27. |Contra-Capa de The Fatal Conceit
  28. de Law, Legislation and Liberty, editor Routedgle
  29. de The Fatal Conceit
  30. Contra-capa de The Fatal Conceit
  31. "Transcript for: Friedrich Hayek". pbs.org. Consult. February 14, 2015. 
  32. Andrzy Walicki, "Liberalism in Poland", Critical Review, Winter, 1988, p. 9.
  33. Dick Armey, "Address at the Dedication of the Hayek Auditorium", Cato Institute, Washington, D.C., 9 May 1995.
  34. Vaclav Klaus, "No Third Way Out: Creating a Capitalist Czechoslovakia", Reason, 1990, (June): 28–31.
  35. Wikipedia and Beyond, Reason TV, 2007
  36. HAYEK, 1985, p. 48
  37. (HAYEK, 1983, p. 177).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel
1974
com Gunnar Myrdal
Sucedido por
Leonid Kantorovich e Tjalling Koopmans