Pomerânia

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Pomerânia (região)
A Pomerânia atualmente, na Alemanha (esquerda) e Polônia (direita).

A Pomerânia (em polonês Pomorze; em alemão Pommern; em latim Pomerania ou Pomorania; em pomerano, Pommerland) é uma região histórica e geográfica situada no norte da Polônia e da Alemanha na costa sul do mar Báltico, entre as duas margens dos rios Vístula e Odra, atingindo, a oeste, o rio Recknitz.

História[editar | editar código-fonte]

A primeira menção da Pomerânia remonta do latim "longum mare" (= "pelas costas do mar") em um documento papal escrito por volta de 1080: o Dagome iudex, uma cópia abreviada de um documento supostamente escrito no ano de 992. O registro comenta a respeito de certa Oda von Haldensleben e seu esposo "Dagome", assumidamente um governante polonês chamado Miecislau I, e se refere a um território designado por "Dagome" ao papa. Um documento imperial datado em 1046 menciona por primeira vez o termo "Pomerânia", referindo-se a "Zemuzil dux Bomeranorum" (Siemomysl, Duque dos pomeranos). De aí em diante, a "Pomerânia" é mencionada repetidamente nas crônicas de Adam von Bremen (ca. 1070) e Gallus Anonymous (ca. 1113).

Mapa do século XVII mostrando o Ducado da Pomerânia

A história da região é rica e variada, pelo fato de a mesma ter permanecido sob o domínio de diferentes potências ao longo dos séculos. De 1186 a 1806, esteve principalmente sob o domínio do Sacro Império Romano-Germânico. Com a dissolução deste império em 1806, por Napoleão Bonaparte, a Pomerânia tornou-se parte do Reino da Prússia e, depois, do Império Alemão. A partir de então, mais de 330 mil pomeranos emigraram para os Estados Unidos e muitos para o Brasil.

A primeira dinastia de duques pomeranos chamava-se "Grifos" (em alemão Greifen; em polonês Gryfici. Eles foram quase sempre vassalos do Sacro Império Romano-Germânico e só por pouco tempo foram vassalos do rei da Polônia. A dinastia reinou do século XI ou século XII até 1637, quando o último duque morreu sem deixar filho herdeiro. Quem herdou o trono foi seu cunhado, o duque do estado alemão de Brandemburgo, da dinastia Hohenzollern. Esta família obteve, assim, dois ducados e, pouco depois, herdou ainda o Ducado da Prússia. Com isso, formou-se, sob o nome de Brandemburgo-Prússia, um Estado e poderoso, formado por esses três ducados e cada vez mais por outras regiões. O duque ganhou o direito de ser chamado de rei. 0 estado passou a chamar-se Reino da Prússia e a Pomerânia tornou-se uma província. Com a fundação do Império Alemão em 1701, a Pomerânia continuou como província do Reino da Prússia.

Depois da derrota alemã na Segunda Guerra Mundial, toda a Pomerânia ficou sob controle militar soviético e a fronteira polonesa-alemã foi deslocada para oeste, de maneira que Pomerânia ficou dividida na linha Oder-Neisse, entre a Polônia e a zona alemã sob administração soviética - que se tornou mais tarde a república comunista da Alemanha Oriental [1] [2] . A população alemã dos territórios a leste da nova linha de fronteira foi quase completamente expulsa e a área foi repovoada primariamente com poloneses (alguns anteriormente expulsos de Kresy) pelos russos, e ucranianos de ascendência polonesa.[3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11]

Do lado polonês, a Pomerânia é dividida em três voivodias (províncias): Pomerânia Ocidental (em polonês Zachodniopomorskie, ZP), capital Estetino (em alemão Stettin, em polonês Szczecin); Pomerânia (Pomorskie, PM) com a capital Gdańsk (Danzig em alemão); e Pomerânia-Kujawsko (Kujawsko-Pomorskie, KP). Na Alemanha Oriental todos os estados foram dissolvidos, mas depois da reunificação da Alemanha os antigos estados foram reestabelecidos. Sendo o resto da Pomerânia relativamente pequeno, ele foi reunido com o estado ((Bundesland)) Mecklemburgo, com o nome Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. A igreja evangélica da Pomerânia, que era a igreja oficial por séculos e é até hoje a igreja predominante na Pomerânia Ocidental, não se adaptou a essas mudanças e assim existe ainda o bispado evangélico Pomerânia.

Pomeranos-brasileiros[editar | editar código-fonte]

Muitos pomeranos emigraram para o Brasil durante o século XIX, e hoje seus descendentes são parcela considerável em Santa Catarina (cerca de 300 mil em 2006) em especial na cidade de Pomerode, onde lutam para preservar sua cultura e a língua pomerana. De fato, há mais falantes da língua pomerana em Santa Catarina do que na Europa. [carece de fontes?]

No estado do Espírito Santo estima-se uma população de 120 mil descendentes de pomeranos[carece de fontes?], a maior concentração depois da de Santa Catarina[carece de fontes?], descendentes dos 2.000 imigrantes que lá chegaram fim do século XIX.

No Rio Grande do Sul, os imigrantes de origem pomerana também foram numerosos na região de Pelotas, Canguçu, Arroio do Padre, Agudo,Candelária e São Lourenço do Sul, principalmente na região das antigas Colônia São Lourenço e Colônia Santo Ângelo. Fizeram parte também da fundação da comunidade de Esquina Emanuel, no município de Roque Gonzales. [carece de fontes?]

Em Rondônia, há numerosos brasileiros no município de Espigão do Oeste que são descendentes de pomeranos. Estes vieram para o Brasil e aportaram no Estado do Espírito Santo, e sua descendência espalhou-se por todo o Brasil. No final das décadas de 1960, toda a década de 1970 e início da década de 1980, a União promoveu a ocupação do então Território Federal de Rondônia, o qual passou a Estado de Rondônia em 1981. Milhares desses colonos tinham origem no Estado do Espírito Santo, e milhares destes tinham origem remota na Pomerânia. Por isso, é comum em Espigão do Oeste, Rondônia haver pessoas que falam pomerano. Há inclusive uma "festa pomerana", a qual foi realizada no ano 2013 no dia 27 de julho, como forma de valorizar a cultura e o idioma pomerano. [carece de fontes?]

No Estado do Espírito Santo, destacam-se as cidades de Santa Maria de Jetibá e Vila Pavão, a qual, fruto da forte influência pomerana, é tida como cidade-gêmea de Espigão do Oeste-Rondônia. [carece de fontes?]

Mapas históricos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Werner Buchholz, Pommern, Siedler, 1999, pp.512-515, ISBN 3886802728
  2. Jan M Piskorski, Pommern im Wandel der Zeit, pp.373ff, ISBN 839061848
  3. Jan M Piskorski, Pommern im Wandel der Zeit, pp.381ff, ISBN 839061848
  4. Tomasz Kamusella in Prauser and Reeds (eds), The Expulsion of the German communities from Eastern Europe, p.28, EUI HEC 2004/1 [1]
  5. Philipp Ther, Ana Siljak, Redrawing Nations: Ethnic Cleansing in East-Central Europe, 1944-1948, 2001, p.114, ISBN 0742510948, 9780742510944
  6. Gregor Thum, Die fremde Stadt. Breslau nach 1945", 2006, pp.363, ISBN 3570550176, 9783570550175
  7. Werner Buchholz, Pommern, Siedler, 1999, p.515, ISBN 3886802728
  8. Dierk Hoffmann, Michael Schwartz, Geglückte Integration?, p142
  9. Karl Cordell, Andrzej Antoszewski, Poland and the European Union, 2000, p.168, ISBN 0415238854
  10. Jan M Piskorski, Pommern im Wandel der Zeit, p.406, ISBN 839061848
  11. Selwyn Ilan Troen, Benjamin Pinkus, Merkaz le-moreshet Ben-Guryon, Organizing Rescue: National Jewish Solidarity in the Modern Period, pp.283-284, 1992, ISBN 0714634131, 9780714634135