Summorum Pontificum

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Brasão pontifício de Bento XVI

Summorum Pontificum cura (em português: A preocupação dos Sumos Pontífices) são as primeiras palavras de uma carta apostólica, sob a forma de motu proprio, publicada a 7 de julho de 2007 pelo Papa Bento XVI, que cria uma forma de tentar resolver a sobreposição do Missal de Paulo VI sem a abrogação do anterior.

Descrição[editar | editar código-fonte]

As determinações dessa Carta do Papa reforçam as orientações de dois textos anteriores: Quattuor abhinc annos, de 1984 e Ecclesia Dei, de 1988. Depois de ter dito que o Missal Romano proveniente da reforma do Concílio Vaticano II, publicado pelo Papa Paulo VI, em 1970 e revisado em 1979 e 2002, por João Paulo II, é a “expressão ordinária” da fé, o "motu proprio" refere-se ao missal de São Pio V (a Missa Tridentina), publicado em 1570, reformado em 1962, por São João XXIII, como uma "expressão extraordinária" da fé, sendo as duas formas «duas expressões do único rito romano».

Os católicos que estão ligados a esta forma litúrgica podem, doravante, solicitar celebrações da missa e dos outros sacramentos conforme os ritos e fórmulas anteriores ao Concílio Vaticano II (1962-1965).

Segundo a Santa Sé o documento permite que o bispo do lugar possa erigir uma paróquia pessoal, se houver um número bastante consistente de fiéis que queiram seguir a liturgia anterior.

Explica, ainda, algumas característica do Missal de 1962: é um missal em língua latina que contém somente uma oração eucarística, o "Cânon Romano" que corresponde à oração eucarística I do Missal mais novo (que prevê várias orações eucarísticas à livre escolha do celebrante).

Algumas orações e grande parte do "cânon" é rezado em voz baixa pela sacerdote, de forma inaudível para os assistentes. De resto o Missal de 1962 não prevê a missa concelebrada e nada diz sobre a orientação do altar e do celebrante, se de frente para o povo ou não. No documento admite-se a possibilidade de enriquecimentos futuros do Missal de João XXIII (a última e reformada versão da Missa tridentina).

Contestação[editar | editar código-fonte]

Apesar de ter a força de um documento redigido e assinado pelo Papa, a Carta Apostólica tem sido objeto de contestação no Brasil por parte de alguns eclesiásticos. Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo Emérito de Uberaba, objeta que a Missa Tridentina é incompreensível, seca e utiliza o Latim, uma língua misteriosa.[1] Contudo, os textos do Concílio Vaticano II, mantém o latim como língua litúrgica oficial, mesmo para a Novus Ordo, dizendo : "Salvo o direito particular, seja conservado o uso da Língua Latina nos Ritos latinos" (SC 36 §1), reconhecendo porém que "o emprego da língua vernácula pode ser útil ao povo, pelo que se permite dar-lhe um lugar mais amplo" (SC 36 §3). A mesma constituição completa: "providencie-se que os fiéis possam juntamente rezar ou cantar em língua latina as partes do Ordinário que lhes compete" (SC 54). Considerando estes artigos, pode-se depreender que a língua latina é a língua de uso ordinário também na missa nova e o vernáculo, uma concessão. Dom Paulo Sérgio Machado, Bispo de São Carlos, considera que os que preferem a Missa Tridentina são uma minoria moralista de pessoas puritanas, retrógradas, com uma mórbida aversão às mudanças e ao novo.[2]

Por outro lado, mais de 30 cardeais,[3] acatando filialmente as determinações do Papa, já participaram de cerimônias em Latim segundo a "forma extraordinária do Rito Romano", após a entrada em vigor do motu proprio Summorum Pontificum.

No Brasil, 17 arcebispos e bispos[3] também o fizeram, dentre os quais: Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro; Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo de Belém do Pará; Dom Alano Maria Pena, Arcebispo Emérito de Niterói; Dom Luciano Bergamin, Bispo de Nova Iguaçu; Dom Fernando José Monteiro Guimarães, Bispo de Garanhuns; Dom Gregório Paixão, Bispo de Petrópolis; Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Franca; Dom Diógenes Silva Matthes, Bispo Emérito de Franca; Dom Mário Rino Sivieri, Bispo de Propriá e Dom Henrique Soares da Costa, Bispo de Palmares..

Quanto ao valor do Summorum Pontificum, mesmo nos meios mais conservadores, há a observação de que este não pode ser um documento que obrigue no que respeita à aceitação de uma possível contradição: que o Rito Romano, codificado por S. Pio V (Missal de S. Pio V), o qual é continuado com a versão do Missal de João XIII, possa produzir uma forma extraordinária que é ele mesmo, e uma forma ordinária que é o Missal de Paulo VI (o qual é uma nova composição com variantes não legadas pela Tradição da Igreja). Esta contradição lógica, acrescida de que passaria a ser "ordinário" o Missal mais recente, e não aquele que codificou o que sempre foi tradição na Igreja, fazem muitos rejeitar estas novas formulações de Bento XVI, supostamente apoiados na Tradição e na natureza divina do Rito.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Quem vai rezar em Latim?». Fratres in Unum. Consultado em 8 de abril de 2012 
  2. «O Retorno à Idade Média». Fratres in Unum. Consultado em 8 de abril de 2012 
  3. a b «268 Cardeais e Bispos». Accíón Litúrgica. Consultado em 8 de abril de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]