Arautos do Evangelho

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Arautos do Evangelho
Brasão dos Arautos do Evangelho
Fundação 22 de fevereiro de 2001 (16 anos)
Sede São Paulo, SP,  Brasil
Filiação Igreja Católica
Fundador(a) Brasil Mons. João Scognamiglio Clá Dias
Sítio oficial arautos.org
Arautos do Evangelho na Igreja de San Benedetto in Piscinula, Itália.
Arautos do Evangelho na Igreja de Gesù em Roma.
Símbolo do Virgo Flos Carmeli

Os Arautos do Evangelho (em latim Evangelii Præcones, cuja sigla é E.P.)[1] formam uma associação religiosa privada de fiéis de direito pontifício, a primeira a ser erigida pela Santa Sé no terceiro milênio por ocasião da festa litúrgica da Cátedra de São Pedro em 22 de fevereiro em 2001.[1]

Estão espalhados por mais de 78 países. Seus membros se propõem a observar a obediência, a pobreza e a castidade a exemplo de muitas ordens religiosas como os Franciscanos e os Carmelitas.

Origem[editar | editar código-fonte]

A fundação dos Arautos, pelo Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias[1], se deu em 22 de fevereiro de 2001 com a aprovação e reconhecimento da Igreja Católica através do Papa João Paulo II[2] e, em 2009, foi elevada à condição de sociedade de vida apostólica pelo Papa Bento XVI[3]. Paulistano, filho de mãe italiana e pai espanhol, João Clá Dias foi secretário de Plinio Corrêa de Oliveira na extinta Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, da qual os Arautos é uma dissidente sem qualquer vínculo[4]. Além de fundador, João Clá Dias foi Superior Geral dos Arautos desde a sua fundação até junho de 2017, quando, aos 77 anos, renunciou ao posto.[3]

Os membros dos arautos, tanto homens quanto mulheres, usam uniforme de estilo militar medieval, com túnica beje, ornada com o desenho da cruz de Santiago, botas de cano longo e um rosário na cintura.[5]

Presente em 78 países, a Ordem dos Arautos do Evangelho tem sua casa principal, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário ou "Monte Thabor"[6], sediada nas imediações da Serra da Cantareira, entre as cidades de Caieiras e Mairiporã, região metropolitana de São Paulo, e seu conjunto de edifícios, erigido com auxílio de doações, ocupa uma área de 107 km² de floresta em terreno doado pelo proprietário de uma hípica desativada. Na casa principal funciona, também, um seminário onde os alunos aprendem italiano, inglês, espanhol, hebraico, grego, com ensino médio e cursos superiores de filosofia e teologia, além de ciências da religião.[5]

As ordens[editar | editar código-fonte]

A sua estrutura comporta três ordens:

  • Ordem I: homens consagrados que se dedicam integralmente à Santa Igreja Católica Apostólica Romana e à própria entidade.
  • Ordem II: mulheres consagradas que se dedicam integralmente à Santa Igreja Católica Apostólica Romana e à própria entidade.
  • Ordem III: homens ou mulheres, que se dedicam a ideais da entidade no emprego, na família e em seus círculos sociais.

Virgo Flos Carmeli[editar | editar código-fonte]

A Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli é constituída por membros dos Arautos do Evangelho que receberam o chamado de Deus ao sacerdócio, após dezenas de anos de vida comunitária, estudos e muita dedicação, com o fim de melhor empreender a atividade evangelizadora, como se pode ler no art. 3º de seus estatutos:

"A Sociedade nasce como expressão do carisma da Associação Arautos do Evangelho, com a especificidade da vocação sacerdotal, manifestando a vontade de atuar em comunhão de métodos e metas com a mencionada associação, e empenhando-se particularmente em que os fiéis que se sentem atraídos por este carisma tenham uma assistência ministerial, sobretudo, os que vivem em comunidade (PC 10)".

Foi elevada a Sociedade de Vida Apostólica por Decreto Vaticano no dia 26 de abril de 2009.[7]

Consagração[editar | editar código-fonte]

Os Arautos são consagrados a Jesus Cristo por meio de Nossa Senhora, segundo o método descrito por São Luís Maria Grignion de Montfort em seu livro Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Maria.

Símbolos[editar | editar código-fonte]

Em seu medalhão estão contidos os três principais símbolos dos Arautos: as chaves de São Pedro (simbolizando o Papa), Maria Santíssima e a Santíssima Eucaristia. À cintura, uma corrente de ferro representa a fortíssima ligação de cada Arauto com Maria, ao ponto de se chamarem "Escravos de Jesus através de Maria". Pendente desta corrente está o Rosário, frequentemente recomendado por Maria em suas aparições.

Seu hábito é uma túnica branca (homens) ou amarela (no caso das mulheres), guarnecida de um escapulário marrom que ostenta a Cruz de Santiago, em vermelho e branco.

Igrejas[editar | editar código-fonte]

Os Arautos do Evangelho possuem duas igrejas principais, elevadas à categoria de Basílicas:

Basílica de Nossa Senhora do Rosário, inaugurada dia 24 de fevereiro de 2008, na Serra da Cantareira, município de Caieiras, Diocese de Bragança Paulista e Basílica Nossa Senhora do Rosário de Fátima, no Centro Mariano, localizado na Granja Viana, em Embu das Artes, Diocese de Campo Limpo.

Em 31 de maio de 2003, San Benedetto in Piscinula, em Roma, foi entregue pela Diocese de Roma aos cuidados dos Arautos[8].

Em 31 de março de 2008, a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação localizada em Lima, Peru foi entregue aos cuidados dos Arautos.[9][10]

Em 14 de setembro de 2009, os Arautos deram início à edificação da Igreja de Nossa Senhora de Fátima na cidade de Tocancipá, Colômbia.[11][12]

Coro e Orquestra[editar | editar código-fonte]

Visando a divulgação, bem como a evangelização, da música sacra, os Arautos do Evangelho mantêm entre suas atividades o Coro e Orquestra Internacional dos Arautos do Evangelho. Tal projeto se apresenta durante as missas realizadas pelos Arautos ou em festividades católicas como o Natal e Páscoa, dentre outros eventos de caráter religioso e culturais.[13][14][15]

O Coro e Orquestra dos Arautos já gravou álbuns de músicas tradicionais natalinas, canto gregoriano, além de obras de renomados compositores de música erudita, como a Ave Maria de Charles Gounod e a de Franz Schubert, até obras polifônicas como a Sicut cervus de Giovanni Pierluigi da Palestrina[16]

Liber Cantualis[editar | editar código-fonte]

Ainda no âmbito da divulgação da música sacra, os Arautos do Evangelho publicaram o livro Liber Cantualis - Os mais belos cânticos gregorianos pela editora Lumen Sapientiae.[17].

O livro é uma seleção de peças musicais usadas na liturgia católica, entre outras, contendo as letras em português e latim e a partitura para canto gregoriano[18].

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em 25 de junho de 2017, divulgou-se que o grupo está sendo investigado pelo Vaticano devido a uma gravação em vídeo divulgada em reportagem do vaticanista Andrea Tornielli, do jornal La Stampa que exibe os integrantes praticando exorcismos fora das fórmulas da Igreja.[19]

Em face da reportagem mencionada, os Arautos emitem nota de esclarecimento afirmando que se trata de vídeo antigo e que o vazamento do mesmo se dera de forma indevida e com sua divulgação alterada. Esclarece ainda que foram tomadas as providências cabíveis nos termos do Direito Canônico e à luz da teologia católica.[20]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Rocca, G, ed. (2010), Primo censimento delle nuove comunità, ISBN 978-88-401-5026-0 (em italiano), Roma: Urbaniana University Press .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]