José Guilherme Merquior

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José Guilherme Alves Merquior Academia Brasileira de Letras
José Guilherme Merquior em 1982.
Nascimento 22 de abril de 1941
Rio de Janeiro,Rio de Janeiro1908.gif Distrito Federal
Morte 7 de janeiro de 1991 (49 anos)
Rio de Janeiro,  Rio de Janeiro
Nacionalidade  brasileiro
Ocupação Crítico literário, ensaísta, diplomata, e sociólogo
Magnum opus O Liberalismo Antigo e Moderno

José Guilherme Alves Merquior (Rio de Janeiro, 22 de abril de 1941 — Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1991) foi um crítico literário, ensaísta, diplomata e sociólogo brasileiro. Professor universitário, foi um pensador que se definia politicamente como um liberal social[1].

Vida[editar | editar código-fonte]

Escritor prolífico, foi membro da Academia Brasileira de Letras[2]. Estudou no Brasil no exterior, travando contato e amizade com diversos intelectuais de renome. Ernest Gellner foi orientador da tese de doutorado em sociologia pela London School of Economics (o terceiro doutoramento). Polímata humanista, escrevia com erudição sobre muitos temas das Ciências Humanas, tendo iniciado o ofício público de escritor como crítico literário. O alicerce da obra escrita é o que se chamaria de Culturologia, ou mais especificamente, História das Ideias, menos como tributária do monismo de Arthur O. Lovejoy, e mais da Geistesgeschichte alemã.

Como diplomata, serviu em Berlim, Londres, Paris e Montevidéu. Foi Embaixador no México e Representante Permanente do Brasil junto à UNESCO.

Teve visibilidade como intelectual público, engajando-se em polêmicas com seus pares. Foi funcionário fiel do regime militar brasileiro, como expoente dos setores mais liberais da ditadura. Ao lado de Roberto Campos, que foi seu grande mentor intelectual, trabalhou no governo Collor como um de seus principais ideólogos. Colaborou na redação do discurso de posse de Collor e escreveu as linhas gerais do que seria a doutrina do "social liberalismo", o nome que o então presidente deu à sua política neoliberal. Convidado por Collor para ocupar, em 1990, o cargo de Secretário da Cultura, não aceitou.

Merquior morreu em 1991, vitimado por um câncer de intestino.

Polêmica[editar | editar código-fonte]

Ficou célebre, na década de 80, a acusação pública que fez à filósofa Marilena Chauí por esta plagiar o filósofo francês Claude Lefort (1924-2010), o que foi largamente levado a público num debate estrondoso, pelos jornais. Os amigos de Marilena, para atenuar o escândalo, disserem que não houve plágio mas sim uma “filiação de pensamento”, ou seja, a filósofa brasileira “não tinha culpa por pensar igual ao filósofo plagiado…”. Marilena explicou-se dizendo que teve um caso amoroso com o plagiado em Paris, sendo “muito influenciada por seu pensamento” [4].

Documentário[editar | editar código-fonte]

Em 2015, a É Realizações Editora produziu o documentário "José Guilherme Merquior - Paixão pela Razão", com pré-estreia na Academia Brasileira de Letras.[1]

O curta-metragem é estruturado por dois eixos. De um lado, destaca-se o traço biográfico determinante do percurso de Merquior: a precocidade. E isso em vários aspectos: existencial, intelectual e profissional. De outro, assinala-se o motor de sua obra: o investimento decidido na ideia de razão. Ou seja, a aposta de Merquior na capacidade argumentativa e no diálogo intenso com o texto do outro como forma própria da reflexão crítica. O documentário ainda é enriquecido pelos depoimentos de Alberto da Costa e Silva, Bolívar Lamounier, Celso Lafer, José Mario Pereira, Júlia Merquior, Nélida Piñon e João Cezar de Castro Rocha.

Obras[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a obra completa de Merquior tem sido publicada pela É Realizações Editora, na coleção Biblioteca José Guilherme Merquior,[2] que além disso mantém o Acervo José Guilherme Merquior, composto por cartas, fotos e anotações pessoais de José Guilherme.[5]

Em português

  • 1963: Poesia do Brasil, (antologia com Manuel Bandeira)
  • 1965: Razão do Poema (edição mais recente: São Paulo, É Realizações Editora, 2013)
  • 1969: Arte e Sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamin
  • 1972: A astúcia da mímese
  • 1972: Saudades do Carnaval
  • 1974: Formalismo e tradição moderna (edição mais recente: São Paulo, É Realizações Editora, 2015)
  • 1975: O estruturalismo dos pobres e outras questões
  • 1975: A estética de Lévi-Strauss (edição mais recente: São Paulo, É Realizações Editora, 2013)
  • 1976: Verso universo em Drummond (edição mais recente: São Paulo, É Realizações Editora, 2015)
  • 1977: De Anchieta a Euclides (edição mais recente: São Paulo, É Realizações Editora, 2014)
  • 1980: O fantasma romântico e outros ensaios
  • 1981: As ideias e as formas
  • 1982: A natureza do processo
  • 1983: O argumento liberal
  • 1983: O elixir do Apocalipse
  • 1985: Michel Foucault ou O niilismo de cátedra
  • 1987: O marxismo ocidental
  • 1990: Crítica
  • 1990: Rousseau e Weber: dois estudos sobre a teoria da legitimidade
  • 1991: De Praga a Paris: uma crítica do estruturalismo e do pensamento pós-estruturalista
  • 1991: O liberalismo, antigo e moderno (edição mais recente: São Paulo, É Realizações Editora, 2014)
  • 1997: O véu e a máscara

Em inglês

  • 1979: The veil and the mask: Essays on culture and ideology
  • 1980: Rousseau and Weber: Two studies in the theory of legitimacy
  • 1985: Foucault
  • 1986: From Prague to Paris: A Critique of Structuralist and Post-Structuralist Thought
  • 1986: Western Marxism
  • 1991: Liberalism, Old and New

Em castelhano

  • 2005: El Comportamiento de Las Musas: Ensayos sobre literatura brasileña y portuguesa. 1964-1989

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Paulo Carneiro
Lorbeerkranz.png ABL - quarto acadêmico da cadeira 36
1982 — 1991
Sucedido por
João de Scantimburgo