Foquismo

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O foquismo é uma teoria revolucionária inspirada por Che Guevara e desenvolvida por Régis Debray. Foi adotada, nos anos 1960, pelos grupos armados de esquerda e consistia, basicamente, em criar focos (daí o nome) de revolução no mundo, como forma de enfraquecer o imperialismo. A premissa era de que a criação de múltiplos focos de guerrilha rural dificultava a ação repressora por parte das forças armadas governamentais. A conhecida frase de Che Guevara sobre a necessidade de criar "um, dois, três, muitos Vietnãs", reflete tal pensamento. No Brasil, embora alguns autores afirmem que a guerrilha do Araguaia[1] tenha sido uma expressão do foquismo, outros afirmam que sua maior influência foi a chamada Guerra popular prolongada propagada pelos comunistas chineses e que teve como seguidor no Brasil o Partido Comunista do Brasil PC do B, organizador desse movimento armado. [2].

Até a vitória da Revolução Cubana, em 1959, as referências para a esquerda revolucionária em todo o mundo eram a Revolução Russa e a Revolução Chinesa. A vitória de chineses e soviéticos deu-se através de movimentos de massa, enquanto que a Revolução Cubana tornou-se vitoriosa por meio da luta armada direta, através da guerrilha.

Cuba tornou-se um divisor de águas. Até então os Partidos Comunistas seguiam a orientação hegemônica do PCUS, que era contrário à exportação da revolução. No momento em que Cuba torna-se vitoriosa através da guerra de guerrilha, houve uma reviravolta. A Revolução Cubana fora feita não por um partido comunista, mas pelo Movimento Revolucionário 26 de Julho,[3] dirigido por Fidel Castro. A partir daí há uma grande cisão nos PC's, com o surgimento de novos partidos, que aderiram à luta armada como via para se alcançar o socialismo.

A teoria[editar | editar código-fonte]

Em seu texto La guerra de guerrillas, Guevara postulou que a experiência da Revolução Cubana demostrava que "nem sempre se deve esperar que sejam dadas todas as condições para a revolução", pois um pequeno foco que iniciasse ações típicas da guerra de guerrilhas poderia conseguir, com relativa rapidez, fazer com que a revolução se expandisse, provocando o levantamento das massas e, afinal, a derrocada do regime.[4] O "Che" considerava válida esta abordagem principalmente para os países atrasados, e defendia que os "focos" deveriam tomar como base social o campesinato.

A teoria foi colocada em prática pelo próprio Guevara, primeiramente no Congo, com Laurent-Désiré Kabila e depois, na Bolivia. Nenhuma das duas tentativas teve êxito, sendo que a segunda terminou com o assassinato do próprio Che e a captura do seu grupo pelas forças do exército boliviano, apoiadas pela CIA.[5] Durante as décadas de 1970 e 1980, grupos de diversas tendências políticas (não só em países subdesenvolvidos) assumiram o foquismo como estratégia. Nenhum conseguiu levar adiante uma revolução socialista[6]. O foquismo recebeu numerosas e fortes críticas nos círculos marxistas. Tem sido muitas vezes confundido com o método de guerra de guerrilhas, amplamente utilizado em diversos processos revolucionários socialistas triunfantes como os da Iugoslávia e do Vietnã.

Referências

  1. O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro, por Denise Rollemberg. Rio de Janeiro, Mauad, 2001. ISBN 85-7478-032-4.
  2. PEIXOTO, Rodrigo Corrêa Diniz. Memória social da Guerrilha do Araguaia e da guerra que veio depois. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.6 no.3 Belém Sept./Dec. 2011. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1981-81222011000300002
  3. O MR-26 de Julho foi assim denominado em alusão à data do mal sucedido assalto ao Quartel Moncada, em 1953, empreendido por um grupo de 135 guerrilheiros, opositores da ditadura de Fulgencio Batista, comandados por Fidel Castro, Raúl Castro e Abel Santamaría. O ataque resultou na morte de aproximadamente 80 revolucionários, com a prisão dos demais, inclusive a de Fidel Castro.
  4. GUEVARA, Ernesto. La Guerra de Guerrillas, Capítulo I - Principios generales de la lucha guerrillera 1. Esencia de la lucha guerrillera
  5. Ex-agente da CIA relata momentos finais de Che. BBC, 7 de outubro de 2007.
  6. REZENDE, Claudinei Cássio. Suicídio Revolucionário. São Paulo, Editora Unesp, 2010.