HMS Dreadnought (1906)

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HMS Dreadnought
British Battleships of the First World War; HMS Dreadnought Q38705.jpg
 Reino Unido
Operador Marinha Real Britânica
Fabricante Estaleiro Real de Portsmouth
Batimento de quilha 2 de outubro de 1905
Lançamento 10 de fevereiro de 1906
Comissionamento 2 de dezembro de 1906
Descomissionamento fevereiro de 1919
Destino Desmontado
Características gerais
Tipo de navio Couraçado
Deslocamento 21 060 t
Maquinário 2 motores a vapor
18 caldeiras
Comprimento 160,6 m
Boca 25 m
Calado 9 m
Propulsão 4 hélices
- 23 000 cv (16 900 kW)
Velocidade 21 nós (39 km/h)
Autonomia 6 620 milhas náuticas a 10 nós
(12 260 km a 19 km/h)
Armamento 10 canhões de 305 mm
27 canhões de 76 mm
5 tubos de torpedo de 450 mm
Blindagem Cinturão: 102 a 279 mm
Convés: 19 a 76 mm
Barbetas: 102 a 279 mm
Torres de artilharia: 76 a 305 mm
Torre de comando: 279 mm
Anteparas: 203 mm
Tripulação 700 a 810

O HMS Dreadnought foi um encouraçado da Marinha Real Britânica, lançado ao mar em 1906. Esse lançamento constituiu-se num marco na história naval mundial, impondo um novo padrão não só aos couraçados como também para a Guerra Naval, no início do século XX.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Assim que assumiu o cargo de Primeiro Lorde do Mar Britânico em 22 de dezembro de 1904, Sir John Arbuthnot Fisher criou uma comissão de projetos altamente qualificada para iniciar, em sigilo, os trabalhos para o projecto de um novo e revolucionário couraçado, em resposta à Classe South Carolina da Marinha dos Estados Unidos que estava em construção, e já em substituição da nova Classe Lord Nelson, com o intuito de devolver ao Reino Unido a supremacia sobre os mares: assim nascia o HMS Dreadnought.

Projeto[editar | editar código-fonte]

O HMS Dreadnought foi concebido para fazer frente à rápida expansão marítima da Alemanha e para tanto foram introduzidas diversas e revolucionárias inovações no seu projecto, sendo que uma das principais foi a adoção de turbinas a vapor em lugar dos velhos motores alternativos. O uso das turbinas a vapor em navios de guerra não era novidade para os britânicos, pois já havia dois contratorpedeiros, o HMS Viper e o HMS Cobra, e o cruzador leve HMS Amethyst que as adotavam. Os projectistas acreditavam que a velocidade poderia chegar a 21 nós com a adoção das turbinas a vapor, 3 nós a mais do que os melhores couraçados da época.

Em 3 de janeiro de 1905, a comissão de projectos reuniu-se pela primeira vez com Sir Fisher, que logo deixou bem claro o que queria em termos de projecto e como queria, não dispensando canhões de 305 mm e uma maior velocidade, praticamente impondo o seu ponto de vista. Porém Sir Fisher não era exatamente um engenheiro naval e queria o seu navio revolucionário sem sequer se preocupar com os problemas de engenharia que poderiam ocorrer. Sem muitas alternativas, a comissão de projectos começou a trabalhar, mas sempre esbarrando em custos proibitivos, finalmente chegando a um consenso e as turbinas a vapor foram introduzidas no projecto no último momento e, em 22 de fevereiro, com apenas sete semanas, foi entregue a Sir Fisher um relatório contendo o mais revolucionário projecto desde o HMS Warrior. Apesar de ter sido desenhado às pressas o HMS Dreadnought possuía bem poucos erros de projeto.

Construção[editar | editar código-fonte]

O HMS Dreadnought dois dias após o batimento da quilha.

A encomenda do HMS Dreadnought foi a feita ao estaleiro naval de Portsmouth, e em sua construção foram adotadas várias inovações tais como o uso de chapas de aço em tamanho padrão em quase todo o casco, além de outras. Como resultado obteve-se uma considerável diminuição do peso interno.

Com o intuito de terminar o navio o mais rápido possível, uma grande quantidade de material que seria usada nos HMS Lord Nelson e HMS Agamenon foi desviada para a construção HMS Dreadnought, inclusive quatro torres de canhões de 305 mm que estavam em construção. O resultado de todo esse trabalho foi um recorde: o encouraçado, que teve sua quilha batida em 2 de outubro de 1905, uma segunda-feira, em 25 de novembro já tinha o convés sendo montado e, pouco mais de um mês após, em 28 de dezembro já tinha o casco praticamente pronto.

Em 9 de fevereiro de 1906, o HMS Dreadnought foi lançado ao mar estando completamente operacional em 1º de outubro de 1906, após um ano do início da construção, realmente um recorde. Desde esse momento, impôs-se como padrão em tecnologia naval, tornando todos os couraçados existentes nas marinhas de todos os países obsoletos.

Características[editar | editar código-fonte]

Desenho do HMS Dreadnought.

Quando incorporado, o HMS Dreadnought tinha 160,63 metros de comprimento, 24,99 de boca e 7,92 de calado, deslocava 21 845 toneladas quando completamente carregado e com uma potência de 22 500 cavalo-vapor desenvolvia uma velocidade de 21 nós, mas chegou a fazer 22,4 nós em seus testes de mar, tendo um raio de ação de 6 620 milhas a 10 nós, e como armamento principal possuía 10 canhões de 305 mm distribuídos em 5 torres duplas,[2] além de 27 canhões de 120 mm e 5 lançadores de torpedos. Sua tripulação era composta por 773 homens entre oficiais e marinheiros.

O HMS Dreadnought operou durante a Primeira Guerra Mundial, tendo afundado no Mar do Norte o submarino da Alemanha SM Unterseeboot 29.[3] O navio já não era a última palavra em encouraçados, pois a tecnologia naval se desenvolveu com tamanha velocidade nas primeiras duas décadas do século XX que rapidamente surgiram navios muito maiores e mais poderosos do que ele. Em consequência, o HMS Dreadnought foi desativado em julho de 1918, logo após o final do conflito, e acabou por ser vendido como sucata em 9 de maio de 1921, devido às limitações impostas pelo Tratado de Washington que dispunha a quantidade que cada Marinha poderia ter de encouraçados, sendo finalmente desmontado em 1922.

Referências

  1. Gardiner, Robert, ed (1992). The Eclipse of the Big Gun: The Warship, 1906–45. Conway’s History of the Ship. London: Conway Maritime Press. ISBN 0-85177-607-8
  2. «Britain 12"/45 (30.5 cm) Mark X» (em inglês). NavWeaps, Naval Weapons, Naval Technology and Naval Reunions. Consultado em 25 de maio de 2012 
  3. «HMS Dreadnought» (em inglês). Battleships-Cruisers, Cranston Fine Arts. Consultado em 30 de outubro de 2014 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Archibald, E. H. H. (1984). The Fighting Ship in the Royal Navy, AD 897–1984. Poole, Dorset: Blandford Press. ISBN 0-7137-1348-8 
  • Brooks, John (2005). Dreadnought Gunnery and the Battle of Jutland: The Question of Fire Control. Col: Naval Policy and History. 32. Abingdon, Oxfordshire: Routledge. ISBN 0-415-40788-5 
  • Brown, David K. (2003). Warrior to Dreadnought: Warship Development 1860–1905 reprint of the 1997 ed. London: Caxton Editions. ISBN 1-84067-529-2 
  • Burt, R. A. (1986). British Battleships of World War One. Annapolis, MD: Naval Institute Press. ISBN 0-87021-863-8 
  • Forczyk, Robert (2009). Russian Battleship vs Japanese Battleship: Yellow Sea 1904–05. Long Island City, NY: Osprey. ISBN 978-1-84603-330-8 
  • Gardiner, Robert, ed. (1992). The Eclipse of the Big Gun: The Warship, 1906–45. Col: Conway’s History of the Ship. London: Conway Maritime Press. ISBN 0-85177-607-8 
  • Gardiner, Robert; Gray, Randal, eds. (1984). Conway's All the World's Fighting Ships: 1906–1922. Annapolis, MD: Naval Institute Press. ISBN 0-85177-245-5 
  • Massie, Robert, ed. (1991). Dreadnought, Britain, Germany, and the Coming of the Great War. New York and Canada: Random House. ISBN 0-394-52833-6 
  • Parkes, Oscar (1990). British Battleships reprint of the 1957 ed. Annapolis, MD: Naval Institute Press. ISBN 1-55750-075-4 
  • Roberts, John (1992). The Battleship Dreadnought. Col: Anatomy of the Ship. Annapolis, MD: Naval Institute Press. ISBN 1-55750-057-6 
  • Sturton, Ian, ed. (2008). Conway's Battleships: The Definitive Visual Reference to the World's All-Big-Gun Ships 2nd revised and expanded ed. Annapolis, MD: Naval Institute Press. ISBN 978-1-59114-132-7 
  • Sumida, Jon Tetsuro (1993). In Defense of Naval Supremacy: Financial Limitation, Technological Innovation and British Naval Policy, 1889–1914. London: Routledge. ISBN 0-415-08674-4. OCLC 28909592 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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