Reino de Itália (1861–1946)

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O Reino de Itália[1] (em italiano: Regno d'Italia) foi um Estado fundado em 1861 após o rei Vítor Emanuel da Sardenha ter sido proclamado rei da Itália. O Estado foi fundado como resultado da unificação italiana, sob a influência do Reino da Sardenha, que era seu Estado antecessor legal. Este reino existiu até meados de 1946, quando os italianos optaram por uma constituição republicana, mediante plebiscito.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A península Itálica após a queda do Império Romano do Ocidente[editar | editar código-fonte]

O título de Rei da Itália (rex Italiae em latim e re d'Italia em italiano) foi adotado por muitos governantes da península Itálica depois da queda do Império Romano do Ocidente. Porém, até 1870, nenhum "Rei da Itália" governou toda a península, embora alguns pretendessem ter tal autoridade.

Depois da deposição do imperador Rômulo Augusto em 476, o rei dos Hérulos Odoacro foi apontado com dux Italiae (Duque da Itália) pelo imperador do Oriente Zenão I. Mais tarde, ele intitulou-se rex Italiae, mas ele sempre se apresentou como um oficial do governo oriental.

Em 483, o líder ostrogodo Teodorico, o Grande derrotou Odoacro, e iniciou uma nova dinastia de reis da Itália. O domínio ostrogodo terminou com a derrota de Teia (552), quando a península Itálica foi reconquistada pelo Império Bizantino.

Esta situação não durou muito. Em 568, os Lombardos entraram na península liderados por Alboíno, que recriou um reino bárbaro em oposição aos bizantinos. Pelos dois séculos seguintes, os lombardos e os bizantinos lutaram pelo domínio da península, com os lombardos estabelecendo a sua autoridade em quase toda a região (especialmente a Lombardia, exceto os ducados de Veneza, Roma, Nápoles, Apúlia e Calábria.

Em 774, os Lombardos foram derrotados pelos Francos sob Carlos Magno e seu rei, Desidério, deposto. Carlos Magno tomou o título de, rex Langobardorum, significando "rei dos Lombardos", que foi usado alternativamente com o de rex Italiae. O velho reino da Itália sobreviveu dentro do Império Carolíngio como uma entidade separada até 962, quando o imperador germânico Oto I tomou para si o título. Todos os imperadores subsequentes usaram o título e a maioria deles foi coroado na velha capital lombarda de Pavia antes de sua coroação em Roma.

O Regnum Italicum ou, em italiano, Regno, que constituía parte integrante do Sacro Império Romano-Germânico ter-se-ia mantido, pelo menos em teoria, até à queda do Império Romano-Germânico, em 1806 (ou, pelo menos, até à reorganização imperial, em 1803), embora nunca mais tenha dominado toda a península. Nessa época, o Arcebispo de Colónia detinha o título de Arquichanceler de Itália. No entanto, a influência imperial sobre Itália perdeu muita da sua força com a queda dos Hohenstaufen, em meados do século XIII, cessando definitivamente com o Tratado de Vestfália, em 1648. O Regno consistia, portanto, nos territórios a norte das possessões papais (Estados Pontifícios), e não controlava o território da República de Veneza.

O reino de Napoleão Bonaparte[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Reino de Itália (1805-1814)

Em 1805, a República Italiana, administrada pelo Primeiro Cônsul Napoleão Bonaparte, transformava-se no Reino de Itália, com Napoleão como rei, coroado com a coroa de ferro da do Reino Lombardo em Pavia. O seu afilhado, Eugénio de Beauharnais actuaria como vice-rei até a queda de Napoleão, em 1814.

A unificação e a história posterior[editar | editar código-fonte]

O Risorgimento e a Casa de Saboia[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Risorgimento e Casa de Saboia
Coroa do Reino de Itália.

Da deposição de Napoleão (1814) até a unificação italiana (1861) nenhum monarca reclamou o título de "Rei da Itália". O Risorgimento estabeleceu com sucesso uma dinastia, a Casa de Saboia, sobre toda a península. A capital deste reino estava estabelecida em Turim, mas seria transladada para Florença em 1864. Veneza seria anexada dois anos depois, e Roma em 1870 (a cuja anexação se seguiu nova transladação da capital para Roma). A partir daí, seria a Casa de Savoia a governar a Itália até à constituição da atual República Italiana, em 1946.

A Segunda Guerra de Independência[editar | editar código-fonte]

Em 1859, ocorreu a guerra entre o Reino de Itália aliado à França contra o Império Austríaco. A vitória franco-italiana no conflito (batalhas de Magenta e Solferino trouxe para a Itália o controle da Lombardia.

Assim, o Reino de Sardenha, além da Lombardia, já havia anexado a a Toscana, os ducados de Parma e de Módena e a maior parte dos Estados Pontifícios.

A conquista da Sicília[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Expedição dos Mil

Com a expedição dos mil de Giuseppe Garibaldi, foi conquistado o Reino das Duas Sicílias.

Vítor Emanuel II proclamado rei de Itália[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de reis da Itália

Com a primeira convocação do parlamento italiano em 18 de fevereiro de 1861 e a sucessiva proclamação de 17 de março, Vítor Emanuel II foi o primeiro rei da Itália no período 1861-1878.

A terceira guerra de independência[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra Austro-prussiana

Em 1866, o Reino de Itália declarou guerra ao Império Austríaco, em aliança com o Reino da Prússia. Com o término do conflito, conhecido na Itália como terceira guerra de independência, foram anexados ao reino o Véneto e Mântua subtraídos ao Império Austríaco.

A tomada de Roma[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Tomada de Roma

Por ocasião da Guerra Franco-Prussiana, os franceses, que apoiavam o papa, retiraram suas tropas de Roma. Então, as tropas italianas entraram na cidade em 20 de setembro de 1870, terminando com 1000 anos de poder temporal do papa. Com a conquista de Roma, foi anexado ao reino o Lácio, retirando-o definitivamente dos Estados Pontifícios. Roma torna-se oficialmente capital do reino (antes Turim e Florença foram capitais).

A Tríplice Aliança e Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Em 1878, assume o trono Humberto I.

Em 1882, após grandes disputas com a França, relativas à sua expansão colonial, a Itália aceitou a proposta de Otto von Bismarck para entrar na Tríplice Aliança com o Império Alemão e com o Império Austríaco e a Áustria em 1882. No entanto, enquanto as relações com Berlim se tornaram muito amigáveis, a aliança com Viena permaneceu puramente formal, pois regiões consideradas italianas permaneciam sob domínio Austro-Húngaro.[carece de fontes?]

Em 1900, o rei Humberto I foi morto em um atentado pelo anarquista Gaetano Bresci. Assumiu o trono Vítor Emanuel III.

Então, em 1915, a Itália aceitou o convite britânico para se unir aos aliados na Primeira Guerra Mundial pois estes prometeram compensações territoriais (à custa de territórios do Império Austro-Húngaro) pela participação italiana, que eram muito mais generosas que as oferecidas pela Áustria a troco da sua neutralidade. A vitória na guerra deu à Itália um assento permanente no conselho da Sociedade das Nações.

Depois da Primeira Guerra Mundial, em 1919 uniram-se ao reino o Trentino, o Alto Ádige, Gorizia e o Friul oriental, a Ístria, Trieste e Zara. Fiume uniu-se ao reino em 1924.

A era fascista[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Fascismo

A "Itália fascista" foi o período no qual o Partido Nacional Fascista governou o país, entre 1922 e 1943, com Benito Mussolini como líder totalitário. Os fascistas impuseram um regime totalitário e esmagaram a oposição intelectual e política ao mesmo tempo em que promoveram a modernização econômica do país, os valores sociais tradicionais e uma reaproximação com a Igreja Católica. "O regime fascista passou por várias fases relativamente distintas ," diz Payne (1996). A primeira fase, entre 1923 e 1925, foi nominalmente uma continuação do sistema parlamentar, ainda que com uma "ditadura executiva legalmente organizada." Veio então a segunda fase, "a construção da ditadura fascista propriamente dita", entre 1925 e 1929. A terceira fase, com menos ativismo, foi de 1929 a 1934. A quarta fase, de 1935 a 1940, foi caracterizada por uma agressiva política externa, com guerra na Etiópia, confrontações as sanções da Liga das Nações, desenvolvimento autárquico da economia e um processo de seminazificação. A guerra em si, de 1940 a 1943 foi a quinta fase, e o regime-fantoche de Salò foi o estágio final, de 1943 a 1945.[2]

A Itália aliou-se à Alemanha Nazista na II Guerra Mundial até 1943. Mudou de lado, passando a apoiar os Aliados após a queda de Mussolini e eliminando o partido fascista nas áreas - inicialmente ao sul de Roma - ocupadas e controladas pelos Aliados. O Estado fascista reminiscente no norte da Itália que continuou a combater os Aliados consistia num estado-fantoche da Alemanha Nazista, a "República Social Italiana", ainda comandada por Mussolini e seus seguidores fascistas. Logo após a guerra, o descontentamento civil levou ao referendo constitucional de 1946, cujo questionamento à população consistia em decidir se o país permaneceria como monarquia ou viria se tornar uma república. Os italianos decidiram abandonar o regime monárquico, formando a República Italiana, que permanece até a atualidade.

A Itália do pós-guerra[editar | editar código-fonte]

O Reino de Itália manteve Humberto II da Itália primeiro como "Lugar-tenente do Reino" (1943-1946) e depois por pouco mais de um mês como rei (o Rei de maio) em seguida à abdicação de Vítor Emanuel III, conclui-se com a proclamação da República Italiana em seguida ao referendo de 1946, que determinou a exclusão da Casa de Savoia da História da Itália depois de 85 anos de monarquia. O exílio dos descendentes masculinos da casa de Savoia foi mantido até a reforma constitucional de 2002.

Após a Segunda Guerra Mundial, com a dissolução do reino e o subsequente tratado de Paris (1947), a Ístria (com Fiume, Zara e outras cidades menores) foi anexada à recém-instituída República Socialista Federal da Jugoslávia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. A expressão "Reino de Itália" é aplicada a três diferentes entidades estatais existentes na península Itálica ao logo da História:
    o Reino Itálico medieval;
    o napoleônico Reino de Itália (1805-1814); e
    o último e mais conhecido Reino de Itália (1861-1946) que antecedeu a atual República Italiana.
  2. Stanley G. Payne, A History of Fascism, 1914-1945 (1996) p 212
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