Consequencialismo

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“Toda vantagem obtida antes é julgada à luz do resultado final.”
—Demosthenes

Consequencialismo é um termo filosófico criado por Elizabeth Anscombe em “Modern Moral Philosophy”, 1958, para defender a tese de que um agente é responsável tanto pelas consequências intencionais de um acto, como pelas não intencionais quando previstas e não evitas. Portanto, as consequências deveriam ser levadas em consideração quando se faz juízos sobre o correcto e incorrecto.

A tese de Anscombe difere daquela anterior, de Henry Sidgwick, que não fazia a distinção entre as consequências não intencionais previstas e imprevistas para a atribuição de responsabilidades. Uma acção é justa se, e somente se, o seu resultado total for o melhor possível.

Teorias[editar | editar código-fonte]

Muitos autores agora usam o termo “utilitarismo” para designar um tipo de consequencialismo. Alguns reservam esse termo para o ponto de vista que combina o consequencialismo com a premissa hedonista de que apenas o prazer tem valor intrínseco. Outros reservam o termo para o ponto de vista que combina o consequencialismo com a premissa eudemonística de que a felicidade tem valor intrínseco.[1]

O consequencialismo também pode ser contrastado com teorias morais e com a ética da virtude. Criticando as teorias consequencialistas, que postulam que as consequências da acção devem ser o foco principal do nosso pensamento sobre a ética, as teorias da virtude ética insistem que é mais o carácter da acção, e não as consequências, que devem ser o foco principal. Alguns especialistas em ética da virtude sustentam que as teorias consequencialistas desconsideram o desenvolvimento e a importância do carácter moral. Por exemplo, há quem argumente que as consequências em si não têm conteúdo ético, a menos que tenham resultado de uma virtude como a benevolência. No entanto, a ética da virtude e o consequencialismo podem não ser totalmente antagónicos.

Há teorias consequencialistas que podem considerar o carácter de várias maneiras.[2] Por exemplo, os efeitos sobre o carácter do agente, ou quaisquer outras pessoas envolvidas numa acção, podem ser considerados como uma consequência relevante.

Da mesma forma, com uma teoria consequencialista pode-se ter por objectivo a maximização de uma virtude particular, ou conjunto de virtudes. Por fim, pode-se adoptar por um determinado tipo de consequencialismo, como aquele que argumenta que a actividade virtuosa, em última análise, produz as melhores consequências.[3]

Referências

  1. Thomas Mautner (2010). Dicionário de Filosofia. [S.l.]: Edições 70. 784 páginas. ISBN 9789724415857 
  2. Derek Parfit (1984). Reasons and Persons. [S.l.]: Oxford University Press. 560 páginas. ISBN 9780198249085 
  3. Simon Blackburn (1997). Dicionário de Filosofia. [S.l.]: Gradiva. 320 páginas. ISBN 9789726627906 
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