Zona Leste de São Paulo

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Leste
Visão aérea do Parque do Carmo.
Área 380,7 km²
População 4.620.494 hab. (2012)
Renda média R$ 4,500
IDH alto, médio
Subprefeituras Aricanduva, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo, Guaianases, Itaim Paulista, Itaquera, Mooca,Penha,São Mateus,São Miguel Paulista, Sapopemba e Vila Prudente.
Zonas de São Paulo São Paulo City flag.svg

A Zona Leste de São Paulo é genericamente a área do município brasileiro de São Paulo situada a leste do rio Tamanduateí.

Embora não exista uma lei definindo claramente os limites da Zona Leste, a maioria dos órgãos públicos e privados concordam em incluir na região as subprefeituras da Penha, Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Itaim Paulista, Guaianases, Itaquera, Cidade Tiradentes, São Mateus e Subprefeitura de Aricanduva/Formosa/Carrão. Na maioria das vezes também é incluída a Subprefeitura da Mooca (parte também do Centro Expandido) e as subprefeituras de Vila Prudente e Sapopemba e a Subprefeitura do Ipiranga.

Oficialmente porém, definem-se as seguintes zonas:

  • Zona Leste 1 de São Paulo
  • Zona Leste 2 de São Paulo
  • Zona Leste da região metropolitana de São Paulo
  • Zona Sudeste de São Paulo

História[editar | editar código-fonte]

Memorial do Imigrante, museu que retoma a história da imigração em São Paulo e no Brasil.
Antigas fábricas da Mooca.
Radial Leste, principal via de ligação da zona leste com o centro.

A região onde hoje é a zona leste fora ocupada por tribos indígenas, como a guaianá, que formou a Aldeia Ururaí em 1580.

Os colonizadores portugueses que buscavam rumos para o oeste sofriam constantes e violentos ataques indígenas pelo caminho por terra. Então os rios Tietê, Tamanduateí, Aricanduva e seus afluentes tiveram um importante papel nas bandeiras. Estas utilizavam as vias fluviais para garantir segurança e maior rapidez.

Pouco a pouco, as localidades banhadas por esses rios, áreas distantes do Centro Histórico de São Paulo, foram povoadas, exemplo de: Mooca, Tatuapé e São Miguel Paulista.[1] Na última, o primeiro núcleo populacional da zona, houve a fundação da primeira igreja por meio dos jesuítas no ano de 1622, sendo estabelecida a Capela de São Miguel Arcanjo.

Com o passar dos anos, a região ganhou importância, pois fazia a ligação de São Paulo e Rio de Janeiro.[1] O município de São Paulo expandia-se, e seus territórios mais distantes tornavam-se propriedades rurais. Vilas eram criadas ao redor de igrejas, sendo assim criados novos bairros, como a Penha.[1]

No final do século XIX, o município industrializa-se e as antigas propriedades rurais são substituídas por indústrias e bairros proletários, caso de Vila Matilde e Vila Formosa. Houve, também, uma extensão da malha ferroviária paulistana, que escoava as mercadorias.[1]

Através da imigração, a população multiplicou-se descontroladamente e os bairros operários passaram a sofrer marginalização, por serem desprovidos de infraestrutura.[2] Os imigrantes vindos predominantemente da Itália, Espanha, Japão, Síria e Líbano estabeleceram tradições de suas culturas em seus bairros, forte exemplo da Festa de San Gennaro e Clube Atlético Juventus na Mooca. Na Vila Zelina, Vila Alpina e Vila Bela, região da Vila Prudente, há forte influência de povos eslavos.

As fábricas existentes, primeiramente produtoras de tecidos e alimentos, são gradativamente substituídas pela indústria pesada e construção civil. As mesmas passam a exigir grande quantidade de mão de obra. A imigração diminuía a cada ano, e começou a haver a atração de milhões de migrantes oriundos da Região Nordeste do Brasil.[2]

As regiões periféricas recebiam novos moradores, que, por falta de fiscalização do Governo, construíam suas moradias em áreas sem infraestrutura, saneamento básico, eletricidade, dentre outros aspectos. Surgiram, então, os bolsões de pobreza vistos na maioria dos distritos das regiões Leste 1 e 2. Aliado à decadência da indústria paulistana, a zona enfrenta inúmeros problemas, fazendo com que registre a pior renda média familiar e a menor concentração de atividade econômica, sendo uma das mais pobres do município.[1]

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Arena Corinthians e seu entorno imediato.

Na Zona Leste, a presença da sede oficial do clube de futebol Corinthians no bairro do Tatuapé e a Arena Corinthians em Itaquera, ambos bairros da Zona Leste, é um dos principais motivos da forte identificação de grande parte dos moradores da região com a instituição e fazem com que haja uma forte ligação, dentro do imaginário popular, entre os moradores da Zona Leste os torcedores da equipe paulista. Outro clube conhecido do futebol paulista, que tem a sua sede social e o seu estádio situado na Zona Leste, é o Juventus da Mooca.

Apesar do conhecimento popular sobre a região, o avanço da tecnologia trouxe para a Zona Leste diversos recursos que podem ser utilizados, por exemplo pedir comida pelo celular, taxi pela Uber, ou pedir guincho pelo app.

Na linguagem coloquial, a Zona Leste é frequentemente designada pela sigla ZL.

Regiões[editar | editar código-fonte]

Região dos distritos de Vila Prudente e Mooca, na Zona Sudeste
Shopping Metrô Itaquera, próximo a Arena Corinthians.

Junto também a estação Corinthians-Itaquera do metrô de São Paulo

Zona Leste Um[editar | editar código-fonte]

A Região Leste Um de São Paulo é uma região administrativa estabelecida pela prefeitura de São Paulo englobando as subprefeituras da Penha, de Ermelino Matarazzo, de Itaquera e de São Mateus.[3] De acordo com o censo de 2000, tem uma população de 1 552 070 habitantes e renda média por habitante de 875,90 reais.[4] É uma região diversificada, tanto comercial, quanto residencial, que está em desenvolvimento, a qual está passando por processos de urbanização e regularização de áreas risco (favelas), canalização de córregos e do rio Aricanduva, além da verticalização.

Zona Leste Dois[editar | editar código-fonte]

A Região Leste Dois de São Paulo é uma região administrativa estabelecida pela prefeitura de São Paulo englobando as subprefeituras do Itaim Paulista, de Guaianases, de São Miguel Paulista e da Cidade Tiradentes. De acordo com o censo de 2000, tem uma população de 1 169 815 habitantes e renda média por habitante de 625,26 reais.[4] É a região com renda per capita mais baixa do município, com pior infraestrutura, com a maior incidência de pobreza (63,9% da população) e com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Zona Sudeste[editar | editar código-fonte]

A Região Sudeste de São Paulo é uma região administrativa estabelecida pela prefeitura de São Paulo englobando as subprefeituras da Mooca, de Aricanduva, de Sapopemba, de Vila Prudente e do Ipiranga. Forma, com as Zonas Leste Um e Dois, a macro-zona conhecida simplesmente como Zona Leste, à exceção da subprefeitura do Ipiranga.[5]

De acordo com o censo de 2000, tem uma população de 1 522 997 habitantes e renda média por habitante de 2 441,40 reais.[6] É a região mais desenvolvida da Zona Leste do município, com melhor urbanização, verticalização, infraestrutura, e bairros nobres, como o Jardim Avelino.

Perfil social, econômico e de infra-estrutura[editar | editar código-fonte]

Parque Ecológico do Tietê, ao norte do distrito de Cangaíba, na Zona Leste Um

Tradicionalmente, a Zona Leste é vista como uma região populosa e periférica, cuja população é majoritariamente de baixa renda. De fato, 10 dos 20 distritos com pior IDH de São Paulo estão na região[7], enquanto somente um distrito (o do Tatuapé) está entre os 20 melhores. Quatro dos cinco bairros com média salarial mais baixa também estão na região.[8]

A Zona Leste também é a região menos arborizada da cidade, com uma cobertura vegetal de apenas 11%[9] enquanto detém um terço da população paulistana. Apesar disso também é a região onde se localiza o Parque do Carmo, o maior do município de São Paulo, além do Parque Ecológico do Tietê.

Em termos de infraestrutura, a região é atendida pelas linhas 3 e 15 do Metrô de São Paulo e pelas linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Dois dos mais importantes eixos de desenvolvimento da região são o Jardim Anália Franco, localizado no distrito de Vila Formosa, e o recente Eixo Platina, no Tatuapé, onde está localizado o edifício mais alto de São Paulo (Platina 220).

Divisão geográfica[editar | editar código-fonte]

Vista parcial do Parque Anália Franco. Ao fundo, parte dos distritos de Água Rasa (direita) e Vila Formosa (esquerda). No horizonte, ainda é possível observar edifícios do distritos de São Lucas e Vila Prudente.

Na divisão geográfica do município, chama-se "região leste" à área 4, compreendida entre a avenida Sapopemba, a Radial Leste, a avenida Salim Farah Maluf e o limite do município. Esta região é representada pelas cores vermelha (Zona Leste), amarela (Zona Nordeste) e verde (Zona Sudeste) nas placas de rua e nos ônibus e microônibus urbanos que circulam na região.

Sub-Regiões Leste e Sudeste da Grande São Paulo[editar | editar código-fonte]

Com a Lei Complementar nº 1.139, de 16 de junho de 2011, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e, consequentemente, com o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo (PDUI), os municípios

da Região Metropolitana de São Paulo também passaram a ser zoneadas de acordo com as sub-regiões da capital.[10][11]

Desta forma os municípios de Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano, juntamente com os bairros das Zonas Leste Um e Dois do município de São Paulo passam a formar a Zona Leste da Grande São Paulo.[10][11]

Já os municípios de Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, juntamente com os bairros da Zona Sudeste do município de São Paulo passam a formar a Zona Sudeste da Grande São Paulo.[10][11]

Referências

  1. a b c d e "Diário do Comércio - Especiais Zona Leste", (link SPAM por favor revisar [1] Arquivado em 4 de setembro de 2009, no Wayback Machine.)
  2. a b Reestruturação Urbana da Metrópole Paulistana: Análise de Territórios em Situação de Transição
  3. Mapa oficial das subprefeituras do município de São Paulo: https://www.vitrinedobairro.com.br/zona-leste-sp/web/mapa_subprefeituras.jpeg
  4. a b Média ponderada baseado em dados de renda e população da Prefeitura: https://www.vitrinedobairro.com.br/zona-leste-sp/web/Plano_Municipal_Habitacao.pdf
  5. «Título ainda não informado (favor adicionar)». Arquivado do original em 9 de fevereiro de 2009 
  6. Média ponderada baseado em dados de renda e população da prefeitura: http://ww2.prefeitura.sp.gov Arquivado em 1 de agosto de 2013, no Wayback Machine.
  7. «Os 20 distritos com os IDH mais altos e mais baixos de São Paulo». ArchDaily Brasil. 2 de maio de 2016. Consultado em 21 de setembro de 2021 
  8. «Média de salário em SP vai de R$ 1,2 mil em Marsilac a R$ 10 mil no Campo Belo». G1. Consultado em 21 de setembro de 2021 
  9. «10 regiões menos arborizadas da cidade de São Paulo». Fiquem Sabendo. 10 de agosto de 2015. Consultado em 21 de setembro de 2021 
  10. a b c «Lei Complementar nº 1.139, de 16 de junho de 2011». www.al.sp.gov.br. Consultado em 7 de outubro de 2016 
  11. a b c «Região Metropolitana de São Paulo». Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo. Consultado em 30 de janeiro de 2017. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2017