Academia de Platão

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A Academia de Platão (também chamada de Academia Platônica, Academia de Atenas ou Academia Antiga) é uma academia fundada por Platão, aproximadamente em 384 a.C./383 a.C. em Estagira[1] , nos jardins localizados no subúrbio de Atenas. Durante muito tempo, considerou-se a criação da Academia fora para ser uma associação religiosa consagrada às Musas, dado que as leis do Estado ateniense não contemplavam a possibilidade de um estabelecimento semelhante ao que Platão queria construir, assim o filósofo escolhe a única forma de abrir juridicamente e legalmente seu espaço: fez reconhecer sua Academia como comunidade consagrada ao culto das Musas de Apolo.[2]

Localização[editar | editar código-fonte]

Antes da Akademia ser uma foi uma escola, e mesmo antes de Cimon cercá-las com muros,[3] no seu terreno havia um bosque sagrado de oliveiras dedicados a Atena, a deusa da sabedoria, fora das muralhas da cidade antiga de Atenas.[4] O nome arcaico do local era (em grego antigo: Ἑκαδήμεια Hekademia), que depois evoluiu para Akademia, esse nome foi explicado pelo menos no início do século 6 a.C., ligando-o a um herói ateniense, o lendário "Academo".

O local da Academia foi dedicado a Atena e a outros imortais, o local abrigou seu culto religioso desde a Idade do Bronze, um culto que foi, talvez, também associado aos herói-deuses Dioscuri (Castor e Pólux), o herói Akademos associado cao local foi creditado por ter revelado aos gêmeos divinos onde Teseu tinha escondido Helena de Troia. Por respeito à sua longa tradição e da associação com a Dioscuri, os espartanos nãodevastaram o bosque quando incadiram a Ática.[5] Havia também pórticos e altares consagrados às Musas, às Graças, ao Amor, a Prometeu onde ardia a chama eterna em homenagem a Atena.[6]

A Academia[editar | editar código-fonte]

A Academia de Platão em Atenas Mosaico em Pompéia, ca. séc. I

O que mais tarde viria a ser conhecido como a escola de Platão provavelmente se originou quando Platão adquiriu a propriedade herdada com a idade de trinta anos, com encontros informais que incluiu Teeteto, Arquitas de Tarento, Leodamas de Tasos e Neoclides.[7] De acordo com Debra Nails, Espeusipo "se juntou ao grupo cerca de 390." Ela afirma: "Até Eudoxo de Cnido chegar em meados da década de 380, Eudemo de Rhodes. não reconhece formalmente a Academia". Não há registros históricos do momento exato em que a escola foi fundada oficialmente, mas estudiosos modernos geralmente concordam que foi entre 380, provavelmente em algum momento depois de 387, quando Platão supostamente retorna de sua primeira visita à Itália e Sicília.[8] Originalmente, o local das reuniões era a propriedade de Platão,muitas vezes o ginásio próximo da Academi , o que assim permaneceu durante todo o século IV.[9]

Embora o clube Académica fosse exclusivo e não aberto ao público,[10] pelo menos durante a época de Platão, não cobrava mensalidades para a adesão.[11] Portanto, provavelmente não havia naquela época uma "escola" no sentido de uma clara distinção entre professores e alunos, ou mesmo um currículo formal.[12] Houve, no entanto, uma distinção entre membros seniores e juniores.[13] Duas mulheres são conhecidos por terem estudado com Platão na Academia, Asioteia de Filos e Lastênia de Mantineia.[14]

Pelo menos durante o tempo de Platão, a escola não tinha qualquer doutrina especial para ensinar, em vez disso, Platão (e provavelmente outros associados da dele) passavam problemas a serem estudados e resolvidos pelos outros[15] Há evidências das aulas dadas, principalmente a palestra de Platão "Do Bem", mas, provavelmente, o uso de dialética era mais comum.[16] De acordo com uma história não verificável, datada de cerca de 700 anos após a fundação da escola, acima da entrada para a Academia estava inscrita a frase "Que ninguém exceto os geómetras entrem aqui".[17]

Muitos imaginaram que o currículo acadêmico se assemelhava muito ao descrito em A República de Platão.[18] Outros, porém, argumentam que tal quadro ignora os arranjos peculiares óbvios da sociedade ideal imaginada nesse diálogo.[19] Os objetos do estudo quase certamente incluíam matemática, bem como os temas filosóficos com os quais o diálogo platônico trabalha, mas há pouca evidência confiável.[20] Há alguma evidência para o que hoje seria considerado uma investigação estritamente científica: Simplício relata que Platão havia instruído os outros membros para descobrirem a explicação mais simples do observável movimento irregular dos corpos celestes: "ao hipotetizar que movimentos uniformes e ordenados são possíveis de se salvar das aparências relacionadas com os movimentos planetários."[21]

A Academia de Platão muitas vezes é dito ter sido uma escola para os futuros políticos do mundo antigo e tive muitos alunos ilustres.[22] Em uma pesquisa recente de evidência, Malcolm Schofield, no entanto, afirmou que é difícil saber até que ponto a Academia estava interessada em política prática (ou seja, não-teórica), pois grande parte das nossas provas "reflete uma polêmica antiga a favor ou contra Platão. "[23]

História posterior da Academia[editar | editar código-fonte]

Diógenes Laércio dividiu a história da Academia em três épocas: Antiga, Média e Nova. Na liderança da Antiga, ele colocou Platão, à frente da Média Academia, Arcesilau, e na Nova Academia Lácides. Sexto Empírico enumerou cinco divisões dos seguidores de Platão. Ele definiu Platão, o fundador da primeira Academia; Arcesilau da segunda, Carnéades da terceira, Filon de Larissa e Charmadas da quarto, Antíoco de Ascalão da quinta. Cícero reconheceu apenas duas academias, a velha e a nova, e definiu a última começando por Arcesilau.[24]

Academia Antiga[editar | editar código-fonte]

Os sucessores imediatos de Platão como "escolarcas" da Academia foram Espeusipo(347–339 a.C.), Xenócrates (339–314 a.C.), Polemo (314–269 BC) e Crates (c. 269–266 a.C.). Outros membros notáveis ​​da Academia incluem Aristóteles, Heráclides do Ponto, Eudoxo de Cnido, Filipo de Opunte e Crantor.

Academia Média[editar | editar código-fonte]

Cerca de 266 a.C. Arcesilau tornou-se escolarca. Sob Arcesilau (c. 266-241 a.C.), a Academia enfatizou fortemente o ceticismo Acadêmico. Arcesilau foi sucedido por Lácides de Cirene (241-215 a.C.), Evandro e Télecles (em conjunto) (. 205 - c 165 a.C.) e depois Hegésino (c. 160 a.C).

Academia Nova[editar | editar código-fonte]

A Academia Nova ou terceira começa com Carneades, em 155 a.C., o quarta escolarca em sucessão a partir de Arcesilau. Ele ainda foi um grande cético, negando a possibilidade de se conhecer a verdade absoluta. Carneades foi seguido por Clitômaco (129 - c 110 a.C.) e * Filon de Larissa ("o último mestre indiscutível da Academia," c 110-84 a.C.).[25] [26] De acordo com Jonathan Barnes, "Parece provável que Filon foi o último platônico geograficamente ligado à Academia".[27]

Cerca de 90 a.C., o então estudante de Filon Antíoco começou a ensinar sua própria versão rival ao platonismo rejeitandoo Ceticismo e defendendo o estoicismo, o que iniciou uma nova fase conhecida como médio platonismo.

A destruição da Academia[editar | editar código-fonte]

O antigo terreno da Academia era passado de mestre para mestre com a obrigatoriedade de ser transmitido nas mesmas condições em que foi recebido. Este costume instituído terminou no ano de 529, por intervenção do imperador Justiniano. Considerada o último baluarte do paganismo, foi nessa altura fechada. A congregação associativa iniciada por Platão, além de ter uma finalidade eminentemente cultural e de possuir carácter jurídico, tinha igualmente um carácter religioso, sendo dedicada às musas inspiradoras[28] .


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A Academia neoplatônica[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Jayme Paviani. Filosofia e método em Platão. [S.l.]: EDIPUCRS, 2001. p. 195. ISBN 978-85-7430-234-8
  2. Giovanni Reale. História da filosofia antiga III - Os sistemas da era helenística. [S.l.]: Loyola, 2008. p. 75. ISBN 978-85-15-00848-3
  3. Plutarco A vida de Cimon xiii:7
  4. Tucídides ii:34
  5. Plutarco, Vida de Teseu xxxii
  6. M. Antonieta Fonsea. Anankê. [S.l.]: Edicel, 1968. p. 87. Página visitada em 6 July 2013.
  7. pp. 5–6, D. Nails, "The Life of Plato of Athens", in H. Benson (ed.), A Companion to Plato, Blackwell Publishing 2006.
  8. pp. 19–20, W. K. C. Guthrie, A History of Greek Philosophy, vol. 4, Cambridge University Press 1975; p. 1, R. Dancy, "Academy", in D. Zeyl (ed.), Encyclopedia of Classical Philosophy, Greenwood Press 1997. I. Mueller dá um período de tempo muito mais amplo – "...em algum momento entre o início de 380 e metade de 360..." - talvez refletindo a nossa verdadeira falta de provas sobre a data (p. 170, "Mathematical Method & Philosophical Truth", in R. Kraut (ed.), The Cambridge Companion to Plato, Cambridge University Press 1992).
  9. David Sedley, "Academy", Oxford Classical Dictionary, 3rd ed.; p. 4, Jonathan Barnes, "Life and Work", em The Cambridge Companion to Aristotle, Cambridge University Press 1995; J. Barnes, "Academy", E. Craig (Ed.), Routledge Encyclopedia of Philosophy, Routledge 1998, accessed 13 Sept 2008, from http://www.rep.routledge.com/article/A001.
  10. p. 31, J. Barnes, Aristotle: A Very Short Introduction, Oxford University Press 2000.
  11. p. 170, Mueller, "Mathematical Method & Philosophical Truth"; p. 249, D. Nails, The People of Plato, Hackett 2002.
  12. pp. 170–171, Mueller, "Mathematical Method & Philosophical Truth"; p. 248, Nails, The People of Plato.
  13. Barnes, "Academy".
  14. Hackett Publishing, Women in the Academy (em inglês)
  15. p. 2, Dancy, "Academy".
  16. p. 2, Dancy, "Academy"; p. 21, Guthrie, A History of Greek Philosophy, vol. 4; p. 34–36, Barnes, Aristotle: A Very Short Introduction.
  17. p. 67, V. Katz, History of Mathematics
  18. p. 22, Guthrie, A History of Greek Philosophy, vol. 4.
  19. pp. 170–71, Mueller, "Mathematical Method & Philosophical Truth".
  20. M. Schofield, "Plato", in E. Craig (Ed.), Routledge Encyclopedia of Philosophy, Routledge 1998/2002, retrieved 13 Sept 2008, from http://www.rep.routledge.com/article/A088 ; p. 32, Barnes, Aristotle: A Very Short Introduction.
  21. Simplício, Commentary on Aristotle's "On the Heavens" 488.7–24, citado por p. 174, Mueller, "Mathematical Method & Philosophical Truth".
  22. p. 23, Guthrie, A History of Greek Philosophy, vol. 4; G. Field, "Academy", in the Oxford Classical Dictionary, 2nd ed.
  23. p. 293, "Plato & Practical Politics", in Schofield & C. Rowe (eds.), Greek & Roman Political Thought, Cambridge University Press 2000.
  24. Charles Anthon, (1855), A Classical Dictionary, page 6
  25. Oxford Classical Dictionary, 3rd ed. (1996), s.v. "Philon of Larissa."
  26. Tabela em The Cambridge History of Hellenistic Philosophy (Cambridge University Press, 1999), pp. 53–54.
  27. "Academy", E. Craig (Ed.), Routledge Encyclopedia of Philosophy, Routledge 1998, accessed 14 Sept 2008, from http://www.rep.routledge.com/article/A001.
  28. academia, Infopédia (Em linha). Porto: Porto Editora, 2003-2014. (Consult. 2014-03-15).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]