Cotia

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Município de Cotia
"Cidade das Rosas"
Cidade De Cotia.jpg

Bandeira de Cotia
Brasão de Cotia
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 2 de abril de 1856 (162 anos)
Gentílico cotiano[1]
Prefeito(a) Rogério Franco (PSD)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Cotia
Localização de Cotia em São Paulo
Cotia está localizado em: Brasil
Cotia
Localização de Cotia no Brasil
23° 36' 14" S 46° 55' 08" O23° 36' 14" S 46° 55' 08" O
Unidade federativa São Paulo
Região
intermediária

São Paulo IBGE/2017 [2]

Região
imediata

São Paulo IBGE/2017

Região metropolitana São Paulo
Municípios limítrofes Oeste: Ibiúna
Noroeste: São Roque e Vargem Grande Paulista
Norte: Itapevi, Jandira e Carapicuíba
Nordeste: Osasco
Leste: São Paulo (Minimamente)
Sudeste: Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Taboão da Serra
Sul: São Lourenço da Serra
Distância até a capital 34 km[3]
Características geográficas
Área 323,891 km² [4]
População 237 750 hab. IBGE/2017[5]
Densidade 734,04 hab./km²
Altitude 853 m
Clima subtropical Cfb
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,780 (SP: 44°) – elevado PNUD/2010[6]
PIB R$ 9 883 959 mil (BR: 81º) – IBGE/2013[7]
PIB per capita R$ 44 735,74 IBGE/2013[7]
Página oficial
Prefeitura www.cotia.sp.gov.br/

Cotia é um município brasileiro do estado de São Paulo, Microrregião de Itapecerica da Serra, na Zona Sudoeste da Região Metropolitana de São Paulo, em conformidade com a lei estadual nº 1.139, de 16 de junho de 2011[8] e, consequentemente, com o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo (PDUI).[9] A população estimada em 2018 é de 244.694 habitantes[10][11] e sua área é de 323,89 km², o que resulta em densidade demográfica de 620,6 hab/km². Localiza-se às margens do rio Cotia, afluente do Rio Tietê.

Características gerais[editar | editar código-fonte]

O nome da cidade é derivado da palavra “koty” que no idioma m’byã (guarani) significa “ponto de encontro”, e que resultou nas antigas versões Coty, Cuty, Cutia, Acutia, Acotia (usadas em várias localidades brasileiras no período colonial) e na atual designação Cotia.[12][13] Cotia chegou a ser conhecida como "Cidade das Rosas" em virtude da Fazenda Roselândia (fundada em 1933), uma antiga fazenda de cultivo e comercialização de rosas e outras espécies de flores, que atualmente encontra-se em fase de loteamento para a construção de um condomínio horizontal,[14] o que acarretou a perda dessa designação.

Atualmente, Cotia é um dos municípios mais ricos e desenvolvidos da região à qual pertence, apesar da desigualdade sócio-econômica que o caracteriza. É considerada uma área de expansão dos bairros residenciais da Região Metropolitana de São Paulo, na direção oeste e, apesar da predominância de bairros constituídos por moradores de baixa renda, possui muitos condomínios, entre eles alguns luxuosos, principalmente no distrito de Granja Viana (subúrbio nobre da região).

História[editar | editar código-fonte]

O Caminho de Pinheiros e o Caminho de Cotia[editar | editar código-fonte]

Caminho das Tropas na "Carta corográfica dos limites do Estado de Minas Gerais com o de São Paulo" (1766) (Arquivo Público Mineiro).

O povoado que deu origem à Freguesia de Cotia foi originalmente instalado na confluência do Rio Cotia com o Caminho do Peabiru (pré-cabralino), inicialmente como aldeamento indígena, mas também como ponto de parada entre a Vila de São Paulo de Piratininga e o oeste da Capitania de São Vicente. A antiguidade do Caminho do Peabiru e sua utilização no período colonial é atestada por referências históricas e pela quantidade de casas e fazendas que foram estabelecidas ao longo desse trajeto já na primeira metade do século XVII, algumas delas remanescentes e tombadas pelo IPHAN, como a Casa do Butantã, o Sítio do Mandu, o Sítio do Padre Inácio, o Sítio Santo Antônio[15] e outras depois de São Roque.

Caminho das Tropas no "Guia de Caminhantes", de Anastácio Santana (1817) (Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).

O trecho do antigo Caminho do Peabiru que passou a ser usado pelos novos habitantes da Vila de São Paulo em direção ao oeste foi primeiramente denominado, em português, de Caminho de Pinheiros ou Caminho dos Pinheiros: vindo do litoral, passava pela parte baixa da atual Praça da Sé (o Largo da Sé, nos séculos XVIII e XIX), prosseguia pelas atuais Rua Direita, Largo da Misericórdia, Rua José Bonifácio, Largo da Memória, Rua Quirino de Andrade, Rua da Consolação, Avenida Rebouças e Rua dos Pinheiros, Praça João Nassar, Rua Paes Leme e Rua Butantã.[16][17] O Peabiru incluía a travessia de barco em um vau do Rio Grande (atual Rio Pinheiros), na altura da atual Ponte Bernardo Goldfarb, passava pela Praça Jorge de Lima (Praça da Paineira) e prosseguia (pela Rua MMDC ou imediações) rumo à Rua Reação e início da atual Rodovia Raposo Tavares, portanto em local próximo à Casa do Butantã, sede de uma fazenda do século XVII. Esse caminho foi posteriormente explorado pelos bandeirantes (século XVII) e pelos tropeiros (séculos XVIII e XIX), passando a ser conhecido com o nome de Caminho do Sertão, Caminho das Tropas, Caminho de Cotia, Caminho de Sorocaba e outras designações.

Mapas da segunda metade do século XVIII já indicam o Caminho das Tropas, ainda que com pouca precisão, como a Carta corográfica dos limites do Estado de Minas Gerais com o de São Paulo (1766). Um dos mais antigos mapas que representam com maior precisão as estradas e caminhos entre os atuais estados de São Paulo e Paraná é o Guia de Caminhantes, de Anastácio Santana (1817),[18] porém dezenas de mapas, ao longo do século XIX, enfatizaram os troncos principais do Caminho das Tropas, que iam de São Paulo a Castro (passando por Cotia, São Roque e Sorocaba) e daí a Lapa, rumo a Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Caminho das Tropas em detalhe do mapa "Brazil" (1844), de John Arrowsmith.

A Aldeia de Koty[editar | editar código-fonte]

A administração portuguesa da região oeste da Capitania de São Vicente foi iniciada em 12 de outubro de 1580, com a concessão nessa data, pelo capitão-mor Jerônimo Leitão, de sesmaria, no sítio de Carapicuíba, aos índios da Aldeia de Pinheiros (fundada em 1560). Pouco depois, foram doadas aos jesuítas a fazenda de Carapicuíba em 1615 e a sesmaria M’boy (Embu) em 1624. A partir de 1603 iniciaram-se as bandeiras de apresamento dos índígenas e, consequentemente, a guerra entre jesuítas e bandeirantes (escravizadores de indígenas), e em 1628, a bandeira de Manuel Preto, com cem paulistas e 2 mil indígenas auxiliares (na qual engajou-se o português Raposo Tavares) percorreu o braço principal do antigo caminho indígena do Peabiru (que ligava a região da Vila de São Vicente aos atuais Paraná e Paraguai), rumo às reduções jesuíticas do Guayrá, com a finalidade de captura de índios, tipo de ação que os historiadores do século XIX passaram a denominar "desbravamento".[19] Ao longo desse caminho foram estabelecidas várias aldeias e povoados indígenas ou mestiços, já na primeira metade do século XVII, que nos períodos seguintes deram origem a freguesias, vilas e cidades do oeste paulista, como Cotia, São Roque, Sorocaba, Itapetininga, Castro e outras.

Desde a primeira metade do século XVII já existiam fazendas e residências rurais no oeste paulista (como a Casa do Butantã, o Sítio do Padre Inácio, o Sítio do Mandu e o Sítio Santo Antônio, este último pelo bandeirante Fernão Paes de Barros em cerca de 1640) e as primeiras vilas da região foram instituídas em 1657 (São Roque) e 1661 (Sorocaba). A Aldeia de Koty (posteriormente também chamada de Coty, Cuty, Cutia, Acutia e Acotia) foi estabelecida em meados do século XVII, nos mesmos moldes da Aldeia de Pinheiros, como parte da política de aldeamentos no oeste da Capitania de São Vicente, em alguma das várias colinas que existem na confluência entre o Rio Cotia e o Caminho do Peabiru, que já havia se tornado rota bandeirante no século XVII (futuro Caminho das Tropas nos séculos XVIII e XIX, cujo trecho São Paulo-Itapetininga foi posteriormente convertido na atual Rodovia Raposo Tavares), nas proximidades da atual Estrada Fernando Nobre Cotia (na região dos atuais km 28,0 a 29,5 da Rodovia Raposo Tavares).

A Aldeia de Koty foi alocada nas proximidades da casa do século XVII atualmente conhecida como Sítio do Mandu. Ainda que não haja informações históricas suficientes sobre a fazenda na qual foi construída a casa do Sítio do Mandu, é possível supor que essa fazenda teve relação com a Aldeia de Koty e mesmo que esta tenha sido originalmente fixada em suas dependências, à semelhança do que ocorreu em outras vilas do oeste paulista, como São Roque. O local já era conhecido com esse nome desde a primeira metade do século XVII, pois em vereança de 18 de junho de 1633, a Câmara de São Paulo referiu-se a incidentes entre lavradores e padres da Companhia de Jesus, nas terras da "Cuty" e "Caraquapuiba".

Em 8 de setembro de 1662 foi instalada, na Aldeia de Koty, uma capela curada dedicada a Nossa Senhora do Monte Serrate, cujos vestígios arqueológicos infelizmente nunca foram encontrados e talvez tenham sido definitivamente perdidos com a urbanização e construção de fábricas nessa região.

Cotia já era paróquia em 1684, quando foi visitada pelo Bispo do Rio de Janeiro, Dom José de Barros Alarcão e, em 1686, possuía 405 habitantes, ainda nas proximidades do Rio Cotia e da atual Estrada Fernando Nobre. Em função do mau estado da capela, Dom José de Barros Alarcão ordenou, em sua visita, que a mesma fosse derrubada e que seus pertences fossem transferidos para a Itu (vila desde 1657).

A instalação da Capela de Nossa Senhora do Monte Serrate na Aldeia de Koty reforça a conexão com a Aldeia e depois Vila dos Pinheiros, na qual também foi erigida uma Capela de Nossa Senhora do Monte Serrate, e que mantém essa devoção até o presente: em função do trânsito de bandeirantes e tropeiros no Caminho das Tropas e depois nas estradas sobre o mesmo estabelecidas, Cotia e Pinheiros mantiveram estreita relação desde o século XVII (e que existe até o presente, em função de sua ligação pela Rodovia Raposo Tavares).[20][21][22][23][24][25][26]

A Freguesia da Cutia[editar | editar código-fonte]

No início do século XVIII, o coronel Estevão Lopes de Camargo doou terras para a construção de uma nova capela no alto da colina na qual atualmente se encontra a matriz (em configuração semelhante à de outras vilas portuguesas instaladas sobre colinas, como a própria Vila de São Paulo), alguns quilômetros adiante no Caminho das Tropas (na região dos atuais km 33 a 34,5 da Rodovia Raposo Tavares), que posteriormente iriam sediar o novo povoado da Cutia.

Freguesia de Cotia, em detalhe do mapa de 1750, intitulado "Costa do Brasil desde a ponta de Itapetininga, São Paulo, até o rio Imbou ao sul da Ilha de Santa Catarina" (Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).
Arraial de Cotia em detalhe do "Mappa da capitania de S. Paulo" de Francesco Tosi Colombina (meados do século XVIII) (Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).

Por decisão do coronel Estevão Lopes de Camargo e do padre Mateus de Lara Leão, com apoio dos bandeirantes Fernão Dias Paes e Gaspar de Godoi Moreira, a nova Capela de Nossa Senhora do Monte Serrate foi inaugurada em 8 de setembro de 1713, com a entrada solene da padroeira no altar mor (que até então estava na Vila de Itu).[12][27] O assento da posse do Padre Mateus de Lara Leão, no mais antigo livro de Tombo de Cotia (Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo), datado de 1713, é a principal fonte sobre o translado de Cotia para o sítio atual:

Matheus de Lara Leão, capelão curado pelo ilustríssimo Sr. D. Francisco de São Hieronimo, tomei posse desta Capela de Nossa Senhora do Monte Serrate, mudada para este lugar de parte deserta por conveniência dos moradores, e fregueses da dita capela, que sempre foram, e nela me fez entrega um dos protetores mais devoto e zeloso, Estevão Lopes de Camargo, toda a fábrica nova da dita Igreja, excepto a antiga, que a levou o protetor antigo Antonio Vieira Tavares para a Vila de Itu, por ordem do Reverendo Visitador Manoel da Costa Cordeiro (como constava in scriptos) e só ficou a imagem com sua casa despida; e como tal, me entregou o dito protector tudo novo de sua custa, e de algumas esmolas dos devotos, que assim o pediram com ânimo de sustentarem capelão com seu ordenado, para bem de suas almas, por estarem em parte remota, e de toda a dita fábrica faço aqui assento neste presente livro para que conste assim destas causas, que tenho recebido, como das mais que à dita Igreja competem, que aqui se farão assento delas; do que o Ilustríssimo Senhor Bispo ordenará o que for servido. Cotia, na mesma capela ut supra, aos nove de setembro. Ano de mil sete centos e treze. Mateus de Lara Leão."[28]

O novo povoado de Cotia, nessa época, passou a reunir uma pequena quantidade de casas, em torno da atual praça da matriz, dando origem à Freguesia de Cotia em 1723, que em 1749 recebeu o visitador da diocese de São Paulo, Miguel Dias Ferreira.[29] A "Freguesia da Cutia", como era geralmente referida, passou a figurar em mapas da região a partir da segunda metade do século XVIII, como no mapa de 1750 intitulado "Costa do Brasil desde a ponta de Itapetininga, São Paulo, até o rio Imbou ao sul da Ilha de Santa Catarina", no "Mappa da capitania de S. Paulo" de Francesco Tosi Colombina (meados do século XVIII), no "Mapa de parte de São Paulo, Paraná e Santa Catarina" do início do século XIX e no "Mappa chorographico da provincia de San Paulo" de Daniel Pedro Müller (1841), todos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.[30]

Freguesia da Cutia em detalhe do "Mapa de parte de São Paulo, Paraná e Santa Catarina" de cerca de 1800 (Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).
Freguesia da Cutia em detalhe do "Mappa chorographico da provincia de San Paulo" de Daniel Pedro Müller (1841) (Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).

Cotia possuía 912 habitantes em 1736, 1.735 habitantes em 1766 e 1.825 habitantes em 1786. O “Quadro estatístico da Província de São Paulo”, sob ordens do Marechal de Campo, Daniel Pedro Muller, por indicação da Assembléia Legislativa, de 1836, registra 3.770 habitantes, constituídos de 17% de escravos e 83% de cidadãos livres, o que dá uma dimensão do seu restrito desenvolvimento populacional e econômico até essa fase.

Instalação da Vila e do município de Cotia[editar | editar código-fonte]

A Freguesia de Cutia foi elevada a vila pela Lei Provincial n.º 7, de 2 de abril de 1856, com o nome de Nossa Senhora do Monte Serrate de Cotia, registrando 5.024 habitantes em 1872 e 7.517 habitantes em 1886. Em 19 de dezembro de 1906, por meio da Lei Estadual nº 1.030, e no despontar de seu primeiro ciclo econômico (a fase agrícola), foi elevada à categoria de município, com o atual nome de Cotia. Embora já existente como aldeia em meados do século XVII (com a primeira Capela de Nossa Senhora do Monte Serrate inaugurada em 8 de setembro de 1662), foi adotada, como data de "fundação" da cidade, o dia de elevação da freguesia a vila (2 de abril de 1856), ainda que a vila somente tenha sido elevada à categoria de município em 1909.[20][21][22][23][24][25][26][31][32]

Arruamento de Cotia[editar | editar código-fonte]

O arruamento de Cotia, no século XVIII, foi iniciado entre o Caminho das Tropas (que deu origem às ruas Batista Cepelos/Senador Feijó) e o entroncamento com o caminho para o Rio Itapevi (atual Rua Nelson Ranieri), que deu origem às atuais Rua Dois de Abril, Rua Dez de Janeiro e Estrada Velha de Itapevi II (que eram unidas entre si antes da construção da alça norte da Rodovia Raposo Tavares). As ruas posteriormente abertas no arraial, talvez já no século XIX, foram provavelmente as ruas Presciliana de Castro Pedroso, Benedita Barreiro Vítor e o prolongamento da Dez de Janeiro/Lopes Camargo até a Travessa Joaquim Horário Pedroso. A Avenida Nossa Senhora de Fátima, derivada da Rua Senador Feijó, parece ter sido aberta já na transição do século XIX para o XX e pode estar relacionada à construção do Cemitério Municipal Central Velho, o primeiro cemitério público de Cotia, construído após as sucessivas proibições, ao longo do século XIX, de sepultamentos em igrejas e capelas.

O "Mapa da Região de Itapevi a Cotia", do Instituto Geográfico e Geológico (1963),[33] um dos mais antigos mapas conhecidos da cidade, já indica dois novos focos de urbanização além do centro histórico. O primeiro desses novos bairros, situado aproximadamente entre os atuais Cemitério Municipal Central Velho, Terminal Metropolitano e o Ginásio de Esportes, estava circunscrito entre a antiga Estrada São Paulo-Paraná (atual Rodovia Raposo Tavares) e as atuais Avenida Professor Manuel José Pedroso, Rua Monsenhor Ladeira e Rua José Augusto Pedroso. O segundo desses novos bairros estava circunscrito entre a antiga Estrada São Paulo-Paraná e as atuais ruas Professor Manuel José Pedroso/Jorge Caixe/Rua dos Bandeirantes e Primo Batistoni. Os demais bairros do distrito-sede de Cotia foram construídos a partir da década de 1960 e estão associados à fase industrial do município e o consequente aumento de sua população e de sua densidade demográfica.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate (no centro de Cotia), REFORMADA em 1910-1911.

Divisões territoriais e administrativas do município de Cotia[editar | editar código-fonte]

Em divisão administrativa do ano de 1911, o município de Cotia estava constituído como distrito-sede e, pela Lei n.º 1.471, de 19/10/1920, foi criado o distrito de Itapevi, anexado ao município de Cotia. Em divisão referente ao ano de 1933, o município estava constituído de dois distritos, Cotia e Itapevi, assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31/12/1936 e 31/12/1937. Em 1931, havia sido inaugurada a Estação Caucaia da Estrada de Ferro Sorocabana (entre os trechos Mairinque-Santos) e, por ser a estação mais alta do ramal ferroviário (com 936 metros de altitude), foi designada como “Caucaia do Alto”, o que favoreceu a criação, pelo Decreto-lei Estadual n.º 14.334, de 30/11/1944, do distrito de Caucaia do Alto, anexado ao município de Cotia.

Pela Lei Estadual n.º 233, de 24/12/1948, foi criado o distrito de Jandira, com terras desmembradas do distrito de Itapevi, e anexado ao município de Cotia. Em divisão territorial datada de 01/07/1950, o município estava constituído de quatro distritos, Cotia, Caucaia do Alto, Itapevi e Jandira, assim permanecendo em divisão territorial datada de 01/07/1955. Pela Lei Estadual n.º 5.285, de 18/02/1959, foi desmembrado do município de Cotia o distrito de Itapevi, assim elevado à categoria de município. Em divisão territorial datada de 01/07/1960, o município estava constituído de três distritos: Cotia, Caucaia do Alto e Jandira. Pela Lei Estadual n.º 8.092, de 28/02/1964, foi desmembrado do município de Cotia o distrito de Jandira, assim elevado à categoria de município. Sob a mesma Lei Estadual, foi criado o distrito de Raposo Tavares (correspondente ao antigo bairro da Vargem Grande) e incorporado ao município de Cotia.

Em divisão territorial datada de 31/12/1968, o município de Cotia estava constituído de três distritos: Cotia, Caucaia do Alto e Raposo Tavares. Pela Lei Estadual n.º 3.198, de 23/12/1981, foi desmembrado, do município de Cotia, o distrito de Raposo Tavares, para constituir o novo município de Vargem Grande Paulista. Em divisão territorial datada de 01/06/1995, o município de Cotia estava constituído de dois distritos, Cotia e Caucaia do Alto, assim permanecendo na divisão territorial de 2009.[32][34]

História econômica do município de Cotia[editar | editar código-fonte]

As maiores fontes sobre o a história econômica de Cotia, ainda que escassas e referentes apenas à primeira metade do século XX, são a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, do Conselho Nacional de Geografia e Conselho Nacional de Estatística (v.28, 1957, p.267-269)[35] e a a pequena monografia Cotia, de Fernando Pereira Cardim (da Diretoria de Documentação e Divulgação do CNE), publicada pelo IBGE em 1964.[32]

Ao redor de 1900, Cotia era um povoado com cerca de 5 mil habitantes, que viviam principalmente da agricultura de subsistência. Por ser a última cidade do Caminho das Tropas antes da chegada a São Paulo, também havia algum comércio com outras vilas e cidades, mas por essa época Cotia ainda mantinha economia e espaço urbano restritos e com poucas mudanças ao longo do século XIX, tendo sido seu maior impulso econômico a instalação, junto à antiga Estrada Cotia-Barueri (uma parte da qual é hoje a Estrada da Roselândia) da Estação Cotia (hoje município de Itapevi) da Estrada de Ferro Sorocabana (fundada em 1870 e inaugurada em 1875), que aumentou o trânsito de moradores entre as cidades pelas quais passava a ferrovia.

Produção de batatas em Cotia, indicada no Mapa Agrícola do Estado de São Paulo (1908), pela Sociedade Nacional de Agricultura (Brasil).

De acordo com Fernando Pereira Cardim (1964), o primeiro crescimento econômico de Cotia deve-se à produção e distribuição, nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, da “batata de Cotia” (batata inglesa), introduzida na região por agricultores japoneses em 1913, de acordo com Fernando Pereira Cardim,[32] porém o cultivo da batata em Cotia já era assinalado no Mapa Agrícola do Estado de São Paulo, da Sociedade Nacional de Agricultura, em 1908.[36] Esse desenvolvimento (facilitado pela construção da Estrada de Ferro Sorocabana) foi responsável pela ampliação das atividades agrícolas na região e resultou na criação da Cooperativa Agrícola de Cotia em 1927 (ativa até 1987), um dos maiores empreendimentos agrícolas do Brasil no século XX, cujas primeiras instalações comerciais externas ao município foram construídas no Largo da Batata (bairro de Pinheiros, São Paulo), que herdou esse nome justamente pela comercialização do principal produto cultivado em Cotia,[37] seguidas pelos 90 outros depósitos regionais, como os galpões da Avenida Kenkiti Shimomoto, no bairro do Jaguaré, em São Paulo.[38] Na década de 1950 os principais produtos agrícolas de Cotia eram tomate, batata, cebola e uva.[35]

Instalações da Cooperativa Agrícola de Cotia no Largo da Batata (bairro de Pinheiros, São Paulo), onde os agricultores de Cotia comercializavam batatas e outros produtos.

O desenvolvimento agrícola do município provocou seu primeiro aumento populacional acentuado, em meados do século XX: enquanto o Censo de 1950 indica que 83% dos habitantes de Cotia ainda viviam na zona rural, Fernando Pereira Cardim indica que a variação populacional, de 1950 para 1960, foi de 238% (920 para 3.113 habitantes) no distrito-sede de Cotia, de 59% negativos (351 para 145 habitantes) no distrito de Caucaia do Alto e de 76% (630 para 1.110 habitantes) no distrito de Jandira. O censo de 1960 registrou, em Cotia, 17.906 pessoas em 3.469 domicílios, sendo 13.125 pessoas em 2.522 domicílios no distrito-sede (76% na zona rural), 2.734 pessoas em 536 domicílios no distrito de Caucaia do Alto (95% na zona rural) e 2.047 pessoas em 411 domicílios no distrito de Jandira (46% na zona rural).[32]

O segundo grande aumento populacional de Cotia, na segunda metade do século XX (ainda em continuidade no presente), bem mais acentuado que o anterior e com forte incremento da densidade demográfica, foi o resultado de vários fatores, mas principalmente da mudança do perfil predominante de trabalho na região, de agrícola para industrial: o município já contava com 81 estabelecimentos industriais empregando 1.497 operários em 1956, segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros,[35] e com 25 fábricas, 37 unidades escolares e 131 estabelecimentos comerciais em 1961, segundo Fernando Pereira Cardim.[32] O encerramento das atividades da Cooperativa Agrícola de Cotia em 1987 e a drástica diminuição do cultivo da uva em São Roque no final do século XX,[39] aliados ao aumento do número de fábricas de pequeno, médio e grande porte em Cotia (e, posteriormente em Vargem Grande Paulista), são indícios dessa mudança na região. Cotia saltou do 121º município brasileiro mais populoso no Censo de 1950 (com estimativa para o 173º município em 1946) para o 38º município brasileiro mais populoso no Censo de 2010 (com estimativa para o 33º município em 2018).

Outros fatores, no entanto, participaram do aumento populacional de Cotia na segunda metade do século XX, como o crescimento da oferta de empregos na capital, aliada ao desenvolvimento do transporte terrestre na Região Metropolitana de São Paulo, a imigração de pessoas procedentes de diversas regiões brasileiras e a criação dos primeiros condomínios horizontais da região, destinados inicialmente a residências de campo, e posteriormente à população excedente da capital, que manteve trabalho em São Paulo e transferiu seu domicílio para Cotia, fenômeno que ocorreu também nos municípios vizinhos, como Osasco, Barueri, Itapevi, Vargem Grande Paulista, Itapecerica da Serra e outros.[40] A população registrada, no último censo (2010), foi de 201.150 pessoas, com densidade demográfica de 620,81 hab/km², enquanto a população estimada em 2017 foi de 237.750 pessoas, para uma área territorial de 323,994 km² e densidade demográfica de 733,81 hab/km², números que exibem o forte crescimento populacional e, sobretudo, da densidade demográfica nos últimos anos.[41][42]

O IBGE possui dados estatísticos completos para o município de Cotia somente a partir do censo de 2010, que não permitem uma análise mais detalhada da fase anterior, mas que auxiliam a compreender parte das características do período industrial do município que caracterizam suas características predominantes na atualidade.[43]

Rodovia Raposo Tavares[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Rodovia Raposo Tavares
Início da "Estrada para Cotia", no atual bairro do Butantã, em 1913

Desde a fase de predominância agrícola, o município de Cotia passou a ter estreita relação com a situação da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), construída sobre a Estrada São Paulo-Paraná (BR-2) inaugurada em 1922, inicialmente no trecho São Paulo-Cotia-São Roque (justamente a principal região agrícola nas imediações da capital), estabelecida sobre a Estrada de Cotia ou Caminho das Tropas (início do século XVIII a cerca de 1930), anteriormente rota bandeirante (século XVII), por sua vez estabelecida sobre o antigo Caminho do Peabirú (pré-cabralino).

A conexão da Vila de Pinheiros com a primitiva Estrada de Cotia era feita, nos séculos XVII a XIX, pelas atuais Praça Jorge de Lima (Praça da Paineira) e Rua Reação, mas com a urbanização dos antigos bairros do Botequim, Barreira e Pirajussara (posteriormente anexados ao bairro do Butantã), surgiram outras conexões: a Planta do Distrito do Butantã em 1913, por exemplo, indica a entrada da Estrada de Cotia pela atual Avenida Professor Francisco Morato (antiga Estrada do Botequim), virando 90 graus à direita pela atual Rua Sapetuba e prosseguindo na atual Rodovia Raposo Tavares.

Em 1954, o trecho São Paulo-Itapetininga da antiga Estrada São Paulo-Paraná (BR-2) recebeu o nome de Rodovia Raposo Tavares e começou a ser asfaltado, possibilitando o tráfego rodoviário decorrente do ciclo industrial que se iniciava nesse período, em função da parcial desativação da rede ferroviária brasileira ao longo do século XX.[44] Até a década de 1960, a Rodovia Raposo Tavares passava por um trecho urbano complementar asfaltado no centro da cidade,[32] porém nas décadas seguintes foram construídos desvios da rodovia ao norte do centro, em região na época rural, entre os atuais km 31 e 36, tendo sido instalados nesse trecho, na primeira década do século XXI, a Casa do Usuário e, posteriormente, o Posto Policial de Cotia.

A duplicação do trecho de Cotia e Vargem Grande da Rodovia Raposo Tavares em 2002-2004, que coincidiu com a conclusão do trecho oeste do Rodoanel, pouco depois da inauguração da Avenida Escola Politécnica (em 2001), refletem o acréscimo, aos fatores precedentes, da expansão imobiliária na região, que absorveu e segue absorvendo parte significativa da população que trabalha em São Paulo:[45] estudo do geógrafo Danilo Volochko em 2002 concluiu que “48% dos moradores do Residencial Valle Verde Cotia vinham de bairros como Capão Redondo, Pirituba e Brasilândia; a outra metade vinha de cidades da região metropolitana, principalmente Osasco, Cotia e Carapicuíba”.[40]

Rodovia Raposo Tavares, na região da Granja Viana, em Cotia

Desde as últimas décadas do século XX, muitos residentes em Cotia trabalham em São Paulo, o que gera um intenso tráfego de veículos e congestionamentos constantes na Rodovia Raposo Tavares. Parte desses condomínios foram criados como bolsões residenciais, e algumas ruas antes públicas foram convertidas em particulares. Geralmente, com exceção do serviço de coleta de lixo, todo o trabalho de manutenção de ruas (segurança, recapeamento, etc.), em tais condomínios, é feito por empresas privadas. O modelo recebe críticas por supostamente infringir o direito de ir e vir, por privatizar espaços públicos e por impor o pagamento de mensalidades aos moradores; por outro lado, é utilizado por proporcionar maior segurança às ruas internas dos condomínios.[46] A partir da década de 2010, a tendência em Cotia foi a criação de condomínios horizontais, com casas de metragens relativamente pequenas e voltadas para o público de padrão médio, geralmente oriundo das Zonas Sul e Leste da cidade de São Paulo.[47]

Imigração japonesa[editar | editar código-fonte]

Em 1906, a Companhia Imperial de Emigração Nipônica enviou ao Brasil os técnicos Ryu Myzuno e Teijiro Suzuki para verificarem as áreas rurais paulistas disponíveis à recepção de agricultores. Em 1907 o Estado de São Paulo assinou um acordo para receber, até 1910, 3 mil imigrantes japoneses, incluindo a cidade de Cotia como um dos municípios contemplados. O primeiro navio com imigrantes japoneses (o Kasato Maru) aportou em Santos em 18 de junho de 1908 com 781 passageiros, entre os quais estavam os primeiros imigrantes japoneses que passaram a residir em Cotia e que iniciaram a fase agrícola do município, com o plantio da batata.[48] De acordo com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, do Conselho Nacional de Geografia e Conselho Nacional de Estatística (v.28, 1957):

"A própria natureza das correntes emigratórias produziu influência profunda na expansão do seu progresso. Cotia, embora tão próxima de São Paulo, esteve estagnada durante tantos anos em razão de se considerar seu solo sem qualidades para uma agricultura lucrativa. A colônia japonesa desmentiu esse conceito, realizando um trabalho notável. Hoje Cotia é uma cooperativa de grande produção a se espraiar até ao Vale do Paraíba, com um extenso cultivo de verduras e legumes."[35]

Kasato Maru, o navio que desembarcou 781 imigrantes japoneses no Porto de Santos em 1908.

O jardim japonês de Cotia (também conhecido como Praça da Amizade), construído à Rua da Glória, pela Cooperativa Agrícola de Cotia, é o principal marco que celebra a imigração japonesa na região e foi destinado a celebrar a fraternidade entre as cidades irmãs Cotia e Ino (Japão, Província de Kochi).[49] O jardim foi abandonado após as obras de duplicação da Rodovia Raposo Tavares entre 2002-2004 e acabou sendo parcialmente destruído entre 2016-2017 para a construção do prolongamento da Marginal da Rodovia Raposo Tavares, resultando na atual Praça Japonesa.[50] A Cooperativa Agrícola de Cotia também doou ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, em 1967, um jardim japonês (restaurado em 2018), destinado a celebrar a imigração japonesa no oeste paulista[51][52]

Praça Japonesa de Cotia.

Cooperativa Agrícola de Cotia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cooperativa Agrícola de Cotia

Os imigrantes japoneses receberam pequenos lotes de terra e sua sobrevivência dependia de sua produção. Logo perceberam que o maior problema não era a produção em si, porém sua comercialização. Por essa razão foi criada, em 1927, a Cooperativa Agrícola de Cotia (na época com o nome Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada de Produtores de Batata em Cotia S/A,), uma das maiores experiências brasileiras do gênero no século XX. Inicialmente, a Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC) comercializava apenas batatas, porém com o tempo foram sendo introduzidos dezenas de outros itens agrícolas, especialmente frutas, ovos, grãos, aves, hortaliças, chá, algodão e legumes. De acordo com o pesquisador Gustavo Takeshy Taniguti, ao encerrar suas atividades, em 1987, a CAC atuava em 15 estados, possuía 15 mil associados, além de dez cooperativas ligadas à central e 90 depósitos regionais, totalizando o faturamento anual de 760 milhões de dólares.[53][54]

Patrimônio histórico, artístico e cultural[editar | editar código-fonte]

Região do centro histórico de Cotia: Rua Batista Cepelos, vendo-se, ao fundo, a Praça da Matriz.

Casas bandeiristas[editar | editar código-fonte]

O município abriga duas importantes casas bandeiristas do século XVII, o Sítio do Mandu e o Sítio do Padre Inácio (ambas tombadas pelo IPHAN e pelo CONDEPHAAT), a primeira delas provavelmente relacionadas à fundação da Aldeia de Cotia no século XVII e a segunda ao novo povoado de Cotia em 1713.

Centro histórico e casario antigo[editar | editar código-fonte]

Na transição do período agrícola para o período industrial, o centro histórico de Cotia ainda possuía uma configuração muito próxima à do século XIX, com casario antigo, principalmente nas ruas Batista Cepelos/Senador Feijó e Dez de Janeiro/Lopes Camargo/José Barreto, como se observa em fotografias das décadas de 1950 e 1960 divulgadas pelo IBGE.[31] Várias dessas casas ainda existem, infelizmente sem proteção por órgão público patrimonial e algumas em avançado estado de degradação.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate[editar | editar código-fonte]

Nave, altar-mór, altares colaterais e púlpitos da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate de Cotia, construídos pelo entalhador português Bartholomeu Teixeira Guimarães ou algum de seus discípulos, em fins do século XVIII.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate, cujo primeiro edifício foi concluído em 1713, passou por várias reformas ao longo dos séculos XVIII e XIX, tendo sido reformada sob a supervisão de Antonio Paoni e Marcolino Pinto de Queiroz, a partir de um contrato firmado em 25/02/1910 com o pároco Aurélio Fraissat, por 650 mil réis, passando por nova reforma em 1911, dirigida por Antonio Paoni.[28][55][56][57] As intervenções de 1910-1911 mantiveram boa parte das paredes originais de taipa, além do altar, nichos laterais e púlpitos que existiam no século XIX, mas não foi preservada a pintura do teto da nave, tendo sido pintado, no novo teto, o medalhão de Nossa Senhora do Monte Serrate e o Menino Jesus. A torre, cujos materiais e estilo destoam do corpo principal da igreja, provavelmente foi acrescida em 1910. A última grande reforma foi supervisionada em 1979 por José Torrezani e executada por Domingos Sochiarelli.[28]

Embora a igreja tenha sido inaugurada em 1713, somente em 1749, o visitador da diocese de São Paulo, Miguel Dias Ferreira, que “reclamava das mulheres de Cotia, que comiam e falavam muito alto dentro da Matriz da vila, além de deixarem canas e cascas de frutas sujando o chão da igreja”, mandou “assoalhar ou ladrilhar o piso da igreja, então de terra batida”.[58][29] O arquiteto Mateus Rosada atribui o entalhe do retábulo-mor e colaterais da Matriz de Cotia ao entalhador português (radicado na Capitania de São Paulo) Bartholomeu Teixeira Guimarães (Lugar do Passal, c.1738 – Itu, 1806) ou a algum de seus discípulos, em fins do século XVIII. Esse pesquisador localizou “obras com características próximas às de Bartholomeu Teixeira Guimarães” em dezenove altares de dez igrejas paulistas em sete localidades: São Paulo, Sorocaba, Cotia, Santos, Aparecida, Itu (todas essas no Estado de São Paulo) e Viamão (RS).[58]

Medalhão do teto da nave da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate.

Convento, paróquias e capelas[editar | editar código-fonte]

Somam-se ao patrimônio histórico e artístico de Cotia algumas construções notáveis do século XX, como o Carmelo do Imaculado Coração de Maria e Santa Terezinha do Menino Jesus (construído em 1947),[59][60][61] a Paróquia de Santo Antônio da Granja Viana (tanto a antiga, de 1949, quanto a recente, de 2004),[62] a Paróquia de Santo Antônio e Nossa Senhora do Carmo do Portão,[57] a Capela dos Pires e a Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Caucaia do Alto,[63] o Templo Zu Lai (maior templo budista da América Latina), o Templo budista tibetano Odsal Ling e a Igreja Nossa Senhora do Rosário de Fátima dos Arautos do Evangelho.

Festas religiosas e música sacra[editar | editar código-fonte]

Desde os séculos XVIII e XIX, praticavam-se, na freguesia e vila de Cotia, as principais festas católicas anuais, com destaque para a festa da padroeira Nossa Senhora do Monte Serrate, que continua a ser celebrada até o presente.[64][32] Entre os mais antigos testemunhos artísticos cotianos relacionados ao catolicismo estão os entalhes da igreja matriz (final do século XVIII) e a "Missa concertada com violinos, quatro vozes e acompanhamento"[65] de André da Silva Gomes (1752-1844), escrita em 1823 "para cantar-se pela primeira vez na noite de Natal na Igreja da Freguesia da Cotia" (manuscrito autógrafo do Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo), possivelmente associado ao centenário da elevação de Cotia a freguesia.[66] De acordo com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, na década de 1950 ainda eram praticados na cidade as congadas, caiapós, trança-fita e dança de São Gonçalo (a maioria extintas), além da festa da padroeira em setembro e do Divino em maio. Ainda são celebradas em Cotia a Festa do Divino (Pentecostes),[67] a Congada de São Benedito.[68] Também é conhecida a Romaria de Caucaia do Alto até Pirapora do Bom Jesus, realizada na região em abril, desde 1940.[69]

Bandas de música[editar | editar código-fonte]

As antigas bandas de sopros que existiram em Cotia nos séculos XIX e XX já foram extintas. Uma das mais conhecidas foi a Corporação Musical Imaculada Conceição, do bairro da Cachoeira, em Caucaia do Alto, fundada no final da década de 1920 e extinta na década de 1970.[70][71]

Patrimônio cultural imaterial protegido[editar | editar código-fonte]

Cotia declarou Patrimônio Cultural Imaterial do Município a Congada de São Benedito (Lei Ordinária nº 1.823, de 2014)[72] e a Romaria de Caucaia do Alto a Pirapora do Bom Jesus (Lei Ordinária nº 1.824, de 2014).[73] Por meio da Lei Ordinária nº 1.576, de 2010, foi incluído no calendário oficial de eventos e de programações do município a festa de Corpus Christi,[74] em data já considerada feridado municipal (juntamente com a Sexta-feira Santa) pela Lei Ordinária nº 5, de 1967.[75]

Patrimônio arquitetônico perdido[editar | editar código-fonte]

Uma parte considerável do patrimônio arquitetônico de Cotia já foi perdido (especialmente o casario dos séculos XVIII e XIX ao redor da Praça da Matriz e as primeiras capelas) e várias construções antigas seguem ameaçadas pela expansão imobiliária. A antiga Roselândia, criada em 1933 (que manteve a Festa das Rosas desde 1958), está sendo transformada em condomínio horizontal.[14] Em 2018 foi demolida a antiga capela e outras construções históricas do Sítio do Padre Miguel, para a instalação do condomínio horizontal Terra Nobre Granja Viana, no km 37 da Rodovia Raposo Tavares[76] e outras construções históricas rurais e urbanas poderão ter o mesmo destino.

Personalidades[editar | editar código-fonte]

  • André da Silva Gomes (Lisboa, 1752 - São Paulo, 1844). Compositor, autor da "Missa concertada com violinos, quatro vozes e acompanhamento", escrita em 1823 "para cantar-se pela primeira vez na noite de Natal na Igreja da Freguesia da Cotia".[65]
  • Bartholomeu Teixeira Guimarães (Lugar do Passal, c.1738 - Itu, 1806). Entalhador, provável autor ou supervisor dos altares da Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate em fins do século XVIII.[58]
  • Antonio Paoni. Arquiteto e um dos supervisores da reforma da Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate em 1910-1911.
  • Aurélio Fraissat. Sacerdote, determinou a reforma da Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate em 1910-1911.
  • Diogo Antônio Feijó (Cotia, 1784 - São Paulo, 1843). Sacerdote (católico) e estadista.
  • Manuel Batista Cepelos (Cotia, 1872 - Rio de Janeiro, 1915). Poeta, tradutor, romancista, e teatrólogo.
  • Marcolino Pinto de Queiroz. Mestre de música, arquiteto e um dos supervisores da reforma da Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrate em 1910.

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia da cidade é bem variada, tendo como destaque os setores industrial e agrícola.

No setor industrial localizado ao longo da Rodovia Raposo Tavares e seus arredores, os produtos mais importantes são de materiais elétricos, químicos, cerâmicos, brinquedos, têxteis, explosivos, alimentos, vinho, aguardente e máquinas agrícolas.

Na agricultura merecem destaque a batata, tomate, milho, feijão, alho e frutas diversas, sendo a maioria proveniente de Caucaia do Alto. A avicultura também é desenvolvida no município.

Em 2014, o município dispunha de 1.200 empresas licenciadas (micro, pequenas, médias e prestadores de serviços) e, até o 1º trimestre de 2015, tinha 6.186 microempreendedores individuais.[77]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Casa do Sítio do Mandu (século XVII).
Casa do Sítio do Padre Inácio (século XVII).
Templo Zu Lai (inaugurado em 2003), o maior templo budista da América Latina.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Topografia[editar | editar código-fonte]

O terreno é acidentado e possui predominância de vales e montanhas. A altitude máxima do município é de 1.074 m acima do nível do mar, registrada na Serra de Itatuba.[79]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima do município, como em toda a Região Metropolitana de São Paulo, é o subtropical. A temperatura média anual é de 17,8 °C (cerca de 1 °C abaixo da temperatura média de São Paulo), sendo julho o mês mais frio (média de 14,3 °C) e menos chuvoso (média de 45 mm), janeiro o mês mais chuvoso (250 mm) e fevereiro o mês mais quente (média de 22,9 °C). O índice pluviométrico anual é de 1.540 mm.

Dados climatológicos para Cotia
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 25,5 25,5 24,8 23,1 21,1 20,2 19,9 20,9 21,9 22,6 23,8 24,6 22,82
Temperatura média (°C) 20,7 20,9 20,1 18,2 16,1 14,9 14,3 15,4 16,6 17,7 19 19,8 17,80
Temperatura mínima média (°C) 16 16,3 15,5 13,4 11,1 9,6 8,8 9,9 11,3 12,8 14,2 15,1 12,83
Precipitação (mm) 250 231 176 84 71 58 45 49 83 141 147 205 1 540
Fonte: Climate-Data.org[80]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

  • Rio Cotia que corta o Município
  • Rio Sorocamirim que divide o Município com Ibiúna
  • Rio das Graças
  • Ribeirão da Ressaca que divide o Município com Itapecerica da Serra.
  • Ribeirão da Vargem Grande, que dá origem à Vargem Grande ("várzea grande") e nome do município de Vargem Grande Paulista
  • Córrego Moinho Velho que nasce no Município de Embu e atravessa o bairro do mesmo nome e deságua no Rio Cotia.
  • Córrego Vermelho
  • Córrego Pununduva
  • Represa Pedro Beicht localizada na Reserva do Morro Grande e é responsável pelo abastecimento de água de Cotia e municípios vizinhos.
  • Represa da Graça localizada na Reserva do Morro Grande e também abastece a região de Cotia.
  • Cachoeira Furquim
  • Cachoeira Rincão
  • Ribeirão das Pedras - Contribuinte do rio Cotia, o ribeirão das Pedras tem origem nas nascentes da Granja Carolina, recebe contribuição de córregos advindos de nascentes do Morro dos Macacos, e corre paralelo à Rodovia Raposo Tavares, entre os quilômetros 29,0 a 31,5 da SP-270, sentido São Paulo-interior. Manancial histórico do município de Cotia, ali foi feita uma das primeiras captações de água do município com bomba movida a vapor, que abastecia um chafariz central.

Distritos e bairros[editar | editar código-fonte]

Distrito-sede[editar | editar código-fonte]

  • Granja Viana
  • Parque Rincão
  • Bairro do Portão
  • Jardim Rio Cotia
  • Jardim Sabiá
  • Centro
  • Atalaia
  • Jardim São Miguel
  • Morro Grande
  • Caputera

Distrito de Caucaia[editar | editar código-fonte]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo 2010[81][82]

População total: 201.150

  • Urbana: 148.987
  • Rural: 50.000
    • Homens: 98.455
    • Mulheres: 102.695

Densidade demográfica (hab./km²): 554,8

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 15,00

Expectativa de vida (anos): 71,69

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,13

Taxa de alfabetização: 86,95%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,826

  • IDH-M Renda: 0,786
  • IDH-M Longevidade: 0,778
  • IDH-M Educação: 0,913

Censos, contagens e estimativas da População[editar | editar código-fonte]

População de Cotia
Ano Categoria Método Total da categoria Posição no Brasil Distrito-sede de Cotia Distrito de Caucaia do Alto Distrito de Itapevi Distrito de Jandira Distrito de Raposo Tavares
1686 Aldeia Contagem 405
1736 Freguesia Contagem 912
1766 Freguesia Contagem 1.735
1786 Freguesia Contagem 1.825
1836 Freguesia Contagem 3.770
1856 Vila Contagem 4.125
1872 Vila Censo 5.024
1886 Vila Estimativa 7.517
1890 Vila Censo 6.346
1900 Vila Censo 4.982
1910 Município Estimativa 9.500
1916 Município Estimativa 7.418
1920 Município Censo 9.340
1925 Município Estimativa 10.847
1929 Município Estimativa 13.781
1934 Município Censo Paulista 11.547 350
1937 Município Estimativa 12.345
1940 Município Censo 11.387 2.793
1946 Município Estimativa 14.694 173º 8.793 1.593 4.308
1950 Município Censo 18.487 121º 10.250 1.968 4.794 1.475
1958 Município Estimativa 24.659 88º -
1960 Município Censo 17.906 150º 13.125 2.734 - 2.047
1966 Município Estimativa 17.936 156º - -
1970 Município Censo 30.924 84º 21.278 4.564 - - 5.082
1978 Município Estimativa 46.029 66º - -
1980 Município Censo 62.952 55º 47.505 5.670 - - 9.777
1985 Município Estimativa 77.827 52º - - -
1991 Município Censo 107.453 44º 91.018 16.435 - - -
1996 Município Contagem 126.956 42º 10.6914 20.042 - - -
2000 Município Censo 148.987 42º 121.888 27.099 - - -
2007 Município Contagem 172823 43º - - -
2010 Município Censo 201.150 38º 170.513 30.637 - - -
2018 Município Estimativa 244.694 33º - - -

Transportes[editar | editar código-fonte]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Transporte Público[editar | editar código-fonte]

Terminal Rodoviário:

  • Terminal Metropolitano de Cotia (EMTU):

Possui linhas que ligam à cidade de São Paulo, região Metropolitana de São Paulo e aos bairros da cidade de Cotia.

Empresas responsáveis
  • A Viação Raposo Tavares (Danúbio Azul anteriormente) é oficialmente a empresa operadora do transporte Municipal. A mesma empresa é responsável pela maior quantidade de linhas do transporte intermunicipal da cidade, Juntamente com o consórcio Intervias. Todas as linhas que ligam Cotia a São Paulo são operadas por essa empresa.
  • A Anhanguera Viação Osasco é responsável pelas linhas que vão de Cotia até Osasco, Barueri, Carapicuíba, Jandira e Itapevi.
  • A Benfica BBTT de Barueri opera a linha 468, do Terminal Cotia até o Residencial Burle Marx em Santana de Parnaíba, passando por Itapevi e pelo bairro de Alphaville, em Barueri e a linha 489, que parte de Itapevi para Embu, passando pelo Terminal Cotia.[83].
  • A Anhanguera Empresa de Transportes e Turismo Carapicuíba opera a linha 260 que liga Cotia a partir do km 30 da Rodovia Raposo Tavares até o bairro de Alphaville, em Barueri, passando por Carapicuíba, sendo a principal ligação dos bairros próximos a rodovia (entre os km 19 e 30) até Alphaville e Carapicuíba.
  • A Intervias Miracatiba opera na linha 239 que liga Cotia a Itapecerica da Serra, passando por Embu.

Comunicações[editar | editar código-fonte]

A cidade era atendida pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP)[84], que construiu a centrais telefônicas utilizadas até os dias atuais. Em 1998 esta empresa foi privatizada e vendida para a Telefônica[85], sendo que em 2012 a empresa adotou a marca Vivo[86] para suas operações de telefonia fixa.

Cidade-irmã[editar | editar código-fonte]

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

Imagens da cidade de Cotia (SP)
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Centro de Cotia 
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Vista geral de Cotia 
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Vista geral de Cotia 
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Sitio Moinho velho em Cotia 
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Galpões da Cooperativa Agrícola de Cotia no bairro do Jaguaré (São Paulo) 
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Centro de Formação de Atletas Laudo Natel pertencente ao São Paulo Futebol Clube 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Categoria no Commons
Wikivoyage Guia turístico no Wikivoyage

Referências

  1. «IBGE Cidades». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 13 de novembro de 2018. 
  2. «O recorte das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias de 2017» (PDF). Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2017. p. 20–34. Consultado em 10 de agosto de 2017. 
  3. «Distâncias entre a cidade de São Paulo e todas as cidades do interior paulista». Consultado em 26 de janeiro de 2011. 
  4. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  5. «Estimativas populacionais para os municípios brasileiros em 1º de julho de 2017». Estimativa populacional 2017. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2017. Consultado em 31 de dezembro de 2017. 
  6. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 31 de julho de 2013. 
  7. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 14 de janeiro de 2016. 
  8. «Lei Complementar nº 1.139, de 16 de junho de 2011». Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Consultado em 1 de fevereiro de 2017. 
  9. «Região Metropolitana de São Paulo». Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo. Consultado em 1 de fevereiro de 2017.. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2017 
  10. INFOCIDADE. População Recenseada - Região Metropolitana de São Paulo e Municípios: 1950, 1960, 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010.
  11. «Cotia chega a quase 238 mil habitantes, aponta IBGE em nova estimativa – jornalcotiaagora.com.br». www.jornalcotiaagora.com.br. Consultado em 6 de outubro de 2018. 
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  13. Dutoit, Yann Picand, Dominique. «Cotia (São Paulo) : definição de Cotia (São Paulo) e sinónimos de Cotia (São Paulo) (português)». dicionario.sensagent.com. Consultado em 6 de outubro de 2018. 
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