Ordem Teutónica

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Ordem dos Cavaleiros Teutônicos de Santa Maria de Jerusalém
Brasão da Ordem
Lema "Ajudar, defender, curar"
Fundação 1190 (827 anos)
Estado legal Ativa
Propósito Defender a Igreja com votos de pobreza, castidade e obediência.[1]
Sede Weyarn,  Alemanha
Viena,  Áustria
Membros Germânicos
Filiação Igreja Católica
Grão-Mestre Bruno Platter
Sítio oficial www.deutscher-orden.de
www.deutscher-orden.at

A Ordem dos Cavaleiros Teutônicos de Santa Maria de Jerusalém (em latim: Ordo Domus Sanctæ Mariæ Theutonicorum), conhecida apenas como Ordem Teutónica (português europeu) ou Ordem Teutônica (português brasileiro) (em alemão: Deutscher Orden) foi uma ordem militar cruzada vinculada à Igreja Católica por votos religiosos pelo Papa Clemente III. Foi formada em São João de Acre, em Israel, no ano de 1190, para auxiliar os germânicos feridos nas Cruzadas.[1]

Os seus membros usavam sobrevestes brancas com uma cruz negra e tinham por norte o lema: Ajudar, defender, curar.[2] Tiveram a sua sede em Montfort, uma fortaleza construída nos tempos do Reino de Jerusalém (1099-1291), durante as Cruzadas, cujos vestígios se conservam no norte de Israel.

A Ordem Teutónica, ao lado da Ordem dos Templários e da Ordem dos Hospitalários, foi uma das mais poderosas e influentes da Europa. A maioria dos seus membros pertencia à nobreza, inclusive a família real prussiana e, quando necessário, contratavam-se mercenários.[2] Os soberanos e a nobreza dos estados antecessores à atual Alemanha, inclusive a família soberana do Império Alemão (1871-1918) e do Reino da Prússia (1525-1947), os Hohenzollern, eram membros da ordem.

Atualmente, a ordem atua como uma organização de caridade na Europa Central.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Vestimenta do Cavaleiro Teutônico

Fundação[editar | editar código-fonte]

Em meio das expedições da Terceira Cruzada, cavaleiros de diversas ordens estavam sendo castigados e mortos em decorrência de doenças e não tinham o devido auxílio médico. Os corpos dos mortos eram jogados no fosso que separava as muralhas, deixando um terrível odor nos acampamentos, o que causava ainda mais doenças e proliferação de insetos. As unidades médicas, providas pelos Hospitalários, estavam sobrecarregadas e tinham preferência em auxiliar os franceses e ingleses, deixando os germânicos de lado.[3]

Assim, alguns camponeses de Bremen e Lübeck fundaram uma ordem médica para auxiliar seus compatriotas germânicos. A iniciativa foi muito bem recebida pelos nobres germânicos, pelo Patriarca de Jerusalém, e também pelos Hospitalários e Templários. Com a boa aceitação, e a urgência da situação, não demorou para que o Papa Celestino III aprova-se a instituição da Ordem do Hospital de Santa Maria dos Germânicos em Jerusalém (ou Ordem Germânica).[3]

Poucos anos depois, em 1197, um novo exército cruzado germânico chegou a Jerusalém e encontrou um hospital próspero que, além de cuidar dos doentes, oferecia hospedagem aos cavaleiros recém chegados. Além de todo auxílio médico já provido pela ordem, alguns cavaleiros entenderam que a ela também poderia oferecer tropas para a proteção dos castelos fronteiriços, uma vez que a maioria possuía treinamento militar, e os Templários e Hospitalários estavam em números insuficientes para as batalhas, o que havia levado à perda de Jerusalém em 1187. Assim, em 1198, o Papa Celestino III emite uma carta incorporando tropas à Ordem Germânica que passava a ser uma ordem militar.[3]

Devido à pronúncia do termo alemão "deutsch" (germânico) estar muito próxima do termo inglês "dutch" (holandês), os cavaleiros das outras ordens, ingleses e franceses, atribuíram o termo "Teutônico" às tropas germânicas quando estes chegaram aos postos de batalha.[3]

Ruínas de Montfort

Guerras na Terra Santa[editar | editar código-fonte]

A Ordem Teutônica teve um árduo início, tinham poucas posses e viviam de parcas doações, e não deram contribuições significativas nas Cruzadas.

Em 1210, Hermann von Salza, hábil negociador e empreendedor, assumiu o posto de Grão-Mestre. Foi sob seu comando que a Ordem Teutônica começou a ganhar notoriedade e posses. Entre essas posses, um velho castelo na Galileia, adquirido em 1220 com o dinheiro de impostos. Esse castelo viria a se tornar a fortaleza Montfort ("Monte Forte"), onde alguns teutônicos se estabeleceram até 1271, quando foi tomada pelos muçulmanos.

Mesmo após a perda de Montfort, o restante dos teutônicos permaneceram em Acre até 1291, quando todas as ordens militares foram retiradas.[4]

A mudança para o centro e norte da Europa[editar | editar código-fonte]

Cavaleiros teutónicos na Polônia
Bandeira teutónica
Torre teutónica em Acre (atual Israel)

Após a derrota das forças cristãs no Oriente Médio, os cavaleiros mudaram-se para a Transilvânia, em 1211, a convite do rei André II da Hungria, onde fundam a cidade de Brasov, mas foram expulsos em 1225. Transferiram-se então para o norte da Polônia, onde criaram o Estado da Ordem Teutónica (1224-1525). A agressividade e o poder da ordem ameaçavam os países vizinhos, em especial o Reino da Polônia e o Grão-Ducado da Lituânia.

Entre 1229 e 1279 a ordem conquistou áreas na Prússia, onde os cavaleiros construíram muitas cidades e fortes. Por volta de 1329, os cavaleiros teutónicos controlavam, por domínio papal, toda a região do Báltico, desde o golfo da Finlândia até a Pomerânia, na Polônia. Na parte sul de seu domínio, a ordem foi abolida e suas terras se tornaram a Prússia, em 1525. A parte norte (Estônia e Letónia) foi dividida entre a Polônia, Rússia e Suécia, depois de 1558.

Em 1410, na Batalha de Grunwald (também conhecida como batalha de Tannenberg), um exército combinado polaco-lituano comandado pelo rei polaco Ladislau II Jagelão derrotou a Ordem e pôs fim a seu poderio militar.

O poder da ordem continuou a declinar até 1525, quando seu grão-mestre, Alberto de Brandemburgo, converteu-se ao luteranismo e assumiu o título e os direitos de duque hereditário da Prússia (embrião do Reino da Prússia, catalisador do futuro Império Alemão). O Grão-Magistério foi então transferido para Mergentheim, de onde os grão-mestres teutónicos continuavam a administrar as consideráveis posses da ordem no Sacro Império Romano-Germânico.

Em 1809, quando Napoleão Bonaparte determinou a sua extinção, a Ordem perdeu as suas últimas propriedades seculares, mas logrou sobreviver até o presente. No decreto papal emitido pelo papa Pio XI, a 21 de novembro de 1929, transformava os cavaleiros teutónicos numa ordem clerical composta por sacerdotes, padres e freiras. Atualmente, tem a sua sede em Viena, Áustria, e trabalha primordialmente com objetivos assistenciais. A cruz teutónica está na origem da célebre "Cruz de Ferro" , condecoração ainda em uso pelas forças armadas alemãs.

Nas mãos de Heinrich Himmler, a SS foi estruturada segundo o modelo da Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, cujos membros da última, acreditava-se, tinham sido guardiões do Santo Graal. Equipes da SS foram designadas para encontrar tanto o Santo Graal quanto a Arca da Aliança. [carece de fontes?]

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Uma breve cronologia das principais batalhas da Ordem Teutônica[5]:

  • 1190 - Fundação da Ordem como ordem de auxílio médico.
  • 1198 - A Ordem Teutônica é instituída como ordem militar.
  • 1211 - André II da Hungria dá uma parte da Transilvânia à Ordem.
  • 1226 - Conrado I de Mazóvia, solicita à Ordem a conversão dos pagãos da Prússia.
Cena do filme russo Alexandr Nevsky
Batalha de Grunwald, por Jan Matjeko (1878)

Leis e costumes[editar | editar código-fonte]

Ao entrar na Ordem, um cavaleiro tinha de fazer votos de pobreza, castidade e obediência, bem como abrir mão de todos os seus bens e doá-los à Ordem para que se tornassem bens comuns.[8] Embora a Ordem possuísse muitas propriedades, como conventos, hospitais e igrejas, o foco era a defesa da Cristandade.[1]

Aos cavaleiros era permitido caçar somente em caso de necessidade, sendo vedada a caça esportiva, e tinham de evitar as mulheres (uma vez que faziam votos de castidade). As punições para quem quebrasse as regras da Ordem podiam ser leves (açoitamento e jejum forçado por dias), moderadas (aprisionamento por um ano a pão e água três vezes por semana), severas e muito severas (expulsão da Ordem ou morte). As muito severas eram aplicadas a quem se acovardasse ou passasse para o lado do inimigo e para quem praticasse sodomia.[9]

Os Cavaleiros Teutônicos também desenvolveram, por pouco tempo, sua própria literatura e música, na qual compunham poemas sobre as batalhas, encorajando os leitores e ouvintes a imitarem seus feitos. O Castelo de Marienburg, principal propriedade do Teutônicos, chegou a ter uma biblioteca com 41 livros em latim e 12 em germânico. Além dos poemas de cavalaria, como ordem religiosa que era, apreciavam ler a Bíblia, em especial os livros de Judite, Ester, Neemias, Macabeus, Juízes e Apocalipse, pois retratavam sua realidade de batalhas. As leituras se davam na hora do almoço por um padre da ordem, enquanto os demais comiam em silêncio ouvindo as narrativas.[10]

Relíquias[editar | editar código-fonte]

Grão-mestres[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Ordem Teutónica


Castelo de Marienburg, dos Cavaleiros Teutônicos.

Referências

  1. a b c Urban, William. The Teutonic knights and Baltic Chivalry. - The Historian; Vol 56, #3, 1994, pp. 519-530. (inglês)
  2. a b c Three most famous chivalric orders - The Telegraph (inglês)
  3. a b c d Urban, William. Os Cavaleiros Teutônicos: Uma história militar. São Paulo: Ed. Madras, 2011, pp. 27-31
  4. Urban, 2011, pp. 43-49
  5. Teutonic Order Timeline - Thumbnail Histories
  6. Aleksandr Nevskiy - Internet Movie Database
  7. Krzyzacy - Internet Movie Database
  8. Urban, 2011, p. 32.
  9. Urban, 2011, pp. 33-34
  10. Urban, 2011, pp. 176-179

Ligações externas[editar | editar código-fonte]