Padre

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Wikitext.svg
Este artigo ou seção precisa ser wikificado (desde agosto de 2010).
Por favor ajude a formatar este artigo de acordo com as diretrizes estabelecidas no livro de estilo.
Padres católicos em Roma, Itália.

As ordens ministeriais da Igreja Católica Romana incluem as ordens dos bispos, diáconos e presbíteros. O sacerdócio ordenado e o sacerdócio comum (ou sacerdócio de todos os batizados) são diferentes em função e essência.

A distinção deve ser feita entre o "padre" e "presbítero". De acordo com o Código de Direito Canônico de 1983, "As palavras em latim sacerdos e sacerdotium são usadas para se referir, em geral, ao sacerdócio ministerial compartilhado por bispos e presbíteros. As palavras presbyter, presbyterium e presbyteratus referem-se a sacerdotes e presbíteros".

O sacerdócio na Igreja Católica inclui os sacerdotes de ambas as partes, do Rito Latino e dos Ritos Orientais. Em maio de 2007, o site do Vaticano afirmou que havia cerca de 406.411 sacerdotes que servem a Igreja em todo o mundo.

As pessoas consagradas, que podem ser leigos ou clérigos, normalmente agrupam-se em institutos de vida religiosa (congregações e ordens religiosas) ou em institutos seculares, existindo, porém, aqueles que vivem isoladamente ou até em comunidade aberta, junto dos outros leigos não-consagrados.

História[editar | editar código-fonte]

O Antigo Testamento descreve como Yahweh fez de seu povo "um reino de sacerdotes e uma nação santa". Dentre as doze tribos de Israel, a tribo de Levi foi a escolhida para exercer o serviço litúrgico de oferecer o sacrifício como sacerdotes. O sacerdote representava um mediador entre Deus e os seres humanos, aquele que oferece os sacrifícios e intercede pelo povo.

O Novo Testamento descreve Jesus como o "grande sumo sacerdote" da Nova Aliança que, em vez de oferecer os rituais de sacrifício animal prescritos pela lei judaica, oferece a si mesmo na cruz como o sacrifício verdadeiro e perfeito. O sacerdócio católico é uma participação neste sacerdócio de Cristo e, portanto, traça as suas origens até o próprio Jesus. Assim, o Novo Testamento diz que como sumo sacerdote, Jesus fez a Igreja, "um reino de sacerdotes para Deus, o Pai". Todos os que são batizados recebem uma participação no sacerdócio de Cristo, isto é, são conformados com Cristo e tornam-se capazes de oferecer a verdadeira adoração e louvor a Deus como cristãos. Toda a comunidade dos crentes é, como tal, sacerdotal.

O sacerdócio ministerial de sacerdotes e bispos católicos tem uma história distinta. Este sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio de todos os crentes e envolve a consagração direta de um homem a Cristo através do sacramento da ordem, para que ele possa agir na pessoa de Cristo para o bem dos fiéis, sobretudo na dispensação dos sacramentos. Entende-se ter começado na Última Ceia, quando Jesus Cristo instituiu a Eucaristia na presença dos Doze Apóstolos, ordenando-lhes, "fazei isto em memória de mim". O sacerdócio católico, portanto, é uma participação no sacerdócio de Cristo e traça as suas origens históricas para os Doze Apóstolos nomeados por Cristo. Os apóstolos, por sua vez, selecionaram outros homens para sucedê-los, como os bispos ("episkopoi", palavra grega para "bispos") das comunidades cristãs, com os quais foram associados presbíteros ("presbyteroi", palavra grega para "anciãos") e diáconos ("diakonoi ", palavra grega para "servos"). Como as comunidades se multiplicaram e cresceram em tamanho, os bispos nomeavam mais e mais presbíteros para presidir à Eucaristia em seus lugares nas comunidades em cada região. Os diáconos evoluiram como os assistentes litúrgicos do bispo e de seus representantes, para a administração dos fundos da Igreja e programas de auxílio aos pobres. Hoje, o posto de "presbítero" é geralmente associado a "sacerdote", embora tecnicamente, tanto um bispo e um presbítero são "sacerdotes" no sentido de que eles compartilham o sacerdócio ministerial de Cristo e oferecem o sacrifício a Deus na pessoa de Cristo.

Teologia do sacerdócio[editar | editar código-fonte]

Páscoa e Cristo[editar | editar código-fonte]

A teologia do sacerdócio católico está enraizada no sacerdócio de Cristo e compartilha alguns elementos do antigo sacerdócio hebráico. Um padre é aquele que preside a um sacrifício e o oferta juntamente com as orações a Deus, em nome dos fiéis. O antigo sacerdócio judeu funcionava no templo em Jerusalém, animais eram oferecidos em sacrifício em vários momentos ao longo do ano por diversas razões.

Na teologia cristã, Jesus é o cordeiro fornecido pelo próprio Deus como um sacrifício pelos pecados do mundo. Antes de sua morte na cruz, Jesus celebrou a Páscoa com seus discípulos, abençoando o pão e o vinho, respectivamente, dizendo: "Tomai e comei, isto é o meu corpo" e "Bebei dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão dos pecados"(Mateus 26:26b-28, Bíblia de Jerusalém). No dia seguinte, o corpo e o sangue de Cristo estavam visivelmente sacrificados na cruz. Os católicos crêem que é este mesmo corpo, sacrificado na cruz e ressuscitado no terceiro dia que se faz presente na oferta de cada sacrifício eucarístico. No entanto, o catolicismo não acredita que a doutrina da presença real de Cristo na Eucaristia implica uma mudança nas reais características do pão e do vinho: análises científicas dos elementos eucarísticos indicam que as propriedades físicas do pão e do vinho não mudam.

Assim, os padres católicos (e bispos que são "sumos sacerdotes") ao presidirem à Eucaristia, juntam cada oferta dos elementos eucarísticos em união com o sacrifício de Cristo. Os ministros católicos ordenados são conhecidos como padres porque, por sua celebração da Eucaristia, a sua oferta torna presente o sacrifício eterno de Cristo.

O catolicismo não ensina que Cristo é sacrificado novamente, mas que "o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício". Em vez disso, a Igreja Católica mantém o conceito judaico de memorial no qual "...memorial não é apenas uma recordação de eventos passados... esses eventos tornam-se de certa forma presente e real", portanto, "...o sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas na cruz permanece sempre presente". Propriamente falando, na teologia católica, expressa por São Tomás de Aquino, "Só Cristo é o verdadeiro sacerdote, os outros são seus ministros". Assim, o clero católico compartilha um único sacerdócio, o sacerdócio de Cristo.

Educação[editar | editar código-fonte]

O Código de Direito Canónico da Igreja Católica defende que o sacerdócio é um estado vocacional sagrado e perpétuo, não apenas uma profissão. Como regra geral, os estudos para se tornar um sacerdote são extensos e duram cerca de cinco ou seis anos, dependendo do programa nacional de formação sacerdotal.

  • Nos Estados Unidos, os sacerdotes devem ter um diploma universitário de filosofia católica (quatro anos) mais uma pós-graduação com formação no seminário em teologia (quatro a cinco anos), com foco em pesquisas bíblicas.
  • Na Escócia, há um ano obrigatório de preparação antes de entrar no seminário para um ano dedicado à formação espiritual, seguido por vários anos de estudo.
  • Na Europa, Australásia e América do Norte, geralmente, os seminaristas são formados com pós-graduação em teologia com graus de Mestre em Divindade ou Mestre em Teologia, um curso profissional de quatro anos (ao contrário de um Mestre das Artes, que é um grau académico). Devem ser feitos no mínimo quatro anos de estudos teológicos no Seminário Maior.
  • Na África, Ásia e América do Sul, os programas são mais flexíveis, sendo desenvolvidos de acordo com a idade e habilidades acadêmicas daqueles que se preparam para a ordenação.

Independentemente de onde uma pessoa se prepara para a ordenação, ela inclui não somente a formação acadêmica, mas também a formação humana, social, espiritual e pastoral. O propósito da educação no seminário é preparar os homens para serem pastores de almas. No final, entretanto, um bispo é responsável pela chamada oficial para o sacerdócio e apenas ele pode ordenar. Quaisquer ordenações feitas antes do tempo programado (antes da conclusão dos estudos) devem ter a aprovação explícita do bispo; todas as ordenações feitas com mais de um ano de antecedência devem ter a aprovação da Santa Sé.

Rito de ordenação[editar | editar código-fonte]

O Rito de Ordenação realizado por um bispo validamente ordenado é o que "faz" um sacerdote (já tendo sido um diácono).

O Rito de Ordenação ocorre dentro do contexto da Santa Missa. Depois de ter sido chamado para a frente e apresentado à assembléia, o candidato é questionado. Ele promete com diligência desempenhar as funções do sacerdócio, respeitando e obedecendo aos seus superiores religiosos. Em seguida, o candidato se prostra diante do altar, enquanto os fiéis reunidos se ajoelham e rezam, cantando a Ladainha de Todos os Santos.

A parte essencial do rito é quando o bispo impõe as mãos em silêncio sobre o candidato (seguido por todos os sacerdotes presentes), antes de oferecer a oração consecratória, dirigida a Deus Pai, invocando o poder do Espírito Santo sobre aquele que está sendo ordenado.

Após a oração consecratória, o recém-ordenado é investido com uma estola e uma casula, pertencentes ao Sacerdócio Ministerial, em seguida, o bispo unge as mãos com crisma antes de apresentá-lo com o cálice sagrado e a patena que ele vai usar quando presidir à Eucaristia. Depois disso, os dons do pão e do vinho são apresentadas pelo povo e dado ao novo padre. Então, todos os sacerdotes presentes, concelebram a Eucaristia com o recém-ordenado tomando o lugar de honra à direita do bispo. Se houver vários recém-ordenados, são eles que se reúnem mais próximo do bispo durante a Oração Eucarística.

A imposição das mãos do sacerdócio é encontrado em 1 Timóteo, 4:14:

"Não desprezes o dom que você tem, o que foi conferido a você através da palavra profética com imposição das mãos do presbítero".

Celibato[editar | editar código-fonte]

Os padres católicos, especialmente os de rito latino (ocidental), ao serem ordenados (consagrados), adotam um estilo de vida celibatário, que compreende a proibição do casamento e portanto de uma esposa (para que se dediquem inteiramente à Igreja), já que concubinas não são permitidas. O celibato no rito latino é imposto como condição ao assumir o cargo pretendido. Na Igreja Católica de rito oriental, a opção dos padres pelo celibato é voluntária, podendo estes se casar, se assim o desejarem. A Igreja Católica reconhece tanto os padres celibatários como os casados. O celibato já era uma opção considerável na Igreja Católica de rito latino desde o início do século IV d.C. e foi fortemente favorecido durante o pontificado de São Leão Magno (440-461). Porém, no rito latino, o celibato só se tornou obrigatório e plenamente implementado pelo Primeiro Concílio de Latrão (1123), Segundo Concílio de Latrão (1139), Quarto Concílio de Latrão (1215) e Concílio de Trento (1545-1563).

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal havia 4443 sacerdotes do clero diocesano em 1970, reduzidos a 2871 em 2007.

Quanto às ordens religiosas, havia 945 presbíteros em 1970 e 1025 em 2007.

Em 1970 havia 7100 candidatos ao sacerdócio. Em 2007, os pretendentes eram 1253.[1]

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Padre é o título com que, nas línguas ibéricas, são chamados os fiéis católicos cuja função é, em primeiro lugar, segundo o concílio Vaticano II, pregar a Palavra de Deus contida, pelo cristianismo de denominação católica, na coleção de setenta e dois (ou setenta e três, conforme a divisão) livros à qual dão o nome de "Bíblia", "Testamento" ou "Escritura", e dessa forma entendido como "protetor/pai, da palavra da Bíblia, Testamento ou Escritura", segundo entendimento de uma maioria de teológico católicos e não - católicos.

Como foi dito acima, portanto, não há unanimidade, sobre qual seria o melhor termo para se se referir àquele que é intitulado padre, missionário, pastor, cura e muitos outros que tentam a tradução sem indução dessa tradução, uma vez que vem do aramaico antigo. Alguns julgam melhor chamá-lo de "sacerdote", porquanto está ligado às coisas do sagrado entre os "capelães" que acompanhavam os exércitos grego e romano, com objetivo de acompanhar o soldado espiritualmente. Outros já preferem a denominação "presbítero", que provém do grego e significa "ancião"(velho conhecedor da palavra). Os que empregam mais o termo sacerdote têm, geralmente, a opinião de que o principal elemento distintivo do padre em relação aos demais fiéis católicos é o estar em posição de mediação entre Deus e os homens. Na ordenação presbiteral isso fica claro no rito de entrega do pão e do vinho pelo bispo ao novo padre: "Recebe a oferenda do povo para apresentá-la a Deus. Toma consciência do que vais fazer e põe em prática o que vais celebrar, conformando tua vida ao mistério da cruz do Senhor."

Os que, por sua vez, se inclinam à palavra "presbítero" entendem o padre como o ancião. Não no sentido de idade, mas no sentido de que é um homem experiente na intimidade com Deus e, por isso, fala com autoridade quando diz publicamente uma palavra em nome de seu Senhor, Jesus, que pela fé católica e de outras denominações cristãs é o Filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade.

"Presbítero" ou "sacerdote", aquele que é usualmente tratado como padre (padre Aloísio, padre Geraldo, padre Joaquim) é, no catolicismo, sempre um indivíduo do sexo masculino. Embora existam objeções ao interdito às mulheres de que sejam "sacerdotisas" ou "presbíteras", na Igreja romana essa possibilidade nunca existiu e, pela mentalidade atual de seus dirigentes em escala global (o colégio dos bispos, presidido pelo bispo de Roma, o papa), jamais poderá se estender às mulheres, pois se trata, segundo eles, duma vontade do próprio Jesus. Este teria instituído, para seus discípulos mais íntimos, doze homens. Os doze fizeram o mesmo quando, percebendo que cedo ou tarde morreriam e era preciso oferecer aos pósteros a possibilidade de conhecer a palavra de Deus em Jesus, fizeram o mesmo, ordenando apenas homens para o ofício.

Mulheres[editar | editar código-fonte]

As objeções a recusa de que as mulheres sejam ordenadas são muitas. Tem-se, por exemplo, a opinião de as mulheres poderiam, sim, celebrar as ordens sacras porque, do tempo de Jesus até hoje, as culturas evoluíram e, no ocidente, onde o cristianismo tem maior alcance, já se caminha para o reconhecimento da plena igualdade de direitos entre homens e mulheres em todas as instâncias da vida. Outra objeção que se coloca é de caráter teológico. Afirma que o Espírito Santo assiste continuamente a Igreja para que ela possa perseverar no caminho da verdade. Logo, a Igreja de hoje não precisa ser cópia da Igreja de ontem. A tarefa mesma dos presbíteros seria, para os que assim pensam, ajudar o povo (sobretudo seus líderes gerais, isto é, o papa e os demais bispos) a entender a ordenação de mulheres como algo que não fere a vontade do Senhor.

Dom Pedro Casaldáliga é a favor da ordenação de mulheres[2] .

Em alguns países, a Igreja Anglicana, assim como certas denominação mais liberais da Igreja Protestante, aceitam a ordenação de mulheres como sacerdotisas e como episcopisas, sejam solteiras ou casadas, heterossexuais ou homossexuais, a depender do grau de liberalidade aceito.

O Papa João Paulo II excluiu definitiva e categoricamente a possibilidade de que as mulheres pudessem algum dia ser ordenadas como sacerdotes na Igreja Católica, através da Carta Apostólica "Ordinatio Sacerdotalis"[3] .

Requisitos[editar | editar código-fonte]

Os requisitos mínimos para que um fiel da Igreja Católica se torne padre são: ter pelo menos 25 anos de idade; ser do sexo masculino; ter cursado teologia em alguma faculdade autorizada pelo bispo e na maioria dos casos também filosofia; ter sido ordenado diácono; ser solteiro e assim desejar permanecer por toda a vida.

Todo padre católico pode ser, a partir da idade de 35 anos e pelo menos cinco anos de ordenação presbiteral, nomeado bispo.

Os pré-requisitos para um padre ser bispo são: fé sólida eminente; piedade; zelo; boa reputação; ao menos 35 anos de idade; sacerdote ao menos há cinco anos; e mestrado ou doutorado em área teológica.

Tornar-se bispo, porém, ocorre com uma minoria, escolhida, na atual disciplina da Igreja, pelo Papa. com auxílio da Congregação para os Bispos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências