Críticas ao marxismo

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Memorial para as vítimas do comunismo, localizado em Washington. A estátua representa a deusa da democracia[carece de fontes?]

Vários aspectos do marxismo são alvos de críticas. Diversos autores levantaram objeções ao pensamento político e filosófico de Karl Marx.

A principal crítica feita ao Marxismo na atualidade alega que este possui caráter simplista[carece de fontes?], seja na organização da sociedade em classes (capitalista e proletariado), seja nas diversas interpretações que Marx faz da inter-relação direta entre os fatores sociais de consciência (como cultura, religião e política) e os da economia[carece de fontes?]. A posição dos críticos é que Karl Marx e Friedrich Engels levavam a análise de todas as ações humanas para o campo da luta de classes, desconsiderando que há diversas ações humanas que não podem ser explicadas tão-somente por uma busca por melhores meios de produção ou por vantagens econômicas.[carece de fontes?]

Segundo alguns destes críticos, as razões de caráter econômico também são insuficientes para explicar fenômenos modernos como a busca do homem pelo status, ainda que este não venha a representar qualquer vantagem econômica, ou o crescimento da cultura das celebridades. [carece de fontes?] Também depõem contra as ideias de Karl Marx o resultado histórico dos diversos regimes que foram influenciados pelo ideário político-ideológico do Marxismo, como a União Soviética, o regime castrista de Cuba e as chamadas "repúblicas vermelhas" do Sudeste Asiático.[1][2][3][4]

Peter Singer[editar | editar código-fonte]

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Peter Singer é um filósofo e professor australiano. É professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Atua na área de ética prática, tratando questões de Ética de uma perspectiva utilitarista. Singer, assim como muitos cientistas cognitivos como Steven Pinker, criticam Marx pois este, para construir suas ideias, parte da premissa segundo a qual a mente seria uma tábula rasa, uma lousa em branco, algo totalmente e infinitamente plástico (tal tese foi criada por Locke e foi sustentada por Marx) Nas Teses sobre Feuerbach (IV), Marx escreveu: "... A essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo único. Na sua realidade ela é o conjunto das relações sociais." Como Peter Singer observou: "Decorre dessa crença que se você mudar totalmente o conjunto das relações sociais, você pode mudar totalmente a natureza humana. [basicamente, diz que a consciência individual é determinada pelo contexto de produção e histórico assim como o grupo no qual o indivíduo está inserido] Esta afirmação vai ao cerne do Marxismo e, de forma mais ampla, aos pensamentos marxistas. Como resultado, isso afeta muito do pensamento de toda a esquerda.". (Trata-se de uma interpretação grosseira onde se produz uma verdadeira “fábula" a respeito da referida citação de Marx) "O modo de produção da vida material condiciona os processos da vida política, social e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas, pelo contrário, seu ser social que determina sua consciência." (Marx, Contribuição à Crítica da Economia Política). A citação acima de Marx é claramente uma declaração de reducionismo econômico que, novamente, parece servir como a fundação do materialismo histórico. Até mesmo a mais reducionista visão da genética irá reconhecer que o modo de produção influencia o comportamento humano em certa medida, mas nenhum estudioso da mente humana contemporâneo envolvido no debate inatismo versus criação diria que a totalidade da consciência é determinada pelo modo de produção sob o qual as pessoas vivem . O indivíduo não é totalmente moldado pela sociedade e nenhum estudo contemporâneo na área das ciências cognitivas e neurociência dá embasamento à afirmação de que a mente humana é totalmente moldada pela cultura ou grupo ao qual o indivíduo pertence (há alguns parágrafos anteriores foi afirmado que a consciência humana era determinada pelo modo de produção, agora se afirma que é a cultura que a determina.). Esse tipo de afirmação pode ser chamado de "reducionismo cultural"

Raymond Aron[editar | editar código-fonte]

O intelectual francês Raymond Aron em sua obra O ópio dos intelectuais afirma que nenhuma outra doutrina criou no homem, como o marxismo, uma "ilusão da onipotência". Acreditava que o marxismo havia se tornado uma ideologia e, por isso, considerava-o "o ópio dos intelectuais".

Afirma no livro que "as sociedades ocidentais não têm o equivalente ao marxismo-leninismo, seja como base para o regime, seja como fundamento de uma síntese, ou pseudo-síntese, intelectual". Ideologia, segundo Aron, era "uma concepção mais ou menos sistemática da realidade política e histórica de mistura de fatos e valores".

Aron considerava o Comunismo "uma versão aviltada da mensagem cristã". Afirma que o comunismo retém do cristianismo "a ambição de conquistar a natureza, de melhorar a sorte dos humildes". Porém, segundo Aron, o comunismo "sacrifica o que foi e continua sendo a alma da aventura definitiva: a liberdade de pesquisa, a liberdade de controvérsia, a liberdade de crítica e de voto do cidadão. Submete o desenvolvimento da economia a um planejamento rigoroso e a edificação socialista a uma ortodoxia de Estado".

Ainda sobre a questão cristã, Aron entendia que "o cristão nunca poderá ser um autêntico comunista, do mesmo modo que o comunista não pode crer em Deus ou no Cristo, porque a religião secular, animada por um ateísmo fundamental, declara que o destino do homem cumpre-se todo inteiro nesta terra. O cristão progressista esconde de si mesmo essa incompatibilidade".

Leslie Page[editar | editar código-fonte]

O historiador britânico Leslie Page publicou em 1987 o livro "Karl Marx e o exame crítico de suas obras".[5] A obra cobre um período de cinquenta anos, de 1844-1894, e é baseada nas edições inglesas das "Marx/Engels Collected Works" (Obras Reunidas de Marx/Engels) e "Marx/Engels Selected Works" (Obras Selecionadas de Marx/Engels). Um segundo volume com o mesmo título foi publicado no ano 2000.[6]

Page pretendeu destacar as opiniões geralmente desconhecidas ou omitidas de Marx e Engels sobre diversos assuntos como: a revolução, o terror revolucionário, o uso da força e o terrorismo. As obras de Page contribuíram para o debate que se desenvolveu sobre até que ponto Marx poderia ser responsabilizado pelas experiências do socialismo real[carece de fontes?].

Inicialmente Page destaca o Manifesto Comunista, a Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas (1850), e as publicações do Die Neue Rheinische Zeitung (Nova Gazeta Renana), publicado em Colônia a partir de 1 de junho de 1848 a 19 de maio de 1849. Marx e Engels dirigiram o jornal, Marx sendo o seu redator-chefe. No artigo "Marx e a Nova Gazeta Renana" publicado em 1884 Engels declara "A composição editorial era simplesmente a ditadura de Marx". Lênin descreveu o jornal como "o mais belo e insuperável órgão do proletariado revolucionário"[carece de fontes?].

O "Plano de guerra contra a democracia"[editar | editar código-fonte]

Na página 50 de "Karl Marx and Critical Examination of his Works" (1987) Leslie Page refere-se a obra "The Red Prussian: The Life and Legend of Karl Marx" do autor Leopold Schwarzschild publicado em 1947 nos Estados unidos e em 1948 na Grã-bretanha. Schwarzschild faz uma citação da Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas – 1850 ("Mensagem").

Segundo Robert Payne, "Embora pouco conhecido e raramente estudado", a "Mensagem" é "um dos mais importantes e seminais do século XIX", ela "agiu como uma bomba que possuía um fusível atrasado, explodindo somente no século XX".[7]

Eric Voegelin[editar | editar código-fonte]

Eric Voegelin talvez seja um dos críticos mais severos de Karl Marx[carece de fontes?]. No seu livro "Reflexões Autobiográficas" relata que, induzido pela onda de interesse sobre a Revolução Russa de 1917, estudou "O Capital" de Marx e foi marxista entre agosto e dezembro de 1919. Porém, durante seu curso universitário, ao estudar disciplinas de teoria econômica e história da teoria econômica aprendera o que estava errado em Marx[carece de fontes?].

Voegelin afirma que Marx comete uma grave distorção ao escrever sobre Hegel. Como prova de sua afirmação cita os editores dos Frühschiften [Escritos de Juventude] de Karl Marx (Kröner, 1955), especialmente Siegfried Landshut, que dizem o seguinte sobre o estudo feito por Marx da "Filosofia do Direito" de Hegel:

"Ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, se nos é dado falar desta maneira, Marx transforma todos os conceitos que Hegel concebeu como predicados da ideia em anunciados sobre fatos".

Para Voegelin, ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, Marx pretendia sustentar uma ideologia que lhe permitisse apoiar a violência contra seres humanos afetando indignação moral e, por isso, Voegelin considera Karl Marx um mistificador deliberado. Afirma que o charlatanismo de Marx reside também na terminante recusa de dialogar com o argumento etiológico de Aristóteles. Argumenta que, embora tenha recebido uma excelente formação filosófica, Marx sabia que o problema da etiologia na existência humana era central para uma filosofia do homem e que, se quisesse destruir a humanidade do homem fazendo dele um "homem socialista", Marx precisava repelir a todo custo o argumento etiológico[carece de fontes?].

Segundo Voegelin, Marx e Engels enunciam um disparate ao iniciarem o Manifesto Comunista com a afirmação categórica de que toda a história social até o presente foi a história da luta de classes. Eles sabiam, desde o colégio, que outras lutas existiram na história, como as Guerras Médicas, as conquistas de Alexandre, a Guerra do Peloponeso, as Guerras Púnicas e a expansão do Império Romano, as quais decididamente nada tiveram de luta de classes[carece de fontes?].

Voegelin diz que Marx levanta questões que são impossíveis de serem resolvidas pelo "homem socialista". Também alega que Marx conduz a uma realidade alternativa, a qual não tem necessariamente nenhum vínculo com a realidade objetiva do sujeito. Segundo Voeglin, quando a realidade entra em conflito com Marx, ele descarta a realidade. [8]

José Guilherme Merquior[editar | editar código-fonte]

No âmbito nacional, José Guilherme Merquior foi um dos grandes críticos do marxismo[carece de fontes?]. O diplomata membro da Academia Brasileira de Letras aponta que, o socialismo, em suas origens intelectuais, não era uma teoria política e sim uma teoria econômica que procurava reestruturar a indústria. O movimento foi se politizar com Karl Marx, que fundiu a crítica do liberalismo econômico com a tradição revolucionária do comunismo.

Ainda de acordo com Merquior, Marx nunca valorizou os direitos civis e chegou a condená-los, vendo neles mero instrumento de exploração de classe. O marxismo, em especial regimes comunistas, sempre refletiu esse menosprezo pelos direitos de expressão, profissão, associação, etc.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Besançon, Alain; A infelicidade do século: sobre o comunismo, o nazismo e a unicidade de Shoah. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.
  2. Koba the Dread - Laghter and the Twenty Million" - Vintage - 2002 - p.85-86
  3. Courtois, Stéphane [et al.]; O Livro Negro do Comunismo: crimes, terror e repressão. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
  4. Courtois, Stéphane [et al.]; Cortar o mal pela raiz!: história e memória do comunismo na Europa. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
  5. PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works. Londres: Freedom Association, 1987.
  6. PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works – Part 2. Londres: Sentinel Publishing, 2000.
  7. PAYNE, Robert; Marx. Londres: W. H. ALLEN & COMPANY, 1968.
  8. Voegelin, Eric (1996). Estudos de ideias políticas de Erasmo a Nietzsche. [S.l.]: Ática Press. ISBN 972617130X. Consultado em 2 de agosto de 2016. 
  9. «SOCIALISMO E LIBERALISMO». Consultado em 25 de dezembro de 2016. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PAYNE, Robert; Marx. Londres: W. H. ALLEN & COMPANY, 1968.
  • ARON, Raymond; O Ópio dos Intelectuais. Tradução de Yvonne Jean. Brasília: Ed. UNB, 1980.
  • PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works. Londres: Freedom Association, 1987.
  • PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works - Part 2. Londres: Sentinel Publishing, 2000.
  • JOHNSON, Paul; Os Intelectuais. Rio de Janeiro: Imago, 1990.
  • MISES, Ludwig von; Marxismo Desmascarado. Campinas: Vide Editorial, 2016.
  • VOEGELIN, Eric; Reflexões Autobiográficas. Rio de Janeiro: É Realizações, 2008.
  • SINGER, Peter; A Darwinian Left: Politics, Evolution, and Cooperation. Yale University Press, 2000.
  • BERMAN, Marshall. Tudo que É Sólido Desmancha no Ar
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