Saltar para o conteúdo

Jabaquara (distrito de São Paulo)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Jabaquara
Jabaquara (distrito de São Paulo)
Área 14,1 km²
População (10°) 214.958[1] hab. (2022)
Densidade 150,71 hab/ha
Renda média R$ 9.700,00
IDH 0,892 - muito elevado (29°)
Subprefeitura Jabaquara
Região Administrativa Zona Centro-Sul
Área Geográfica 6 (Sul)
Distritos de São Paulo
Centro de Exposições Imigrantes, atualmente São Paulo Expo

Jabaquara é um distrito do município de São Paulo, no Brasil, fundado em 1964. Localiza-se na zona centro-sul do município. Conta com duas estações de Metrô (Jabaquara e Conceição) e uma rodoviária.[2][3][4] Além disso, conta atualmente com aproximadamente 215 000 habitantes.[1]

Entrada da estação Jabaquara do metrô, a primeira construída no Brasil

O nome do distrito tem sua origem no tupi e significa "toca da fuga", através da junção dos termos îababa (fuga) e kûara (toca). Provavelmente, uma alusão a antigos quilombos que deveriam existir na região.[5]

O sítio da Ressaca foi construído no século XVIII e tombado no ano de 1972. Três anos depois, o projeto CURA (Comunidade Urbana de Recuperação Acelerada) transformou o Jabaquara em área-piloto, com a restauração iniciada em 1978 e retomada em 1986, após um incêndio.[6] O local, alguns anos depois, passou a abrigar o Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro, que reúne objetos referentes à presença dos negros em São Paulo.[6]

Até o início do século XVII, a região era ocupada apenas pelos viajantes que se dirigiam a Santo Amaro e à Borda do Campo. A partir dessa época, a região começou a ser procurada por fazendeiros e sitiantes que passaram a abrir estabelecimentos agrícolas e comerciais. Contudo, começou a popularizar-se apenas a partir do final do século XIX, quando a prefeitura decidiu instalar o parque do Jabaquara, utilizado para passeios e piqueniques.

Entre os anos de 1886 e 1913, circularam, pela região, os trens a vapor de uma pequena ferrovia que ligava a Vila Mariana a Santo Amaro e cujos trilhos foram implantados sobre uma via do antigo caminho do Carro (via de ligação entre São Paulo e Santo Amaro após atravessar os atuais distritos do Campo Belo e do Itaim Bibi). Em 1906, a São Paulo Tramway, Light and Power Company implantou uma linha de bondes que passava ao largo da região, pois seguia em um trajeto que ia desde a rua Tutoia, na Vila Mariana, até o centro de Santo Amaro.

O primeiro loteamento do Jabaquara aconteceu na Vila Santa Catarina entre 1920 e 1921. Até o final da década de 1920, boa parte da região era escassamente povoada, com chácaras esparsas em meio a extensas superfícies não ocupadas. Uma região sem grande urbanização e com grandes características rurais até então.

O desenvolvimento e a urbanização vieram apenas no final da década de 1920, com a criação da Avenida Washington Luís, ligando a mais desenvolvida vila Mariana aos loteamentos suburbanos às margens das represas e, principalmente, com a inauguração do Aeroporto de Congonhas em 1936.

A construção da Paróquia São Judas Tadeu em 1940, a pedido do arcebispo metropolitano dom José Gaspar Afonso e Silva, auxiliou na valorização das terras da região, que se beneficiaram com o desenvolvimento. Isso incentivou a abertura de loteamentos (Jardim Aeroporto, Vila Mascote, Vila Santa Catarina, Vila Parque Jabaquara), que, no entanto, permaneceram praticamente desocupados ou com apenas alguns núcleos isolados até a década de 1950.

Terminal Rodoviário do Jabaquara, uma das três rodoviárias localizadas na cidade de São Paulo
Complexo empresarial do Banco Itaú

Outra valorização posterior veio em 1968, quando começaram as obras da Linha 1-Azul do Metrô de São Paulo. Ficou determinado que a primeira estação da linha seria a estação Jabaquara, inaugurada junto com outras seis estações em 14 de setembro de 1974. O distrito ainda abriga outra estação metroviária (Conceição), também pertencente à Linha 1-Azul. Três anos depois, em 2 de maio de 1977, foi inaugurado o Terminal Rodoviário Intermunicipal Jabaquara, que, por sua localização ao sul da cidade, possui muitas linhas com destino ao litoral sul paulista.[4] Ambas as obras ajudaram no desenvolvimento populacional da região, que hoje conta com mais de 200 000 residentes. A parte comercial também foi desenvolvida e, atualmente, a região conta com, no mínimo, dois polos comerciais importantes: O Centro Empresarial do Aço e a sede do Banco Itaú.[7] Nos limites do distrito, também se encontram a São Paulo Expo e o Centro Paralímpico Brasileiro, maior espaço dedicado ao paradesporto da América Latina, inaugurado em 2016.[8][9] Estima-se que, futuramente, o distrito também seja atendido pela Linha 17-Ouro do monotrilho, onde contaria com cinco estações, sendo uma delas a estação Jabaquara, possibilitando, assim, integração com a Linha 1-Azul.[10] Por enquanto, somente o trecho entre as estações Morumbi e Aeroporto de Congonhas encontra-se em construção atualmente, com previsão de inauguração para 2026, enquanto os trechos até as estações Jabaquara e São Paulo-Morumbi não possuem, sequer, previsão de início para obras.[11]

Localização geográfica

[editar | editar código-fonte]
  • Norte: Avenida dos Bandeirantes e Avenida Afonso D'Escragnolle Taunay
  • Leste: Rodovia dos Imigrantes e Avenida Miguel Estefano
  • Sul: Avenida Cupecê, Rua Juan de la Cruz e Avenida Vereador João de Luca
  • Oeste: Rua Palestina, Avenida Mascote, Rua Palacete das Águias, Rua Rodes, Avenida Santa Catarina, Avenida Doutor Lino de Moraes Leme, Rua General Pantaleão Teles, Aeroporto de Congonhas, Rua Almirante Sousa Braga e Rua Jorge Faleiros

Classes sociais

[editar | editar código-fonte]

O distrito abriga todas as classes sociais, com predominância das classes média e média alta. Nos tempos atuais, é um distrito que vem se consolidando a cada ano, com grandes empreendimentos imobiliários voltados para a classe média e média alta, principalmente nos bairros de Vila Mascote, Cidade Vargas, Vila Guarani, Jardim Prudência e Vila Santa Catarina. Pelo fato de estar em localização privilegiada, conta com duas estações de metrô[2][3] e fica a poucos minutos do Aeroporto de Congonhas. O distrito do Jabaquara também é vizinho de distritos consagrados da cidade de São Paulo, como Saúde e Campo Belo. Todavia, há uma grande presença de favelas em seu território, localizadas, em sua maioria, na região sul do distrito, na divisa com o distrito de Cidade Ademar e o município de Diadema. Tal como em outras favelas do Brasil e do estado de São Paulo, estas passam por graves problemas relacionados à criminalidade, urbanização precária e falta de infraestrutura, das quais decorrem grandes problemas como incêndios, criminosos ou não. Em julho de 2016, um incêndio atingiu a Favela Alba, atingindo e destruindo cerca de 40 casas e matando um jovem de 11 anos de idade.[12] Devido a tais problemas urbanos, prefeituras e governos locais têm incentivado programas de habitação popular, ainda que frequentemente os moradores de favelas reclamem acerca da morosidade dos mesmos.[13]

Acidente com Fokker 100 da TAM

[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Voo TAM 402

No dia 31 de outubro de 1996, o Jabaquara foi palco de um dos maiores acidentes da história da aviação civil brasileira. Na manhã daquele dia, um Fokker 100 da TAM havia decolado do Aeroporto de Congonhas rumo ao Rio de Janeiro, como escala de um voo que havia partido de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e que teria o Aeroporto do Recife como destino.

Logo após a decolagem, o avião apresentou problemas mecânicos que não foram devidamente corrigidos pelos pilotos. Com isso, perdeu altitude e atingiu diversas casas na Rua Luís Orsini de Castro. Com a queda, todas as 96 pessoas a bordo acabaram morrendo, incluindo tripulantes e os pilotos que comandavam a aeronave. Além disso, três pessoas que estavam nas casas atingidas também vieram a falecer no acidente. A causa apontada para a queda foi uma falha no reversor de empuxo, que acabou sendo acionado durante a decolagem, quando na verdade, ele deveria ser acionado no momento do pouso.[14][15]

Dados oficiais

[editar | editar código-fonte]

Dados e informações oficiais, segundo a prefeitura da cidade de São Paulo e o Censo Demográfico de 2000 feito pelo IBGE:[carece de fontes?]

  • Área: 14,10 km²;
  • População: 214 199 habitantes;
  • Taxa de crescimento: 0,20%/ano
  • Densidade demográfica: 15,191 hab/km²
  • Zonas eleitorais: 1 : Jabaquara (320ª);
  • Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ): 54;
  • Grupos de vulnerabilidade: 4;
  • Participação da população de quinze a dezenove anos no total de jovens do município: 1,98;
  • População de jovens de quinze a dezenove anos: 19 633
Casa do Sítio da Ressaca, construída em estilo bandeirista durante o período colonial do Brasil. A construção foi tombada pelo Condephaat em 1972 e pelo Conpresp em 1991 devido ao seu valor histórico e urbanístico
  • Americanópolis
  • Jardim Anchieta
  • Vila Babilônia
  • Jardim Bom Clima
  • Vila Campestre
  • Vila Canaã
  • Vila Capela
  • Vila Celeste
  • Vila Clara
  • Jardim Costa Pereira
  • Jardim Cunha Bueno
  • Cidade Domitila
  • Vila do Encontro
  • Vila Facchini
  • Vila Guarani
  • Jardim Itacolomi
  • Jardim Jabaquara
  • Jabaquara
  • Vila Parque Jabaquara
  • Cidade Leonor
  • Jardim Lourdes
  • Vila Mascote
  • Jardim Mendes Gaia
  • Jardim Metropolitano
  • Vila Mira
  • Jardim Oriental
  • Vila Paulista
  • Vila Santa Catarina
  • Jardim São Martinho
  • Jardim Scaff
  • Jardim Sul São Paulo
  • Cidade Vargas
  • Vila da Várzea[16]

Bens tombados

[editar | editar código-fonte]

Distritos limítrofes

[editar | editar código-fonte]

Municípios limítrofes

[editar | editar código-fonte]

Distritos próximos

[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Quais são os 10 distritos mais populosos de São Paulo?». O Estado de S. Paulo. Consultado em 14 de abril de 2024 
  2. a b Metrô de São Paulo. «Estação Jabaquara». Consultado em 5 de abril de 2019 
  3. a b Metrô de São Paulo. «Estação Conceição». Consultado em 5 de abril de 2019 
  4. a b Terminal Rodoviário do Jabaquara. «Rodoviária do Jabaquara». Consultado em 5 de abril de 2019 
  5. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição. São Paulo: Global, 2005. p. 168
  6. a b «O Jabaquara - O Bairro de Rochas e Buracos». São Paulo In Foco. 21 de outubro de 2013. Consultado em 22 de agosto de 2020 
  7. EXAME. «Por dentro da sede do Itaú em São Paulo». Consultado em 5 de abril de 2019 
  8. «Centro de Exposições Imigrantes (mudou de nome para São Paulo Expo)». Veja São Paulo. Consultado em 25 de maio de 2024 
  9. «Centro Paralímpico foi inaugurado no Jabaquara». Jornal São Paulo Zona Sul. 25 de maio de 2016. Consultado em 25 de maio de 2024 
  10. «Como será a extensão do monotrilho da Linha 17-Ouro até o Jabaquara?». Via Trolebus. 13 de abril de 2021. Consultado em 28 de junho de 2024 
  11. «Linha 17-Ouro do Metrô de SP terá 8 estações, e pode chegar a 17». Gazeta de São Paulo. 17 de junho de 2024. Consultado em 28 de junho de 2024 
  12. Incêndio atinge favela na Zona Sul de São Paulo nesta segunda
  13. Moradores de favela esperam obra e nova casa
  14. «Há 24 anos, o Fokker 100 da TAM caía em um bairro do Jabaquara». Aventuras na História. 31 de outubro de 2020. Consultado em 7 de abril de 2024 
  15. «Com a morte sob as asas: a queda do Fokker-100 da TAM em Congonhas». Superinteressante. Consultado em 7 de abril de 2024 
  16. bol.com.br. «Confira todos os distritos e bairros da zona sul de SP». Bol Notícias. Consultado em 28 de dezembro de 2018 
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Jabaquara (distrito de São Paulo)

Ligações externas

[editar | editar código-fonte]