Catolicismo tradicionalista

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O Catolicismo Tradicionalista é entendido como um pensamento comum dos católicos que afirmam que o Concílio Vaticano II acarretou sérios danos à Fé Católica com documentos heterodoxos e deve ser parcial ou totalmente excluído dos legítimos concílios ecumênicos juntamente com as posteriores reformas influenciadas por ele, como as profundas reduções de exigências para a canonização ou beatificação católica introduzidas pelo Papa João Paulo II em 1983 [1] [2] . As questões se destacam em particular nos documentos conciliares sobre a liberdade religiosa, ecumenismo, colegialidade episcopal e sobretudo no novo ritual romano da Missa do Papa Paulo VI, na prática substituindo a Missa Tridentina.

Existem diferentes e distintos grupos de católicos com o pensamento tradicional. Alguns deles aceitam em termos gerais a legitimidade das mudanças associadas ao Concílio Vaticano II, mas preferem praticar os costumes católicos anteriores às reformas conciliares. Consideram, porém, abusos as mudanças posteriores influenciadas pelo modernismo, em acordo com a atitude recente do Magistério da Igreja Católica, que considera que muitos teólogos e clérigos, apelando para o espírito do concílio, desobedeceram às decisões conciliares.[3]

Esses fiéis e sacerdotes que aceitam de forma geral as reformas conciliares, mas preferem praticar os costumes católicos na forma pré-Vaticano II podem ser chamados também de católicos tradicionais.

Diferentes tipos do pensamento Tradicionalista[editar | editar código-fonte]

Afresco da "Igreja Principal" de Campos, RJ, Brasil, retratando a história da "Administração São João Maria Vianney", um dos mais notáveis grupos tradicionalistas do mundo. A direita estão os Bispos tradicionalistas Dom Antônio de Castro Mayer e Dom Licínio Rangel paramentados, pintados no paraíso com outros anjos. Os dois bispos foram protagonistas no conservadorismo católico nos anos 80 e 90. E ao lado o Papa João Paulo II, que regularizou o grupo.

Divide-se aqui os tradicionalistas e tradicionais em quatro grandes grupos:

PS: Os Sedevacantistas e Conclavistas não são reconhecidos como tradicionalistas por todos, sendo distinguidos como grupos separados.

Os Tradicionais[editar | editar código-fonte]

As sociedades de padres tradicionais são oficialmente autorizados pelo Vaticano, como por exemplo a Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP), os Filhos do Santíssimo Redentor, a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney (no Brasil), o Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote e o Instituto do Bom Pastor. Estes grupos são aceites juridicamente pela Igreja Católica. Estão sob o amparo da Carta da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos Quattuor abhinc annos, de 3 de Outubro de 1984, e da própria Carta Apostólica Ecclesia Dei do Papa João Paulo II, de 2 de Julho de 1988:

"além disso, em toda a parte deverá ser respeitado o espírito de todos aqueles que se sentem ligados à tradição litúrgica latina, mediante uma ampla e generosa aplicação das directrizes, já há tempos emanadas pela Sé Apostólica, para o uso do Missal Romano segundo a edição típica de 1962."

Essas sociedades tradicionais passaram a existir tempos depois do encerramento do Concílio, como uma tentativa de atrair os fiéis da FSSPX para Roma, oferecendo a Missa Tradicional, mas tendo como exigência a aceitação dos documentos do Concílio.[4]

Os católicos tradicionais aceitam os princípios dos documentos do Concílio Vaticano II e declaram que as mudanças associadas às decisões do Concílio (como a revisão litúrgica) são legítimas e válidas (de forma geral), mas preferem as formas de culto e práticas pré-Vaticano II e, com a aprovação da Santa Sé, o uso desses rituais mais antigos (nomeadamente a missa tridentina).[5]

Eles são servidos por padres diocesanos ou religiosos que estão dispostos e capazes de oferecer os ritos tradicionais e a missa tridentina, sem deixar de celebrar a Missa Nova. E muitos católicos simpatizantes do catolicismo tradicional que não conseguem participar regularmente na liturgia tradicional, porque não é celebrada frequentemente na sua área, atendem com alguma hesitação à Missa de Paulo VI, que é a forma ordinária do rito romano aprovado na sequência da reforma litúrgica pós-Vaticano II.[6] Entre estes católicos tradicionais há uma diversidade política e ideológica significativa.

Os Tradicionalistas[editar | editar código-fonte]

Inicío de Missa Baixa celebrada na Igreja de São Judas, Filadélfia, por sacerdote da FSSPX.

Fraternidade Sacerdotal São Pio X (Fraternitas Sacerdotalis Sancti Pii X em latim - FSSPX) é uma sociedade de vida apostólica internacional católica tradicionalista, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O atual superior geral da sociedade é o bispo suíço Bernard Fellay.

A sociedade é conhecida como um defensora da Missa Tridentina, juntamente com práticas de piedade, crenças, costumes e a disciplina religiosa associadas com o período anterior ao do Concílio Vaticano II, que a sociedade acredita ter promovido ensinamentos errôneos e heréticos, sobre questões como a revisão litúrgica, o ecumenismo, a liberdade religiosa, a supremacia da Igreja Católica sobre as outras religiões e as relações com os judeus e não-cristãos.

Ela foi a primeira sociedade apostólica com rituais completamente pré-Vaticano II após o acontecimento do Concílio.[7] Posteriormente, o Vaticano decidiu criar sociedades apostólicas em comunhão com Roma abertas à celebração da Missa Tridentina e ao estilo de vida pré-Vaticano II com objetivo de trazer os tradicionalistas da FSSPX e seus aliados, como, por exemplo, o Instituto Cristo Rei (aderiu) à submissão da hierarquia conciliar[8] . Em todas essas sociedades, porém, tornou-se obrigatório o ensino da Missa de Paulo VI e/ou a aceitação completa do Concílio.[9] A Fraternidade viu nessas tentativas de acordo e na criação de "sociedades apostólicas tradicionais em comunhão com Roma" (Ecclesia Dei) uma armadilha com destino à aceitação do Vaticano II, fazendo-a recusar acordos com Roma.[4] [10]

1) Então, de fato, a FSSPX não está em plena comunhão com a Igreja e o Papa?

"Resposta da Fraternidade: Essa expressão não significa nada. Não passa de um golpe midiático para difamar a Fraternidade. Doutrinalmente talvez estejamos mais unidos à Igreja e ao Papa do que qualquer outro. O Magistério do Papa e dos bispos é nada mais do que o órgão da Tradição. A Tradição, bem como a Escritura Santa, está acima da pessoa do Papa. Este não pode portanto contradizer a doutrina de todos os Papas anteriores. A partir do momento que a pessoa do Papa se afasta da Tradição, impondo ensinamentos novos contrários ao Magistério Perene da Igreja, somos obrigados a resistir, pela Fé." [11]

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X pratica a fé católica em estruturas oficiais da Igreja, como priorados e capelas da FSSPX, que corroboram fidelidade à Igreja e ao Papa (no que não contraria a doutrina). Essas capelas são, portanto, abençoadas e construídas com fórmulas e rituais oficiais (pré-Vaticano II) católicos. É a maior sociedade sacerdotal que congrega este tipo de tradicionalistas, que foi criada em 1970 pelo arcebispo Marcel Lefebvre, uma figura fundadora do catolicismo tradicionalista, que conheceu e teve a mão osculada por Padre Pio.[12] [13]

Os ensinamentos do Segundo Concílio do Vaticano são para a FSSPX inaceitáveis e danosos à fé. O Arcebispo Marcel Lefebvre sagrou 4 bispos com autorização para sagrar somente 1 sem data prevista, alegando estado de necessidade para que a doutrina católica tivesse seguimento sem a interferência do Vaticano II. [14] Em função da data da sagração ser sempre adiada pelo Vaticano, os tradicionalistas viram isso como um tentativa de impossibilitar a sagração de bispos autenticamente católicos. Estando o Arcebispo velho e com câncer, e recebendo pedidos dos seus seminaristas para que "não os abandonasse" e que fizesse a doutrina católica continuar sem interferência conciliar, sagrou os 4 bispos. Mons. Lefebvre faleceu dois anos depois.[15] [16]

Devido à ordenação desses quatro bispos, em 1988, o arcebispo Marcel Lefebvre, juntamente com estes quatro "bispos", foram excomungados latae-sententiae, como declarado pela Carta Ecclesia Dei [17] , devido a esta ordenação episcopal não autorizada. O Vaticano predizia que a FSSPX não estava em "plena comunhão" (o termo 'plena comunhão' e 'comunhão parcial' surgiu com as reformas conciliares) com a Igreja não possuindo qualquer jurisdição dentro da mesma, sendo assim seus padres e bispos exercem ministérios ilícitos e ilegítimos.[18] A Fraternidade alegam excomunhões inválidas por estado de necessidade, que supriria também a jurisdição.[19]

A FSSPX está organizada em:

Desconsiderando as ordens latinas e orientais aliadas à Fraternidade, ela conta atualmente com 586 sacerdotes, 112 Irmãos, 186 Irmãs em 25 casas (164 professoras, 14 noviças e 8 postulantes), 79 Oblatas, 203 Seminaristas e 40 pré-seminaristas. Está presente em 37 países e visita regularmente outros 33. Tem 1 Casa Geral, 14 Distritos e 2 Casas Autônomas, 6 Seminários, 163 priorados, 750 centros de missa, mais de cem escolas (do Ensino Básico ao Médio), 2 universidades e 7 casas de exercícios espirituais, 4 conventos de freiras carmelitas (Dados de 19 de Março de 2015.[20] )

Os aliados latinos à Fraternidade são mosteiros e conventos tradicionalistas Beneditinos, Capuchinos, Os Cooperadores de Cristo-Rei, Dominicanos, Marianosses, Fraternidade da Transfiguração, O Trabalho da Estrela, Béthaniennes, Clarissas, Discípulos do Cenáculo, Instituto Nossa Senhora do Rosário, Instituto Rainha da Paz, As Filhas de Maria do Preciosíssimo Sangue, Franciscanos, As Pequenas Irmãs de São João Batista, Os Servos de Jesus, O sacerdote e do Coração de Maria, As irmãs consoladoras do Sagrado Coração de Jesus, Irmãs correctores do Espírito Santo.[21]

Os aliados orientais à Fraternidade são tradicionalistas da Fraternidade Sacerdotal de São Josafá, Sociedade de São João Batista, As irmãs do mosteiro católico grego da Ordem Studite e as Irmãs Basilianos da Ucrânia.[22]

No sábado, dia 24 de janeiro de 2009, Dia Internacional da Memória, o Papa Bento XVI, como ato de “paz e misericórdia”, segundo divulgado, por ele mesmo, revogou a excomunhão dos quatro bispos, de acordo com Roma, excomungados latae sententiae [23] ; entretanto, a Fraternidade que combate os prazeres e as heresias modernistas alega que nunca houve excomunhão, pois a mesma fora nula. Por isso, não se poderia ab-rogar o que não acontecera. Segundo Roma, os sacerdotes e bispos ainda continuam suspensos à divinis, suspensão que também rebate a Fraternidade pelo estado de necessidade.[24]

O Prefeito da Congregação para os Bispos manifestou ainda a esperança que a Fraternidade possa rapidamente voltar à plena comunhão com a Igreja Católica, mostrando "a verdadeira fidelidade e o verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa".[25] O bispo Richard Williamson, ex-diretor geral da FSSPX na Argentina, havia dado uma entrevista em que diminuía os números oficiais de mortos do Holocausto Judeu durante a II Guerra Mundial pelos nazistas. Ao revogar a excomunhão, beneficiando assim também Williamson, Bento XVI provocou a imediata reação da chanceler alemã, Angela Merkel, exigindo uma resposta do Sumo Pontífice e declarando que "a atitude do Vaticano pode dar a impressão de que o Holocausto pode ser negado", havendo franca reação adversa tanto da imprensa como do clero alemão e de outros países.[26]

Vendo o mal que causou ao se pronunciar sobre o holocausto judeu, seu superior D. Fellay disse que D. Williamson deveria retirar o que disse. Dom Reichard Williamson resolveu então se retratar.

Os Sedevacantistas[editar | editar código-fonte]

Os sedevacantistas são aqueles que consideram que o Papa e os bispos reconhecidos hodiernamente como legítimos e válidos não o são. Portanto, teriam perdido a sua autoridade e legitimidade. Tais pessoas não possuem nem buscam a aprovação das autoridades do Vaticano, mas antes lhes acusam de usurpação de cargos da Igreja. Os termos “sedevacantista” e “sedevacantismo” derivam da expressão latina sede vacante, que normalmente é aplicada ao período entre a morte de um Papa e a eleição do seu sucessor. Os sedevacantistas normalmente datam a vacância do papado a partir da morte do Papa Pio XII, em 1958, embora alguns consideram também o Papa João XXIII (1958-1963) como sendo um verdadeiro Papa. Os principais grupos sedevacantistas são a Fraternidade Sacerdotal São Pio V (FSSPV) e a Congregação de Maria Imaculada Rainha (CMRI).

Os Conclavistas[editar | editar código-fonte]

Os conclavistas são aqueles que, oriundos do movimento sedevacantista, reconheceram um candidato alternativo e próprio deles como o verdadeiro Papa. Estritamente falando, eles não são sedevacantistas, porque eles defendem que a Santa Sé já não está mais vago, ou seja, já não está em sede vacante. Mas muitas vezes eles são classificados como sedevacantistas porque rejeitam a actual sucessão papal da Igreja Católica, pelas mesmas razões do que os sedevacantistas. Os principais grupos conclavistas são a "verdadeira Igreja Católica", a Igreja Católica Palmariana e os seguidores de David Bawden (o "Papa Michael").

Número de católicos com pensamento tradicional/tradicionalista[editar | editar código-fonte]

Segundo fontes, existem cerca de 6 a 7 milhão de católicos tradicionalistas, que nos últimos anos cresce exorbitantemente[27] . Entretanto, segundo outras estatísticas, esse número seria bem menor[28] , correspondendo a aproximadamente menos de 1% do total de católicos no mundo, incluindo aí aqueles que estão em comunhão com o Papa Francisco.[29] [30] As estimativas do número de apoiantes e membros da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X são por volta de 200 mil.[31] [32] [33] [34] As duas maiores organizações de católicos tradicionalistas são a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X e a Fraternidade Sacerdotal São Pedro.

Crítica dos tradicionalistas ao Concílio Vaticano II[editar | editar código-fonte]

Os católicos tradicionalistas diferenciam-se dos católicos tradicionais. Os tradicionalistas rejeitam muitas ou todas as reformas elaboradas pelo Concílio Vaticano II, por considerarem essas reformas rupturas com a Tradição Católica . Dentre estas renovações rejeitadas, destacam-se em particular a questão da liberdade religiosa, do ecumenismo, da colegialidade episcopal e da reforma do ritual romano da Missa. Este novo ritual, chamado de "Novus Ordo", foi imposto em 1969 pelo Papa Paulo VI e por desejo do Concílio.[35] Os católicos tradicionais preferem seguir a liturgia e modo de vida espiritual anterior ao Concílio, mas não são contra suas reformas.

O Concílio, sendo ele de carácter pastoral e não dogmático, é reformável e falível por não ter proclamado dogmas de fé, logo passível de ser rejeitado pelos católicos caso contenha perigos à fé. Isso é sustentado pela própria natureza de um concílio não dogmático, e por textos famosos como:

  • Lumen Gentium (um texto conciliar), que afirma, na sua nota anexa, que “tendo em conta a praxe conciliar e o fim pastoral do presente Concílio este sagrado Concilio só define aquelas coisas relativas à fé e aos costumes que abertamente declarar como de fé”.
  • Papa Paulo VI, que disse, num seu discurso proferido na Audiência de 12 de janeiro de 1966, que “dado o caráter pastoral do Concílio, ele evitou pronunciar de uma maneira extraordinária dogma algum, comportando a nota de infalibilidade”.
  • Papa Bento XVI, num discurso seu proferido em 2005.[36] É alegado que o Papa aceitou que "um concílio, cujo objetivo primeiro e confessado foi de se adaptar ao que este mundo presente tem de contingente, não pode senão ser ele mesmo contingente. Contingente, logo reformável, por uma reforma que será ela mesma o fruto de uma sã crítica."[35]

É de conhecimento geral tanto para a visão predominante como para os tradicionalistas que os textos do Vaticano II tem uma quantidade de ambigüidades muito grande. Os equívocos foram introduzidos voluntariamente nos textos conciliares para enganar os sacerdotes conservadores. Enchia-se-lhes de ilusões, insistindo sobre o fato de que o texto não queria, no fundo, dizer nada diferente do que o que a Igreja havia sempre ensinado. Mas, na seqüência, foi possível apoiar-se sobre essas passagens para defender teses totalmente heterodoxas.

Karl Rahner e Herbert Vorgrimler confirmam a coisa, quando eles escreveram, por exemplo, que se “deixou aberto um certo número de questões teológicas importantes, sobre as quais não se chegaria a acordo, escolhendo-se formulações que poderiam no Concílio ser interpretadas diferentemente pelo grupos e tendências teológicas particulares”[37]

Essa fluidez deliberada era justificada pelo fato de o Concílio Vaticano II se querer apenas como um Concílio “pastoral” e, que, então, não era mais necessário que se exprimisse com toda a clareza teológica requerida para um Concílio dogmático.

Reforma da liturgia[editar | editar código-fonte]

Sobre o ritual da Missa de rito romano, o Concílio Vaticano II ordenou:

Que os ritos se simplifiquem, bem respeitados na sua estrutura essencial; sejam omitidos todos os que, com o andar do tempo, se duplicaram ou menos utilmente se acrescentaram; restaurem-se, porém, se parecer oportuno ou necessário e segundo a antiga tradição dos Santos Padres, alguns que desapareceram com o tempo (Sacrosanctum Concilium, 50).

A reforma do ritual da missa teve como intenção principal "permitir ao povo cristão um acesso mais seguro à abundância de graça que a Liturgia contém" (Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, 21).[38] O Concílio prescreveu: "devem os pastores de almas vigiar por que não só se observem, na acção litúrgica, as leis que regulam a celebração válida e lícita, mas também que os fiéis participem nela consciente, activa e frutuosamente" (Sacrosanctum Concilium, 11). Enquanto os católicos tradicionais interpretam a "participação activa" como "manifestação gestual e verbalizante", o Papa João Paulo II insistiu num discurso do 9 de Outubro de 1998:

"Participação activa certamente significa que nos gestos, palavras, cânticos e serviços, todos os membros da comunidade tomam parte num único acto de culto, que não é absolutamente inerte nem passivo. Contudo, a participação activa não impede a passividade dinâmica do silêncio, da calma e da escuta: pelo contrário, exige-a. Por exemplo, os fiéis não são passivos quando escutam as leituras ou a homilia, ou quando acompanham as orações do celebrante, os cânticos e a música da liturgia. A seu modo, estas experiências de silêncio e de calma são profundamente activas." [39]

Os católicos tradicionais consideram que o missal romano de Paulo VI (promulgado em 1969 e publicado em 1970, e que está em vigor para toda a Igreja Católica que usa o rito romano) não exclui a possibilidade de celebração da Missa Tridentina; os que se opõe a este entendimento lembram que o mesmo Papa Paulo VI declarou:

O novo Ordinário da Missa foi promulgado, depois de madura deliberação e em consequência das normas do Concílio Vaticano II, para substituir o antigo. Não diversamente o nosso santo antecessor Pio V ordenou que fosse usado o Missal revisto sob a sua autoridade depois do Concílio de Trento. [40]

O Motu Proprio Summorum Pontificum[editar | editar código-fonte]

Invocando os precedentes das Cartas Quattuor abhinc annos e Ecclesia Dei e lembrando que o uso do anterior missal nunca fora expressamente revogado, o Papa Bento XVI, pela Carta Apostólica sob a forma de "Motu Proprio" Summorum Pontificum (2007), autorizou o uso mais amplo do Missal de 1962 de João XXIII e explica que o missal atualmente (de Paulo VI) utilizado permanece como forma ordinária da liturgia e que o missal publicado por João XXIII poderá ser usado como forma "extraordinária" litúrgica:

"É preciso antes de mais afirmar que o Missal publicado por Paulo VI, e reeditado em duas sucessivas edições por João Paulo II, obviamente é e permanece a Forma normal – a Forma ordinária – da Liturgia Eucarística. A última versão do Missale Romanum, anterior ao Concílio, que foi publicada sob a autoridade do Papa João XXIII em 1962 e utilizada durante o Concílio, poderá, por sua vez, ser usada como Forma extraordinária da Celebração Litúrgica. Não é apropriado falar destas duas versões do Missal Romano como se fossem «dois ritos». Trata-se, antes, de um duplo uso do único e mesmo rito."

O mesmo "Motu Proprio" declara que a celebração da missa e dos sacramentos pode ser feita na forma "extraordinária", sem a necessidade de autorização do bispo, por qualquer sacerdote apto para tal função, mas considerando válida e lícita a celebração da Missa Nova.

Devoções e Práticas Espirituais[editar | editar código-fonte]

Os católicos tradicionalistas defendem a aplicação de muitos actos de devoção comuns anteriores ao Concílio Vaticano II, tais como as seguintes:

  • Jejum de meia-noite antes de receber a Eucaristia: Essa disciplina foi modificada em 1953 pelo Papa Pio XII, que reduziu o jejum para o rápido período de três horas,[41] esta alteração é aceita por muitos tradicionalistas. Porém poucos aceitam a regra de uma hora promulgada por João Paulo II no Código de Direito Canônico de 1983;[42]
  • Ajoelhar para receber comunhão diretamente na boca somente da mão de um sacerdote ou, como ministro extraordinário, o diácono[43] . O respeito à antiga prática por parte dos tradicionalistas,[44] [45] é autorizado pela Santa Sé,[46] sendo que alguns consideram receber a comunhão na mão como um abuso[47] e um sacrilégio;[48]
  • Mulheres portando o véu na igreja, uma prática que era muito usada, antes do Concílio, [49] Que remota ao trecho bíblico da carta de São Paulo aos Coríntios, (I Cor. XI, 4-5) "Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta falta ao respeito ao seu senhor. 5. E toda mulher que ora ou profetiza, não tendo coberta a cabeça, falta ao respeito ao seu senhor, porque é como se estivesse rapada;"
  • Mulheres com a cabeça coberta quando se ajoelharem para comungar, quase que obrigatoriamente;[50]
  • Confissões de joelhos e no confessionário;
  • Orações como o Santo Rosário e a Via Sacra, na forma como era usado antes do final do século XX e, por isso, sem as alterações que se tornaram comuns, se bem que não universais, no pontificado do Papa Paulo VI, e sem as modificações dos Mistérios do Rosário pelo Papa João Paulo II (os mistérios luminosos).[51]

Estas práticas não se limitam somente aos tradicionalistas ou tradicionais.

Alguns movimentos tradicionais (leigos)[editar | editar código-fonte]

Internacionalmente
No Brasil

Organizações tradicionais religiosas em comunhão com o Papa e com a Igreja Romana[editar | editar código-fonte]

O amparo canônico destas organizações deriva da Carta Apostolica "Ecclesia Dei" do Sumo Pontifice João Paulo II sob forma de "motu proprio" e se mantêm em comunhão completa com a Igreja Católica:


Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A quem devemos imitar? (João Paulo II vs. Os santos). Visitado em 2015-07-25.
  2. Dom Bernard Fellay fala sobre as canonizações de São João XXIII e de São João Paulo II, na carta aos amigos e benfeitores nº 82, abril de 2014 guilhermechenta.com. Visitado em 2015-07-25.
  3. Discurso de Bento XVI, no dia 22 de Dezembro de 2005
  4. a b http://sspx.org/en/news-events/news/question-principles-sspx-vs-fssp-3062 Livro Tradição vs Vaticano, questão sobre as comunidades Ecclesia DEi
  5. Veja, por exemplo, os decretos de ereção da Fraternidade Sacerdotal São Pedro e do Instituto do Bom Pastor
  6. Motu Proprio Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI (2007)
  7. Fundada em 1970 em resposta às reformas conciliares.
  8. 1. Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP). 2. Os Beneditinos de Dom Augustin, em Flavigny, França. 3. Os Beneditinos de Fontgombault, França. 4. O Seminário Mater Ecclesiae. 5. O Instituto Cristo-Rei. 6. O Instituto do Verbo Encarnado, Argentina. 7. A Administração Apostólica São João Maria Vianney.
  9. Embora celebrem a Missa Tradicional, não têm permissão para criticar aberta e livremente os erros do Concílio. Enchia-se-lhes de ilusões, achando que poderiam celebrar a Missa dita de São Pio V sem nenhum problema e poderiam criticar livremente o Vaticano II, mas pouco a pouco foi-se suprimindo essas liberdades e suas promessas foram pouco a pouco expostas como mentiras. Algumas dessas viraram birritualistas e todas perderam a possibilidade de criticar os erro do Concílio, trocando essa possibilidade por uma crítica "Educativa e Construtiva".

  10. http://www.catholicnewsagency.com/news/traditionalists-announce-definitive-break-with-catholic-church/
  11. Fraternidade Sacerdotal São Pio X (09/02/2015). Acordos com Roma? Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Visitado em 12/03/2015.
  12. http://archives.sspx.org/images/Saints/PadrePio_with_AB.jpg
  13. http://archives.sspx.org/images/Saints/padrepio_kissing_abs_ring.jpg
  14. Catecismo do Estado de Necessidade.
  15. D. Marcel Lefebvre morre, aos 85 anos, em Martigny, a 25 de Março de 1991.
  16. Dom Lefebvre, um Bispo na tormenta. Documentário.
  17. Motu Proprio Ecclesia Dei
  18. Entrevistas à 30GIORNI, nº9, setembro de 2005 e ao Canal 5, no domingo 13-XI-2005, às 09 da manhã
  19. Código de Direito Canônico de 1917 - Cânon 209 Novo Código de Direito Canônico de 1983 - Cânon 144 §1
  20. http://laportelatine.org/quisommesnous/statistiques/stat.php
  21. http://laportelatine.org/ordres/ordlatin/ordlatin.php
  22. http://laportelatine.org/ordres/ordorien/ordorien.php
  23. http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=imprensa&subsecao=igreja&artigo=20090121&lang=bra
  24. http://www.fsspx.com.br/breve-catecismo-do-estado-de-necessidade/
  25. data/stories/cns/0900355.htm Papa Bento XVI revoga a excomunhão de Lefebvre e dos seus bispos
  26. WONG, Bárbara, Notícia: Angela Merkel exige que Bento XVI clarifique decisão de reabilitar bispo revisionista, jornal Última Hora, ed. de 4 de fevereiro de 2009 (acessada nesta data)
  27. Roman Catholic Traditionalism?
  28. [1]
  29. Catholic World News : “All We Ask is for the Mass”
  30. GRIFF RUBY'S STRAIGHT STUFF (jun2str.htm)
  31. The Universal Indult vs
  32. Vatican Decree May Bring Back Latin Mass
  33. SSPX to send spiritual bouquet and encouragement to Pope
  34. Congregación para el Clero - V Conferencia General del Episcopado Latinoamericano y del Caribe
  35. a b Podemos chamar a Missa Nova de Rito Romano Ordinário?
  36. Discurso de Bento XVI, no dia 22 de Dezembro de 2005
  37. K.Rahner e H.Vorgrimler, Kleines Konzilskompendium. Sämtliche Texte des Zweiten Vatikanums,Fribourg, Herder, 1986, p.21.
  38. Sacrosanctum Concilium
  39. DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DE WASHINGTON, OREGÃO, IDAHO, MONTANA E ALASCA (E.U.A.) POR OCASIÃO DA VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM» (1998)
  40. CONCISTORO SEGRETO DEL SANTO PADRE PAOLO VI PER LA NOMINA DI VENTI CARDINALI (1976)
  41. Motu proprio Sacram communionem
  42. Canon 919
  43. CDC 1917 Can. 845. § l. Minister ordinarius sacrae communionis est solus sacerdos. § 2. Extraordinarius est diaconus, de Ordinarii loci vel parochi licentia, gravi de causa concedenda, quae in casunecessitatis legitime praesumitur.
  44. Anscar J. Chupungco, Handbook for Liturgical Studies: The Eucharist (Liturgical Press, 1999 ISBN 0814661637, 9780814661635) p. 307
  45. Michael Kunzler, The Church's Liturgy (LIT Verlag Berlin-Hamburg-Münster, 2001 ISBN 382584854X, 9783825848545), p. 241
  46. Sacred Congregation for Divine Worship, Letter "En reponse a la demande" to presidents of those conferences of bishops petitioning the indult for communion in the hand, 29 May 1969 published also in Acta Apostolicae Sedis, 61 (1969) 546-547
  47. Why should Catholics have nothing to do with the Novus Ordo Missae
  48. Communion in the hand is a sacrilege
  49. Canôn de 1262 do Código Canónico de 1917.
  50. Catecismo de São Pio X - 640.
  51. Rosarium Virginis Mariae, 19

Bibliografia[editar | editar código-fonte]