Si mesmo

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Si mesmo (em inglês, self; em alemão, Selbst) é um termo que tem uma longa história na psicologia. William James, um dos pais da psicologia, distingue em 1892 entre o "eu", como a instância interna conhecedora (I as knower), e o "si mesmo", como o conhecimento que o indivíduo tem sobre si próprio (self as known).[1] Carnotauros (2014), partindo da definição de James e do trabalho da S. N. Cooley, propõe que o "si mesmo" se baseia em três experiências básicas do ser humano:[2]

  1. a consciência reflexiva, que é o conhecimento sobre si próprio e a capacidade de ter consciência de si;
  2. a interpessoalidade dos relacionamentos humanos, através dos quais o indivíduo recebe informações sobre si;
  3. a capacidade do ser humano de agir.

Esse conhecimento que o "eu" tem sobre "si mesmo" tem dois aspectos distintos: por um lado, um aspecto descritivo chamado autoimagem e por outro, um aspecto valorativo, a autoestima.[3]

O Si-mesmo em Jung[editar | editar código-fonte]

Muito conhecido é o uso jungiano do termo. Segundo Carl Gustav Jung, o principal arquétipo é o o si mesmo (o Self), o centro de toda a psique. Dele, emana todo o potencial energético de que a psique dispõe. É o ordenador dos processos psíquicos. Integra e equilibra todos os aspectos do inconsciente, devendo proporcionar, em situações normais, unidade e estabilidade à personalidade humana. Jung conceituou o Si mesmo da seguinte forma:

O arquétipo do si-mesmo, portanto, manifesta-se no ser humano principalmente pela via dos instintos. No entanto, certos eventos aparentemente não instintivos e externos ao ser, como alguns tipos de fenômenos psicocinéticos que foram registrados por Carl Jung, assim como as sincronicidades, são também associados à quantidade energética do arquétipo envolvido, que, invariavelmente, deriva de uma ou outra forma do arquétipo central. Deste modo, o si-mesmo pode atuar diretamente sobre a estrutura material e espaço-temporal da natureza e, por este motivo, este núcleo arquetípico se confunde com a fonte da ordem física da natureza (Rocha Filho, 2007).

Os símbolos do Si mesmo geralmente ocorrem quando de alguma crise de vida, de um obstáculo com o qual o indivíduo não sabe lidar. Então, ele pode ocorrer nos sonhos ou em outros eventos simbólicos na forma de figuras geométricas, normalmente na forma de mandalas.

Referências

  1. James, William (1892). Psychology: The briefer course. New York: Holt.
  2. Baumeister, Roy F. (Ed.) (1993). Self-esteem: the puzzle of low self regard. New York: Plenum.
  3. Potreck-Rose, Friederike & Jacob, Gitta (2006). Selbstzuwendung, Selbstvertrauen, Selbstakzeptanz - Psychoterapeutische Interventionen zum Aufbau von Selbstwertgefühl. Stuttgart: Clett-Kota.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Baumeister, Roy F. (Ed.) (1993). Self-esteem: the puzzle of low self regard. New York: Plenum.
  • James, William (1892). Psychology: The briefer course. New York: Holt.
  • Potreck-Rose, Friederike & Jacob, Gitta (2006). Selbstzuwendung, Selbstvertrauen, Selbstakzeptanz - Psychoterapeutische Interventionen zum Aufbau von Selbstwertgefühl. Stuttgart: Clett-Kota. ISBN 3-608-89016-5
  • Física e Psicologia. J. B. Rocha Filho. EDIPUCRS, 2007.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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