Missa tridentina

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A Missa Tridentina ou Missa de São Pio V é a liturgia da Missa do Rito Romano contida nas edições típicas[1] do Missal Romano, que foram publicados de 1570-1962. Foi a liturgia da missa mais amplamente celebrada em todo o mundo, até que o Concílio Vaticano II pediu sua revisão, o que ocasionou a promulgação de uma nova liturgia pelo Papa Paulo VI em 1969, conhecida como Missa de Paulo VI.

Chama-se tridentina (gentílico de Trento, na Itália) porque é baseada numa revisão do Missal Romano pedida pelo Concílio de Trento aos papas, e aplicada pelo Papa São Pio V em 1570.[2]

Em 2007 o Papa Bento XVI regulamentou a possibilidade do uso da liturgia tridentina no motu proprio Summorum Pontificum; nas missas privadas celebradas sem o povo, os padres da Igreja latina podem usar livremente a liturgia tridentina na forma que tinha em 1962.[3] Também pode ser usada publicamente em paróquias, se houver um grupo estável de fiéis (coetus fidelium) que a assista.[4]

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a Missa Tridentina é definida pela Igreja como "forma extraordinária do Rito Romano",[5] indicando portanto, que a missa de Paulo VI permanece como a "forma ordinária" ou "normal" do Rito Romano, embora ambos não sejam considerados ritos distintos, mas apenas formas diferentes do mesmo rito.[6] Assim, é chamada também usus antiquior (uso mais antigo) ou forma antiquior (forma mais antiga), para diferenciá-la da versão mais recente do rito romano.

Apesar da declaração do Papa Bento XVI que não se trata de um rito, alguns a chamam "rito tridentino", "rito antigo", "rito tradicional", "rito romano clássico". É também conhecida como "missa em latim", embora de forma inadequada, uma vez que mesmo a Missa de Paulo VI pode ser celebrada nesse idioma. Os que afirmam que o que foi feito em 1969 foi rompimento, não revisão, chamam a forma anterior de a "missa de sempre", a "missa de todos os tempos", a "missa das eras",[7] ou a "missa gregoriana".[8] [9]

Na realidade, entre o tempo do Papa Gregório I (590–604) e o da revisão pelo Papa Pio V em 1570 o Rito Romano da Missa sofreu muitas modificações. Houve uma fusão com elementos galicanos, em particular cerimônias dramáticas e simbólicas alheias ao espírito original da liturgia romana, como a bênção de velas, cinzas, ramos, e uma parte considerável da liturgia da Semana Santa. Outras adições eram a recitação do Credo, a incensação de pessoas e objetos, orações privadas do sacerdote antes da Comunhão. Pio V tornou obrigatória a recitação do salmo Iudica e do Confiteor no início da Missa e inseriu tudo o que na Missa Tridentina segue o Ite missa est. Por volta do século XIII a concelebração tinha desaparecido no Ocidente, e vários padres celebravam a Missa simultaneamente em diferentes altares, não cantando e em grande medida inaudivelmente, dando origem ao que se chamava a Missa privada, na qual o sacerdote fazia quase tudo o que antes era do diácono e outros ministros.[10]

Menos comumente, em círculos onde a Missa de Paulo VI é chamada de Novus Ordo Missae, usa-se para a missa tridentina a expressão Vetus Ordo Missae (Velho Ordinário da Missa).[11]

Introdução[editar | editar código-fonte]

Existem muitas evoluções entre a missa de 1570 e a missa dos primeiros séculos em Roma até a codificação pelo Concílio de Trento. Já antes do Papa Gregório I (590-604) houve, entre outras mudanças, uma revisão radical do cânon da missa e uma redução do número das leitura bíblicas.[12] O Papa Gregório I também reformou o rito romano, ancorando o Pai-Nosso ao final do cânon, [13] mudando a ordem de algumas partes do cânon,[14] inserindo a oração Hanc igitur no Cânon,[15] e introduziu Christe eleison ("Cristo, tende piedade")[16] como variação de Kyrie eleison ("Senhor, tende piedade"). Outros elementos da forma tridentina do rito romano apareceram mais tarde, como o Credo (1014 em Roma) e as orações do ofertório (século XIII).[12]

O Concílio Vaticano II (1962-1965), na constituição Sacrosanctum Concilium (1963), mandou rever o rito da missa, assim como os restantes livros litúrgicos, segundo os princípios enunciados na mesma constituição. Tal ordem foi executada por um grupo de especialistas em liturgia, Bíblia e teologia, nomeados pelo Papa Paulo VI, que promulgou em 1969 o novo Ordo Missae (ordinário da missa, parte invariável de todas as celebrações da missa) e em 1970 o novo Missal Romano. Este Missal Romano reformado conheceu até hoje três edições, em 1970, 1975 e 2002.

Contudo, os católicos chamados tradicionalistas, descontentes com o Concílio Vaticano II e com o rumo então tomado pelas autoridades eclesiásticas, não receberam com bons olhos o novo missal, preferindo celebrar a missa na forma anterior. Eles alegam que a nova forma da missa dessacraliza o Sacrifício de Cristo e é muito próxima à Ceia Luterana e outras cerimônias protestantes, sendo influenciada pela maçonaria e por sacerdotes modernistas. Entre estes, notabilizou-se o arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, um dos mais notáveis grupos tradicionalistas. Além deste, há grupos católicos tradicionais em boas relações com a Santa Sé e com os Bispos da Igreja Católica, entre os quais a Fraternidade Sacerdotal São Pedro, enquanto outros tradicionalistas, entre os quais a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, estão em desacordo. Característica comum de todos estes grupos é celebrarem a missa tridentina, utilizando para isso ou a última edição típica do Missal Romano antes da reforma de Paulo VI – a edição publicada pelo Papa João XXIII em 1962 – ou uma edição mais antiga que não contem as mudanças feitas por João XXIII e Pio XII.

Apesar do missal de 1962 nunca ter sido abrogado juridicamente,[17] na prática, o novo missal deveria substituir o antigo. Face, porém, aos católicos que queriam o uso do missal 1962, foi dada permissão ao seu uso em 1984, quando a carta Quattuor abhinc annos atribuiu aos bispos a faculdade de concederem tais autorizações, em casos justificados e com certas limitações. Tais disposições foram confirmadas pelo motu proprio Ecclesia Dei, de 1988.

Em 7 de Julho de 2007, o Papa Bento XVI promulgou o motu proprio "Summorum Pontificum", em que liberaliza o uso, como "forma extraordinária do Rito Romano", do Missal Romano editado em 1962, cujo uso nas missas celebradas sem o povo fica doravante ao arbítrio da cada padre da Igreja latina,[18] podendo também a celebração pública ser permitida, sem recorrer ao bispo, se solicitada por um grupo estável de fiéis.[19] A forma ordinária ou normal da celebração da Missa segundo o rito romano continua a ser a do Missal publicado por Paulo VI, mas a forma do ano 1962 está permitida como forma extraordinária.[20]

História[editar | editar código-fonte]

Face às heresias propagadas pelos protestantes, o Concílio de Trento reafirmou a doutrina católica sobre a Missa, sobretudo nas sessões XIII, em que versou sobre a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, e na XXII, sobre o sacrifício. Além disso, mandou elaborar uma lista de abusos cometidos na celebração da missa, a partir da qual promulgou um documento acerca das "coisas a observar e a evitar na celebração da missa". Tais abusos podem reduzir-se a avareza, irreverência e superstição.

A fim de eliminar esses abusos, era intenção do Concílio proceder à reforma dos livros litúrgicos. No entanto, como o Concílio já acontecia há vários anos, os padres conciliares decidiram, na última sessão, incumbir o Papa Pio IV dessa função. Contudo, foi Pio V que realizou tal incumbência, promulgando, em 1570, através da bula Quo primum tempore, o Missal Romano revisado. Nessa bula, Pio V esclarece que o objectivo da revisão dos livros litúrgicos era restaurar os ritos "em conformidade com a antiga norma dos Santos Padres". No entanto, como afirma a Instrução Geral do Missal Romano, documento que acompanha o Missal de Paulo VI, "este Missal de 1570 pouco difere do primeiro impresso em 1474, o qual, por sua vez, reproduz fielmente o Missal do tempo de Inocêncio III. Além disso, se bem que os códices da Biblioteca Vaticana tenham ajudado a corrigir algumas expressões, não permitiram, naquela diligente investigação dos “antigos e mais fidedignos autores” ir além dos comentários litúrgicos da Idade Média."[21]

O rito da missa foi posteriormente revisto por outros papas em 1604, 1634, 1888, 1920, 1955 e 1962. Estas reformas, contudo, foram pouco significativas, exceptuando algumas mais importantes:

  • Em 1604, Clemente VIII eliminou uma oração a dizer pelo sacerdote ao entrar na igreja, a palavra omnibus nas duas orações a seguir ao Confiteor, o nome do imperador no Cânon Romano e tríplice bênção da missa solene.
  • Pio XII, em 1956, restaura a Semana Santa
  • João XXIII publica em 1960 um novo código das rubricas da Missa e insere no Cânon Romano o nome de São José. São estas modificações que dão origem ao missal de 1962, última edição do missal tridentino. Na bula que o acompanha, João XXIII faz referência ao Concílio Vaticano II, então já convocado, que deveria propor os grandes princípios da reforma da liturgia. Esta edição tornou-se a referência para a celebração actual da missa tridentina.

Características da missa tridentina[editar | editar código-fonte]

A estrutura, os momentos e seu significado e grande parte dos textos litúrgicos mantiveram-se com poucas alterações no Missal actual. No entanto, houve uma série de aspectos alterados. Esta secção versa apenas sobre as diferenças da missa tridentina em relação à missa actual. Para uma descrição dos vários momentos da Missa e do seu significado, consulte o artigo Missa.

Língua litúrgica e posição do sacerdote[editar | editar código-fonte]

As características mais visíveis da missa tridentina são o uso do latim como língua litúrgica assim como a posição do sacerdote, geralmente de costas para os fiéis. No entanto, essas diferenças, embora as mais visíveis, são na verdade circunstanciais.

De facto, a missa tridentina admite, teoricamente, a tradução dos textos. Porém, nela persiste o uso do latim por ser um idioma que está "morto", ou seja, não é mais usado e, portanto, não sofre alterações, o que preservaria a Missa de erros litúrgicos e doutrinais a que as palavras das chamadas "línguas vernáculas" estão sujeitas com sua constante evolução semântica e por ser a língua oficial da Igreja Católica, onde praticamente todos os documentos oficiais são escritos nessa língua. Situação idêntica ocorre nas chamadas "liturgias orientais", onde em vários casos também podem ser usadas outras "línguas mortas": aramaico no rito siríaco, copta no rito alexandrino, eslavo ou grego arcaicos no rito bizantino, entre outros.

A posição "de costas ao povo" é chamada "ad orientem" (mesmo quando na realidade a posição do sacerdote é para o oeste), ou "versus Deum" (mesmo quando o padre celebra num altar sem sacrário, e considerando também que o missal tridentino do ano 1570 não previa a colocação do sacrário num altar, prática que só começava a introducir-se no século XVI),[22] ou (ao menos quando se celebra no altar-mor) versus absidem.[23] Em todas as edições do Missal Romano anteriores ao 1970, também a do 1962, cujo uso ainda está permitido como "forma extraordinária do Rito Romano", mencionava-se explicitamente a eventualidade de celebrar versus populum (de frente para o povo).[24]

Por outro lado, todas as edições do Missal actual são feitas originalmente em latim, e a Missa pode sempre ser celebrada nessa língua. Do mesmo modo, nada proíbe que seja celebrada de costas para o povo, o que acontece sempre que, por exemplo, numa igreja o altar não permite que seja doutra forma.

No entanto, abstraindo destes elementos, há outras diferenças significativas entre a missa tridentina e a de Paulo VI.

Diferenças entre os ritos da missa tridentina e da missa de Paulo VI[editar | editar código-fonte]

Na Missa tridentina só o sacerdote e um acólito, sacristão ou ajudante proferiam os textos da missa, excepto nalguns lugares, em que todos os fiéis presentes proferiam os textos destinados ao ajudante. Tal prática, a das chamadas missas dialogadas, vulgarizou-se mais no séc. XX, graças às propostas do chamado Movimento Litúrgico, que propunha o enriquecimento da participação litúrgica. Os assistentes da missa tridentina muitas vezes acompanham a cerimónia através dum livro que apresenta os textos litúrgicos com a respectiva tradução. Outras vezes, porém, vão fazendo outras orações, tais como o terço. Os fiéis podem acompanhar a missa rezando o terço ou usando o Missal Quotidiano dos Fiéis.

Ver: Crítica dos católicos tradicionalistas à Missa de Paulo VI.

Liturgia da missa tridentina[editar | editar código-fonte]

A missa é dividida em duas partes, a Missa dos catecúmenos e a Missa dos Fiéis. Os Catecúmenos, são aqueles que estão sendo instruídos na fé,[25] e são dispensados após a primeira parte da missa, por não terem ainda sido batizados e compreenderem os dogmas da fé católica.

Assim a regra da Didache do século II[26] ainda está em vigor, tanto depois quanto antes do 1970, sendo uma das três condições (batismo, fé reta e vida reta) para a admissão de receber a Sagrada Comunhão, que a Igreja Católica sempre aplicou.

Antes da missa[editar | editar código-fonte]

O Asperges (aspersão com água benta, acompanhada do Salmo 51:3-9) é um rito penitencial que normalmente precede a missa principal do domingo. Na sacristia, o sacerdote veste uma alva, se irá celebrar a missa, ou uma sobrepeliz, se ele não é o celebrante, revestido com uma estola, da respectiva cor litúrgica se o sacerdote é o celebrante da Missa, ou roxa se ele não é o celebrante, exorciza o sal e abençoa a água, em seguida, coloca o sal abençoado na água por três vezes, polvilhando-o na forma de uma cruz enquanto diz uma vez "Commixtio salis et aquæ pariter fiat in nomine Patris, et Filii et Spiritus Sancti" ("Que essa mistura de sal e água agora seja feita em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo"). Depois disso, o sacerdote, investido com uma pluvial da cor do dia, enquanto a schola cantorum canta uma antífona e um versículo dos Salmo 118: ou do Salmo 51:3-9, polvilha com a água benta o altar três vezes e, em seguida, o clero e a congregação. Este rito, se usado, precede as orações ao pé do altar.

Durante o Tempo da Páscoa, o versículo "Asperges me..." é substituído pelo versículo "Vidi aquam ...", e a expressão "Aleluia" é adicionado ao versículo "Ostende nobis ...", que é a sua resposta. Seguindo o Asperges, a Missa começa.

Missa dos catecúmenos[editar | editar código-fonte]

A primeira parte é a Missa dos Catecúmenos.[27]

Orações ao pé do altar[editar | editar código-fonte]

O padre fazendo as Orações ao pé do altar. Capela da Fraternidade Sacerdotal São Pedro, Veneza.
  • Sinal da Cruz
  • O sacerdote, após a procissão com os coroinhas da missa, na Missa Baixa, coloca o cálice velado no centro do altar, então fica na frente dos degraus sobre o qual está construído o altar, fazendo o sinal da cruz “ao pé do altar”. Na Missa Solene, o cálice é colocado antes da missa sobre a credência. O Missal Romano que contém todas as orações que o padre deve recitar na missa, está depositado no lado direito do altar. Na extrema direita, esquerda, e no centro estão três painéis, denominados Sacras,[28] com orações que o padre deve dizer na missa, e que devido a distância do padre do Missal no momento, não podem ser feitas olhando para o mesmo.
  • Salmo 43:, ("Iúdica me, Deus" – "Julga-me Deus"), precedido e seguido pela antífona "Introíbo ad altáre Dei, ad Deum qui lætíficat iuventútem meam" (“Entrarei no altar de Deus, o Deus que alegra minha juventude)”, é recitado pelo sacerdote, alternado com os coroinhas, que simbolicamente representam o povo. Em seguida, o sacerdote faz novamente o sinal da cruz, dizendo: "Adiutórium nostrum in nómine Dómini” ("O nosso auxílio está no nome do Senhor"), em que os coroinhas respondem: “Qui fecit cælum et terram” ("Que fez o céu e a terra").
  • Confissão ("Confiteor")
    • Primeiro, o sacerdote extremamente inclinando diz o seguinte: "Confiteor Deo omnipoténti..." ("Confesso a Deus todo-poderoso"). Confessa ter pecado, rezando duas vezes “mea culpa” ("minha culpa"), e uma terceira vez "mea máxima culpa" ("minha máxima culpa"), bate com a mão no peito três vezes. Em seguida pede a intercessão da Virgem Maria, de João Batista, de Miguel Arcanjo, e de São Pedro e São Paulo, e acrescenta “et vobis, fratres”, pedindo também à congregação que reze por ele.
    • Os coroinhas após a confissão do padre, o abençoam dizendo: “Misereátur tui omnípotens Deus, et dimissis peccátis tuis, perdúcat te ad vitam ætérnam” ("Deus Todo-Poderoso tenha misericórdia de ti, perdoar-te dos teus pecados, e te conduza a vida eterna"). Em seguida, é a vez dos coroinhas de confessar seus pecados e pedir a bênção do padre. Eles usam as mesmas palavras usadas pelo sacerdote, porém pedem orações ao padre, e não à congregação, dizendo portanto “et tibi, Pater” ("e ti Padre"), no lugar de “et vobis, fratres”. O padre em seguida, responde com a mesma bênção que os coroinhas usaram, porém, como demonstração de seu específico cargo sacerdotal, acrescenta uma prece de absolvição: “Indulgéntiam absolutiónem, et remissiónem peccatórum nostrórum, tríbuat nobis omnípotens et miséricors Dóminus” (“Indulgência, absolvição e remissão dos nossos pecados, nos conceda o Onipotente e Misericordioso Deus”)
  • Então, três versículos são ditos pelo padre e os coroinhas, são eles “Deus, tu convérsus vivificábis nos" ("Dai-nos Senhor a vida"); “Osténde nobis Dómine, misericórdiam tuam” (“Mostra-nos, Senhor, tua misericórdia”); e “Dómine, exáudi oratiónem meam” (“Ó Senhor, ouve a minha oração”);
  • Ao terminá-los o padre reza pela primeira vez na missa o “Dóminus vobíscum” (“O Senhor esteja convosco”), cuja resposta dos coroinhas é: “Et cum spíritu tuo” (“E com o teu espírito)”, então o padre diz: "Orémus" ("Vamos orar"). Depois disso, ele vai para o altar, rezando em silêncio “Aufer a nobis, quǽsumus, Domine, iniquitátes nostras: ut ad Sancta sanctórum puris mereámur méntibus introíre” (“Limpa-nos das nossas iniquidades Senhor, para que, com mentes puras possamos entrar dignamente no santo dos santos)", que é uma referência a Êxodo 26:33-34, I Reis 6:6-16, III Reis 6:16, I Reis 8:6, II Crônicas 3:8, Ezequiel 41:4, e outros. Ele coloca as mãos unidas sobre o altar e o beija enquanto silenciosamente reza “Orámus te, Dómine, por mérita Sanctórum tuórum, quorum relíquiae hic sunt, et ómnium Sanctórum: ut indulgére dignéris ómnia peccáta mea” (“Rezamos a ti Senhor, para que, pelos méritos dos teus Santos cujas relíquias estão neste altar, e de todos os santos, Deus se digne a perdoar todos os meus pecados”).

O padre no altar[editar | editar código-fonte]

  • Intróito
    • O padre de novo faz um sinal da cruz, enquanto ele começa a ler o Intróito, alguns versículos que normalmente são retirados de um Salmo. Exceções ocorrem por exemplo, no Intróito para o domingo da Páscoa, que é adaptado de Sabedoria 10:20-21, e a antífona nas missas da Virgem Maria, que são do poeta Sedúlio.
  • Kyrie
    • Esta parte da Missa é rezada em grego. Em que o padre e o servidor intercalam, três "Kyrie, eleison”; três “Christe, eleison”, e por fim outros três “Kyrie, eleison"; que significam "Senhor, tem misericórdia, Cristo; tem misericórdia..."
  • Gloria in excelsis Deo
    • A primeira linha do Gloria [29] é tirado Lucas 2:14,. O Glória é omitido durante tempos litúrgicos de penitência, como o Advento e a Quaresma, ambos geralmente tendo a cor violeta litúrgica, mas é usado em festas durante estas estações, bem como na Quinta-feira Santa. É sempre omitido em uma Missa de Réquiem.
  • A Coleta
    • O padre vira-se para o povo e diz: "Dominus vobiscum". Os servidores respondem: "Et cum spiritu tuo" ("O Senhor esteja com vocês." "E com teu espírito"). A coleta é uma oração que não é diretamente retirada da Escritura, mas reflete as intenções do tempo litúrgico, ou da festa do santo do dia.

Instrução[editar | editar código-fonte]

  • O sacerdote então lê a Epístola, principalmente um extrato das Epítolas de São Paulo para várias igrejas. Em seu motu proprio Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI permitiu sua leitura em língua vernácula, quando a Missa é celebrada com o povo.[30]
  • Entre a Epístola e o Evangelho, dois versículos (raramente três) do coro são cantados ou somente rezados. Geralmente estes são o gradual, que é seguido por um Aleluia, mas no domingo da Septuagésima, e no Sábado Santo, ou em uma Missa Requiem ou outro missa penitencial, o Aleluia é substituído por um Trato, e entre a Páscoa e o domingo de Pentecostes o Gradual é substituído por um segundo Aleluia. Em algumas ocasiões excepcionais (mais notavelmente a Páscoa, Pentecostes, Corpus Christi, e em uma Missa de Requiem), uma seqüência, segue o Aleluia ou o Trato.
  • O Gradual é parcialmente constituído pela porção de um salmo.
  • A leitura do Evangelho, é um trecho de um dos quatro Evangelhos, o Evangelho deve ser recitado no lado esquerdo do altar, chamado por isso mesmo “Lado do Evangelho”, por isso o servidor da missa, pega o Missal Romano, na parte da extrema direita do altar, e o muda para a parte da extrema esquerda.
    • Enquanto o servidor muda o Missal de lugar, antes de ler ou cantar o Evangelho, o sacerdote reza: leitura “Munda cor meum ac lábia mea, omnípotens Deus, qui lábia Isaíæ Prophétæ cálculo mundásti igníto: ita me tua grata miseratióne dignáre mundáre, ut sanctum Evangélium tuum digne váleam nuntiáre” ("Limpa meu coração e os meus lábios, ó Deus Todo-Poderoso, como limpaste os lábios do profeta Isaías com um carvão em brasa; através da Tua misericórdia graciosa purifica-me para que eu possa dignamente anunciar Teu santo Evangelho)", uma referência a Isaías 6:6. Nesta passagem, depois de ser purificado por um anjo, Isaías foi instruído a profetizar.
  • O Sermão
    • Antes do sermão, que o Missal tridentino prevê apenas na Missa Solene e trata como meramente facultativo,[31] o padre pode fazer anúncios, especialmente de casamentos, eventos para a semana, e os pedidos de oração para um doente ou morto. Se a Epístola e o Evangelho foram lidos em latim, é habitual o padre ler uma tradução vernácula pelo menos do Evangelho, antes de dar o sermão. O Concílio Vaticano II rendeu obrigatória a homilia em todos os domingos e festas de preceito nas Missas celebradas com o povo.[32] De acordo com o Código de Direito Canônico de 1917, esta obrigação referia-se unicamente aos párocos, permitindo-se além ao Ordinário do lugar decretar que en todas as iglesias, até dos religiosos, se desse uma istrução sobre a doutrina cristã nas Missas celebradas com presença dos fiéis.[33]
  • O Credo Niceno-Constantinopolitano
    • Em todos os domingos e em certas festas diz-se ou canta-se o Credo, como parte da "Missa dos Catecúmenos" e não – como poderia parecer lógico – como parte da "Missa dos Fiéis".

Missa dos Fiéis[editar | editar código-fonte]

A segunda parte é a Missa dos Fiéis.[34]

Ofertório[editar | editar código-fonte]

O padre no ofertório tem suas mãos lavadas pelos acólitos (lavabo). Fraternidade Sacerdotal São Pedro.
  • Antífona de Ofertório
  • Depois de cumprimentar o povo mais uma vez ("Dominus vobiscum/Et cum spiritu tuo") e fazendo o convite para orar (“Oremus”), mas sem fazer seguir nenhuma oração - trata-se de vestígio da antiga "oração dos fiéis", que a Missa de Paulo VI reintegrou, – o sacerdote começa a segunda parte da missa, considerada a mais importante, a “Missa dos Fiéis”, da qual os não-batizados assistiam a “Missa dos Catecúmenos”, não podem participar, sendo por isso, dispensados da igreja. O padre então lê a antífona do ofertório, que é uma breve citação da Sagrada Escritura, que varia de acordo com a missa de cada dia, rezando com as mãos unidas.
  • Oferecimento do Pão e do Vinho
    • O sacerdote oferece a hóstia a Deus, colocando-a na patena, e segurando esta no nível do peito, e rezando para que, embora ele seja indigno, Deus possa aceitar "esta hóstia impecável” (o significado básico de “hóstia” em latim, é “vítima”) para o perdão de seus próprios inumeráveis pecados, ofensas e negligências, e o de todos os presentes, e para o dos fiéis cristãos vivos e mortos, para que sirva para a salvação deles. Ele, então, deposita no cálice uma pequena quantidade de vinho, e em seguida o mistura com algumas gotas de água, que lhe são trazidas pelos servidores nas “galhetas”, ele então segura o cálice de modo que a borda deste fique na altura de seus lábios, e oferece "o cálice da salvação", fazendo uma oração de contrição adaptada do texto de Daniel 3:39-40.
  • Incensação das oferendas e dos fiéis
    • Em uma Missa Solene, o padre abençoa o incenso trazido ao altar em um turíbulo pelos servidores, em seguida, incensa o pão e o vinho no altar. Entre as orações, o sacerdote diz alguns versículos do Salmo 141:2: "Dirigátur, Dómine, oratio mea, sicut incénsum in conspéctu tuo: elevatio mánuum mearum sacrificium vespertínum..." (“Que a minha oração, Senhor, seja dirigidas como incenso diante de ti; elevem-se as minhas mãos como o sacrifício da tarde..."), que é a oração feita enquanto o padre incensa o altar. O padre então dá o turíbulo ao servidor, que incensa o sacerdote, e em seguida, os outros ministros e a congregação.
  • Lavar as mãos
    • Os servidores trazem até o sacerdote uma bacia e um vaso com água, no qual ele lava as mãos rezando o Salmo 26:6-12: “Lávabo inter innocéntes manus meas: et circúmdabo altáre tuum, Dómine. Ut áudiam vocem laudis: et enárrem univérsa mirabília tua. Dómine, diléxi decórem domus tuæ...” (“Eu lavo as minhas mãos entre os inocentes, que circundam o teu altar, Senhor. Que eu possa ouvir a voz de louvor, e contar todas as tuas maravilhas. Amo, ó Senhor, a beleza da tua casa..."), em seguida reza um Gloria Patri.
  • Oração à Santíssima Trindade
    • Esta oração pede que a Trindade Divina receba a oferta sendo feita em memória da paixão, ressurreição e ascensão de Jesus e em honra da sempre Virgem Maria e os outros santos,
  • Orate Fratres, Suscipiat e Secreta;
    • Aqui, o padre se vira para a congregação e diz as duas primeiras palavras: "Orate, fratres" (“Orai Irmãos”), em um tom elevado e então se vira novamente para o altar, enquanto termina a exortação em tom secreto: “ut meum ac vestrum sacrificium acceptábile fiat apud Deum Patrem omnipoténtem” ("para que o meu sacrifício e o vosso possa ser aceitável a Deus Pai todo-poderoso").
    • Os servidores respondem com a oração denominada Suscipiat, em que unem suas intenções ao do sacerdote: “Suscipiat Dominus sacrificium de manibus Tuis, ad laudem et gloriam Nominis sui, ad utilitatem quoque Nostram, totiusque Ecclesiae suae Sanctae”, em seguida o padre secretamente responde, "Amém” ("Aceite este sacrifício por meio de suas mãos, para louvor e glória do Seu nome, para nossa utilidade, e de toda a Sua Santa Igreja").
  • O sacerdote, então, diz a “Secreta”, alguns versículos com sentido de oferecimento, em voz inaudível, e conclui com “Per omnia sæcula sæculorum” (“Por todos os séculos dos séculos”) em voz alta.
    • Os servidores então respondem: "Amém", que conclui o Ofertório.

Cânon[editar | editar código-fonte]

Prefácio do Cânon.
  • Prefácio do Cânon
    • "A data do estabelecimento do Cânon é antes de São Gregório Magno, que morreu em 604. Ele contém os principais elementos encontrados em quase todos os ritos, mas num arranjo invulgar.
    • Há um diálogo entre o padre e a congregação, que se inicia com o “Dominus vobiscum - Et cum spiritu tuo”, e é sucedido pelo “Sursum corda - Habemus ad Dominum” (“Levantai os vossos corações - Os elevamos ao Senhor”), “Gratias agamus Domino Deo nostro – Dignum et iustum est” (“Demos graças ao Senhor nosso Deus - É digno e justo”).
    • Em seguida o “Prefácio” é rezado, que indica razões específicas para dar graças a Deus. Isto conduz a oração do Sanctus.[35]
  • Cânon ou “Regra da consagração”[36] , que é rezado de maneira inaudível,[37] por ser uma prece puramente sacerdotal, pertencente exclusivamente ao sacerdote, sendo também o silêncio uma reverência ao momento mais sagrado da missa;
    • Intercessões
    • Compreendem, uma série de quatro orações, são elas o Te Igitur, In Primis, a Primeiro Memória - Memória dos vivos, e o Communicantes - Memória dos Santos, nessas orações o padre reza pela vida, para que Deus guarde, una e governe a Igreja, pede pela santificação dos cristãos vivos e implora o auxílio dos santos.
  • Orações preparatórias para a consagração
    • Trata-se de duas orações, o Hanc igitur, e o Quam oblationem, duas preces nas quais o sacerdote pede que Deus aceite a oferta dele e da Igreja.
  • Consagração (transubstanciação) e Elevação maior
O celebrante durante o Cânon, eleva o cálice, para adoração dos fiéis. Fraternidade Sacerdotal São Pedro.
  • A passagem Lucas 22:19-20 é fundamental nesta seção, compreendendo duas orações, Qui pridie, pelo qual se consagra o pão, e Simili modo, pelo qual se consagra o vinho. É considerado a parte essencial da missa, de instituição divina.
    • Oblação da vítima a Deus
    • A oferta e sacrifício de Cristo pelo perdão dos pecados, é feito em três orações, Unde et memores, Supra quae, e Suplices te rogamus
  • Intercessões
    • O padre agora faz duas intercessões, uma pelos mortos, pedindo que eles repousem, trata-se da “Memória dos Mortos”, que é seguida por outra intercessão, agora feita para os vivos, na qual se cita João Batista e 14 mártires (sete homens e sete mulheres), que são mencionados pelo nome, trata-se da “Segunda Memória dos Vivos”. Nesta última oração, as primeiras palavras, o padre fala em voz alta: “Nobis quoque peccatoribus” (“Por nós pecadores”), para indicar que está rezando pelos fiéis cristãos, que são devido a sua natureza, considerados pecadores. Logo em seguida o padre volta a rezar inaudivelmente.
  • Fim do Cânon e doxologia com elevação menor
    • A conclusão do Cânon ocorre com a doxologia é: “Per ipsum, et cum ipso, et in ipso, est tibi Deo Patri omnipotenti, in unitate Spiritus Sancti, omnis honor et gloria" (“Por ele, e com ele, e nele, ó Deus, Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e glória é sua”), terminando a frase dizendo em voz alta: "Per omnia saecula saeculorum" (“Por todos os séculos dos séculos”), concluindo o Cânon, dizendo em seguida “Amen”.

Comunhão[editar | editar código-fonte]

  • O Pai Nosso e o Libera nos[38]
    • O Padre reza o Pai Nosso, e em seguida a congregação responde os últimos versículos: “sed libera nos a malo” (“mas livrai-nos do mal”). O sacerdote então reza o "Libera-nos", que é uma extensão do Pai Nosso, rezando para que a Virgem Maria, juntamente com os apóstolos e santos, possam interceder pelos homens, para obter paz.
  • Fração da hóstia
    • Durante a oração anterior, o sacerdote parte a hóstia consagrada em três partes, e depois de concluir a oração deposita a menor parte no cálice, enquanto reza pedindo pela eficácia do sacrifício de Cristo.
Distribuição de comunhão aos fiéis em missa tridentina.
  • Agnus Dei
    • "Agnus Dei" significa "Cordeiro de Deus", nela o sacerdote reza duas vezes: “Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: miserére nobis” ("Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, tende piedade de nós") e em seguida, acrescenta: “Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona nobis pacem” ("Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dai-nos a paz"). A Missa da Última Ceia de Quinta-feira Santa tem três "tem misericórdia de nós". Nas missas de réquiem, as petições são “dona eis réquiem” ("concede-lhes descanso") (duas vezes), seguido por “dona eis réquiem sempitérnam” ("concede-lhes o descanso eterno").
  • "Pax"
    • O padre pede a Cristo para não olhar para os pecados do sacerdote, mas para ver a fé da Igreja e reza pela paz e unidade nela. Em uma Missa Solene, o celebrante dá o sinal de paz para o diácono, dizendo: “Pax tecum” ("A paz esteja contigo"), que é respondido com “Et cum Spiritu tuo” ("E com o vosso espírito").
  • Orações preparatórias para a Comunhão
    • São duas orações, na primeira o padre pede para ser liberado de todas as suas iniquidades e maldades, e pede forças para aderir aos mandamentos de Jesus e nunca se separar dele. Na segundo, ele pede que não seja condenado por ousar consumir o Corpo e o Sangue de Cristo.
  • Comunhão do Padre
    • O sacerdote diz em silêncio várias orações aqui, antes de receber a comunhão. Em uma deles, ele fala três vezes, sendo a primeira linha da oração audível, e o restante silencioso, enquanto possui a hóstia na mão esquerda e bate no peito com a mão direita, baseado em Mateus 8:9, dizendo “Dómine, non sum dignus (et secrete prosequitur): ut íntres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanábitur ánima mea” ("Senhor, eu não sou digno (e prossegue secretamente): de que entreis sob meu teto, mas dizei uma palavra, e minha alma será salva").
  • Segunda Confissão dos Fiéis
    • Aqui os servidores da missa ou a congregação recitam novamente a Confissão (“Confiteor”), e o padre lhes dá a bênção e a absolvição de seus pecados, para que possam comungar mais adequadamente.
Padre no "Ecce Agnus Dei" na comunhão dos leigos.
    • O sacerdote distribuirá a comunhão para a congregação na missa, ele pega uma pequena hóstia, elevando-a em cima de um cibório, e diz em voz alta: “Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccáta mundi” ("Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo"), e os demais repetem três vezes o “Dómine, non sum dignus”. O padre dá a comunhão primeiramente aos demais clérigos presentes, em seguida aos coroinhas e aos fiéis. Ao dar a hóstia na boca dos demais, faz com a mesma o sinal da cruz e diz: “Corpus Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam tuam in vitam æternam. Amen.” ("Que o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde a tua alma para a vida eterna Amém").[39]

Conclusão[editar | editar código-fonte]

  • Orações de ação de graças
    • São orações que se concentram sobre o Corpo e o Sangue de Cristo recebido, implorando que o preservam na retidão moral e doutrinária.
  • Antífona de Comunhão e Pós-comunhão
    • A antífona de comunhão é normalmente alguns versículos de um salmo. A Oração de pós-comunhão é semelhante A Coleta, não sendo diretamente retirado das Escrituras.
  • Ite missa est e Bênção
    • "Ite Missa Est", é a frase que indica que a Missa terminou e os fiéis em seguida podem retirar-se.
    • Depois de dizer uma oração silenciosa para si, o sacerdote dá ao povo a sua bênção.
  • O Último Evangelho
    • O sacerdote então no lado direito do altar lê o início do Evangelho de João, João 1:1-14, que relata a Encarnação de Cristo. Em certas ocasiões, como por exemplo, na missa do dia no dia de Natal, outra passagem do Evangelho era lida, pois estes trechos foram ditos no Evangelho da Missa, mas o Papa João XXIII na revisão das rubricas, decretou que nessa e outras ocasiões, o Último Evangelho deve ser omitido.

Orações depois da missa (não fazem parte da liturgia)[editar | editar código-fonte]

Orações Públicas[editar | editar código-fonte]

O Papa Leão XIII prescreveu que após o Último Evangelho, três Ave Marias, uma Salve Regina, seguida por um versículo, uma oração para a conversão dos pecadores e a liberdade da Igreja, e uma oração a São Miguel Arcanjo deviam ser recitadas após uma Missa Baixa celebrada com o povo, por isso são chamadas de “Orações leoninas”. Originalmente eram preces rezadas pela resolução da Questão Romana. O Papa Pio X acrescentou em seguida três vezes "Sagrado Coração de Jesus, tende piedade de nós". O Papa Pio XI , que resolveu a Questão romana, não aboliu essas preces, mas ordenou que elas fossem feitas na intenção de permitir a tranquilidade e a liberdade de professar a fé no povo da União Soviética.[40] Uma vez que essas orações não faziam parte da liturgia, podiam ser recitadas em língua vernácula. Elas foram suprimidos em 7 de março de 1965 no final do Concílio Vaticano II antes da introdução da missa de Paulo VI.[41]

Orações Privadas[editar | editar código-fonte]

As edições do Missal Romano até 1962, recomendavam constantemente várias orações, embora não as considerasse obrigatórias, para a recitação do padre depois da missa privada. [42] O “Cântico dos Três Jovens” (do Livro de Daniel)[43] é uma dessas orações.

Dissidências e adesões[editar | editar código-fonte]

Apesar de ter a força de um documento redigido e assinado pelo Papa, a Carta Apostólica Summorum Pontificum tem sido objeto de contestação no Brasil por parte de alguns eclesiásticos. Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo Emérito de Uberaba, objeta que a Missa Tridentina é incompreensível, seca e utiliza o Latim, uma língua misteriosa.[44] Dom Paulo Sérgio Machado, Bispo de São Carlos, apesar de permitir a celebração da Missa Tridentina em sua diocese,[45] considera que os que preferem a Missa Tridentina são uma minoria moralista de pessoas puritanas, retrógradas, com uma mórbida aversão às mudanças e ao novo.[46]

É mais do que isso: é um desejo mórbido, um medo do novo. Uma aversão à mudança.(...)uma minoria moralista que vê pecado em tudo e para quem o capeta é mais poderoso do que Deus
 
Dom Paulo Sérgio Machado, bispo de São Carlos, SP – 31 de março de 2012.

Por outro lado, quase quarenta cardeais, acatando filialmente as determinações do Papa, já participaram de cerimônias em Latim segundo a "forma extraordinária do Rito Romano", após a entrada em vigor do motu proprio Summorum Pontificum.[carece de fontes?]

O Brasil é o único país do mundo que possuí uma circunscrição eclesiástica equiparada a uma diocese, cujo carisma é exatamente a celebração da missa tridentina, em Campos dos Goytacazes, trata-se da Administração Apostólica São João Maria Vianney, governada por Dom Fernando Rifan. Para além de Dom Rifan, outros 17 arcebispos e bispos também celebraram ou participaram da forma antiga, dentre os quais: Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro; Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo de Belém do Pará; Dom Alano Maria Pena, Arcebispo Emérito de Niterói; Dom Luciano Bergamin, Bispo de Nova Iguaçu; Dom Fernando José Monteiro Guimarães, Bispo de Garanhuns; Dom Gregório Paixão, Bispo de Petrópolis; Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes; Dom Diógenes Silva Matthes, Bispo Emérito de Franca; Dom Mário Rino Sivieri, Bispo de Propriá e Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju.[carece de fontes?]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Edição típica" é a edição oficialmente aprovada dos textos do Missal, cujas impressões são obrigadas a reproduzir e a seguir.
  2. Quo primum. Visitado em 2008-03-25. "We decided to entrust this work to learned men of our selection. They very carefully collated all their work with the ancient codices in Our Vatican Library and with reliable, preserved or emended codices from elsewhere. Besides this, these men consulted the works of ancient and approved authors concerning the same sacred rites; and thus they have restored the Missal itself to the original form and rite of the holy Fathers. When this work has been gone over numerous times and further emended, after serious study and reflection, We commanded that the finished product be printed and published."
  3. Summorum Pontificum, articles 2 and 4 (em inglês)
  4. Summorum Pontificum, article 5 (em inglês)
  5. Motu proprio Summorum Pontificum Art. 1.
  6. Carta de Bento XVI aos Bispos que acompanha o motu proprio Summorum Pontificum
  7. The Mass of Vatican II (em inglês)
  8. Thompson, Damian (2008-06-14). Latin mass to return to England and Wales The Daily Telegraph. Visitado em 2008-06-17. (em inglês)
  9. Esta definição não deve ser confundida com uma devoção chamada de "missas gregorianas" ou "Ciclo Gregoriano", cuja crença é que a celebração de trinta missas durante trinta dias consecutivos, oferecidas em sufrágio pelas almas dos falecidos, os liberta do purgatório. Este termo provém do fato de que há uma passagem dos Diá­lo­gos de São Gregório Magno citando a morte de um monge que havia quebrado os votos de pobreza, em favor de quem o Papa havia mandado ao abade Gregório celebrar trinta missas consecutivas. Ao término das celebrações, lhe foi revelado que o monge havia "entrado no Céu".Trinitário (gregoriano)
  10. Adrian Fortescue, "Liturgy of the Mass" em Catholic Encyclopedia (em inglês); "Liturgia de la Misa" (versão espanhola)
  11. O Missal é composto do Ordinário, do Próprio e do Comum. O Ordinário compõe as partes da liturgia da missa que normalmente não mudam, sem levar em conta a data em que seja executada, enquanto o Próprio é a parte da liturgia que varia de acordo com a data, devido à comemoração de uma festa litúrgica dentro do ano litúrgico ou de um determinado santo ou evento significativo, e o Comum, que contém as orações que são comuns a toda uma categoria de santos, como apóstolos ou mártires.
  12. a b Adrian Fortescue, Liturgy of the Mass (em inglês)
  13. James F. White, Introdução ao culto cristão, p. 186
  14. Adrian Fortescue, Canon of the Mass (em inglês)
  15. "Hanc igitur oblationem servitutis nostrae, sed et cunctae familiae tuae, quaesumus, Domine, ut placatus accipias: diesque nostros in tua pace disponas, atque ab aeterna damnatione nos eripi, et in electorum tuorum iubeas grege numerari. (Per Christum Dominum nostrum. Amen.)" ("Por isso, vos rogamos, Senhor, aceiteis favoravelmente a homenagem de servidão que nós e toda a vossa Igreja vos prestamos, firmai os nossos dias em vossa paz, arrancai-nos da condenação eterna, e colocai-nos entre os vossos eleitos. [Por Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.]")
  16. Christe eleison (em inglês)
  17. Carta do Papa Bento XVI que acompanha o motu proprio Summorum Pontificum e Summorum Pontificum, art. 1
  18. Summorum Pontificum, art. 2
  19. Summorum Pontificum, art. 5
  20. Carta do Papa Bento XVI que acompanha o motu proprio Summorum Pontificum
  21. Instrução Geral do Missal Romano, capítulo VII
  22. Mauro Piacenza, "O receptáculo da Eucaristia" em 30 Dias, número 6, 2005
  23. Congregatio de Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum, Risposta pubblicata in Notitiae, organo ufficiale della Congregazione, Prot. N° 2036/00/L, sull'orientamento dell'Altare, del celebrante e dei fedeli
  24. Si altare sit ad orientem, versus populum, celebrans versa facie ad populum, non vertit humeros ad altare, cum dicturus est Dóminus vobiscum, Oráte, fratres, Ite, missa est, vel daturus benedictionem (Ritus servandus in celebratione Missae, V.3).
  25. The Collaborative International Dictionary of English v.0.48 (1913). Visitado em 2008-03-25. (em inglês)
  26. Chapman, John (1908). Didache. Visitado em 2015-04-12. "Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor." (em inglês)
  27. Text of Mass of the Catechumens (em inglês)
  28. Wikipédia. Sacras (em espanhol).
  29. Text in Latin and English
  30. Summorum Pontificum, article 6 (em inglês)
  31. Ritus servandus in celebratione Missae, VI, 6
  32. Concilio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 52
  33. Código de Direito Canônico (1917), cânones 1344–1345
  34. Text of Mass of the Faithful (em inglês)
  35. Santus {{en}
  36. Mass of the Faithful - The Canon (em inglês)
  37. Em latim, "secreta" (Ritus servandus in celebratione Missae, VIII, 1)
  38. Mass of the Faithful - Closing Prayers (em inglês)
  39. Ritus servandus, X, 6 no Missal de 1962 .
  40. Alocucão Indictam ante de 30 de Junho de 1930, na Acta Apostolicae Sedis 22 (1930), pg. 301
  41. Instruction Inter Oecumenici, 48 (em inglês)
  42. Oratio Post Missam (em inglês)
  43. Douay-Rheims Prophecy Of Daniel Chapter 3 (em inglês)
  44. Quem vai rezar em Latim? Fratres in Unum. Visitado em 8 de abril de 2012.
  45. Dois leitores falam sobre a Missa em São Carlos, SP. Blog Fratres in Unum (06/09/2014).
  46. O Retorno à Idade Média Fratres in Unum. Visitado em 8 de abril de 2012.

COELHO, António, Curso de Liturgia Romana, Negrelos: Ora & Labora, 1950.

JUNGMANN, Josef A., El Sacrificio de la Misa. Tratado historico-liturgico., Madrid: BAC, 1951 (Tradução da obra alemã Missarum Solemnia, onde pode ser encontrada a história pormenorizada de cada um dos momentos da missa)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]