Leigo

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Leigos (do grego laïkós[1] e do latim laicus[2] ) são pessoas que não possuem conhecimento aprofundado sobre determinada área. Na modernidade, o termo se estendeu a nível geral, sendo usado em praticamente todas as áreas humanas, mas em sua origem referia-se ao povo que, segundo determinada elite religiosa, não possuía todos os conhecimentos necessários para determinadas funções dentro da organização religiosa, fazendo parte, portanto, de uma hierarquia.

Foi usado sobretudo na Idade Média para diferenciar o povo muitas vezes iletrado que não tinha acesso à Bíblia tampouco ao latim (língua oficial da Igreja Católica Apostólica Romana).[3] Assim, a conotação de leigo, na verdade, é pejorativa, quando estudada sua origem: a palavra laos significa "missa", "multidão", "agregado social", mas no grego clássico, porém, o sentido é de "povo inferior", "multidão inferior".[3] Em traduções latinas e nos sinônimos empregados para expressar o significado de laikós, leigo também tem os seguintes sentidos: "idiota", "iletrado", "secular", "plebe".[3] O Concílio Vaticano II pretendeu, entre outras questões, superar essa compreensão e a distância entre povo e clero, designando, na Constutição Dogmática Lumen Gentium, que leigos seriam o povo de Deus:[3] "todos os cristãos, exceto os membros de Ordem sacra e do estado religioso aprovado na Igreja."[4]

Alguns estudiosos, como o teólogo belga Edward Schillebeeckx, afirmam que, sob influência grega, o termo "leigo" possui significado pré-cristão, tendo sido empregado outrora em oposição aos líderes do povo.[5] O Concílio Vaticano II exarou uma definição positiva de leigo: "Pelo nome de leigos aqui são cmpreendidos todos os cristãos, exceto os membros de ordem sacra e do estado religioso aprovado na Igreja." ( Lumen Gentium', 31). Embora o leigo não faça parte da hierarquia, ele é um membro da Igreja católica, em virtude de haver recebido o sacramento do batismo. Assim, na Igreja não se faz distinção entre clerigo e leigo; todos são igualmente membros da sociedade fundada por Jesus, com funções distintas. É importante ressaltar que, conforme explica o canonista Edson Luiz Sampel, competem aos leigos algumas atividades internas na Igreja, "contudo, o preponderante da missão laical repousa na secularidade, isto é, no mundo, na ordem das realidades temporais." ("A responsabilidade cristã na administração pública - uma abordagem à luz do direito canônico", p. 159, editora Paulus). Com efeito, reza o cânon 225, §2.º que o leigo tem de animar e aperfeiçoar a ordem das realidades com o espírito do evangelho. Este é o papel do leigo. Dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre, escreveu certa vez que quando se pergunta o que a Igreja faz no campo do bem comum, deve-se devolver a questão aos leigos.

No Brasil há diversas instituições religiosas que abrigam leigos, entre elas estão a E.P. Arautos do Evangelho, Carmelitas, capuchinhos, que são freis, e todos não estão na condição de sacerdote, entre outros que abrangem outras igrejas fora a católica, caso dos missionários mórmons e alguns testemunhas de Jeová.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. "Moderno Dicionário da Língua Portuguesa". Acesso: 31 de dezembro, 2011
  2. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Acesso: 31 de dezembro, 2011
  3. a b c d "A Vocação dos Leigos e das Leigas". Acesso: 31 de dezembro, 2011.
  4. Lumen Gentium 31, citado em Draiton Gonzaga de Souza, Amor scientiae: festschrift em homenagem a Reinholdo Aloysio Ullmann (EDIPUCRS, 2002), p.306.
  5. Draiton Gonzaga de Souza, Amor scientiae: festschrift em homenagem a Reinholdo Aloysio Ullmann (EDIPUCRS, 2002), p.305.
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