Imigração alemã nos Estados Unidos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Alemanha Teuto-americanos Estados Unidos
Donald Trump by Gage Skidmore.jpg
AmandaSeyfried09TIFF.jpg
NormanSchwarzkopf.jpg
Ted Geisel NYWTS 2 crop.jpg
Bruce Willis by Gage Skidmore.jpg
Streep san sebastian 2008 2.jpg
Marlene Dietrich in No Highway (1951) (Cropped).png
Dwight D. Eisenhower, official photo portrait, May 29, 1959.jpg
Gwyneth Paltrow avp Iron Man 3 Paris 2.jpg
Sandra Bullock (9192365016) (cropped).jpg
Evan Peters by Gage Skidmore.jpg
Taylor Swift Red Tour 5, 2013.jpg
Eminem live at D.C. 2014 (cropped).jpg
Kirsten Dunst 2 2013.jpg
Kevin Costner 2016.jpg
Leonardo Dicaprio Cannes 2019.jpg
Neil Armstrong pose.jpg
Nicolas Cage Deauville 2013.jpg
Henry A Kissinger.jpg
Albert Einstein Head.jpg
População total

44 164 758[1]
13,7% da população (2018)

Regiões com população significativa
Maioria na Região Meio-oeste, principalmente no Minnesota, Iowa, Wisconsin, Dakota do Sul, Dakota do Norte, Nebraska e grande parte do Kansas, Missouri, Indiana, Illinois, Ohio e Michigan. Também em Grande parte do Oeste, principalmente em Montana, Wyoming, Idaho, Washington, Oregon e Colorado, mas população significativa no Alasca e no Nordeste americano, principalmente na Pensilvânia e Nova Iorque, e menos significativamente no Sul e Nova Inglaterra. No Sul estão concentrados principalmente no Texas, Flórida e Oklahoma
Línguas
Inglês americano. Minorias falam alemão e dialetos, sobretudo o plautdietsch, alemão texano e o alemão da pensilvânia (Pennsylvania Dutch em Inglês).
Religiões
Predominantemente Cristianismo com 77%
(53% Protestantes (principalmente Luteranos, Reformados, Anabatistas, Amish, Menonitas e Quakers); 24% Católicos), Judeus 1% e Sem filiação religiosa ou outra religião 22% [2]
Grupos étnicos relacionados
Alemães, Teuto-brasileiros, Teuto-argentinos, Teuto-chilenos e Teuto-canadenses

De acordo com pesquisa censitária de 2018, mais de 44 milhões de norte-americanos, ou 13% da população dos Estados Unidos, autodeclararam-se como sendo de origem alemã. Esse número torna a ancestralidade alemã a mais numerosa no país, inclusive a frente de irlandeses (32 milhões) e ingleses (23 milhões).[3] Porém, esses dados devem ser analisados com cautela, pois são baseados na autodeclaração dos entrevistados, o que pode não refletir a realidade demográfica.[4]

A presença alemã nos Estados Unidos remonta ao período colonial. Na década de 1670, os primeiros grupos significativos de alemães chegaram às colônias britânicas, estabelecendo-se principalmente na Pensilvânia, em Nova York e na Virgínia. A imigração continuou em grande número durante o século XIX. Entre 1820 e 1970, mais de sete milhões e meio de imigrantes alemães vieram para os Estados Unidos.

Atualmente, os alemães são considerados uma "minoria invisível" nos Estados Unidos. Muito embora milhões de estadunidenses tenham ancestralidade alemã, durante a I e a II Guerras Mundiais, os alemães foram estigmatizados nos Estados Unidos, e seus descendentes perderam praticamente todas as referências culturais alemãs.[5][6][7]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Imigrante alemão da Baviera, fotografado nos Estados Unidos (cerca de 1905)

A imigração no período colonial[editar | editar código-fonte]

A Alemanha foi, durante muitos anos, um país de forte emigração. Desde finais do século XVIII há uma notável população alemã vivendo em países estrangeiros, porém, a maior parte dos emigrantes abandonaram a Alemanha no século XIX e início do século XX. Os alemães se dispersaram em diversos países, incluindo o Brasil, a Argentina, o Canadá e a Austrália, porém, o destino principal de emigrantes germânicos foi os Estados Unidos.

Imigrante alemão fotografado exibindo corpo tatuado, logo após chegar aos Estados Unidos, em 1911. Ele foi deportado.

Os Estados Unidos tornaram-se a terra prometida para milhões de emigrantes desde o início da sua colonização, no século XVII. Os primeiros colonos alemães chegaram aos EUA no ano de 1608. Grande número de colonos teutônicos chegaram entre 1680 e 1760. Esses colonos, protestantes na maioria dos casos, fugiram de perseguições religiosas, estabelecendo-se sobretudo no estado da Pensilvânia e norte de Nova Iorque.

A Pensilvânia tornou-se o destino preferido da emigração alemã durante o século XVIII, recebendo grandes levas de emigrantes entre 1725 e 1775, compondo, neste último ano, já 30% da população do estado. Outras colônias alemãs foram criadas na Virgínia, Massachusetts e Carolina do Norte, incluindo protestantes, menonitas, amish e outras minorias religiosas.

No censo de 1790, os alemães constituíam 9% da população branca dos Estados Unidos.

A imigração em massa do século XIX[editar | editar código-fonte]

Uma grande massa de emigrantes alemães rumaram para os Estados Unidos entre 1848 e a I Guerra Mundial, período em que entraram aproximadamente seis milhões de alemães no país, sendo as cidades como Chicago, Detroit e Nova Iorque destinos bastante procurados, porém, a maior parte dos alemães preferiam se estabelecer na Região Centro-Oeste dos Estados Unidos.

O século XIX foi marcado por uma intensa emigração de europeus para diferentes partes do mundo. Entre 1878 e 1892, mais de 7 milhões de alemães deixaram a Alemanha; após a década de 1870, a Alemanha foi um dos países que mais perderam pessoas para a emigração, a grande maioria delas indo para os Estados Unidos. De 1820 a 1840, os alemães representaram 21,4% de todos os imigrantes europeus que entraram nos EUA; 32,2% nas duas décadas seguintes; e no final do século XIX eram o maior grupo de imigração (21,9%) nos EUA.[8]

Imigrante da Alsácia-Lorena, fotografada logo após chegar aos Estados Unidos (cerca de 1905)

A situação na Alemanha piorou quando o início da industrialização fez com que a população crescesse dramaticamente. Em meados do século XIX, cerca de três quartos dos agricultores não tinham terra suficiente para ganhar a vida, por isso começaram a migrar em grande número. Um camponês que precisava sobreviver com meio hectare de terra na Alemanha poderia adquirir 64 hectares depois de apenas dez anos nos Estados Unidos.[9]

À medida que a industrialização avançada se consolidava nos Estados Unidos, os teuto-americanos estavam entre os grupos mais estabelecidos da população, tanto na agricultura quanto entre as novas profissões no meio urbano.[9]

Um cartaz da década de 1940, onde lê-se: "Não fale a língua do inimigo! Fale americano!". Os alemães foram estigmatizados durante a I e a II Guerras Mundiais, o que contribuiu para o declínio da identidade alemã nos Estados Unidos.[6]

No final do século XIX, havia quase 8 milhões de alemães de primeira e de segunda geração nos Estados Unidos, cerca de 10% da população. Extraordinariamente diversificados em origem, ocupação, padrões de moradia e crença religiosa, eles eram isoladamente o maior grupo de língua não inglesa nos EUA.[10]

Assimilação e desaparecimento da identidade cultural[editar | editar código-fonte]

No final do século XIX, a cidade de Nova York tinha uma das maiores populações de língua alemã do mundo, atrás apenas de Berlim e Viena, com cerca de um quarto de seus 3,4 milhões de habitantes sabendo falar alemão. Comunidades inteiras, estendendo-se do norte de Wisconsin à zona rural do Texas, consistiam quase que exclusivamente de imigrantes alemães e seus filhos. Por volta de 1900, havia 488 jornais diários e semanais em alemão nos Estados Unidos, mantendo a língua e a cultura vivas.[6]

No início do século XX, alguns descendentes de alemães de segunda geração já estavam abandonando os seus laços étnicos, mas a histeria anti-alemã que acompanhou a intervenção americana na I Guerra Mundial induziu muitos mais a buscarem novas definições étnicas.[11]

Quando os Estados Unidos entraram na guerra, os teuto-americanos foram submetidos a um escrutínio intenso, e muitas vezes violento, especialmente após a revelação de um mal concebido plano da Alemanha para que o México invadisse os Estados Unidos. Durante os cerca de 18 meses de envolvimento americano na guerra, americanos com raízes alemãs foram falsamente acusados de serem espiões ou sabotadores; centenas foram internados ou condenados por sedição, sob acusações forjadas ou por crimes triviais como fazer comentários críticos sobre a guerra.[6]

Em consequência, muitos descendentes passaram a esconder suas raízes alemãs; alguns anglicizaram seus sobrenomes (por exemplo, Müller mudou para Miller, Schild(t) mudou para Shields, Weber para Weaver etc);[12] muitos outros cancelaram suas assinaturas de jornais em língua alemã, que praticamente desapareceram. Ademais, qualquer vestígio da cultura alemã que ainda tenha permanecido após a década de 1910 foi eliminado por pressões semelhantes durante a II Guerra Mundial, sem mencionar a vergonha de ser alemão após a guerra.[6]

Os filhos de imigrantes alemães sentiram fortemente o impulso de se definirem acima de tudo como "americanos", mas o significado dessa afiliação variou de acordo com as classes sociais e as religiões. Muitos alemães luteranos da classe média criaram uma identidade "americana" em oposição aos novos imigrantes europeus que chegavam do Sul e do Leste da Europa, com alguns deles se declarando portadores da antiga "linhagem" racial do noroeste europeu. Por sua vez, os alemães da classe trabalhadora e os católicos tendiam a não expressar essas identidades antigas. Em vez disso, muitos se viam cada vez mais como compartilhando uma identidade "branca" comum com os vizinhos irlandeses e com os novos imigrantes vindos do Sul e do Leste da Europa, identidade essa que ganhou força quando os afro-americanos foram morar perto de bairros brancos da classe trabalhadora.[11]

Atualmente, uma cultura teuto-americana está extinta. Exemplo disso é que, em algumas partes dos Estados Unidos, ainda hoje há políticos que pedem o voto hispano-americano, o voto ítalo-americano, o voto judeu-americano, o voto afro-americano ou o voto irlandês-americano . Porém, dificilmente haverá alguém pedindo o voto "teuto-americano", pois essa identidade foi praticamente extinta.[6]

Os alemães são o maior grupo nos EUA?[editar | editar código-fonte]

Conforme pesquisa censitária de 2018, mais de 44 milhões de norte-americanos, ou 13% da população, autodeclararam-se como sendo de origem alemã, o que faz dessa ancestralidade a mais numerosa nos Estados Unidos.[3] Todavia, esse número é questionável, pois é baseado na autodeclaração dos entrevistados. Em decorrência da miscigenação étnica, das numerosas gerações que separam os recenseados de seus antepassados e da insignificância da ancestralidade para muitos brancos de origem europeia, as respostas parecem ser bastante inconsistentes.[4]

No censo de 1980, 26% dos estadunidenses ou 50 milhões de pessoas declararam ter ancestralidade inglesa, um número maior do que aqueles que declararam ter ancestralidade alemã (49 milhões).[13] Porém, desde então, o número de americanos declarando ancestralidade inglesa foi encolhendo, e apenas 23,6 milhões declararam essa ancestralidade em 2018.[3] Uma explicação é que, nos censos mais recentes, a opção "ancestralidade americana" foi permitida. Assim, muitos estadunidenses que diziam ser de ancestralidade inglesa no censo de 1980 optaram por dizer-se de ancestralidade "americana" nos censos mais recentes.[14][15] Em 2018, 20,6 milhões de pessoas disseram ser de ancestralidade "americana", a maioria dos quais são de cor branca. [16][17]

Imigração alemã para os Estados Unidos (1820–2004)[18]
Período Número de
imigrantes
Período Número de
imigrantes
1820–1840 160,335 1921–1930 412,202
1841–1850 434,626 1931–1940 114,058
1851–1860 951,667 1941–1950 226,578
1861–1870 787,468 1951–1960 477,765
1871–1880 718,182 1961–1970 190,796
1881–1890 1,452,970 1971–1980 74,414
1891–1900 505,152 1981–1990 91,961
1901–1910 341,498 1991–2000 92,606
1911–1920 143,945 2001–2004 61,253
Total : 7,237,594

Muitos americanos têm ancestralidade em diversos países e a indicação de uma única origem no censo fornece pouca informação sobre as raízes dos americanos de hoje. Quando solicitado a indicar apenas uma única ancestralidade, o recenseado pode tender a listar apenas aquela ancestralidade com a qual se identifica mais ou que acha mais diferenciada. Já outros vão indicar uma etnia simbólica ou mesmo imaginada.[3]

Distribuição de americanos que reivindicam ancestralidade alemã, por condado, em 2018

De acordo com um estudo genético de 2015, conduzido pela empresa genômica 23andMe e com a participação de 160 mil norte-americanos, a ancestralidade britânica e irlandesa é a mais comum nos americanos brancos. A ancestralidade britânica/irlandesa está presente em todos os estados em proporção maior que 20%, superando os 50% em estados do sul, como Mississippi, Arkansas e Tennessee. Por sua vez, a ancestralidade alemã é particularmente forte nos estados do Meio-Oeste, principalmente em Michigan, Dakota do Sul e Kansas, onde fica acima dos 16%.[19]

Idioma[editar | editar código-fonte]

Depois de duas ou três gerações, a maioria dos teuto-americanos adotou os costumes americanos tradicionais - alguns dos quais eles influenciaram fortemente - e mudaram sua língua para o inglês. Como um estudioso conclui, "A evidência esmagadora   ... indica que a escola germano-americana era bilíngue muito (talvez uma geração inteira ou mais) antes de 1917, e que a maioria dos alunos pode ter sido de bilíngues com predomínio do inglês, desde o início da década de 1880 em diante".[20]

Por volta de 1914, os mais velhos frequentavam os serviços religiosos em língua alemã, enquanto os mais jovens frequentavam os serviços religiosos em inglês (nas igrejas luterana, evangélica e católica). Nas escolas paroquiais alemãs, as crianças falavam inglês entre si, embora algumas de suas aulas fossem em alemão. Em 1917-1918, após a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial ao lado dos britânicos, quase todo o ensino em língua alemã terminou, assim como a maioria dos serviços religiosos em alemão.[21]

Mapa mostrando onde a língua alemã é falada nos Estados Unidos (censo de 2000)

Cerca de 1,06 milhão de pessoas nos Estados Unidos ainda falam a língua alemã em casa.[22] O alemão é a segunda língua mais falada na Dakota do Norte (1,39% de sua população).[23] Em 16 estados americanos, o alemão é a língua mais falada, depois do inglês e do espanhol.[24]

Biliografia[editar | editar código-fonte]

  • Leandro Karnal, Luiz Estevam Fernandes, Marcus Vinicius de Morais, Sean Purdy - História dos Estados Unidos: das Origens ao Século XXI. Editora Contexto

Referências

  1. «PEOPLE REPORTING ANCESTRY 2018: ACS 5-Year Estimates Detailed Tables». United States Census Bureau. Consultado em 8 de maio de 2020  |arquivourl= é mal formado: save command (ajuda)
  2. One Nation Under God: Religion in Contemporary American Society, p. 120.
  3. a b c d PEOPLE REPORTING ANCESTRY Survey/Program: American Community Survey
  4. a b Farley, Reyonlds (1991). «Demography: The new census question on ancestry: what did it tell us?». jstor.org 
  5. German-Americans The silent minority
  6. a b c d e f Whatever Happened to German America?
  7. Dominic J., PULERA. Sharing the Dream - White Males in Multicultural America, Continuum. 2006 (2006).
  8. Os Alemães no Sul do Brasil, Editora Ulbra, 2004 (2004)
  9. a b [1]
  10. Frederick C. Luebke (1985). «Images of German Immigrants in the United States and Brazil, 1890 - 1918: Some Comparisons». University of Nebraska -Lincoln 
  11. a b Becoming "old stock": The waning of German-American identity in Philadelphia, 1900-1930
  12. TYPES OF GERMAN SURNAME CHANGES IN AMERICA
  13. Ancestry of the Population: 1980
  14. Lieberson, Stanley & Waters, Mary C. (1986). «Ethnic Groups in Flux: The Changing Ethnic Responses of American Whites». Annals of the American Academy of Political and Social Science. 487 (79): 82–86. doi:10.1177/0002716286487001004 
  15. Fischer, David Hackett (1989). Albion's Seed: Four British Folkways in America. New York: Oxford University Press. pp. 633–639. ISBN 0-19-503794-4 
  16. Kazimierz J. Zaniewski; Carol J. Rosen (1998). The Atlas of Ethnic Diversity in Wisconsin. [S.l.]: Univ. of Wisconsin Press. pp. 65–69. ISBN 978-0-299-16070-8 
  17. Liz O'Connor, Gus Lubin and Dina Specto (2013). «The Largest Ancestry Groups in the United States - Business Insider». Businessinsider.com. Consultado em April 10, 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  18. «Yearbook of Immigration Statistics» (PDF) 
  19. The genetic ancestry of African, Latino, and European Americans across the United States.
  20. «Language loyalty in the German-American Church: the Case of an Over-confident Minority.». Ccat.sas.upenn.edu. Consultado em 17 March 2015  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  21. Hawgood, John (1970), The Tragedy of German-America, New York: Arno Press 
  22. «US Census Bureau American Community Survey (2009-2013)» (XLS). Census.gov. Consultado em 19 de janeiro de 2017 
  23. «Language Map Data Center». Mla.org. 3 de abril de 2013. Consultado em 8 de novembro de 2013 
  24. Blatt, Ben, Tagalog in California, Cherokee in Arkansas: What language does your state speak?, consultado em 13 de maio de 2014 

Ver também[editar | editar código-fonte]