Teologia

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Teologia é o estudo crítico da natureza do divino, seus atributos e sua relação com os homens. Em sentido estrito, limita-se ao Cristianismo, mas em sentido amplo, aplica-se a qualquer religião.[1]. É ensinada como uma disciplina acadêmica, tipicamente em universidades, seminários e escolas de teologia.[2][3]

Santo Agostinho (354–430), um teólogo latino. Seus escritos sobre vontade livre e pecado original continua influente na cristandade ocidental.
Alberto o Grande (1193/1206–1280), santo padroeiro dos teólogos católicos romanos.

A origem do termo nos remete à Hélade - a Grécia Antiga. O termo "teologia" aparece em Platão, mas o conceito já existia nos pré-socráticos. Platão o aplica aos mitos interpretando-os à luz crítica da filosofia considerando seu valor para a educação política. Nessa passagem do mito ao logos, trata-se de descobrir a verdade oculta nos mitos. Aristóteles, por sua vez, chama de "teólogos" os criadores dos mitos (Hesíodo, Homero, poetas que narraram os feitos dos deuses e heróis, suas origens, suas virtudes e também seus vícios e erros), e de "teologia" o estudo metafísico do ente em seu ser (considerando a metafísica ou "filosofia primeira", a mais elevada de todas as ciências).

A incorporação do termo "teologia" pelo cristianismo teve lugar na Idade Média, entre os séculos IV e V, com o significado de conhecimento e saber cristão acerca de Deus.[4]

De acordo com a definição hegeliana, a teologia é o estudo das manifestações sociais de grupos em relação às divindades. Como toda área do conhecimento, possui então objetos de estudo definidos. Como não é possível estudar Deus diretamente, pois somente se pode estudar aquilo que se pode observar e se torna atual, o objeto da teologia seriam as representações sociais do divino nas diferentes culturas.

Assim, O termo pode também referir-se a um estudo de uma doutrina ou sistema particular de crenças religiosas - tal como a teologia judaica, a teologia cristã, a teologia islâmica Existem, portanto, a teologia hindu, a teologia judaica, a teologia budista, a teologia islâmica, a teologia cristã[5] (incluindo a teologia católica-romana, a teologia protestante, a teologia mórmon e outras), a teologia umbandista e outras. No Brasil, tramita-se uma lei em que regulamenta a profissão de teólogo. [6]


Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra provém do grego θεóς [theos]: precisamente divindade, mas no sentido de Verdade ou Essência da Verdade, Fé ou Caminho da Verdade da ou dessa ou ainda desta divindade; λóγος [logos]: palavra, no sentido preciso de Estudo sistemático da palavra, por extensão, estudo, análise, consideração, discurso sobre alguma coisa ou algo que tem existência)

Evolução do termo[editar | editar código-fonte]

No cristianismo, isso se dá a partir da Bíblia. O teólogo cristão protestante suíço Karl Barth definiu a Teologia como um "falar a partir de Deus". O termo "teologia" foi usado pela primeira vez por Platão, no diálogo "A República", para referir-se à compreensão da natureza divina de forma racional, em oposição à compreensão literária própria da poesia, tal como era conduzida pelos seus conterrâneos. Mais tarde, Aristóteles empregou o termo em numerosas ocasiões, com dois significados:

  • Teologia como o ramo fundamental da filosofia, também chamada "filosofia primeira" ou "ciência dos primeiros princípios", mais tarde chamada de metafísica por seus seguidores;
  • Teologia como denominação do pensamento mitológico imediatamente anterior à filosofia, com uma conotação pejorativa e, sobretudo, utilizada para referir-se aos pensadores antigos não filósofos (como Hesíodo e Ferécides de Siro).

Santo Agostinho tomou o conceito de teologia natural da obra Antiquitates rerum humanarum et divinarum, de Marco Terêncio Varrão, como a única teologia verdadeira, dentre as três apresentadas por Varrão - a mítica, a política e a natural. Acima desta, situou a Teologia Sobrenatural (theologia supernaturalis), baseada nos dados da revelação e,. A teologia sobrenatural, situada fora do campo de ação da filosofia, não estava subordinada, mas sim acima da última, considerada como uma serva (ancilla theologiae) que ajudaria a primeira na compreensão de Deus.

Teodiceia, termo empregado atualmente como sinônimo de "teologia natural", foi criado no século XVIII por Leibniz, como título de uma de suas obras (Ensaio de Teodiceia. Sobre a bondade de Deus, a liberdade do ser humano e a origem do mal), embora Leibniz utilize tal termo para referir-se a qualquer investigação cujo fim seja explicar a existência do mal e justificar a bondade de Deus.

Outra vertente da Teologia, denominada "Via Remotionis" (ou Teologia Negativa), defende a incognocibilidade de Deus por meio da linguagem racional. O caminho dessa Teologia é apresentar predicados opostos (tais como claro e escuro, bom e mau) e falar que Deus não é nem um lado nem o outro. Começa-se por predicados mais concretos, da realidade terrena, e prossegue-se por predicados cada vez mais abstratos. Com a sucessão dessas sentenças, procura-se passar a ideia de que Deus não está no campo do dizível (campo da linguagem), mas em uma esfera superior a essa, acessível pela experiência mística. [7]

Na tradição cristã (de matriz agostiniana), a teologia é organizada segundo os dados da revelação e da experiência humana. Esses dados são organizados no que se conhece como teologia sistemática ou teologia dogmática.

Há no século XXI, há uma teologia pós-moderna, engatinha-se uma sociedade de cultura pós-moderna, a teologia como “discurso”, “estudo”, tende a perder significado e importância. A teologia se vê ameaçada com as mudanças que incidem sobre ela e sobre a igreja cristã. O dogma fundamental da modernidade, que estabelecia o sujeito e a razão crítica como fonte de interpretação, conhecimento e aceitação das verdades, acaba ruindo por excesso dessa mesma razão moderna. Ela sofisticou-se de tal maneira que foge do controle da razão normal das pessoas, deixando em seu lugar a aceitação ou rejeição subjetiva, arbitrária. Quando se extrema a racionalidade, cai-se na irracionalidade, pois não sendo capaz de acompanhá-la, não nos resta senão aceitá-la ou rejeitá-la também sem razão.

Definição[editar | editar código-fonte]

Agostinho de Hipona definiu o termo Latino equivalente, theologia, como "raciocínio ou discussão sobre a Deidade";[8] O termo pode, no entanto, ser usado para uma variedade de diferentes disciplinas ou campos de estudo.[9]

A teologia começa com o pressuposto de que o divino existe de alguma forma, como na física, no sobrenatural, mental ou realidades sociais, e essa evidência para e sobre isso pode ser encontrada através de experiências espirituais pessoais e / ou registros históricos de experiências como documentadas por outros. O estudo dessas suposições não faz parte da teologia propriamente dita, mas é encontrada na filosofia da religião, e cada vez mais pela psicologia da religião e neuroteologia. A teologia então visa estruturar e compreender essas experiências e conceitos, e usá-los para derivar prescrições normativas para como viver nossas vidas.

Os teólogos usam várias formas de análise e argumento ( experiencial, filosófica, etnográfica, histórico e outros) para ajudar compreenda, explique, teste, crítica, defenda ou promova qualquer uma das inúmeras temas religiosos. Como em filosofia de ética e jurisprudência, os argumentos geralmente assumem a existência de questões previamente resolvidas, e desenvolvem-se fazendo analogias com elas para extrair novas inferências em novas situações.

O estudo da teologia pode ajudar um teólogo a compreender melhor sua própria tradição religiosa,[10] outra tradição religiosa,[11] ou pode permitir que explorem a natureza da divindade sem referência a nenhuma tradição específica. A teologia pode ser usada para proselitismo,[12] reform, [13] ou apologética a uma tradição religiosa, ou pode ser usado para comparar religiões, [14] desafiar (por exemplo, crítica bíblica), ou oposição (por exemplo, irreligião) a uma tradição religiosa ou visão de mundo. A teologia também pode ajudar um teólogo a abordar alguma situação ou necessidade atual através de uma tradição religiosa,[15] ou para explorar possíveis formas de interpretar o mundo. [16]


Referências

  1. Nova Enciclopédia Barsa, 1998 - Volume 14 Isbn 85-7026-431-3, páginas 54-56
  2. «theology». Wordnetweb.princeton.edu. Consultado em 11 de novembro de 2012 
  3. teologia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-10-19 03:21:54]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$teologia
  4. Teología Diccionario Enciclopédico Vox 1. Larousse Editorial, S.L. 2009, apud The Free Dictionary.
  5. WordNet:"theology"
  6. Tramita no Senado preocupante projeto de lei que regulamenta a profissão de teólogo Universidade metodista de São Paulo.
  7. Vasconcelos, V.V. A Função da Negação na Via Remotionis de Fernando Pio de Almeida Fleck. Universidade Federal de Minas Gerais. 2004.
  8. De Civitate Dei Book VIII. i. "de divinitate rationem sive sermonem" Arquivado em 4 de abril de 2008[Erro data trocada] no Wayback Machine.
  9. McGrath, Alister. 1998. Historical Theology: An Introduction to the History of Christian Thought. Oxford: Blackwell Publishers. pp. 1–8.
  10. See, e.g., Daniel L. Migliore, Faith Seeking Understanding: An Introduction to Christian Theology 2nd ed.(Grand Rapids: Eerdmans, 2004)
  11. See, e.g., Michael S. Kogan, 'Toward a Jewish Theology of Christianity' in The Journal of Ecumenical Studies 32.1 (Winter 1995), 89–106; available online at [1] Arquivado em 15 de junho de 2006[Erro data trocada] no Wayback Machine.
  12. See, e.g., Duncan Dormor et al (eds), Anglicanism, the Answer to Modernity (London: Continuum, 2003)
  13. See, e.g., John Shelby Spong, Why Christianity Must Change or Die (New York: Harper Collins, 2001)
  14. See, e.g., David Burrell, Freedom and Creation in Three Traditions (Notre Dame: University of Notre Dame Press, 1994)
  15. See, e.g., Timothy Gorringe, Crime, Changing Society and the Churches Series (London:SPCK, 2004)
  16. See e.g., Anne Hunt Overzee's gloss upon the view of Ricœur (1913–2005) as to the role and work of 'theologian': "Paul Ricœur speaks of the theologian as a hermeneut, whose task is to interpret the multivalent, rich metaphors arising from the symbolic bases of tradition so that the symbols may 'speak' once again to our existential situation." Anne Hunt Overzee The body divine: the symbol of the body in the works of Teilhard de Chardin and Rāmānuja, Cambridge studies in religious traditions 2 (Cambridge: Cambridge University Press, 1992), ISBN 0-521-38516-4, ISBN 978-0-521-38516-9, p.4; Source: [2] (accessed: Monday 5 April 2010)

Ver também[editar | editar código-fonte]

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