Leandro Narloch

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Leandro Narloch
Leandro Narloch em uma conferência de imprensa em Cotia, região metropolitana de São Paulo, em 2011.
Nascimento 1978 (40 anos)
Curitiba, Paraná
 Brasil
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Ocupação Jornalista
Escritor
Principais trabalhos Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

Leandro Narloch (Curitiba, 1978) é um jornalista e escritor brasileiro. Foi repórter da revista Veja e editor das revistas Aventuras na História e Superinteressante, do Grupo Abril.[1]

Durante dois anos (de Dezembro de 2014 a Novembro de 2016), Narloch manteve a coluna O Caçador de Mitos no site da revista Veja.[2] Desde Dezembro de 2016, mantém uma coluna no jornal Folha de S.Paulo.[3]

Ganhou notoriedade em 2009, ao publicar o livro Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, abordando imagens criadas em torno de personalidades e eventos marcantes da História do Brasil.[4] O livro foi um sucesso de vendas[5][6][7][8] e em 2017 foi levado à televisão pelo History.[9]

O livro foi sucedido em 2011 pelo Guia Politicamente Incorreto da América Latina (coescrito por Duda Teixeira), no qual Leandro faz a mesma abordagem, mas com personagens e passagens da História da América Latina em geral.[10] Em agosto de 2013, Leandro lançou o terceiro livro da série, com o título Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, que aborda a história universal.[11] O último livro da série, publicado em 2015, é o Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira.

Em 2017, Narloch lançou Escravos, primeiro volume da Achados & Perdidos da História. O livro traz biografias improváveis de escravos brasileiros. Narra, por exemplo, casos de negros que se tornaram ricos traficantes de escravos; de um escravo que pediu demissão a seu proprietário —e a conseguiu; de uma cafuza (filha de uma índia e um negro), livre, que se vendeu como escrava, possivelmente para escapar da fome; de um negro liberto que mandava dinheiro à viúva de seu antigo dono quando ela se encontrava em dificuldade financeira; de escravos asiáticos na Europa e no Brasil.

Repercussão da obra[editar | editar código-fonte]

Os livros de Narloch receberam diversos elogios e críticas. O filósofo Luiz Felipe Pondé afirmou que a primeira obra é "um ótimo livro e fácil de ler. Uma singular heresia perdida em meio ao mar de unanimidades".[12] O historiador José Murilo de Carvalho, membro da Academia Brasileira de Letras, disse para a Folha de S.Paulo que considera o livro um bom trabalho. "Está atualizado. Não é uma brincadeira."[13] Já o jornalista Oscar Pilagallo viu no livro paralelismos inapropriados e exageros.[14]

O Guia Politicamente Incorreto da América Latina rendeu uma controvérsia sobre a tese que Salvador Allende escreveu quando era estudante de medicina. O historiador Leandro Karnal afirmou que Narloch, ao abordar o passado do presidente Salvador Allende, o fez de maneira desonesta intelectualmente. Segundo Karnal, Allende, quando era médico, defendeu uma tese pioneira na década de 30, contra o racismo. Por meio da dialética, Allende contrapõe seu argumento com as ideias de escritores racistas da Europa. Narloch acaba utilizando essas citações contrárias à ideia central de Allende como argumento para mostrar que ele era racista. Outra polêmica em relação à Allende foi o fato de Narloch citar erroneamente uma consideração feita por Cesare Lombroso como sendo a do chileno. Em sua coluna no site da Veja, Narloch se defendeu mostrando trechos em que Allende considerava a homossexualidade uma doença e via origens hereditárias na criminalidade. Também esclareceu que teve uma conversa com Leandro Karnal sobre o assunto e os dois entraram em comum acordo.[15]

Sobre o Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, o cientista político João Pereira Coutinho, disse que "o texto de Narloch não é apenas divertido; é uma defesa vigorosa desse monstro que, na falta de melhor expressão, podemos designar simplesmente por civilização ocidental".[16]Idelber Avelar, professor de literatura da Universidade Tulane (EUA), em texto redigido para o jornal Folha de S.Paulo, considerou que o livro, apesar de escrito por um "prosador hábil", é "tão ideológico quanto a ideologia que quer combater".[17]

Narloch recebeu críticas de historiadores conhecidos, como Maria Lígia Prado, da USP. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ela ressalta que Narloch e Teixeira pinçam no Guia Politicamente Incorreto da América Latina "frases a esmo, retirando-as do contexto histórico, atribuindo-lhes valores positivos ou negativos sem as devidas explicações, o que restringe sua compreensão".[18]. Em matéria do site Uol Entretenimento, o professor Flávio de Aguiar critica a maneira como Narloch vê os conflitos mundiais. Influenciado pela tese do jornalista norte-americano Thomas Friedman, Narloch afirma em seu livro que "se vivemos em um mundo com menos guerras e conflitos, devemos isso à rede de fast food McDonald's". Aguiar destaca que Narloch mostra pouco conhecimento sobre a natureza das guerras atuais e que ignora beligerâncias não declaradas, como a existente entre a Índia e o Paquistão [19] Em artigo publicado no jornal Sul21, o historiador Erik Silva destaca que "em termos gerais, os livros e artigos de Narloch obedecem um esquema básico que invariavelmente se repetem: descontextualiza-se um determinado fato ou personagem histórico que possuam algum apelo junto a setores populares ou cuja memória histórica seja reivindicada pela esquerda e se busca apontar (de forma anacrônica) situações que seriam incoerentes aos olhares contemporâneos". Segundo o crítico, "os pontos de pauta de Narloch em sua Historia Incorreta são todos importados de “libertarianos” como Stephan Molyneaux ou de ultraconservadores como Pat Buchanan".[20]

Livros[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Leandro Narloch». Livraria da Folha de S.Paulo. BR: Folha da manhã. Consultado em 3 de agosto de 2013. 
  2. «O caçador de mitos | VEJA.com». veja.abril.com.br. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  3. «Colunistas: Leandro Narloch | Folha de S.Paulo». www.folha.uol.com.br. Consultado em 7 de dezembro de 2016. 
  4. «O lado B da história do Brasil». Revista Galileu. Abril. Consultado em 6 de novembro de 2012. 
  5. «Lista de mais vendidos da semana de 16/05/11 a 22/05/11». Publish news. BR. Consultado em 29 de maio de 2011. 
  6. «Os livros mais vendidos». Veja. BR: Abril. Consultado em 29 de maio de 2011. 
  7. «Livros mais vendidos de 2011». Publishnews. BR. Consultado em 6 de novembro de 2012. 
  8. Publish news. «Livros mais vendidos de 2010». BR. Consultado em 6 de novembro de 2012. 
  9. «Guia Politicamente Incorreto». guiapoliticamenteincorreto.seuhistory.com (em inglês). Consultado em 11 de novembro de 2017. 
  10. «Guia Politicamente Incorreto da América Latina». Livraria da Folha de S.Paulo. BR: Folha da manhã. Consultado em 3 de agosto de 2013. 
  11. «Novo 'Guia Politicamente Incorreto' chega em agosto». Livraria da Folha de S.Paulo. BR: Folha da manhã. 3 de julho de 2013. Consultado em 3 de agosto de 2013. 
  12. «Folha de S.Paulo - Luiz Felipe Pondé: Viva o Brasil capitalista! - 04/01/2010». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  13. «Folha de S.Paulo - História é coisa do passado - 30/08/2011». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  14. «Folha de S.Paulo - Crítica/História: Jornalista reescreve o Brasil de modo juvenil - 14/08/2010». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  15. «Mito: "Allende escreveu uma tese de doutorado contra o racismo e a eugenia" | VEJA.com». veja.abril.com.br. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  16. «Crítica: Em apenas duas horas, ri muito e aprendi bastante com o livro - 17/08/2013 - Ilustrada - Folha de S.Paulo». m.folha.uol.com.br. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  17. Idelber Avelar. «Trabalho é tão ideológico quanto a ideologia que quer combater». BR. Consultado em 28 de abril de 2015. 
  18. Carlos Messias e Marco Rodrigo Almeida. «História é coisa do passado, Folha de São Paulo, 30 de agosto de 2011.». BR. Consultado em 21 de novembro de 2011. 
  19. «"Guia Politicamente Incorreto" propõe jogar tomate na história ultrapassada...». Consultado em 28 de outubro de 2017. 
  20. «"A incorreta história incorreta de Leandro Narloch (por Erick da Silva)». Consultado em 28 de outubro de 2017. 
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