Vício

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"Sócrates afastando Alcibíades do vício". Óleo sobre tela, 1865. Nesta imagem, pode-se observar uma acepção genérica do conceito, não relacionado ao uso de drogas, mas ao prazer.

Vício (do termo latino "vitium", que significa "falha" ou "defeito" [1]) é um hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem.

A acepção contemporânea do termo está relacionada a uma sucessão de denominações que se alteraram historicamente e que culmina com uma relação entre o Estado, a individualidade, a ética e a moral, nas formas convencionadas atualmente. Além disso, está fortemente relacionada a interpretações religiosas, sempre denotando algo negativo, inadequado, socialmente reprimível, abusivo e vergonhoso. Porém, em termos genéricos, é interessante a abordagem de Margaret Mead:

A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício, é quando se tem o prazer seguido da dor.


Faltando porém, um detalhe: os períodos onde a dor e o prazer se inserem variam, sendo que o segundo é sempre mais longo e permanente que o primeiro, em ambos os casos. Daí a relação que se cria também com o trabalho, como processo doloroso que gera prazer posterior permanente, e que portanto, eleva(m) o homem, através do orgulho e da vitória. Fatalmente, o vício relaciona-se também com a perda, a derrota, e portanto, a queda, fechando um ciclo conceitual que interliga o social, o biológico, o religioso e a ética-moral laica.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra do Inglês que melhor mostra o sentido da palavra "vício" é a palavra vicious, que significa 'cheio de vício'. Nesse sentido, a palavra "vício" vem do termo latino vitium, que significa "falha" ou "defeito".

Vício e ciência[editar | editar código-fonte]

A ciência tenta explicar em todas as suas vertentes a origem do vício, mas filosoficamente isto é contraditório, já que o conceito de ciência não prescinde de moral ou ética, ao menos no sentido social, em sua prática investigatória, e portanto, tal conceito não pode ser quantificado ou isolado para análise imparcial. Por outro lado, em se tratando de dependência, seja ela de ordem orgânica, psicossocial ou mista, há grandes possibilidades de se encontrar medicamentos definitivos e de maior qualidade, que eliminem o vício em suas diversas formas.

Vício e ética[editar | editar código-fonte]

Aristóteles carregando seu livro intitulado Ética a Nicômaco.

Muitas pesquisas encontram uma relação direta entre prazer (imediato) e dependência, e o poder de atração para um novo ciclo de prazer-depressão, característico de todas as formas de vício. Dessa forma, a despeito de a configuração deste comportamento ser explicada biologicamente, sua avaliação social é paralela aos conceitos de mau, incorreto, indecente, antinatural, arriscado, doentio, perigoso, fatal, evidenciando que a construção histórica do conceito aponta sua prática indiscriminada em direção à morte ou grave degradação biológica do indivíduo viciado.

Ou seja, "vício" é um conceito composto e indissociável, formado por diversas acepções que se sobrepõem nos campos medicinais ou biológicos, históricos, políticos, antropológicos, econômicos, psicológicos e psicanalíticos, religiosos, éticos e morais. Além disso, na forma como o conhecemos hoje, é um conceito contemporâneo, e não pode ser isolado como processo biológico, evidenciando-se a primazia não da química, mas de todo um complexo real e imaginário em torno da individualidade.

Trabalhador compulsivo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Trabalhador compulsivo
Workaholic alimentando-se em frente ao computador.

Apesar de a acepção de "vício" estar, frequentemente, associada como antagônica ao trabalho, a denominação de uma forma de vício, o trabalhador compulsivo (ou workaholic, como é importado frequentemente do Inglês), traz, à tona, a evidência de que, ao menos neste caso, o vício não se trata de fuga da responsabilidade ou vagabundagem, mas, antes, a repetição de uma estrutura psicológica.

Psicologia comportamental e o vício[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Vício comportamental
Esquema da inter-relação entre a causa e o vício, como feedback positivo (behaviorismo).

Para a psicologia comportamental, o vício é resultado de uma construção orgânica, desencadeada pelo reforço de uma relação entre estímulo e prazer químico, ou ainda, é uma questão puramente biológica, em detrimento da abordagem simbólico-linguística que a psicanálise Lacaniana enuncia. As pesquisas dessa linha de conhecimento fornecem dados a partir de experimentos com animais tidos como "menos desenvolvidos psicologicamente" que o homem, como ratos, gatos e cachorros e outros animais, que alguns acreditam não possuir realidade social, individualidade ou autoconsciência como ocorre nos seres humanos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
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Referências

  1. «Dicionário Michaelis - Vício». michaelis.uol.com.br