Santo Rosário

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Um típico rosário católico, ladeado por uma Bíblia e por um crucifixo.

O Santo Rosário é uma prática religiosa de devoção mariana muito difundida entre os católicos romanos, que o rezam tanto pública quanto individualmente. Consiste na recitação seriada de orações com o auxílio de uma corrente com contas ou nós, que recebe o mesmo nome. O rosário também compreende a contemplação de determinadas passagens da vida de Jesus e de sua mãe Maria que, segundo a doutrina da Igreja Católica, são de especial relevância para a história da salvação e que recebem o nome de "mistérios".

O rosário é tradicionalmente dividido em três partes iguais, com cinqüenta contas cada e que, por corresponderem à terça parte, foram chamadas terço. Cada terço compreende um conjunto especial de cinco mistérios: os gozosos, os dolorosos ou os gloriosos. O papa João Paulo II, por meio da carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 16 de outubro de 2002, sugeriu uma nova série de mistérios, os chamados mistérios luminosos. Essa nova série de mistérios disponíveis para contemplação não alterou o formato do Rosário Tradicional, que continua sendo de 150 Ave Marias, ou três Terços de 50 Ave Marias com os 3 mistérios: Gozosos, Dolorosos e Gloriosos.

Origem[editar | editar código-fonte]

A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como "Saltério" dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai Nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.

Segundo uma tradição a Igreja católica recebeu o Rosário em sua forma atual em 1206 quando a Virgem Maria apareceu a São Domingos Gusmão e o entregou como uma arma poderosa para a conversão dos hereges e outros pecadores daquele tempo. Desde então sua devoção se propagou rapidamente em todo o mundo com incríveis e milagrosos resultados.

No ano 1365 fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.

A palavra Rosário significa 'Coroa de Rosas'. É uma antiga devoção católica que a Virgem Maria revelou que cada vez que se reza uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim o Rosário de todas as devoções é, portanto, tido como sendo a mais importante.

Em quase todas as Suas Aparições, Maria Santíssima exibiu e estimulou a devoção do Rosário; numa delas chegou mesmo a oferecê-lo a uma jovem leiteira (Aparições de Argoncilhe,Portugal).

Oração e Meditação[editar | editar código-fonte]

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Série de artigos sobre
Mariologia católica
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Maria, mãe de Jesus
Devoção

HiperduliaImaculado CoraçãoSete AlegriasSete DoresTítulosSanto RosárioEscapulário do CarmoDireito Canônico

Orações marianas famosas

Ave MariaMagnificatAngelusInfinitas graças vos damosLembrai-vosSalve-rainha

Dogmas e Doutrinas

Mãe de DeusPérpetua VirgindadeImaculada ConceiçãoAssunçãoMãe da IgrejaMedianeiraCorredentoraRainha do Céu

Aparições
Crenças reconhecidas ou dignas de culto
GuadalupeMedalha Milagrosa
La SaletteLourdesFátimaCaravaggioProuille


Maria na arte


Doutrina da Igreja Católica

A meditação de cada mistério acha sua base na Sagrada Escritura: é opcional a leitura do trecho que narra o que será contemplado, ou a divisão de um ou mais trechos em dez pedaços, de forma que seja lido parte a parte antes de cada Ave-Maria. Em sua maioria, as leituras são dos Evangelhos, mas também há trechos do Antigo Testamento que ajudam a compreender o que se passa na ocasião, ou comentários doutrinários sobre elas contidos nas epístolas. Os dois últimos mistérios (Assunção e coroação) não são do Evangelho, mas profetizados: por exemplo, no Livro de Judite, uma mulher salva o povo; nos Salmos, há freqüentes elogios a uma figura feminina, presentes também no Cântico dos Cânticos; e, definitivamente, no Apocalipse, um sinal nos céus apresenta uma mulher como Rainha, que a Tradição Apostólica, desde os primeiros tempos, afirmou tratar-se de Maria.

Os mistérios do rosário[editar | editar código-fonte]

Mistérios Gozosos (às segundas-feiras e quintas-feiras)[editar | editar código-fonte]

  1. A Anunciação. Fruto do Mistério: Profunda humildade.[1]
  2. A Visitação. Fruto do Mistério: Caridade para com o próximo.[1]
  3. A Natividade. Fruto do Mistério: Desapego aos bens terrenos, à riqueza e um amor à pobreza.[1]
  4. A Apresentação de Jesus no Templo. Fruto do Mistério: Uma pureza de alma e de corpo.[1]
  5. O Encontro do menino Jesus no templo. Fruto do Mistério: A verdadeira sabedoria.[1]

Mistérios Luminosos (às quintas-feiras)*[editar | editar código-fonte]

  • Sugerido pelo Papa João Paulo II, mas não entra na estrutura do Rosário.
  1. O Batismo de Jesus no Jordão.
  2. O milagre nas Bodas de Caná.
  3. Proclamação de Jesus sobre o Reino de Deus.
  4. A Transfiguração de Jesus.
  5. A Instituição da Eucaristia.

Mistérios Dolorosos (às terças-feiras e sextas-feiras)[editar | editar código-fonte]

  1. A Agonia no Horto das Oliveiras. Fruto do Mistério: Contrição dos pecados.[1]
  2. A Flagelação de Cristo. Fruto do Mistério: Mortificação dos nossos sentidos.[1]
  3. A Coroação de Espinhos. Fruto do Mistério: O Desprezo do mundo.[1]
  4. O Transporte da Cruz. Fruto do Mistério: Paciência nas nossas cruzes.[1]
  5. A Crucificação. Fruto do Mistério: A conversão dos pecadores, a perseverança dos justos e o alívio das almas do Purgatório.[1]

Mistérios Gloriosos (às quartas-feiras, sábados e aos domingos)[editar | editar código-fonte]

  1. A Ressurreição. Fruto do Mistério: O amor de Deus e o fervor no Vosso serviço.[1]
  2. A Ascensão. Fruto do Mistério: Um ardente desejo do Céu, nossa cara pátria.[1]
  3. A Vinda do Espírito Santo. Fruto do Mistério: A descida do Espírito Santo em nossas almas.[1]
  4. A Assunção de Maria. Fruto do Mistério: Uma terna devoção a tão boa Mãe.[1]
  5. A Coroação de Maria. Fruto do Mistério: Perseverança na graça e a Coroa da Glória.[1]

Forma de rezar o Santo Rosário de Nossa Senhora[editar | editar código-fonte]

O terço (no sentido de objeto usado para contar as orações) é formado por contas grandes e pequenas. Após cada dezena de contas pequenas, há uma grande, e assim, cinco dezenas. O fio no qual ficam as contas dá uma volta, ficando a quinta junto à primeira dezena, preparando para iniciar um novo terço. Antes da contemplação dos mistérios, há uma parte inicial constituído por duas contas grandes, três pequenas e um crucifixo. Existem algumas variações nas formas de se rezar o terço, de acordo com as devoções religiosas, mas em geral se faz da forma seguinte:

Representação de um terço do Rosário

Antes, porém, do início da oração, convém fazer a Invocação do Espírito Santo e o Oferecimento do terço/Rosário

  • Segurando a cruz, se faz o "Sinal da Cruz" e reza-se o Credo.

Reza-se um Pai-Nosso e três Ave-Marias, seguido do Glória. Depois do Glória pode ser acrescentado algumas jaculatórias.

  • Nas contas grandes, começam-se os mistérios com o Pai-Nosso.
  • Ao final de cada dezena reza-se o Glória. Podem-se, também, acrescentar jaculatórias entre o Glória e o Pai-Nosso. Costuma-se rezar a Ó meu Jesus e pedir a intercessão do/a(s) santo/a(s), Nossa Senhora e/ou pessoa da Santíssima Trindade a que o terço se dedica, por exemplo: Divino Espírito Santo, tende piedade de nós, Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós, Santo Expedito, rogai por nós. Nos terços pelas almas do Purgatório, reza-se também o Requiem.
  • Por fim, reza-se a Salve Rainha, antes da qual é facultativa a Infinitas graças vos damos. Estas orações são acrescentadas de acordo com costumes e devoções locais, mas não fazem parte integrante do Rosário.

Enquanto se faz a oração vocal medita-se ou contempla-se a passagem do respectivo mistério. Após o terço, costuma-se rezar também a Ladainha de Nossa Senhora, que é uma seqüência de invocações à Nossa Senhora.

Benefícios de rezar o Santo Rosário[editar | editar código-fonte]

A Igreja, segundo o novo manual de indulgências do papa Paulo VI, concede uma indulgência plenária a quem reza o terço em família, nas condições habituais (estar em estado de graça, ter comungado e rezado pelo Papa). Alguns tradicionalistas seguem o ritual de indulgências antigo. Um sacerdote também pode conceder indulgências a um rosário específico usando um Ritual Romano.

Nossa Senhora também disse ao Bem-Aventurado Alano: “Quero que saibas que,apesar de haverem várias indulgências já concedidas ao meu Rosário, acrescentarei muitas mais para cada 50 Ave Marias (cada Terço) para aqueles que as rezarem devotamente, de joelhos, estando, é claro, livres do pecado mortal. E todo aquele que perseverar na devoção do Santo Rosário, rezando estas orações e meditações, será recompensado por isso; eu lhe obterei completa remissão da pena e da culpa de todos os seus pecados no fim de sua vida. Não sede descrentes, pensando isto ser impossível. É fácil para mim, pois sou a Mãe do Rei do Céus, e Ele me chama cheia de graças. E, sendo cheia de graças, posso dispensá-las ao meus filhos.”[2]

O Abade Blósio disse: “O Rosário rezado, junto com a meditação da vida e paixão de JESUS CRISTO, é certamente muito agradável a Nosso SENHOR e Sua Santíssima Mãe, além de ser um meio bem sucedido de se alcançar graças por nós mesmos, bem como pelos outros a quem desejamos orar e por toda a Igreja. Voltemo-nos, então, para o Rosário em todas as nossas necessidades, e infalivelmente obteremos as graças que pedimos a DEUS para salvar nossas almas.”[2]

O Papa Leão X disse em sua Bula que sua Confraria foi fundada em honra a DEUS e da Santíssima Virgem, como parede, a fim de combater os demônios que estavam para destruir a Igreja. [3]

Gregório XIII disse que o Rosário nos foi dado do Céu como meio de aplacar a ira de DEUS e de implorar a intercessão de Nossa Senhora.[3]

Júlio III afirma que o Rosário foi inspirado por DEUS a fim que o CÉU fosse mais facilmente aberto a nós através dos favores de Nossa Senhora. [3]

Paulo III e São Pio V declaram que o Rosário foi dado aos fiéis a fim de que eles possam ter paz espiritual e consolação mais facilmente. Com certeza todos irão querer se inscrever numa confraria que foi fundada por tão nobres propósitos.[3]

Erros comuns[editar | editar código-fonte]

São Luís Maria Grignion de Montfort coloca os 2 erros mais comuns dos que rezam o Santo Rosário ou parte dele:[4]

O primeiro erro é não formular nenhuma intenção (é necessário estar em estado de graça para formular intenção para outros), de sorte que se lhe perguntais porque estão rezando, não vos saberiam responder. Tende, pois, sempre em vista, ao rezar o Rosário, alguma graça a pedir, alguma virtude a imitar ou algum pecado a evitar.

O segundo erro que se comete freqüentemente é não ter em vista, ao começar o Rosário, outra coisa senão acabá-lo o quanto antes.

São Luís diz que "É uma pena ver como a maior parte das pessoas rezam o Rosário. Rezam-no com uma precipitação espantosa, devoram até a maior parte das palavras. Não se cumprimentaria desse modo ridículo ao último dos homens, e no entanto se imagina que Jesus e Maria se sentem honrados com isso! ..."

Festividade[editar | editar código-fonte]

O dia 7 de outubro é dedicado à Virgem do Rosário. "O Rosário - diz Bento XVI - é o meio que nos dá a Virgem para contemplar a Jesus e, meditando sua vida, amá-lo e segui-lo sempre fielmente".[5]

Documentos pontifícios[editar | editar código-fonte]

Em todos os tempos os papas aconselharam a prática da devoção do Santo Rosário. Eis alguns documentos publicados pelos papas sobre o Rosário:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o A Eficácia Maravilhosa do Santo Rosário, São Luís Maria Grignion de Montfort.
  2. a b O segredo do Rosário, p. 53. Luís Maria Grignion de Montfort
  3. a b c d O segredo do Rosário, p. 54. Luís Maria Grignion de Montfort
  4. A Eficácia Maravilhosa do Santo Rosário, p. 56; São Luiz Maria Grimont de Montfort.
  5. (Vatican Information Service 08.10.2007 - Ano XVII - Num. 169)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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