Papa Leão XIII

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Venerável Leão XIII, O.F.S.
256º papa
Lumen in caelo
Brasão pontifical de Venerável Leão XIII, O.F.S.
Nome de nascimento Gioacchino Vincenzo Raffaele Luigi Pecci
Nascimento Carpineto Romano, 2 de Março de 1810
Eleição 20 de Fevereiro de 1878
Entronização 3 de Março de 1878
Fim do pontificado 20 de Julho de 1903 (93 anos)
Antecessor Pio IX
Sucessor Pio X
Assinatura {{{assinatura_alt}}}
Listas dos papas: cronológica · alfabética

Papa Leão XIII, OFS (nascido Vincenzo Gioacchino Raffaele Luigi Pecci Prosperi Buzzi; Carpineto Romano, 2 de março de 1810Roma, 20 de julho de 1903), foi Papa de 20 de Fevereiro de 1878 até à data de sua morte.

Foi ordenado sacerdote da Igreja Católica em 31 de dezembro de 1837, em 18 de janeiro de 1843 foi indicado Núncio Apostólico para a Bélgica e ordenado bispo titular de Tamiathis em 19 de fevereiro de 1843. Em 27 de julho de 1846 tomou posse como Arcebispo de Perugia, Itália, e em 19 de dezembro de 1853 foi criado cardeal com o título de Cardeal-presbítero de São Crisógono. Foi eleito papa em 20 de fevereiro de 1878 e coroado em 3 de março do mesmo ano.

Em 1924 seus restos mortais foram transferidos para a Basílica de São João de Latrão.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Foi o sexto filho dos sete filhos do Conde Lodovico Pecci e de sua esposa Anna Prosperi Buzi. Existiram algumas dúvidas sobre a nobreza da família Pecci, e quando o jovem Gioacchino solicita a sua admissão na "Academia dos Nobres em Roma", se reuniu com uma certa oposição, sob a qual ele escreveu a história de sua família, o que demonstra que os Pecci foram de Carpineto um ramo dos Pecci de Siena, obrigado a emigrar para os Estados Pontifícios na primeira metade do século XVI, em virtude de Clemente VII, porque haviam estado do lado dos Médice.

Aos oito anos de idade, juntamente com seu irmão Giuseppe, de dez anos de idade, foi enviado para estudar no novo centro educativo em Viterbo no seminário. Permaneceu ali seis anos (1818-24), e ali adquiriu aquela clássica facilidade no uso do Latim e do Italiano, justamente admirado em seus escritos oficiais e em seus poemas.

Grande parte deste crédito é devido ao seu mestre, o Padre Leonardo Garibaldi. Quando em 1824, o Colégio Romano foi restituído aos jesuítas Gioacchino e seu irmão Giuseppe estudaram ali humanidades e retórica. No final do curso de retórica Gioacchino foi escolhido para apresentar em latim o tema "O contraste entre pagãos e cristãos de Roma". Não com menor êxito foram os seus três anos de curso de filosofia e ciências naturais.

Leão XIII, Papa, em 1898.

Permanecia ainda incerto quanto à sua chamada para o estado sacerdotal, apesar de que havia sido desejo de sua mãe que abraçasse o estado eclesiástico. Como muitos jovens romanos daquela época fossem destinados à carreira pública ele, no entanto se dedicou aos estudos de teologia, de direito civil e canônico. Entre seus mestres contava o famoso teólogo Perrone e o escriturista Patrizi. Em 1832 obteve o doutorado em teologia, após o que, após algumas dificuldades, pediu e obteve a admissão na Academia dos Nobres Eclesiasticos e iniciou os estudos de direito civil e canônico na Universidade de "Sapienza".

Episcopado[editar | editar código-fonte]

Pecci notabilizou-se primeiramente como popular e bem sucedido Arcebispo de Perugia, o que conduziu a sua nomeação como Cardeal em 1853. Em 20 de Fevereiro de 1878, foi eleito para sucessor do Papa Pio IX.

Pontificado[editar | editar código-fonte]

A Beata Maria do Divino Coração, condessa de Droste zu Vischering, influenciou o Papa Leão XIII a efectuar a consagração do Mundo ao Sagrado Coração de Jesus.

É frequente referir-se ao Papa Leão XIII pelas suas doutrinas sociais e econômicas, nas quais ele argumentava a falha do capitalismo e do comunismo. Ficou famoso como o "papa das encíclicas sociais". A mais conhecida de todas nessas matérias, a Rerum Novarum, de 1891, sobre os direitos e deveres do capital e trabalho, introduziu a ideia da subsidiariedade no pensamento social católico. Esta encíclica marcou o início da sistematização do pensamento social católico, chamado vulgarmente de Doutrina social da Igreja Católica e foi um contributo para o despertar de uma esquerda católica que se via no movimento do socialismo cristão. Este documento influenciou fortemente a criação do Corporativismo e da Democracia cristã.

Concedeu a Sua Alteza Imperial, a Princesa D. Isabel uma Rosa de Ouro, símbolo de generosidade por esta ter publicado a Lei Áurea, lei que extinguiu a escravidão no Brasil.

A bula Apostolicae Curae de 1896, afirma que as ordenações de diáconos, padres e bispos nas igrejas anglicanas, incluindo a Igreja Anglicana, não são válidas e, portanto, nulas. A Igreja Católica, no entanto, reconhece a validade de ordenações na Igreja Ortodoxa de Leste e Oriental.

No dia 11 de Junho de 1899, o Papa Leão XIII, sob a influência de algumas cartas recebidas por parte de uma religiosa da Congregação das Irmãs da Caridade do Bom Pastor, a Beata Maria do Divino Coração, condessa de Droste zu Vischering, que, a residir em Portugal, recebeu inúmeras revelações privadas de Jesus Cristo, efectuou um acto de consagração solene de todo o género humano ao Sagrado Coração de Jesus. Tal facto veio a ocorrer logo após a publicação da Encíclica Annum Sacrum e próprio Papa chamou a essa consagração solene "o maior acto do meu pontificado".[1]

Dentre muitas outras publicou a encíclica Arcanum Divinae Sapientiae sobre os valores da família, onde faz a abordagem dos problemas relacionados com o matrimônio. Neste documento faz a defesa da indissolubilidade do casamento e críticas ao divórcio. Leão XIII condenou também a Maçonaria e, pela Carta Apostólica de 1899 Testem Benevolentiae, condenou a heresia chamada Americanismo.

Encíclicas publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Ad Extremas (24 de junho de 1893)
  • Adiutricem (5 de setembro de 1895)
  • Aeterni Patris (4 de agosto de 1879)
  • Affari Vos (8 de dezembro de 1897)
  • Annum Sacrum (25 de maio de 1899)
  • Arcanum Divinae (10 de fevereiro de 1880)
  • Augustissimae Virginis Mariae (12 de setembro de 1897)
  • Au Milieu Des Sollicitudes (16 de fevereiro de 1892)
  • Auspicato Concessum (17 de setembro de 1882)
  • Caritatis (19 de março de 1894)
  • Caritatis Studium (25 de julho de 1898)
  • Catholicae Ecclesiae (20 de novembro de 1890)
  • Christi Nomen (24 de dezembro de 1894)
  • Constanti Hungarorum (2 de setembro de 1893)
  • Cum Multa (8 de dezembro de 1882)
  • Custodi di quella Fede (8 de dezembro de 1892)
  • Dall'alto dell'Apostolico Seggio (15 de outubro de 1890)
  • Depuis le Jour (8 de setembro de 1899)
  • Diuturni temporis (5 de setembro de 1898)
  • Diuturnum (29 de junho de 1881)
  • Divinum illud munus (9 de maio de 1897)
  • Dum Multa (24 de dezembro de 1902)
  • Etsi Cunctas (21 de dezembro de 1888)
  • Etsi Nos (15 de febrero de 1882)
  • Exeunte Iam Anno (25 de dezembro de 1888)
  • Fidentem Piumque Animum (20 de setembro de 1896)
  • Fin dal Principio (8 de dezembro de 1902)
  • Grande Munus (30 de setembro de 1880)
  • Graves de Communi Re (18 de janeiro de 1901)
  • Gravissimas (16 de maio de 1901)
  • Humanum Genus (20 de abril de 1884)
  • Iampridem (6 de janeiro de 1886)
  • Immortale Dei (1 de novembro de 1885)
  • In Amplissimo (15 de abril de 1902)
  • Inimica Vis (8 de dezembro de 1892)
  • In Ipso (3 de março de 1891)
  • In Plurimis (5 de maio de 1888)
  • Inscrutabili Dei Consilio (21 de abril de 1878)
  • Insignes (1 de maio de 1896)
  • Inter Graves (1 de maio de 1894)
  • Praeclara Gratulationis Publicae (20 de junho de 1894)
  • Iucunda Semper Expectatione (8 de setembro de 1894)
  • Laetitiae Sanctae (8 de setembro de 1893)
  • Libertas (20 de junho de 1888)
  • Licet Multa (3 de agosto de 1881)
  • Litteras a Vobis (2 de julho de 1894)
  • Longinqua (6 de janeiro de 1895)
  • Magnae Dei Matris (8 de setembro de 1892)
  • Magni Nobis (7 de março de 1889)
  • Militantis Ecclesiae (1 de agosto de 1897)
  • Mirae Caritatis (28 de maio de 1902)
  • Nobilissima Gallorum Gens (8 de fevereiro de 1884)
  • Non Mediocri (25 de outubro de 1893)
  • Octobri Mense (22 de setembro de 1891)
  • Officio Sanctissimo (22 de dezembro de 1887)
  • Omnibus Compertum (21 de julho de 1900)
  • Pastoralis (25 de julho de 1891)
  • Pastoralis Officii (12 de setembro de 1891)
  • Paternae (18 de setembro de 1899)
  • Paterna Caritas (25 de julho de 1888)
  • Pergrata Nobis (14 de setembro de 1886)
  • Permoti Nos (10 de julho de 1895)
  • Providentissimus Deus (18 de novembro de 1893)
  • Quae Ad Nos (22 de novembro de 1902)
  • Quam Aerumnosa (10 de dezembro de 1888)
  • Quamquam Pluries (15 de agosto de 1889)
  • Quam Religiosa (16 de agosto de 1898)
  • Quarto Abeunte Saeculo (16 de julho de 1892)
  • Quod Anniversarius (1 de abril de 1888)
  • Quod Apostolici Muneris (28 de dezembro de 1878)
  • Quod Auctoritate (22 de dezembro de 1885)
  • Quod Multum (22 de agosto de 1886)
  • Quod Votis (30 de abril de 1902)
  • Quum Diuturnum (25 de dezembro de 1898)
  • Reputantibus (20 de agosto de 1901)
  • Rerum Novarum (15 de maio de 1891)
  • Saepe Nos (24 de junho de 1888)
  • Sancta Dei Civitas (3 de dezembro de 1880)
  • Sapientiae Christianae (10 de janeiro de 1890)
  • Satis Cognitum (29 de junho de 1896)
  • Spectata Fides (27 de novembro de 1885)
  • Spesse Volte (5 de agosto de 1898)
  • Superiore Anno (30 de agosto de 1884)
  • Supremi Apostolatus Officio (1 de setembro de 1883)
  • Tametsi Futura Prospicientibus (1 de novembro de 1900)
  • Urbanitatis Veteris (20 de novembro de 1901)
  • Vi è Ben Noto (20 de setembro de 1887)

Brasão e lema[editar | editar código-fonte]

Brasão pontifício de Leão XIII
  • Descrição: Escudo eclesiástico. Em azul, com um carpino plantado numa planície, tudo ao natural, atravessado de uma faixeta de prata, adestrado em chefe de um cometa de jalde, posto em banda e acompanhado, em ponta, de duas flores-de-lis prateadas. O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobre duas chaves decussadas, a primeira de jalde e a segunda de argente, atadas por um cordão de goles, com seus pingentes. Timbre: a tiara papal de prata com três coroas de jalde. Sob o escudo, um listel de blau com o mote: LVMEN IN CÆLO, em letras de argente. Quando são postos suportes, estes são dois anjos de carnação, sustentando cada um, na mão livre, uma cruz trevolada tripla, de jalde.
  • Interpretação: O escudo obedece às regras heráldicas para os eclesiásticos. Nele estão representadas as armas modificadas da família do pontífice, os Pecci, antiga família de Siena, Província de Florença, na região da Toscana, da qual um dos ramos passou a Carpineto Romano, nos Estados Pontifícios, no século XVI. O campo de blau (azul) representa o firmamento celeste e ainda o manto de Nossa Senhora, sendo que este esmalte significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. O carpino é símbolo da imortalidade e representa o local de origem da família Pecci, Carpineto Romano, sendo que a expressão "ao natural" é um recurso para coloca-lo, juntamente com a planície, naturalmente de sinopla (verde), sobre o campo de blau (azul), sem ferir as leis da heráldica.
O Cardeal Camerlengo certifica a morte de Leão XIII
  • A faixeta, por seu metal argente (prata) traduz: inocência, castidade, pureza e eloqüência. O cometa representa Nosso Senhor Jesus Cristo, "Luz do Mundo", numa referência ao Cântico de Simeão (Lc 2,32), e também faze alusão à escolha divina do Cardeal Pecci para Pastor Universal da Igreja, sendo de jalde (ouro) simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. As duas flores-de-lis ( no brasão familiar consta uma só), relembram a origem remota da família, na Província de Florença, sendo de argente (prata) têm o significado já descrito deste metal. Os elementos externos do brasão expressam a jurisdição suprema do papa.
  • As duas chaves "decussadas", uma de jalde (ouro) e a outra de argente (prata) são símbolos do poder espiritual e do poder temporal. E são uma referência do poder máximo do Sucessor de Pedro , relatado no Evangelho de São Mateus, que narra que Nosso Senhor Jesus Cristo disse a Pedro: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu" (Mt 16, 19).
  • Por conseguinte, as chaves são o símbolo típico do poder dado por Cristo a São Pedro e aos seus sucessores. A tiara papal usada como timbre, recorda, por sua simbologia, os três poderes papais: de Ordem, Jurisdição e Magistério, e sua unidade na mesma pessoa. No listel o lema "Luz no céu" é mais uma referência ao ‘’Cântico de Simeão’’ (Lc 2,32): "Luz para iluminar as nações todas".


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Papa Leão XIII em foto de 1898
  • Acta Leonis XIII, 26 vols. (Rome, 1878-1903);
  • BACH, Leonis XIII Carmina. Inscriptiones, Numismata (1903), tr. HENRY (Philadelphia);
  • BONACINA, Continuazione della storia eccl. di Rohrbacher e di Balan (Turin, 1899);
  • BOYER DAGEN, La Jeunesse de Léon XIII (Tours, 1896); IDEM, La Prélature de Léon XIII (ibid., 1900);
  • CIVERA Sormaní, Joaquim. Lleó XIII i la qüestió social. Barcelona: Barcino, 1927.
  • Conventiones de rebus ecclesiasticis (14 vols., Rome, 1878-93);
  • DE CESARE, Il conclave di Leone XIII (3rd ed., Città di Castello, 1887);
  • DE GERMINY, La Politique de Léon XIII (Paris, 1902);
  • DE MEESTER, Leone XIII e la chiesa greco (Rome, 1905);
  • DUFFY, Eamon.Santos y pecadores: una historia de los papas. Madrid: Acento Editorial, 1998.
  • FUREY (New York, 1903); SPAHN (1905);
  • GEFFKEN, Léon XIII devant l'Allemagne (Paris, 1896);
  • GUILLERMIN (Paris, 1902);
  • JEAN DARRAS (Paris, 1902);
  • JUSTIN MCCARTHY (London, 1896);
  • KELLY, John Norman Davidson. "Leo XIII" en The Oxford Dictionary of Popes. Oxford: Oxford University Press, 1986, pp. 309–313.
  • KIEFER, William J. Leo XIII. A light from heaven. Milwaukee: The Bruce, 1960.
  • LAUNAY, Marcel. Le papauté a l'aube du XXe siècle. Paris: Editions du Cerf, 1997.
  • LEFEBVRE DE BÉHAINE, Léon XIII et le prince Bismarck (Paris, 1898);
Túmulo de Leão XIII na Basílica de São João de Latrão
  • O'REILLY (1886);
  • MALGERI, Francesco. "Leone XIII." en Enciclopedia dei papi. Roma: Istituto della Enciclopedia italiana, 2000, vol. III, pp. 575–593.
  • PENTERIANI, Ulderico. "Leone XIII" en Del Re, Niccolò. Mondo Vaticano. Pasato e presente. Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 1995, pp. 652–656.
  • PROTZNER, Die Entwickelung des kirchlichen Eherechts unter Leo XIII (Salzburg, 1908).
  • RUCABADO Comerma, Ramón. León XIII y el trabajo cristiano. Barcelona: Balmes, 1943.
  • Scelta di atti apostolici del card. Pecci (Rome, 1879);
  • SCHNEIDER (1901);
  • The Great Encyclicals of Leo XIII, ed. WYNNE (New York, 1902).
  • T'SERCLAES (3 vols., Paris, 1894-1906);
  • VIDAL Manzanares, César. Diccionario de los papas. Barcelona: Península, 1997.
  • WEBER, Christoph. Kardinäle und Prälaten in den letzten Jahrzehnten des Kirchenstaates : Elite-Rekrutierung, Karriere-Muster u. soziale Zusammensetzung d. kurialen Führungsschicht zur Zeit Pius IX (1846-1878). Stuttgart: Hiersemann, 1978, vol. II, pp. 501–503, 538, 547, 565, 585, 605, 617, 619, 645, 674, 686, 701, 706, 711, 715, 726, 740-742, 748-749.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Papa Leão XIII
Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Papa Leão XIII


Precedido por
Pio IX
Emblem of the Papacy SE.svg
Papa

256.º
Sucedido por
Pio X