Pier Paolo Pasolini

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Pier Paolo Pasolini
Nascimento 5 de março de 1922
Bolonha, Itália
Morte 2 de novembro de 1975 (53 anos)
Óstia, Itália
Nacionalidade Itália italiano
Ocupação professor, escritor, poeta e cineasta
Prémios Grand Prix do Júri
1971

Urso de Ouro
1972
Grand Prix Spécial du Jury (1974)

Pier Paolo Pasolini (Bolonha, 5 de março de 1922Óstia, 2 de novembro de 1975) foi um cineasta, poeta e escritor italiano. Em seus trabalhos, Pasolini demonstrou uma versatilidade cultural única e extraordinária, que serviu para transformá-lo numa figura controversa. Embora seu trabalho continue a gerar polêmica e controvérsia até hoje, enquanto Pasolini ainda era vivo, seus trabalhos foram tidos como obras de arte segundo muitos pensadores da Cultura italiana.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Era filho de Carlo Alberto Pasolini, militar de carreira, e de Susanna Colussi, professora primária, natural de Casarsa della Delizia (Friul), ao norte da Itália. Teve um irmão chamado Guidalberto Pasolini (1925 - 1945), que faleceu em uma emboscada lutando na Segunda Guerra Mundial. Em 1926, o pai de Pasolini foi preso por dívidas de jogo, e sua mãe mudou-se para a casa de sua família em Casarsa della Delizia, na região de Friuli.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Em 1939, Pasolini graduou-se em literatura pela Universidade de Bologna. Era homossexual assumido e um artista solitário. Antes de ficar famoso como cineasta, Pasolini havia trabalhado também como professor, poeta e novelista. Entre seus livros mais conhecidos, estão Meninos da Vida, Uma Vida Violenta e Petróleo (livro). De porte atlético e estatura média, Pasolini usava óculos com lentes muito grossas.

A adesão ao Partido Comunista Italiano[editar | editar código-fonte]

Em 26 de janeiro de 1947, Pasolini escreveu uma declaração polêmica para a primeira página do jornal Libertà: "Em nossa opinião, pensamos que, atualmente, só o comunismo é capaz de fornecer uma nova cultura." A controvérsia foi parcialmente devido ao fato de ele ainda não ser um membro do Partido Comunista Italiano, PCI. Após sua adesão ao PCI, participou de várias manifestações, e, em meados de 1949, participou do Congresso da Paz, em Paris. Observando as lutas dos trabalhadores e camponeses, e vendo os confrontos dos manifestantes com a polícia italiana, ele começou a criar seu primeiro romance. No entanto, em outubro do mesmo ano, Pasolini foi acusado de corrupção de menores e atos obscenos em lugares públicos. Como resultado, foi expulso pela seção de Udine do Partido Comunista e perdeu seu emprego de professor que tinha obtido no ano anterior em Valvasone, ficando em uma situação difícil.

Em janeiro de 1950, Pier Paolo Pasolini se mudou para Roma com sua mãe.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Realizou estudos para filmes sobre a Índia, a Palestina e sobre a Oréstia, de Ésquilo, que pretendia filmar na África (Apontamento para uma Oréstia Africana). Seus filmes são muito conhecidos por criticarem a estrutura do governo italiano (na época fortemente ligado à igreja católica), que promovia a alienação e hábitos conservadores na sociedade. Além disso, seu cinema foi marcado por uma constante ligação com o arcaísmo prevalecente no homem moderno. Prova disso é a obra Teorema, em que um indivíduo entra na vida de uma família e a desestrutura por inteiro (cada membro da família representa uma instituição da sociedade).

Dirigiu os filmes da Trilogia da Vida com conteúdo erótico e político: Il Decameron, I Raconti di Canterbury e Il fiore delle mille e una notte. Pasolini, em um determinado momento da sua vida, renegou esses filmes, afirmando que eles foram apropriados erroneamente pela indústria cultural, que os classificava como pornográficos.

Essa trilogia foi filmada na Etiópia, Índia, Irã, Nepal e Iêmen. Os filmes eram dublados em italiano. Pelo conteúdo pretensamente classificado como erótico, foi proibido nos Estados Unidos e só chegou a ser exibido ali na década de 80. No Brasil, só foi exibido após a abertura política. Em Accattone, de 1961, Pasolini pôs em prática sua visão sobre a classe do proletariado na sociedade italiana da época. Gostava de trabalhar com atores amadores e do povo.

Morte[editar | editar código-fonte]

Na madrugada entre 1º e 2 de novembro de 1975 Pasolini foi brutalmente assassinado, em local próximo ao hidro-aeródromo de Óstia. O cadáver foi encontrado por uma senhora às 6h30min. Foi seu amigo Ninetto Davoli que reconheceu o corpo[1] Giuseppe "Pino" Pelosi, à época com dezessete anos, já conhecido pela polícia por roubos de veículos, tendo sido detido na mesma noite por estar guiando o carro de Pasolini, cumpriu pena como assassino confesso. Pelosi afirmou que abordou Pasolini nas cercanias da Estação Termini, no Bar Gambrinus da Piazza dei Cinquecento, quando foi convidado a entrar em seu veículo (uma Alfa Romeo 2000 GT Veloce) mediante promessa de um soma em dinheiro[1][2].

Depois de um jantar oferecido pelo escritor, na trattoria Biondo Tevere[3] próximo à Basílica de São Paulo Extramuros, os dois se dirigiram à periferia de Óstia. A tragédia, de acordo com a sentença judicial, teve início depois de uma discussão sobre as pretensões sexuais de Pasolini às quais Pelosi estava relutante, que acabou por se precipitar numa altercação fora do veículo. O jovem foi ameaçado com um pau que depois conseguiu tomar de Pasolini, tendo-lhe golpeado diversas vezes até fazê-lo cair gravemente ferido mas ainda com vida[1]. Então Pelosi entrou no veículo e atropelou o escritor diversas vezes, destruindo-lhe a caixa torácica e causando-lhe a morte.[4] Pelosi foi condenado em primeira instância por homicídio doloso em 4 de dezembro de 1976, sentença confirmada pela Corte de Apelo[1]. Em 2005, pena cumprida, Pelosi afirmou que não matou Pasolini.[5]

As condições de sua morte, em verdade, restam dúbias até hoje. Há fortes indícios da participação de mais pessoas, inclusive segundo moradores das proximidades do local do assassinato, jamais chamados para depor durante o processo juducial. Há indícios de fundo político no crime. Certo é que as conclusões da sentença juducial não se sustentam mais.

Obras[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Poemas
  • Ragazzi di vita (Meninos da Vida, 1955)
  • Una vita violenta (Uma Vida Violenta, 1959)
  • Il sogno di una cosa (1962)
  • Amado Mio - Atti Impuri (Publicado em 1982, mas escrito originalmente em 1948)
  • Alì dagli occhi azzurri (1965)
  • Teorema (1968)
  • Reality (1979)
  • Petrolio (1992, incompleto)

Poesias[editar | editar código-fonte]

  • La meglio gioventù (1954)
  • Le ceneri di Gramsci (1957)
  • L'usignolo della chiesa cattolica (1958)
  • La religione del mio tempo (1961)
  • Poesia in forma di rosa (1964)
  • Trasumanar e organizzar (1971)
  • La nuova gioventù (1975)
  • Roman Poems. (1986)

Ensaios[editar | editar código-fonte]

  • Passione e ideologia (1960)
  • Canzoniere italiano, poesia popolare italiana (1960)
  • Empirismo eretico (1972)
  • Lettere luterane (1976)
  • Le belle bandiere (1977)
  • Descrizioni di descrizioni (1979)
  • Il caos (1979)
  • La pornografia è noiosa (1979)
  • Scritti corsari (1975)
  • Lettere (1940–1954) (Letters, 1940-54, 1986)

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • Orgia (1968)
  • Porcile (1968)
  • Calderón (1973)
  • Affabulazione (1977)
  • Pilade (1977)
  • Bestia da stile (1977)

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Prémios e nomeações[editar | editar código-fonte]

  • Ganhou o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes, por "Il fiore delle mille e una notte" (1974).
  • Ganhou o Prémio de Melhor Argumento no Festival de Cannes, por "Giovani Mariti" (1958).
  • Ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, por "I Raconti di Canterbury" (1972).
  • Ganhou o Prémio Especial do Júri no Festival de Berlim, por "Il Decameron" (1971).
  • Ganhou o Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza, por "Il vangelo secondo Matteo" (1964).
  • Ganhou o Prémio OCIC no Festival de Veneza, por "Il vangelo secondo Matteo" (1964).

Referências[editar | editar código-fonte]

Traduções[editar | editar código-fonte]

1. Gerarchia/Hierarquia, Stella Rivello (trad.), (n.t.) Revista Literária em Tradução, nº 2 (mar/2011), Fpolis/Brasil, ISSN 2177-5141

Referências

  1. a b c d SICILIANO, Enzo. Vita di Pasolini, 2ª edizione, Milano, Rizzoli, 1978.
  2. Sentenza della Corte di Cassazione - Processo a Pino Pelosi per l'assassinio di Pasolini
  3. BELLEZZA Dario. Morte di Pasolini. Milano, Mondadori, 1995, ISBN 88-04-39449-8.
  4. {http://www.pasolini.net/processi_pelosi_sentenza02.htm
  • O Estado de S. Paulo, Caderno 2, de 01/11/2015, página C10

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