Mitologia

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Prometeu (1868) por Gustave Moreau. Prometeu é um exemplo de mito.

O termo mitologia pode referir-se tanto ao estudo de mitos como a um conjunto de mitos.[1] Por exemplo, mitologia comparada é o estudo das conexões entre os mitos de diferentes culturas,[2] ao passo que mitologia grega é o conjunto de mitos originários da Grécia Antiga.

Em sentido coloquial, o termo "mito" é, frequentemente, utilizado para se referir a uma história falsa.[3][4] Porém o uso acadêmico do termo não denota, geralmente, um julgamento quanto a sua verdade ou falsidade.[4][5] No estudo de folclore, um mito é uma narrativa sagrada que explica como o mundo e a humanidade vieram a ser da forma que são atualmente.[5][6][7] Muitos estudiosos em outros campos usam o termo "mito" de forma um pouco diferente.[7][8][9] Em um sentido muito amplo, a palavra pode se referir a qualquer história tradicional.[10]

Os mitos são, geralmente, histórias baseadas em tradições e lendas feitas para explicar o universo, a criação do mundo, fenômenos naturais e qualquer outra coisa a que explicações simples não são atribuíveis. Mas nem todos os mitos têm esse propósito explicativo. Em comum, a maioria dos mitos envolvem uma força sobrenatural ou uma divindade, mas alguns são apenas lendas passadas oralmente de geração em geração. Figuras mitológicas são proeminentes na maioria das religiões e a maior parte das mitologias estão atadas a pelo menos uma religião. Alguns usam a palavra mito e mitologia para desacreditar as histórias de uma ou mais religiões.

O termo é, frequentemente, associado às descrições de religiões de sociedades antigas, como a mitologia romana, mitologia grega, mitologia egípcia e mitologia nórdica, que foram quase extintas. Destaca-se, ainda, a mitologia cristã, que ainda hoje tem muitos devotos pelo mundo. No entanto, é importante ter em mente que, enquanto alguns veem os panteões nórdico e céltico como meras fábulas, outros os têm como religião (ver Neopaganismo). Alguns religiosos tomam como ofensa a caracterização de sua como um conjunto de mitos, pois isso implicaria em afirmar tacitamente que sua religião não passa de folclore. De qualquer forma, parece haver um consenso de que cada religião possui um grupo de mitos que desenvolveram-se em conjunto com suas escrituras. Esse tipo de postura é particularmente recorrente em países cuja maior parte da população adere a uma religião específica, como é o caso do Brasil ou México.

Natureza dos mitos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mitologia comparada

Características típicas[editar | editar código-fonte]

Os personagens principais nos mitos são, geralmente, deuses ou heróis sobrenaturais.[11][12][13] Como histórias sagradas, os mitos, e também podem ser consideradas as fábulas, são, muitas vezes, endossados pelos governantes e sacerdotes e intimamente ligados à religião.[11] Na sociedade em que é divulgado, um mito é geralmente considerado como um relato verdadeiro de um passado remoto.[11][12][14][15] Na verdade, muitas sociedades têm duas categorias de narrativas tradicionais: "histórias verdadeiras" ou mitos, e as "histórias falsas" ou fábulas.[16] Mitos geralmente estão ambientados em uma época antiga, quando o mundo ainda não tinha atingido sua forma atual,[11]e explicam como o mundo atingiu sua forma atual[5][6][7][17] e como os costumes, instituições e tabus foram estabelecidos. Os mitos são também encontrados in illo tempore, ou seja, num tempo indefinido e intemporal, ajustando-se assim ao pensamento de qualquer sociedade. [11][17]

Religião e mitologia[editar | editar código-fonte]

Os termos "mito" e "mitologia" são, comumente, empregados para ilustrar histórias de uma ou mais religiões como algo falso ou duvidoso - e muito embora quase todos os dicionários incluam essa definição, a palavra "mito" nem sempre implica uma história falsa, nem uma história verdadeira. O termo é constantemente utilizado no sentido de descrever religiões criadas pelas sociedades antigas, cujos ritos estão quase extintos. Muitas pessoas veem seus textos sagrados como possuindo verdades religiosas, inspiradas divinamente.[carece de fontes?]

Para o propósito desse artigo, a palavra "mitologia" é usada para se referir a histórias, que, enquanto podem ou não ser factuais, revelam verdades fundamentais e pensamentos sobre a natureza humana, através do frequente uso de arquétipos. Também é necessário frisar que as histórias discutidas expressam pontos de vista e crenças de um país, um período no tempo, cultura e/ou religião a qual lhes deu à luz. Uma pessoa pode falar de mitologia Judaica, mitologia Cristã ou mesmo mitologia Islâmica, com cada uma descrevendo os elementos míticos nessas religiões sem se referir à veracidade sobre a sua história.[carece de fontes?]

Há no estudo da Mitologia diversas teorias que versam sobre a origem dos mitos, à luz da Teoria Bíblica por exemplo, segundo Thomas Bulfinch[18] todas as lendas mitológicas têm sua gênese nas Escrituras judaico-cristãs, mas que passaram por alterações, deste modo Deucalião seria Noé; Hércules seria Sansão; Jubal, Tubal e Tubal Caim seriam análogos a Mercúrio, Vulcano e Apolo, uma vez que, os supracitados eram precursores do pastoreio, técnica de fundição e música, respectivamente. Da mesma forma a Torre de Babel é análoga a tentativa dos Gigantes de destronar os céus. Além desta teoria, há a teoria histórica, segundo esse viés científico, o personagens citados na Mitologia seriam, inicialmente pessoas reais, e as lendas e fábulas sobre essas pessoas, surgiram em períodos posteriores, à luz dessa teoria Éolo por exemplo, conhecido como o deus dos ventos, seria, provavelmente um governante de alguma ilha no Mar Tirreno. Segundo a teoria alegórica, todos os mitos da Antiguidade eram alegóricos e simbólicos, utilizados para exortar, ensinar, uma vez que os mitos carregam em si uma verdade moral, religiosa, histórica ou filosófica, não obstante, esses ensinamentos com o transcorrer dos anos, assumiram um sentido literal absorvido pela sociedade em que eles surgiram, segundo essa teoria Saturno ( romano) e Cronos ( grego) tratam-se da mesma divindade, Saturno, que devora sua prole, é o tempo, isto é, trata-se do titã Cronos, que personifica o tempo, e que destrói tudo o que ele mesmo cria. A mesma alegoria é verificada no mito de Io, que é a deusa da lua; Argos ( o céu estrelado) que se mantém acordado para velar Io, que está constantemente em peregrinações, representa as fases da lua. Thomas Bulfinch[19] também demonstra que existe a teoria física para a origem dos mitos, segundo esta teoria, os elementos ar, fogo e água foram cultuados nas sociedades primitivas, e as divindades principais eram personificações das forças advindas na natureza, essa crença floresceu, principalmente pelos antigos gregos, que acreditavam que todos os elementos naturais estavam entregues a um determinado deus.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Kirk, p. 8; "myth", Encyclopædia Britannica
  2. Littleton, p. 32
  3. Armstrong, p. 7
  4. a b Eliade, Myth and Reality, p. 1
  5. a b c Dundes, Introduction, p. 1
  6. a b Dundes, "Binary", p. 45
  7. a b c Dundes, "Madness", p. 147
  8. Doty, p. 11-12
  9. Segal, p. 5
  10. Kirk, "Defining", p. 57; Kirk, Myth, p. 74; Simpson, p. 3
  11. a b c d e Bascom, p. 9
  12. a b "myths", A Dictionary of English Folklore
  13. O'Flaherty, p.19: "Acho que é possível eficazmente argumentar como uma questão de princípio que, assim como 'biografia é sobre sujeitos', assim mitologia é sobre deuses".
  14. Eliade, Myths, Dreams and Mysteries, p. 23
  15. Pettazzoni, p. 102
  16. Eliade, Myth and Reality, p. 10-11; Pettazzoni, p. 99-101
  17. a b Eliade, Myth and Reality, p. 6
  18. Bulfinch, Thomas (2006). O livro de ouro da mitologia: história de deuses e heróis. Rio de Janeiro: Ediouro. pp. 287–288 
  19. Bulfinch, Thomas (2006). O livro de ouro da mitologia: história de deuses e heróis. Rio de Janeiro: Ediouro. pp. 287–288 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Amstrong, Karen. "A Short History of Myth". Knopf Canada, 2006.
  • Bascom, William. "The Forms of Folklore: Prose Narratives". 'Sacred Narrative: Readings in the Theory of Myth. Ed. Alan Dundes. Berkeley: University of California Press, 1984. 5-29.
  • Doty, William. Myth: A Handbook. Westport: Greenwood, 2004.
  • Dundes, Alan. "Binary Opposition in Myth: The Propp/Levi-Strauss Debate in Retrospect". Western Folklore 56 (Winter, 1997): 39-50.
  • Dunes, Alan. "Madness in Method Plus a Plea for Projective Inversion in Myth". Myth and Method. Ed. Laurie Patton and Wendy Doniger. Charlottesville: University of Virginia Press, 1996.
  • Dundes, Alan. Introduction. Sacred Narrative: Readings in the Theory of Myth. Ed. Alan Dundes. Berkeley: University of California Press, 1984. 1-3.
  • Eliade, Mircea. Myths, Dreams and Mysteries. Trans. Philip Mairet. New York: Harper & Row, 1967.
  • Kirk, G.S. Myth: Its Meaning and Functions in Ancient and Other Cultures. Berkeley: Cambridge University Press, 1973.
  • Kirk, G.S. "On Defining Myths". Sacred Narrative: Readings in the Theory of Myth. Ed. Alan Dundes. Berkeley: University of California Press, 1984. 53-61.
  • "myth." Encyclopædia Britannica. 2009. Encyclopædia Britannica Online, 21 de março de 2009
  • "myths". A Dictionary of English Folklore. Jacqueline Simpson and Steve Roud. Oxford University Press, 2000. Oxford Reference Online. Oxford University Press. UC - Berkeley Library. 20 de março de 2009 Oxfordreference.com
  • O'Flaherty, Wendy. Hindu Myths: A Sourcebook. London: Penguin, 1975.
  • Segal, Robert. Myth: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford UP, 2004.
  • Pettazzoni, Raffaele. "The Truth of Myth". Sacred Narrative: Readings in the Theory of Myth. Ed. Alan Dundes. Berkeley: University of California Press, 1984. 98-109.
  • Simpson, Michael. Introduction. Apollodorus. Gods and Heroes of the Greeks. Trad. Michael Simpson. Amherst: University of Massachusetts Press, 1976. 1-9.