Absoluto

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book-4.svg
Esta página cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde fevereiro de 2013). Ajude a inserir referências. Conteúdo não verificável poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Searchtool.svg
Esta página ou seção foi marcada para revisão, devido a incoerências e/ou dados de confiabilidade duvidosa (desde março de 2008). Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a coerência e o rigor deste artigo.
Portal A Wikipédia possui o:
Portal de Filosofia
Disambig grey.svg Nota: Se procura por um concentrado de óleos essenciais usado em perfumaria, veja Absoluto (fragrância).

Absoluto, em Filosofia, é definido como a "realidade suprema e fundamental, independente de todas as demais". Às vezes é usado como um termo alternativo para "Deus" ou "o divino".[1] Na filosofia analítica e na filosofia pragmática, absoluto é tudo aquilo que não se deixa falsear. Na filosofia idealista, Absoluto é " "a soma de todo ser, atual e potencial".[2] No monismo idealista, serve como um conceito para a "realidade incondicionada, que é o fundamento espiritual de todo ser ou a totalidade das coisas consideradas como uma unidade espiritual"[3] e também já foi chamado de Urgrund.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Absoluto vem do latim solutus ab omni re, compreendendo o que é "em si e por si", independentemente de qualquer outra consideração ou condição: é a quintessência da abstração, a essência e o termo da generalização. "Assim, o absoluto foi considerado por uns como a ideia, como a verdade, como o princípio fundamental de que derivam todos os outros, como o Ser por excelência, princípio e causa de tudo quanto existe, ao passo que para outros apenas representa uma pseudoideia (William Hamilton). Para Charles Renouvier, é "Uma noção vazia de sentido".

História[editar | editar código-fonte]

Na filosofia grega antiga, conceitos de uma realidade absoluta são encontrados na busca do princípio último pelos pré-socráticos, como o ápeiron, a Nous (Mente) de Anaxágoras e Heráclito, e o Ser de Parmênides. Em Platão, vemos na Teoria das Formas as Ideias como o tipo de ser mais real, em oposição aos fenômenos temporários que delas participam e são como sombras e imagens. A Ideia do Bem é tida por ele como a maior e mais absoluta. Aristóteles aborda em sua Metafísica o conceito de motor imóvel como fundamento cósmico.

O conceito de "o absoluto" foi introduzido na filosofia moderna, notadamente por Hegel, para "a soma de todo ser, real e potencial".[4][5] Para Hegel, afirma o estudioso de filosofia Martin Heidegger, o Absoluto é "o espírito, o que está presente a si mesmo na certeza do autoconhecimento incondicional".[6] Segundo Hegel, afirma Frederick Copleston - um historiador da filosofia, "a lógica estuda o Absoluto 'em si'; a filosofia da Natureza estuda o Absoluto 'por si mesma'; e a filosofia do Espírito estuda o Absoluto 'em e para si mesma'.[7] Ele é essencialmente presente no idealismo alemão, sendo seu conceito também encontrado nas obras de F. W. J. Schelling, e foi antecipado por Johann Gottlieb Fichte.[3] Na filosofia inglesa, F. H. Bradley distinguiu o conceito de Absoluto de Deus, enquanto Josiah Royce, o fundador da escola de filosofia do idealismo americano, equiparou-os.[3]

Semelhanças e diferenças em várias tradições[editar | editar código-fonte]

Exemplos de religiões e filosofias que abraçam o conceito do Absoluto, de uma forma ou de outra incluem hermetismo, o hinduísmo, jainismo, taoísmo, islamismo, algumas formas de filosofia judaica, e existenciais ou metafísica formas de cristianismo.[8] Termos que servem para identificar O Absoluto[9] entre tais crenças incluem Wu Chi, Brahman, Adibuddha, Alá, Parabrahman, Tetragrammaton, Deus, o Divino, e inúmeras outras denominações.[10] No leste da Ásia, o conceito do Tao, e no Sul da Ásia, o conceito de Nirvana é sinônimo de descrição para os atributos do Absoluto como usados no Ocidente.

Índia[editar | editar código-fonte]

Todas as tradições espirituais da Índia reconhecem a existência de uma realidade transcendental. O conceito do Absoluto foi usado para interpretar os primeiros textos das religiões indianas, como os atribuídos a Yajnavalkya, Nagarjuna e Adi Shankara.[11] Segundo Glyn Richards, os primeiros textos do hinduísmo afirmam que o Brahman ou o Brahman-Atman não dual é o Absoluto.[12][13][14]

Embora diferentes escolas proponham diferentes enfoques do mesmo, a maioria concorda que o o absoluto é supra-material, supra-consciente, supra-pessoal e não tem qualidades. Muitas dessas tradições insistem que o Absoluto tem identidade com a essência do ser humano, o si, e é realizável pela transcendência da mente. Entretanto eles oferecem diferentes especulações sobre a relação entre o absoluto e a essência interior do ser (imanente). A solução mais radical vem do vedanta advaita, que não vê dualidade entre o Absoluto (brahman) e a essência da psique humana, o si transcendental (atman), mas outras linhagens também importantes, como no Vishishtadvaita de Ramanuja e Dvaita-advaita de Nimbarka, distinguem a multiplicidade na unidade absoluta sem confundir os seres como se fossem o próprio Absoluto, de forma panenteísta ao invés de panteísta.[15][16] No yoga clássico propõem a existência de uma pluralidade de sis (purusha), sendo um deles único que nunca foi e nunca será sujeito a ilusão da personalidade (individualidade). Este si em particular se chama "ishvara", no yoga de patanjali. Entretanto nas escolas não dualísticas de yoga, "ishvara" como criador não tem fundamentalidade. Normalmente chamado de Brahma ou prajapati, ele é uma mera beldade (deva) ou um projeção mental do absoluto.[carece de fontes?] O jainismo também busca o atingimento humano do Absoluto.

Segundo Takeshi Umehara, alguns textos antigos do budismo afirmam que o "verdadeiro absoluto e o verdadeiro livre deve ser o nada",[17] o "vazio" que eles chamam de vacuidade (sunyata).[18] No entanto, o primeiro estudioso budista Nagarjuna, afirma Paul Williams, não apresenta "vazio" como uma espécie de Absoluto, mas é "a própria ausência (uma pura inexistência) de existência inerente" na escola de Mādhyamaka da Filosofia budista.[19] No entanto, outras linhagens, principalmente no Maaiana e budismo tibetano, consideram o Absoluto da vacuidade não como um vazio absoluto, mas como fundamento da mente e de todo ser do cosmos. Isso é visto nos conceitos de uma natureza absoluta do Buda cósmico (Buda Primordial e Natureza de Buda), que espalha a compaixão e iluminação pelo universo, e nos ensinos dzogchen, por exemplo em Longchenpa,[20] e shentong em Dolpopa, este último que afirma:[21][22]

“Portanto, a Realidade Última de todos os sūtras e tantras profundos que cuidadosamente apresentam Tathatā e daí por diante é o Vazio de Outro, nunca o vazio de natureza própria. É absoluto, nunca relativo. É Natureza Verdadeira (Dharmatā), nunca um fenômeno (dharma). ... É Self (Ātman) sublime, nunca é nada. ... É primordial, nunca incidental. É Buddha, nunca um ser senciente. ... É o perfeito, nunca perverso. É o solo da vacuidade, nunca o vazio apenas."

O termo também foi adotado por Aldous Huxley em seu A Filosofia Perene para interpretar várias tradições religiosas, incluindo religiões indianas,[23] e influenciou outras vertentes do pensamento não dualista e da Nova Era.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Hegel Glossary
  2. Wikisource-logo.svg Herbermann, Charles, ed. (1913). «The Absolute». Enciclopédia Católica (em inglês). Nova Iorque: Robert Appleton Company 
  3. a b c Sprigge, T.L.S. (1998). Routledge Encyclopedia of Philosophy. Taylor and Francis. [S.l.: s.n.] doi:10.4324/9780415249126-N001-1 
  4. Frederick Charles Copleston (1963). History of Philosophy: Fichte to Nietzsche. Paulist Press. [S.l.: s.n.] pp. 166–180. ISBN 978-0-8091-0071-2 
  5. Wikisource-logo.svg Herbermann, Charles, ed. (1913). «The Absolute». Enciclopédia Católica (em inglês). Nova Iorque: Robert Appleton Company 
  6. Martin Heidegger (2002). Heidegger: Off the Beaten Track. Cambridge University Press. [S.l.: s.n.] pp. 97–98. ISBN 978-0-521-80507-0 
  7. Frederick Charles Copleston (2003). 18th and 19th Century German Philosophy. A&C Black. [S.l.: s.n.] pp. 173–174. ISBN 978-0-8264-6901-4 
  8. Huston Smith, Forgotten truth: the common vision of the world's religions HarperOne, 1992, ISBN 0062507877
  9. Maharishi Mahesh Yogi no livro Bhagavad-Gita, a New Translation and Commentary, Chapter 1-6. Penguin Books, 1969, p 188 (v 5)
  10. Rabbi David Aaron, The Secret Life of God, Endless Light, and Seeing God, Shambhala Publications, Maio 2004.
  11. Hajime Nakamura (1964). The Ways of Thinking of Eastern Peoples: India-China-Tibet-Japan. University of Hawaii Press. [S.l.: s.n.] pp. 53–57. ISBN 978-0-8248-0078-9 , Quote: "Thus the ultimate Absolute presumed by the Indians is not a personal god but an impersonal and metaphysical Principle. Here we can see the impersonal character of the Absolute in Indian thought. The inclination of grasping Absolute negatively necessarily leads (as Hegel would say) to the negation of the negative expression itself."
  12. Richards, Glyn (1995). «Modern Hinduism». Studies in Religion. Palgrave Macmillan. [S.l.: s.n.] pp. 117–127. ISBN 978-1-349-24149-1. doi:10.1007/978-1-349-24147-7_9 
  13. Chaudhuri (1954). «The Concept of Brahman in Hindu Philosophy». Philosophy East and West. 4: 47-66. doi:10.2307/1396951 , Quote: "The Self or Atman is the Absolute viewed from the subjective standpoint (arkara), or a real mode of existence of the Absolute."
  14. Simoni-Wastila (2002). «Māyā and radical particularity: Can particular persons be one with Brahman?». International Journal of Hindu Studies. 6: 1–18. doi:10.1007/s11407-002-0009-5 
  15. Culp, John (4 de dezembro de 2008). «Panentheism» 
  16. Barua, Ankur. «God's Body at Work: Rāmānuja and Panentheism». International Journal of Hindu Studies (em inglês). 14 (1): 1–30. ISSN 1022-4556 
  17. Umehara (1970). «Heidegger and Buddhism». Philosophy East and West. 20: 271-281. doi:10.2307/1398308 
  18. Orru (1992). «Durkheim, Religion, and Buddhism». Journal for the Scientific Study of Religion. 31: 47-61. doi:10.2307/1386831 
  19. Williams, Paul (2002). Buddhist Thought: A Complete Introduction to the Indian Tradition. [S.l.: s.n.] 
  20. Germano, David Francis. Poetic thought, the intelligent Universe, and the mystery of self: The Tantric synthesis of rDzogs Chen in fourteenth century Tibet. Madison: The University of Wisconsin. 1992.
  21. Carlucci, Bruno. (2013). O Grande Cálculo: ensaio sobre a tradução indireta de um texto budista tibetano. Dissertação de mestrado. Brasília: UNB.
  22. Stearns, Cyrus (2002). The Buddha from Dolpo: A Study of the Life and Thought of the Tibetan Master Dolpopa Sherab Gyaltsen (em inglês). [S.l.]: Motilal Banarsidass Publ. p. 149-150. ISBN 9788120818330 
  23. Huxley, Aldous (1 de janeiro de 2009). The Perennial Philosophy. Harper Perennial Modern Classics (em English). New York: [s.n.] ISBN 9780061724947 
Ícone de esboço Este artigo sobre filosofia/um(a) filósofo(a) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.