Mitologia hitita

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Divindade sentada do fim do Império Hitita (século XIII a.C.

A mitologia hitita é o conjunto das crenças e práticas religiosas dos hititas, povo que viveu na Anatólia (atualmente parte da Turquia) entre o final do século XVII a.C. ou início do século XVI a.C. e o início do século XII a.C. A maioria das narrativas que incorporam a mitologia hitita está perdida e os elementos que poderiam dar uma visão equilibrada da religião hitita não se encontram nas tábuas recuperadas na capital hitita, Hattusa, e em outros sítios hititas. Consequentemente, "não existem escrituras canônicas, dissertações, discursos teológicos ou auxílios à devoção privada".[1][2] Alguns documentos religiosos faziam parte do corpus no qual os jovens escribas foram treinados, e sobreviveram. A maioria deles datam das últimas décadas antes da queima final dos locais. Os escribas da administração real, alguns de cujos arquivos sobreviveram, eram uma burocracia, organizando e mantendo responsabilidades reais em áreas que poderiam ser consideradas parte da religião nos tempos atuais: organização do templo, administração do culto e relatórios de adivinhos, compõem o corpo principal dos textos sobreviventes.[3]

A compreensão da mitologia hitita depende da leitura de gravações em pedra que sobreviveram até os dias de hoje, decifrando-se a iconologia representada em selos de pedra e interpretando-se a planta dos templos. Além disso, há algumas imagens de divindades. Os hititas adoravam seus deuses através das pedras Huwasi, que representam divindades e eram tratadas como objetos sagrados. Deuses eram, muitas vezes, representados sentados sobre as costas dos seus animais respectivos, ou eram representados ​​em sua forma animal.[4]

Visão[editar | editar código-fonte]

Embora fortemente influenciada pela mitologia mesopotâmica, a religião dos hititas e dos luvitas continua a ter elementos claramente indo-europeus, como por exemplo Tarhunt, deus do trovão, e seu conflito com a serpente Illuyanka, que se assemelha, entre outras coisas, ao conflito entre Indra e a serpente Vrtra, na mitologia indo-ariana.

Tarhunt tinha um filho, Telepinu, e uma filha, Inara - uma deusa protetora (dLAMMA) envolvida com o festival da primavera, Puruli. Ishara é a deusa do juramento.

Kumarbi é o pai de Tarhunt, e seu papel na Canção de Kumarbi lembra o de Cronos na Teogonia, de Hesíodo. Ullikummi é um monstro de pedra, filho de Kumarbi, reminiscente do Tifão, de Hesíodo.

O deus luvita do clima e do relâmpago, Pihassassa, pode ter sido a origem do Pégaso grego. Descrições de animais híbridos, como hipogrifos e quimeras, são típicas da arte anatólica do período.

A cidade de Arinna, cuja localização ainda está por ser determinada com exatidão,[5] era tida como provável centro de culto daquele povo, seguramente era o principal centro dedicado à principal deusa solar dos hititas, conhecida como dUTU URUArinna, "deusa do sol de Arinna".[6]

Os hititas veneravam seus deuses frequentemente através das pedras Huwasi, que representavam as divindades e eram tratadas como objetos sagrados.

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. BECKMAN, G. The Religion of the Hittites. The Biblical Archaeologist 52.2/3. Junho - Setembro 1989. pp. 98-108. in LAROCHE E. Catalogue des textes hittites. 1971.
  2. BITTEL, K. Hattusa, the Capital of the Hittites. 1970.
  3. MACQUEEN, J. G. Hattian Mythology and Hittite Monarchy. Anatolian Studies. 1959.
  4. LEBRUN, R. Le zoomorphisme dans la religion hittite: L'Animal, l'homme, le dieu dans le Proche-Orient ancien. Leuven. 1985:95-103, in Gary Beckman, "The Religion of the Hittites", The Biblical Archaeologist 52.2/3, (June - September 1989:98-108) .
  5. Alguns autores a situam a um dia de marcha da capital hitita, Hattusa (Burney, Charles Allan. Historical dictionary of the Hittites), enquanto outros a identificaram a posterior Xanthos, dos gregos, no litoral do Mediterrâneo (Trevor R. Bryce, Trevor Bryce, Jan Zahle. The Lycians in literary and epigraphic sources. Museum Tusculanum Press, 1986. ISBN 8772890231, 9788772890234).
  6. Burney, Charles Allen (2004). Historical dictionary of the Hittites Scarecrow Press [S.l.] p. 28. ISBN 0810849364, 9780810849365. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Beckman, Gary. The Religion of the Hittites, The Biblical Archaeologist (1989).
  • Macqueen, J. G. Hattian Mythology and Hittite Monarchy, Anatolian Studies (1959).
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