São Carlos (São Paulo)

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Município de São Carlos
"Capital Nacional da Tecnologia"
"Capital do Conhecimento
"Cidade do Clima"
"Cidade Sorriso"
"Sanca"
"SancaHub""
São Carlos (a partir de cima, esquerda): Catedral de São Carlos, UFSCar, P-47D Thunderbolt e Demoiselle 22 (do Museu TAM), Estação Ferroviária de São Carlos, Parque da Chaminé, Escola Álvaro Guião e um panorama da cidade.

São Carlos (a partir de cima, esquerda): Catedral de São Carlos, UFSCar, P-47D Thunderbolt e Demoiselle 22 (do Museu TAM), Estação Ferroviária de São Carlos, Parque da Chaminé, Escola Álvaro Guião e um panorama da cidade.
Bandeira de São Carlos
Brasão de São Carlos
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 4 de novembro
Fundação 04 de novembro de 1857 (159 anos)
Gentílico são-carlense ou carlopolitano
Lema A bandeirantibus venio
"Procedo dos bandeirantes"
Padroeiro(a) São Carlos
Prefeito(a) Airton Garcia (PSB)
(2017–2020)
Localização
Localização de São Carlos
Localização de São Carlos em São Paulo
São Carlos está localizado em: Brasil
São Carlos
Localização de São Carlos no Brasil
22° 01' 04" S 47° 53' 27" O22° 01' 04" S 47° 53' 27" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Araraquara IBGE/2008[1]
Microrregião São Carlos IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Norte: Rincão, Luís Antônio, Santa Lúcia
Sul: Ribeirão Bonito, Brotas, Itirapina
Leste: Descalvado, Analândia
Oeste: Ibaté, Araraquara, Américo Brasiliense
Distância até a capital 230 km[2]
Características geográficas
Área 1 137,332 km² [3]
Distritos São Carlos (sede), Água Vermelha, Santa Eudóxia e Bela Vista São-carlense[4]
População 246 088 hab. (SP: 31º) –  IBGE/2017[[46]]
Densidade 216,37 hab./km²
Altitude 856 m
Clima tropical de altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,805 (SP: 18º) – muito alto PNUD/2010[5]
PIB R$ 9 796 013 mil IBGE/2014 [47]
PIB per capita R$ 40,994 71 IBGE/2014[48]
Página oficial
Prefeitura www.saocarlos.sp.gov.br
Câmara www.camarasaocarlos.sp.gov.br

São Carlos é um município brasileiro localizado no interior do estado de São Paulo, na região Centro-Leste, e a uma distância rodoviária de 230 quilômetros da capital paulista. Com uma população recenseada em 246.088 habitantes (IBGE/2017), distribuídos em uma área total de 1.137.332 km², é a 13ª maior cidade do interior do estado em número de residentes.

A cidade é um importante centro regional industrial[6], com a economia fundamentada em atividades industriais e na agropecuária (neste setor, destaca-se a produção de cana-de-açúcar, laranja, leite e frango). Servida por vários sistemas rodoviário e ferroviário, São Carlos conta com uma unidade comercial da multinacional Suíça Leica-Geosystems[7] e com unidades de produção de algumas empresas multinacionais, dentre as quais a Volkswagen[8], Faber-Castell (a subsidiária são-carlense é a maior do grupo em todo o mundo, produzindo 1,5 bilhão de lápis por ano)[9], Electrolux[10] Tecumseh[11], Husqvarna[12], LATAM MRO[13], Serasa Experian[14] e Grupo Segurador BB-MAPFRE[15]. Algumas unidades de produção de empresas nacionais, dentre as quais Toalhas São Carlos[16], Tapetes São Carlos[17], Papel São Carlos[18], Prominas Brasil[19], Opto Eletrônica[20], Latina[21], Engemasa[22], Apramed[23] e Piccin[24].

Atendendo às necessidades locais, e, em certos aspectos, regionais, há uma rede de comércio e serviços distribuída em lojas de rua, postos de conveniência e um shopping center da rede Iguatemi. No campo de pesquisas, além das universidades, estão presentes no município dois centros de desenvolvimento técnico da Embrapa.

Os dois campi da Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e a FATEC, além de uma instituição de ensino superior particular, o Centro Universitário Central Paulista (UNICEP), assim tornam intensa a atividade universitária no município, que conta com uma população flutuante de mais de vinte e nove mil graduandos e pós-graduandos[25][26][27][28], boa parte atraída de outras cidades e estados.

História[editar | editar código-fonte]

Conde do Pinhal, um dos fundadores de São Carlos.

São Carlos foi fundada na segunda metade da década de 1850, por iniciativas de Antônio Carlos de Arruda Botelho (Conde do Pinhal) e Jesuíno José Soares de Arruda[29], localizada num caminho que levava às minas de ouro de Cuiabá e Goiás, saindo de Piracicaba. As povoações mais próximas neste caminho eram, à época, Rio Claro, na depressão periférica, e, subindo as escarpas das encostas do planalto, Araraquara.[30]  

Originalmente era habitada por indígenas, provavelmente guaianases, os quais foram exterminados ou expulsos e são possivelmente responsáveis pela introdução de pinhais de araucária na região.[30] Entretanto, existe também a hipótese de a espécie ser de ocorrência natural.[31] O território seria ocupado no século XIX por posseiros, pequenos proprietários de terra caboclos. Dentre estes, talvez o mais ilustre tenha sido um certo Gregório, que por volta de 1831 residia à beira de um riacho que corta a cidade e herda seu nome, o córrego do Gregório.[30]

O atual município engloba terras das antigas sesmarias do Pinhal, do Monjolinho e do Quilombo. A sesmaria do Pinhal origina-se de uma doação de terras em 1781 ao cirurgião-mor do Regimento de Voluntários Reais de São Paulo, o qual as vendeu em 1786 a Carlos Bartholomeu de Arruda. No entanto, a sesmaria só seria demarcada em 1831, a pedido de seu filho, Carlos José Botelho, pai do futuro Conde do Pinhal.[30] Já as sesmarias do Monjolinho e do Quilombo foram demarcadas em 1810 e 1812.[32]

Com a ocupação das sesmarias por grandes fazendeiros, que utilizavam mão-de-obra escrava, os antigos posseiros, com poucas condições de legalizar suas terras, foram expulsos ou absorvidos às novas propriedades.[30]

Casa do Pinhal, no sudeste do município.

A data histórica atribuída a fundação é o dia 4 de novembro de 1857, dia de São Carlos Borromeu, padroeiro da cidade, ao qual foi dedicada uma capela que começou a ser erigida em 1856, solicitada por Jesuíno de Arruda, proprietário de terras na sesmaria do Pinhal. Inicialmente, sua construção foi planejada numa fazenda na sesmaria do Monjolinho, porém, por rejeição de seu proprietário, João Alves de Oliveira, que temia que o povoado nascente distraísse seus escravos, a capela foi construída na sesmaria do Pinhal. São Carlos foi o santo escolhido por ser o nome predominante na família Botelho, desde suas origens em Portugal. Não há, entretanto, um consenso sobre a verdadeira data de fundação e o real fundador da cidade (Jesuíno de Arruda ou a família Botelho), pelo fato de o conceito de fundação variar de acordo com os vários critérios usados: erigir uma capela, doar um terreno para o patrimônio público, erigir as primeiras casas de telha, algum ato de desprendimento e benevolência dos poderosos da época, etc.[30]

Ainda em 1857, é criado o distrito de paz de São Carlos do Pinhal, elevado a freguesia em 1858.[30] Em março de 1865, desmembrando-se de Araraquara, o povoado tornou-se vila (correspondente à atual divisão administrativa de município), com o nome de São Carlos do Pinhal. Em setembro do mesmo ano, foi empossada a Câmara Municipal.[30] Em 1880, a vila foi elevada a cidade (à época, um título honorífico),[33] e é criada também a comarca de São Carlos, instalada em 1882.[34]

Sua denominação foi reduzida de "São Carlos do Pinhal" a "São Carlos" no ano de 1908.[35][36] O município é conhecido também pelo nome de "Cidade do Clima", devido ao clima seco e ameno. Hoje é conhecida como a "Capital da Tecnologia" ou simplesmente "Sanca"[37].

O atual território de São Carlos foi desmembrado sucessivamente dos municípios de São Paulo (1558-1625), Santana de Parnaíba (1625-1654), Nossa Senhora da Candelária de Itu (atual Itu, 1654-1822), Vila Nova da Constituição (atual Piracicaba, 1822-1833) e São Bento de Araraquara (atual Araraquara, 1833-1865). Em 1953, Ibaté foi desmembrado do município.[38]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é tropical de altitude com inverno seco (Köppen: Cwa), com temperatura média mínima de 15,5 °C e máxima de 26,4 °C.

  • Temperaturas
    • Média anual: 20,5 °C
    • Mês mais quente fevereiro (22,7 °C)
    • Mês mais frio: julho (17,3 °C)
  • Clima
    • Tropical de altitude: verão chuvoso e inverno seco.
    • Precipitação: 1548 mm.
  • Umidade relativa do ar:
    • Verão: 76%
    • Inverno: 54%

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1961 a menor temperatura registrada em São Carlos (estação convencional) foi de -1 °C em 17 de julho de 2000, seguido por -0,1 °C em 18 de julho de 1975,[39] e a maior atingiu 37,9 °C em 18 de outubro de 2014.[40] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 143,1 mm em 13 de fevereiro de 1980. Outros grandes acumulados foram 127,9 mm em 23 de fevereiro de 1965, 118,9 mm em 3 de fevereiro de 1996, 118 mm em 13 de janeiro de 2013, 113,4 mm em 16 de dezembro de 2002, 112,7 mm em 26 de fevereiro de 2004, 102,9 mm em 24 de fevereiro de 1993 e 100 mm em 12 de janeiro de 2011.[41] O menor índice de umidade relativa do ar foi de 14%, registrado em agosto de 2003, nos dias 20 e 22 do referido mês.[42]

Dados climatológicos para São Carlos
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima absoluta (°C) 35,7 37,6 33,8 32,4 30,5 29,3 30,8 33,4 36 37,9 34,8 34,4 37,9
Temperatura máxima média (°C) 27,9 28 28 26,7 24,5 23,5 23,8 26 27 27,3 27,5 26,9 26,4
Temperatura média (°C) 22,4 22,7 22,4 20,8 18,5 17,3 17,3 19,1 20,2 21,2 21,7 20,9 20,5
Temperatura mínima média (°C) 18,1 18,3 17,7 16 13,7 12,4 12,1 13,5 14,8 15,7 16,5 17,6 15,5
Temperatura mínima absoluta (°C) 8 8 6 3,9 3,5 1,2 -1 0 3,8 2,4 6 8 -1
Precipitação (mm) 270,6 200,5 187,2 71,9 66,3 39 35,7 34,7 65,5 136,1 163,9 276,9 1 548,3
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 16 14 12 6 5 4 3 3 6 10 12 15 106
Umidade relativa (%) 76 75 73 68 67 66 61 54 58 68,8 67 73 67,2
Horas de sol 183,2 182,3 199,5 197,8 215,2 206,4 237,2 223,7 184,1 210,7 190,3 154,3 2 384,7
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (normal climatológica de 1961 a 1990;[43][44][45][46][47][48][49] recordes de temperatura: 1961-presente).[39][40]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rio Monjolinho

O município está inserido entre duas Unidades Hidrográficas de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHI): a nº 9, Mogi-Guaçu, e a nº 13, Tietê-Jacaré. A área urbana encontra-se, principalmente, na bacia hidrográfica do rio Monjolinho, incluída, serialmente, nas bacias dos rios Jacaré-Guaçu, Tietê, Paraná e rio da Prata.[50]

A área urbana é cortada pelos rios Monjolinho, Gregório e Santa Maria do Leme, e pelos córregos Tijuco Preto, Simeão, Água Quente e Água Fria, dentre outros. As principais bacias do município são:

Geologia, geomorfologia e pedologia[editar | editar código-fonte]

O município está incluído na província geomorfológica das cuestas basálticas e de arenito, entre as províncias do Planalto Ocidental (ao norte) e a Depressão Periférica Paulista (ao sul).[51]

Em São Carlos, incluído na Bacia do Paraná, são encontrados afloramentos das seguintes formações geológicas:[52][51]

  • Bauru (Grupo Bauru), no reverso das cuestas (Planalto de São Carlos), onde se localiza a maior parcela do núcleo urbano, mais ao norte,
  • Serra Geral (Grupo São Bento), na estreita região das cuestas onde ocorre quebra de relevo (encostas),
  • Botucatu (Grupo São Bento), que contém a parte baixa das cuestas, mais ao sul, além de incluir o Aquífero Guarani.

O solo do município é constituído principalmente por:[53]

  • Latossolo Vermelho-Amarelo (LV),
  • Latossolo Roxo (LR),
  • Areia Quartzosa Profunda (AQ),
  • Latossolo Vermelho-Escuro (LE),
  • Terra Roxa Estruturada (TE),
  • Solo Litólico (Li),
  • Solo Hidromórfico (Hi) e
  • Solo Podzólico (PV)

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação original do município, e os respectivos remanescentes, correspondem respectivamente a:[31]

Hoje, boa parte da vegetação foi substituída por plantações ou pastos.[54] Cabe lembrar que, entretanto, as proporções acima indicadas, em parte obtidas a partir de interpretações de imagens de satélite, possuem certa incerteza, pela dificuldade de se diferenciar pastos artificiais de campos limpos naturais.

Outros dados[editar | editar código-fonte]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Histórico populacional
ano População

1920 54.225
1930 44.978
1934 51.000
1940 48.609
1950 47.731
1960 61.287[56]
1970 85.425
1980 119.535
1991 158.221
1996 175.517
2000 192.998
2002 204.354
2004 210.986
2007 212.956[57]
2008 218.080[58]
2009 220.463[59]
2010 221.950
2011 224.172
2012 226.322
2013 236.457
2014 238.958
2015 241.389
2016 243.765

O crescimento da população foi grande desde o século XIX, a partir de 1872. Em 1874 a cidade possuía 6.897 habitantes; em 1881, aproximadamente 10.000 habitantes. Com o começo da imigração italiana, em 1886, a população chegou a 16.104 habitantes (tendo 1050 imigrantes italianos, ou 6,5% da pop. total[60]), e, no fim do século, em 1899, contabilizava 10.396 imigrantes italianos, sendo a segunda maior imigração do estado. Por isso, era conhecida na Itália como "Piccola Italia"[61].

No século XX, o crescimento da população (a partir de 1950) foi resultado da industrialização e da consequente migração de outras regiões do estado e do país. Em decorrência, a partir de 1991, o crescimento demográfico vem sendo muito grande e rápido (de acordo com IBGE). E as novas pesquisas tem mostrado que a migração aumentou.

Na cidade, a população (de acordo com o censo de 2000), mostra considerável número de famílias e pessoas individualmente que migraram de outras regiões (ver quadro ao lado).

Dados recentes

Povoamento do município[editar | editar código-fonte]

Até o final do século XIX, a maioria da população de São Carlos era não branca, sendo que em 1886, negros, pardos e caboclos compunham 55% da população e os brancos somente 45%. Dos 5.950 negros e pardos existentes naquele ano no município, 2.987 eram escravos e 1.277 "ingênuos", filhos livres de mães escravas que, até os 21 anos, deveriam prestar serviços aos senhores, conforme disposto na Lei Rio Branco, de 1871. Ou seja, 71,6% dos negros e pardos do município eram escravos ou ingênuos. O grande número de escravos e filhos de escravos em São Carlos é explicado por tratar-se de uma região de fronteira de próspera expansão da cultura do café.[68]

Com o processo de abolição da escravatura, a imigração para São Carlos cresceu enormemente, visando a substituição da mão de obra escrava por trabalhadores livres estrangeiros. Isso acarretou num processo de "branqueamento" da população local, pois em 1907 os brancos já constituíam a maioria, devido sobretudo à imigração italiana. Entre 1887 e 1907, o número de italianos no município aumentou dez vezes e o de outros estrangeiros, sobretudo portugueses e espanhóis, aumentou quatro vezes.[68] Em 1907, os 15.247 estrangeiros registrados compunham 40% da população de São Carlos, sendo que o impacto da imigração era muito maior, levando-se em conta que os filhos de estrangeiros nascidos no Brasil eram contados como brasileiros. Por outro lado, a população não branca diminuiu no município, sendo que negros e mulatos constituíam 12,5% dos habitantes. Os caboclos, descendentes aculturados de indígenas, foram eliminados do censo de 1907 e, supõem-se que alguns deles devem ter saído do município, enquanto muitos devem ter sido classificados como mulatos e alguns como brancos ou negros.[68]

Por volta de 1900, a maioria dos casamentos realizados em São Carlos envolviam cônjuges imigrantes e quase 90% das crianças nascidas no município eram filhas de pais estrangeiros. Entre 1898 e 1918, em torno de 60% das crianças nasciam de pais estrangeiros, sendo que só a partir da década de 1920 é que a maioria dos pais já eram nascidos no Brasil.[69] Os censos de 1886 e 1907 mostram que a imigração estrangeira acarretou numa mudança radical na composição étnica de São Carlos:[68]

Grupo 1886 1907
Pretos 24,8% 9,9%
Pardos 12,2% n/d
Mulatos n/d 2,6%
Caboclos 18% n/d
Brancos brasileiros 32,3% 48,1%
Italianos 6,5% 29,3%
Portugueses 2,9% 4,3%
Espanhóis 0,7% 4,3%
Alemães 2,3% 0,5%
Outros imigrantes 0,2% 1,1%

Na década de 1930, a imigração estrangeira decresceu, devido à crise cafeeira e, após 1934, pelas políticas restritivas do governo, que passou a estabelecer cotas de imigração. Assim, os imigrantes e seus descendentes foram sendo substituídos por trabalhadores vindos dos estados do Nordeste e de Minas Gerais.[68] A maioria desses migrantes eram mulatos ou mestiços.[70]

Grupos étnicos[editar | editar código-fonte]

A população é composta principalmente por italianos, portugueses, indígenas, espanhóis, sírios-libaneses, africanos, alemães, e japoneses, embora muitos tenham origem mista.

Em 2010:[71]

Etnia Percentagem
Brancos 72,34%
Negros 5,28%
Pardos 21,56%
Amarelos 0,74%
Indígenas 0,09

Religião[editar | editar código-fonte]

Proporções das denominações em 2010:[72]

Religião Porcentagem Número
Católicos 65,56% 145.519
Protestantes 21,15% 46.941
Sem religião 6,06% 13.446
Espíritas 3,73% 8.269
Budistas 0,11% 247
Umbandistas 0,26% 522
Judeus 0,02% 45

Primeiras entidades e espaços religiosos do município:[73]

Igreja Católica[editar | editar código-fonte]

Catedral de São Carlos Borromeu
Ver artigo principal: Diocese de São Carlos
Ver artigo principal: Paróquias da Diocese

O município é sede da Diocese de São Carlos (criada em 1 de março de 1908), abrangendo hoje, vinte e nove municípios da região central do estado paulista em cinco Regiões Pastorais. Compreende 70 paróquias, 14 quase-paróquias, duas capelas, uma diaconia e a Catedral.

A Igreja local conta com os Irmãos Lassalistas desde 1957. Atualmente os Lassalistas administram o Colégio La Salle São Carlos, referência em educação humana e cristã.[89]

Conta também com a presença da congregação dos Salesianos de Dom Bosco que tem uma presença significativa na cidade com uma obra social, o Educandário (1947), atendendo em média quatrocentas crianças, as medidas socioeducativas ("LA" - Liberdade Assistida , "NAI" - Núcleo de Atendimento Integrado),[90][91] Escolinha de Futebol, Iniciação Profissional, Alfabetização de Jovens e Adultos, Programas de Apoio Sócio-familiar, com sete Oratórios Festivos (atende as crianças e jovens nos finais de semana com atividades esportivas, recreativas e religiosas), com o noviciado (fase mais importante da formação do seminário salesiano) e com uma Paróquia (Nossa Senhora Auxiliadora).

Política[editar | editar código-fonte]

Administração pública[editar | editar código-fonte]

A cidade contou com algumas iniciativas pioneiras no campo da contabilidade pública brasileira, no final do século XIX, com a vinda do polonês Estanislau Kruszynski.[92][93]

Poder Executivo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Prefeitos de São Carlos

Gestão atual:

Sedes da Prefeitura:

  • Inicialmente, de 1865 a meados do século XX, não havia ainda a figura do prefeito, mas sim presidentes da Câmara (1865-1890), presidentes do Conselho de Intendência (1890-1892) e intendentes (1892-1908). Mesmo com a criação do cargo de prefeito, em 1908, no início, não havia ainda uma delimitação clara entre o poder municipal legislativo e o executivo. Portanto, nesta época, a "sede" da Prefeitura corresponderia à própria Câmara (ver abaixo).[94]
  • Palacete Conde do Pinhal (meados do século XX-2008)
  • Edifício Sesquicentenário (desde 2008), antigo Hotel Municipal

Poder Legislativo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Câmara Municipal de São Carlos

O Poder Legislativo é representado pela câmara municipal, composta por vinte e um vereadores com mandato de 4 anos. Cabe aos vereadores na Câmara Municipal de São Carlos, especialmente fiscalizar o orçamento do município, além de elaborar projetos de lei fundamentais à administração, ao Executivo e principalmente para beneficiar a comunidade.

Desde a sua criação, a Câmara teve várias sedes:[34][95]

  • Residências diversas (1865-1884)
  • Edifício do Largo Municipal (1884-1921, demolido em 1926)
  • Palacete Conde do Pinhal (1921-1952)
  • Edifício Euclides da Cunha (desde 1952)

Poder Judiciário[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Poder Judiciário

O Poder Judiciário na comarca de São Carlos (instalada em 1882) é representado pelos:[96]

  • Fórum Criminal, da Justiça Estadual, com três varas, Tribunal do Juri, Juizado Especial Criminal e Vara da Infância e Juventude,
  • Fórum Cível, da Justiça Estadual, com cinco varas, Juizado Especial Cível e Serviço Anexo da Fazenda,
  • Fórum Trabalhista, da Justiça do Trabalho (presente desde 1962), com duas varas,
  • Fórum da Justiça Federal, com três varas federais, sendo 2 Varas Federais e a Vara do Juizado Especial Federal.[97][98]
  • Cartório Eleitoral, da Justiça Eleitoral

Inicialmente, a cidade possuía apenas um Fórum, que funcionava no atual Edifício Euclides da Cunha (1900-anos 1950). Em 1959, é inaugurado o Fórum da rua Conde do Pinhal (Fórum Dr. Alfredo Ellis Jr.), no local do antigo Casarão Mattos, imóvel que abrigara a seção jurídica da cidade, e também um parque infantil. Em 1992, é inaugurado o Fórum Cível, chamado Desembargador Ulysses Doria, na rua Sorbonne, ficando o antigo imóvel como sede do Fórum Criminal.[99][100][95] A unidade da Justiça Federal foi inaugurada em 2005.[101]

Outros[editar | editar código-fonte]

O município possui ainda unidades:

  • da Procuradoria da República, do Ministério Público Federal (instalada em 2003, nova sede em 2008)[102]
  • da Procuradoria Geral do Estado (2012)[103]
  • da Promotoria de Justiça, do Ministério Público Estadual (2012)
  • da Defensoria Pública do Estado (2016)
  • da Receita Federal (nova sede em 2016)

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Cidades-irmãs é uma iniciativa do Núcleo das Relações Internacionais da Prefeitura de São Carlos, que busca a integração entre a cidade e demais municípios nacionais e estrangeiros.

A integração entre os municípios é firmada por meio de convênios de cooperação, que têm o objetivo de assegurar a manutenção da paz entre os povos, baseada na fraternidade, felicidade, amizade e respeito recíproco entre as nações.

São Carlos possui oficialmente quatro cidades-irmãs[104][105]:

Economia[editar | editar código-fonte]

A primeira iniciativa de usar um sistema bancário na cidade é de 1869, porém apenas em 1892 passariam a funcionar bancos na cidade, o Banco União de São Carlos e o Banco de São Carlos.[106][107]

São Carlos hoje tem um perfil industrial ativo, possuindo unidades de produção de várias empresas multinacionais. Em contrapartida, o setor agrícola mantém-se ativo, com a produção de leite e laticínios, cana-de-açúcar e laranjas, entre outros produtos.

Destacam-se entre as grandes unidades industriais, as fábricas da Volkswagen, Faber-Castell, Electrolux, Tecumseh do Brasil, Husqvarna, Toalhas São Carlos, Tapetes São Carlos, Papel São Carlos, Prominas Brasil, Opto Eletrônica, Latina, Sixtron Company. A cidade possui ainda o LATAM MRO, localizado na antiga fábrica da Companhia Brasileira de Tratores (CBT).

Parque tecnológico[editar | editar código-fonte]

Visão da zona central

A característica educacional dá à cidade ainda outro título: "Atenas Paulista". Isto faz de São Carlos um importante polo tecnológico, educacional e científico[108][109].

Privilegiada por sua localização, próximo ao centro geométrico do estado de São Paulo, São Carlos situa-se em uma região muito procurada para aplicação de capitais por ter grande capacidade de absorver os investimentos e beneficiada por rodovias e ferrovias.

O Polo de Alta Tecnologia teve início na segunda metade do século XX; mais tarde, a cidade foi confirmada como polo industrial do interior do estado, juntamente com cidades como Campinas, Sertãozinho, Franca, São José dos Campos, Santos e Ribeirão Preto, entre outras.

A presença de duas universidades finalmente catalisou a instalação de um parque de alta tecnologia, formado por duas unidades da EMBRAPA, pelo CEAT (Centro Empresarial de Alta Tecnologia), Citesc (Centro de Inovaçãoe Tecnologia São Carlos),a incubadora de empresas (CEDIN-Centro de Desenvolvimento de Indústrias Nascentes)e o Instituto Inova, gestor do Parque EcoTecnológico Damha. A cidade conta também com o ParqTec, nele encontra-se o Science Park que já conta com duas multinacionais, a suíça Leica Geosystems e a israelense Amdocs.[110][111]

Comércio[editar | editar código-fonte]

Visão do Iguatemi Shopping
  • Shopping Iguatemi: a cidade conta com um shopping center de 105 lojas, o Iguatemi São Carlos, que conta com âncoras conhecidas como a Lojas Riachuelo, Pernambucanas, C&A, Lojas Renner, Extra (varejo), Ponto Frio e a Paquetá Esportes, entre outras lojas como Lojas Marisa e a Companhia Hering.
  • São Carlos Shopping: em 2012, o Grupo Encalso comprou área da antiga Faber Castell no centro da cidade e a obra terá 27 mil metros quadrados em dois edifícios, sendo que uma parte será residencial, com 178 apartamentos, deck park e a outra, abrigará o Shopping Center, além de um hotel. O São Carlos Shopping terá 202 lojas, sendo 6 delas âncoras, distribuídas em 4 pisos e em 25.875m2 de ABL. O shopping terá ainda aproximadamente 1900 vagas de estacionamento. Ás obras começaram em Junho de 2014 e tem previsão de término em outubro de 2016.[112][113]
  • Passeio São Carlos: centro de compras com mais de 13 mil metros quadrados de Área Bruta Locável e 450 vagas de estacionamento. Localizado próximo ao campus I da USP, na Marginal Francisco Pereira Lopes, que concentra grande fluxo de carros e pessoas em todos os horários do dia, o Passeio São Carlos está inserido numa das melhores regiões da cidade, com mais de 16 mil domicílios com renda média familiar superior a 6 mil reais em sua área primária. O centro comercial conta com 1 supermercado da rede Savegnago, 1 Home Center Telhanorte, 1 Drive Thru (Burger King), Praça de Alimentação e 35 lojas.[49]
  • BestCenter São Carlos: em 2014 a BestCenter incorporadora e administradora de imóveis anunciou a construção de um novo modelo de centros de conveniência em São Carlos. Estes BestCenters são ancorados por empresas como a rede Dia de supermercados, o Extra minimercado, Burger King, McDonald’s e Americanas Express. Outros parceiros incluem o Subway, a Hering Store, a Raia Drogasil, Livraria Nobel, Fototica, O Boticário, Cacau Show e a Leader. Em 2015 a incorporadora anunciou a compra de outro terreno na cidade, localizado na av. XV de Novembro, para a construção de mais um centro de compras.
    • BestCenter - Miguel Petroni: a primeira unidade da BestCenter será construída na rua Miguel Petroni, 4.293. Contará com 22 lojas modulares com diversas metragens, e aproximadamente 50 vagas de estacionamento. A previsão de entrega é de até um ano após a aprovação do projeto, que aconteceu em Julho de 2015.[114][115][116]
    • BestCenter - XV de Novembro: a Best Center localizada na rua XV de novembro, nº 3076, contará com dezesseis lojas e 43 vagas de estacionamento, porém ainda não possui data de inauguração divulgada.
  • Galerias:
    • Galeria Dubai com 36 lojas, que fica localizada na Vila Prado, próximo a UPA daquela região
    • América Shopping Mall que conta com 26 lojas, fica localizado no Santa Felícia, próximo a UPA
    • Estação Damha Mall, conta com 22 lojas dos mais diversos tipos, este fica localizado na região da ABASC

Cultura, lazer e turismo[editar | editar código-fonte]

A cidade conta com várias opções de cultura, entretanto, a maioria dos equipamentos públicos se encontra na região central.[117] Com relação às políticas de fomento à cultura, as duas universidades públicas vêm desempenhando um papel importante por meio de projetos de extensão,[118] como o festival Contato (desde 2006),[119] e o projeto Contribuinte da Cultura (desde 1999),[120] que organiza anualmente o festival Chorando sem Parar (desde 2004).[121]

Nos últimos anos, entretanto, a cidade passou por alguns reveses na área, como: a descontinuidade dos Pontos de Cultura (2012-2013),[122][123] fechamento do Museu TAM (2006-2014),[124] do Espaço Cultural Acervo Antônio Ibaixe (2013-2016),[125] da Oficina Cultural Sérgio Buarque de Holanda (1990-2017),[126] da Pinacoteca Municipal (2012-2017, desalojada para a BPMAA),[127] e a descontinuidade da Casa da Cultura Prof. Vicente Camargo (1982-2007, prédio que abrigava a BPMAA, remanejado para órgãos administrativos).

Na área do lazer, falta, ainda hoje, uma política pública consistente, que não se limite a atividades esportivas.[128] Na área do turismo, há potencial em campos como o do turismo histórico e rural, mas até recentemente faltavam iniciativas organizadas.[129][130] Em 2017, no novo Mapa do Turismo Brasileiro, a cidade foi incluída na Região Turística Histórias e Vales,[131] havendo a elaboração de um plano regional de turismo.[132]

Artes[editar | editar código-fonte]

  • Teatro:
  • Cinema:
    • A primeira exibição de cinema na cidade ocorreu em 1897[134]
    • Cine Iguatemi (1997, três salas)
    • Cine São Carlos (reinaugurado em 2008, duas salas)
    • Programação esporádica do SESC, Sesi, Cine UFSCar, Cineclube do CDCC/USP
    • Projeto Cinema para Todos (em todos os lugares, todos os dias da semana), projeto em parceria entre Prefeitura com Vídeo 21, CDCC, CINEUFScar e SESC[135].
  • Outros espaços culturais (exposições, música)
    • Conservatório Musical de São Carlos (1947-1991)
    • Escola Livre de Música Maestro João Seppe (2004)
    • Centro Municipal de Cultura Afro-Brasileira Odette dos Santos (2006)
    • Centro Cultural Espaço 7 (2007)[136]
    • Instituto Cultural Janela Aberta (2007)[137]

Bibliotecas[editar | editar código-fonte]

Serviço com espaço para leitura e estudo, acesso à internet, exposição, palestras e eventos culturais diversos:

  • Bibliotecas do Sistema Integrado de Bibliotecas do Município de São Carlos (SIBI):[138]
    • Biblioteca Pública Municipal Amadeu Amaral - Centro da Cidade
    • Biblioteca Pública Municipal Euclides da Cunha - Vila Prado
    • Biblioteca Pública Distrital Armazém Cultura - Distrito de Água Vermelha
    • Biblioteca Escola do Futuro EMEB Dalila Galli - Joquéi Clube
    • Biblioteca Escola do Futuro EMEB Prof. Afonso Fioca Vitali - Cidade Aracy I
    • Biblioteca Escola do Futuro EMEB Antonio Stella Moruzzi - Jardim Tangará
    • Biblioteca Escola do Futuro EMEB Janete Maria Martinelli Lia - Pacaembu
    • Biblioteca Escola do Futuro EMEB Prof. Angelina Dagnone de Melo - Santa Felícia
    • Biblioteca Escola do Futuro EMEB Prof. Maria Ermantina Carvalho Tarpani - Botafogo
    • Biblioteca Escola do Futuro EMEB Arthur Natalino Deriggi - Cidade Aracy II
    • Biblioteca Escola do Futuro EMEB Carmine Botta - Redenção
  • Biblioteca Comunitária da UFSCar
  • Bibliotecas da USP
  • Biblioteca do Sesc

Museus[editar | editar código-fonte]

Fazendas e sítios históricos[editar | editar código-fonte]

  • Fazenda Pinhal - km 4,5 da (SPA-149) Rodovia Municipal Domingos Innocentini e acessar (SCA-276).
  • Fazenda Iolanda (Restaurante Iolanda) - km 4,5 da (SPA-149) Rodovia Municipal Domingos Innocentini e acessar (SCA-276).
  • Fazenda Paulo Botelho (Tulha Paulo Botelho) - km 6 da (SPA-149) Rodovia Municipal Domingos Innocentini com acesso à esquerda.
  • Fazenda Santa Maria do Monjolinho - km 158 da (SP-215) Rodovia Luís Augusto de Oliveira.
  • Fazenda Vale do Quilombo -
  • Fazenda São Roberto - km 245 da (SP-318) Rodovia Engenheiro Thales de Lorena Peixoto Junior e (SCA-329) EM Abel Terrugi até Santa Eudóxia.
  • Fazenda Lenda D'Água - km 11 da (SCA-334) EM da Babilônia.
  • Sítio São Joaquim -
  • Sítio São João - km 7,8 Rodovia Municipal Domingos Innocentini à esquerda, mais 5 km de terra. Projetos de recuperação de áreas degradadas, principalmente da micro-bacia do Ribeirão Feijão e Programa de Educação Ambiental "Amigos do Ribeirão Feijão" com trilhas ecológicas, oficinas, brincadeiras, dinâmicas, cursos, cursos de férias com acampamento e aulas práticas, para Educadores Ambientais, Produtores Rurais, Alunos e Professores de escolas estaduais, municipais e particulares de São Carlos e Região.[140]

Atrativos naturais[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Parques e praças de São Carlos
  • Horto Florestal Municipal Navarro de Andrade (1953) - Preservação de matas ciliares e trilha de 400 m.
  • Parque Ecológico de São Carlos Dr. Antônio Teixeira Viana (1976),[141][142] com zoológico, educação ambiental e preservação.
  • Pista da Saúde da UFSCar (1980) - Bosque com percurso de 2.000 m, sinalização de exercícios apropriados a cada 100 m.
  • Bosque Santa Marta (1985) - Com uma trilha com percurso de 1.500 m.

Eventos[editar | editar código-fonte]

Além de encontros acadêmicos regulares, nas universidades, a cidade possui um calendário de eventos anuais, incluindo, por exemplo:[143]

  • Festa do Clima (desde 1961): realizada anualmente no mês de abril, com uma tradicional Exposição de Orquídeas, shows, artesanato e barracas de comidas diversas.
  • Tusca (desde 1979): ver abaixo.
  • Festival Chorando Sem Parar (desde 2004): festival de choro.
  • Festival Contato (desde 2006): evento multimídia.
  • Matsuri (desde 2007): festa tradicional da Cultura Japonesa.

Festas universitárias[editar | editar código-fonte]

Por abrigar duas universidades de alta captação universitária e renome no Brasil, USP e UFSCar, São Carlos apresenta um alto número de festas universitárias.[144]

A Taça Universitária de São Carlos (Tusca, antigo Torneio Universitário de São Carlos) é a maior e mais antiga competição universitária e poliesportiva do Brasil que ocorre na cidade de São Carlos, no estado de São Paulo.

É organizada pela Associação Atlética Acadêmica da UFSCar (A.A.A.UFSCar) e pela Associação Atlética Acadêmica Campus de São Carlos USP (A.A.a.C.S.C. - USP, conhecida também como Atlética Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira-CAASO), com data definida em conjunto com a prefeitura municipal de São Carlos,1 com finalidade de estimular a prática saudável do esporte, bem como a integração entre os participantes.

Em 2010 o TUSCA, que acontece há trinta anos na cidade, foi incluída no calendário de eventos oficiais da cidade de São Carlos pela Lei Municipal Nº 15.246 - de autoria do vereador Lineu Navarro - de 8 de Abril de 2010. 

O TUSCA é a maior festa da cidade, reunindo cerca de 50.000 pessoas.4 O torneio, que acontece anualmente e tem duração de quatro dias, reúne as duas grandes universidades da cidade: USP e UFSCar, outras faculdades convidadas participam do torneio e são escolhidas pela organização anualmente. 

O evento movimenta a economia da cidade em cerca de 5 milhões de reais5 e envolve unidades de UTI Móvel, Ambulância de Suporte Básico e uma equipe composta por médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e guarda-vidas. Para manter a ordem, a organização do evento contrata equipes de seguranças particulares e a Guarda Universitária da Universidade de São Paulo também participa do esquema de segurança.

São colocados à disposição dos participantes banheiros químicos e um esquema de saúde é preparado no município para estar de prontidão com o SAMU, o Hospital–Escola e a Santa Casa de Misericórdia, assim como os ambulatórios terceirizados contratados pelas atléticas.

Desde 2012 para a abertura do evento foi realizada uma micareta com a presença de mais de 6 mil pessoas na região do Distrito Industrial. Um trio elétrico percorreu um trecho de quase dois quilômetros. Toda a infraestrutura, como bares, banheiros e pontos de atendimento médico, estavam a disposição dos participantes.

Já no ano de 2013 o evento foi centralizado em uma única área com toda a infraestrutura necessária para a realização do evento que faz parte do calendário oficial da cidade, trazendo assim maior segurança aos participantes. 

Clubes e equipes[editar | editar código-fonte]

Represa do Broa

Equipes profissionais importantes da cidade, que atuam em cinco modalidades esportivas, são descritas no quadro abaixo.

Clube Esporte Liga Estádio / Ginásio Fundação Títulos
Rugby São Carlos Rugby Confederação Brasileira de Rugby Estádio da USP e
Campo de Água Vermelha
2000 campeão paulista do interior 2006
Campeão Paulista - Divisão de Acesso 2014
São Carlos Bulldogs Futebol Americano (FLAG) Liga Paulista de Futebol Americano Estádio da USP 2013 Campeão Invicto 2014 LUFA
São Carlos Futebol Clube
Clube Atlético Paulistinha
Futebol Campeonato Paulista de Futebol - Série A2
Campeonato Paulista de Futebol - Série B
Estádio Luís Augusto de Oliveira 2004
1958
campeão 2005 Série B
Categorias de base
Interativo / Iate Clube de São Carlos
Associação de Handebol Brasileira São Carlos
Handebol Campeonato Paulista Ginásio João Marigo Sobrinho e
Ginásio Hugo Dornfeld (Zuzão)
2005
2002
campeão 2006 Copa Ouro
Objetivo / São Carlos e
Associação Pro-Basquetebol de São Carlos
Basquete Campeonato Paulista Ginásio Municipal Milton Olaio Filho e
Ginásio João Marigo Sobrinho
1998
1991
campeão 2008 Cadete regional
campeão 2009 Sub21 regional
campeão 2010 Adulto regional
Basquete Lance Livre São Carlos Basquete Campeonato Regional Ginásio João Marigo Sobrinho
Ginásio da Santa Felícia
2008 campeão 2009 Infanto-Juvenil
Handebol em Cadeira de Rodas - HCR UFSCar Handebol Campeonato Paulista de Handebol em Cadeira de Rodas Ginásio Poliesportivo da UFSCar/São Carlos 2008 Bi-campeão Paulista 2009 e 2012

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação, Ciência e Tecnologia[editar | editar código-fonte]

A história de São Carlos como centro educacional data do início do século XX.[145] Em 1911, é fundada a Escola Normal Secundária, estadual, voltada para a formação de professores. Inicialmente abrigada num prédio próximo à Estação Ferroviária, teve seu prédio novo inaugurado em 1916. Com a extinção das Escolas Normais, a instituição passou a ser uma escola de ensino básico, atual Escola Estadual Álvaro Guião.[95][146] Outro estabelecimento importante da época foi a Escola Profissional Secundária Mista, fundada nos anos 1930, também chamada Escola Industrial, atual ETEC Paulino Botelho.[147]

Quanto ao ensino primário, em 1858 foi instituída a primeira cadeira de ensino de primeiras letras para o sexo masculino e, em 1862, para o sexo feminino.[145] Em 1905, é fundado o Colégio São Carlos, privado, pelas Irmãs Sacramentinas, inicialmente no Palacete Conde do Pinhal, passando para a sede própria em 1914.[148] Os primeiros Grupos Escolares, estaduais, foram o Paulino Carlos (1901-1904, na Praça Coronel Salles), o Eugênio Franco (1919, no prédio antes usado pela Escola Normal), o do Centenário (1922, na Avenida; posteriormente rebatizado Arlindo Bittencourt e movido para a Vila Monteiro), o Bispo Dom Gastão (1934, na Vila Prado) e o Professor Luiz Augusto de Oliveira (1934, na Vila Monteiro).[145] Na reforma do ensino paulista dos anos 1920, a cidade passou a sediar uma das quinze Delegacias de Ensino então criadas, hoje Diretorias.[149]

O ensino secundário só seria expandido a partir dos anos 1960 e 1970, pelo governo estadual. Na década de 1980, cresce a educação infantil, por parte da esfera municipal.[150] Nos anos 1990, tem início a municipalização do ensino fundamental estadual, em especial o ciclo inicial.

Atualmente, a cidade destaca-se pela presença de instituições de pesquisa voltadas à alta tecnologia. Possui grande número de empresas e centros tecnológicos, desenvolvidos em torno de duas das mais destacadas universidades do país: a Universidade de São Paulo (USP, estabelecida na cidade nos anos 1950, com a Escola de Engenharia de São Carlos-EESC, contando hoje com dois campi), e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar, fundada em 1968). A USP se instalou inicialmente no prédio da Sociedade Dante Alighieri (atual CDCC), depois se transferiu para o local do antigo Posto Zootécnico, enquanto a UFSCar foi instalada na antiga Fazenda Trancham.

Visão noturna

Além destas duas universidades, São Carlos possui outras entidades públicas de pesquisa, ensino superior ou profissional, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa, com duas unidades, estabelecidas em 1974 e 1984, sendo que a primeira se originou de uma estação experimental do Ministério da Agricultura, de 1935),[151] o Instituto Federal de São Paulo (IFSP, instalado em 2008), e uma FATEC (2014).

Dentre os estabelecimentos privados de ensino superior ou profissional, estão o Senai (1951), o Senac (1951), o Centro Universitário Central Paulista (UNICEP, antiga Asser, de 1972), Atheneu (2005), e o Instituto de Educação e Tecnologia de São Carlos (IETECH, 2012).

A cidade também contava com a Escola Técnica de Comércio (1919-1963), a Faculdade de Comércio D. Pedro II (1928-1963), Escola Técnica de Química Industrial (1960-63), o Liceu José Geraldo Keppe (1963-1974),[152] a Escola de Educação Física (EEFSC, 1949-1996), a Escola de Biblioteconomia e Documentação (EBDSC, 1959-1996), a FADISC (1962-2012, privada)

A EEFSC e a EBDSC, inicialmente privadas, foram municipalizadas em 1976, sendo absorvidas pela Fundação Educacional São Carlos (FESC), e posteriormente federalizadas nos anos 1990, incorporadas pela UFSCar.[153][154][155]

Atualmente, está sendo construído no Parque EcoTecnológico Damha, uma indústria de semicondutores de marca "Simetrix Corporation", que será a 1° do ramo de semicondutores da América Latina. Serão produzidos chips de memória ferroelétrica para e utilização em bilhetes de transporte coletivo, transações bancárias, e até mesmo telefonia móvel e TV Digital. Consolidando mais um título à São Carlos, como a cidade da "Nanotecnologia" brasileira.

Segurança Pública[editar | editar código-fonte]

Em 1857, criado o Distrito de Paz, São Carlos recebeu uma subdelegacia de Polícia Civil. Logo, o Distrito de Paz se tornou Freguesia (1858), depois Vila (1865). Em 1866, cria-se o Termo de São Carlos e, em 1880, cria-se uma Comarca judicial na cidade.[156]

Em 1882, com a instalação efetiva da Comarca, São Carlos recebeu um destacamento policial. À época, as forças policiais militarizadas do Estado de São Paulo (futuramente, Força Pública, em 1901) eram compostas pelo Corpo Policial (da capital, atual Polícia Militar), pela Companhia de Urbanos (da capital), e pelo Corpo de Polícia Local (interiorano, extinto em 1888, recriado em 1897 como Corpo de Guardas Cívicos do Interior). A Força Pública era composta por oficiais e praças, e subordinada ao Chefe de Polícia estadual. Em 1898, a cidade era uma das dez sedes da Guarda Cívica do Interior, logo renomeada Corpo Policial do Interior.[156]

De início, a cidade, contava apenas com delegados e subdelegados de Polícia Civil, de soldados (praças) da Força Pública, além do comandante do destacamento (que poderia ser um cabo, furriel, ou sargento, todos patentes de praças). Não havia, porém, nenhum oficial.[156] Havia também a Guarda Nacional da Comarca, organizada em Batalhões e Cavalarias, contando com coronéis, majores, capitães, etc., no entanto, tais patentes, desde a década de 1870, tinha caráter mais nobiliárquico que militar, sendo concedida ou comprada pelos grandes fazendeiros locais.[157][158]

Em 1900, é inaugurado o edifício que serviu como cadeia pública e sede do destacamento policial.[159] Na década de 1930, a Força Pública atuaria em conjunto com voluntários civis na Revolução de 1932.[157]

Em 1952, o Corpo de Bombeiros inicia suas atividades na cidade.[160] Junto à sede dos bombeiros, na esquina da Rua Bento Carlos, funcionava também a nova cadeia pública e a delegacia de Polícia Civil. Em 1976, o edifício se torna sede da nova 4ª Cia. (São Carlos) do 13° Batalhão da PM de Araraquara.[161] Em 1989, a 4ª Cia. se torna o 38º Batalhão de São Carlos.[162]

Mais tarde, é inaugurado um novo edifício para cadeia (agora centro de triagem) e para a sede da Seccional da Polícia Civil, conhecido informalmente como Marron Glacê. Em 2010, próximo a estes, é criada a nova sede do 38º Batalhão da PM, formando, em conjunto, o Complexo de Segurança e Defesa do Cidadão.[163]

Atualmente, a segurança pública no município é exercida pela Políca Civil através da Seccional de Polícia de São Carlos do Deinter 3 (Ribeirão Preto), possuindo:[164][165][166]

Pela Polícia Militar, através do 38º Batalhão de Polícia Militar do Estado (São Carlos) do CPI-3 (Ribeirão Preto), a cidade é parte de uma das 4 Companhias distribuídas nas cidades da região do Batalhão, sendo elas:[164]

  • 1ª Cia São Carlos;
  • 2ª Cia Ribeirão Bonito (com pelotões em Dourado e Ibaté);
  • 3ª Cia Descalvado (com pelotão em Santa Rita do Passa Quatro);
  • 4ª Cia Porto Ferreira, além da Cia Força Tática que fica na cidade de São Carlos e de um Pelotão da 1° Cia do 3° BPRv Polícia Rodoviária.

O Corpo de Bombeiros através do 3º Sub-Grupamento de São Carlos (SGB), que pertence ao 16º Grupamento de Bombeiros de Piracicaba (GB), possuindo 3 Unidades no município.[164]

Também há a Guarda Municipal de São Carlos, criada em 2001, que possui 5 Grupamentos e o Serviço de Vigilância Patrimonial,[167] além da Defesa Civil, criada em 2005.[168]

Saúde[editar | editar código-fonte]

A história da atenção à saúde na cidade pode ser periodizada da seguinte maneira:[169][170]

  • 1857-1887: época das farmácias e dos manuais de medicina popular, como o Chernoviz; primeira farmácia (de Luiz Carlos, 1866); epidemia de varíola (1874).
  • 1888-1930: criação do Lazareto Municipal (1888-1893, reativado em 1896-1898); peste bubônica (1889); epidemia de febre amarela (1894 e 1896); instalação da Santa Casa (1899); Hospital dos Lázaros (1907, futura Villa Hansen); Serviço de Combate ao Trachoma e Ankilostomiase (1911); Casa de Saúde (1912, apenas planejada; se tornou a Escola Industrial); Escola de Pharmacia (1914); gripe espanhola (1918); Delegacia Regional de Saúde (1918, estadual, no local do antigo Posto de Hygiene, municipal); Asilo Maria Jacinta (1922); antigo Centro Regional de Saúde (1926, estadual, junto à Delegacia); primeira ambulância da cidade (anos 1920).
  • 1931-1950: Dispensário de Tracoma (1944) e de Tuberculose (1946, no local da atual Vigilância Sanitária).
  • 1951-1970: Maternidade Dona Francisca (1951); SAMDU (1953); Posto de Puericultura (1957); Posto de Hidratação (1958, na Creche Anita Costa); Laboratório Adolfo Lutz (1962-2006, no local da antiga Delegacia de Saúde; atual Procuradoria); unificação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPI, IAPB, IAPC, IAPFESP, IAPETEC e SAMDU) no INPS (1967, na Casa dos Ferreira; mudado nos anos 1970 para o prédio do INSS); Casa de Saúde (1968); Pronto Socorro Municipal da Avenida (1968-2009, no local da antiga escola Centenário); Ambulatórios do Sesc e do Sesi.
  • 1971-1980: Centro de Saúde (1971, estadual; atual CEME, concentrou os Dispensários); Unimed (1971); expansão da Santa Casa (1975); Laboratório Pasteur (anos 1974, privado, não o estadual).
  • 1981-1990: primeiros Postos de Saúde ou UBSs (1984).
  • 1991-2000: implantação do SUS, com resistência inicial; início da municipalização da saúde (1993-8).
  • 2001-presente: Banco de Leite (2001); CAPS (2002); reorganização administrativa municipal (2003); SAMU (2006); Hospital Universitário (2007; EBSERH, 2014); primeiras UPAs (anos 2010).

Energia e gás[editar | editar código-fonte]

A cidade dispõe de energia elétrica e iluminação pública desde 1893, com a construção da Usina Hidrelétrica Monjolinho, a primeira do estado.[171][172] A distribuição era feita pela Companhia Paulista de Eletricidade, privada, comprada nos anos 1970 pela CPFL. Atualmente, a energia elétrica do município provém do Sistema Interligado Nacional (SIN), enquanto a distribuição é feita pela CPFL Paulista, da CPFL Energia, empresa hoje privada.[173][174]

A distribuição de gás canalizado, disponível apenas em parte da cidade, é feita, por concessão, pela GasBrasiliano, do Grupo Petrobras, desde os anos 2000.[175]

Saneamento[editar | editar código-fonte]

Parque da Chaminé

As primeiras obras de canalização de água, no Biquinha, datam de 1890, enquanto as de esgoto foram feitas apenas em 1903.[172]

Atualmente, os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário são feitos pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), empresa municipal de 1969. Dados da cobertura dos serviço:

  • Rede de água: 100% da população.
  • Rede de esgoto: 98% da população, a rede possui aproximadamente 300 km de extensão.
  • Tratamento de esgoto: 98% da população.

A água de abastecimento da cidade provém, principalmente, de duas fontes:[176][177]

Há também, entretanto, diversos poços caipiras (ligados a lençóis freáticos) e artesianos (ligados ao Aquífero Guarani) privados.

Existem duas Estações de Tratamento de Água (ETAs, na Vila Pureza, de 1959, e no CEAT, de 2000), além de três Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs, em São Carlos, de 2008, Água Vermelha e Santa Eudóxia).[177]

Em 2008, foi construída uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), que foi entregue à população em 1 de dezembro, semelhante à Piçarrão de Campinas, o projeto são-carlense foi concebido pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP).[carece de fontes?]

A localização da estação faz fronteira ao norte pelo rio Monjolinho, ao sul pela estrada Cônego Pera e a leste com a antiga ferrovia. O sítio tem 13 alqueires, ocupados por pasto, sem a existência de plantações temporárias ou permanentes, cuja declividade média é de 9% na direção leste-oeste e altitude em relação ao nível do mar. O terreno também apresenta espaço adequado para prováveis adaptações.[carece de fontes?]

A primeira etapa tratará 100% do esgoto gerado no município até o ano de 2012, com uma vazão de 600 litros por segundo. Atualmente, são despejados no rio Monjolinho cerca de 500 L/s. A segunda etapa deverá ser implantada em 2015, prevendo-se o tratamento de 1.000 L/s. Estimando-se uma população de 500 mil habitantes, a terceira etapa deverá ser implementada a partir de 2055, com capacidade de tratar 1.270 L/s. "A principal vantagem deste sistema é o seu caráter modular, em que a construção de novas unidades dependerá do aumento populacional da cidade ao longo dos anos, reduzindo significativamente o custo da obra".[carece de fontes?]

Quanto aos resíduos sólidos, as primeiras leis regulamentando a "higiene pública", isto é, a questão do lixo e da limpeza, datam de 1890.[172] Atualmente, a maior parte é destinada a um novo aterro sanitário, localizado na área rural, a oeste, substituindo o antigo, próximo do Jardim Embaré, ao norte. Ainda está em elaboração o Plano Municipal para a gestão de resíduos sólidos.[178][179]

Meio Ambiente[editar | editar código-fonte]

Parte de de São Carlos está incluída na Área de Proteção Ambiental (APA) Corumbataí, Botucatu e Tejupá. Proximamente, encontram-se outras unidades de conservação: a Estação Ecológica (EE) de Itirapina, a EE Mata do Jacaré, e a EE Jataí.

Em áreas rurais, há também fragmentos de vegetação nativa importantes em algumas Reservas Legais (RL) privadas, como a da Fazenda Canchim, da Embrapa. A cidade apresenta percentual de propriedades regularizadas, quanto a RLs, acima da média calculada para o estado.[180] Quanto às Áreas de Preservação Permanente (APPs) dos rios, muitas das que ocorrem na área urbana foram tomadas por vias e construções, em especial nas avenidas marginais, inclusive, muitos rios foram canalizados.

Transporte[editar | editar código-fonte]

Terminal Rodoviário

São Carlos surgiu a partir de sesmarias criadas ao longo do antigo Picadão de Cuiabá. Com a descoberta de ouro em Goiás no século XVII, foi criado o Caminho de Goiás, ligando a cidade de São Paulo à região das minas, passando por terras das atuais cidades de Campinas, Jundiaí, Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Cajuru, Batatais, Franca e Ituverava. No século XVIII, foi criado um novo caminho, mais a oeste, o Picadão de Cuiabá, que passava por terras de Sorocaba, Itu, Piracicaba, Rio Claro e os chamados "sertões de Araraquara", região que incluía terras de São Carlos. O Picadão de Cuiabá inseriu a região em uma rota comercial, e também foi usado para o tráfego de tropas durante a Guerra do Paraguai.[107][32]

Na intersecção com o córrego do Gregório, surgiu o primeiro povoado de São Carlos. As terras de São Carlos eram cortadas pela estrada desde 1799, vindo de Porto Feliz, atravessando os campos do córrego do Feijão e a mata densa do Pinhal. Ela passava pelas atuais ruas Raimundo Correa, Episcopal (antiga Santo Ignácio), XV de Novembro, Miguel Petroni (antiga "estrada boiadeira"), e seguia pela estrada velha de Araraquara.[32][181][182]

Atualmente, a cidade conta com a seguinte infraestrutura de transportes:

  • Ferroviário (apenas carga, atualmente):
  • Aéreo: Aeroporto de São Carlos (anos 1970)
  • Fluvial: a hidrovia mais próxima é a Tietê-Paraná
  • Porto Seco: EADI de São Carlos (criado em 24 de agosto de 2006)
  • Transporte coletivo: Suzantur
    • São 65 linhas regulares no total: 56 diametrais, 2 linhas circulares que atendem o centro da cidade, 4 linhas periféricas (linhas interbairros que não passam pelo centro da cidade e atendem um shopping center), 3 linhas rurais (ligam o centro a distritos e outras regiões fora do perímetro urbano do distrito sede). Fora as linhas rurais, e a linha 2 (UFSCar x Vila Prado, com frequência de 30 min), as demais linhas têm uma frequência de 1h. A cidade com ainda com 198 linhas especiais, sendo a maioria para bairros próximos a escolas e também para as Universidades em horários matutinos e noturnos, das 06h da manhã às 09 horas e 18:25 á 23:40 da noite. Existem ainda linhas regulares para os distritos de Água Vermelha e Santa Eudóxia e o Varjão. Existem hoje 2 linhas que vão para o C.E.A.T.
    • Terminais de integração: a cidade não possui terminais urbanos integrados, apenas dois "terminais de transferência" de ônibus, defronte à rodoviária, denominada "Estação Norte" e a "Estação Sul" junto à Avenida Sallum com Avenida Grécia. A integração tarifária é possível via cartão pré-cadastrado, de forma que se pode tomar dois ônibus pagando-se uma passagem.

Rodoviário[editar | editar código-fonte]

Rodovia Washington Luís (trevo norte - sentido sul)

A primeira via de acesso para veículos entre a capital e município foi construída em 1923, sendo chamada mais tarde Rodovia Washington Luís (SP-310). Ligava São Carlos à atual Rodovia Anhanguera, a qual fazia a ligação Ribeirão Preto–São Paulo. A estrada só seria asfaltada entre 1954 e 1955, tornando-se de fato uma rodovia.[107] O Terminal Rodoviário de São Carlos (prédio de 1982, anterior de 1940), é operada pela Socicam desde 2006.

Desenvolvimento urbano[editar | editar código-fonte]

No processo de expansão urbana da cidade, podem ser identificadas algumas fases relativamente bem definidas, que mostram uma oscilação entre momentos de controle e descontrole por parte da administração municipal:[107]

  • De 1857 a 1929, à época da economia cafeeira, a expansão se deu de forma concentrada e contínua, havendo controle realizado pela Câmara, com aplicação de códigos de posturas.
  • De 1930 a 1959, paralelo ao surto industrial paulista dos anos 1950, houve grande crescimento da área urbana em direção à rodovia. O controle da expansão era realizado pelo poder executivo, com parâmetros urbanísticos de incentivo à expansão urbana.
  • De 1960 a 1977, durante o regime militar, a expansão ocorreu de forma periférica e descontínua. O controle era realizado por meio de um conjunto de leis urbanísticas – leis de loteamentos, zoneamento e edificações. Nessa época, houve aumento do poder de ação dos loteadores.

O calçamento da cidade inicialmente foi feito com paralelepípedos (1913), que passaram a ser substituídos por asfalto mais tarde.[172]

Durante o Programa Cidades Médias (1974, do governo estadual), e o II Plano Nacional de Desenvolvimento (1975 -1979), juntamente com outras cidades do interior, São Carlos recebeu importantes recursos para infraestrutura urbana, de forma a interiorizar a indústria, além de redirecionar as migrações das grandes metrópoles. Nessa época, houve ampliação da malha viária estadual – antes, a ligação da cidade com a capital se dava apenas por meio de estradas de terra e pela ferrovia. Os investimentos foram usados também na pavimentação de ruas, construção de escolas e de núcleos habitacionais.[107]

A recente verticalização em excesso, além de sobrecarregar os serviços públicos e a infraestrutura urbana, tem contribuído para a especulação imobiliária. Por outro lado, a expansão urbana descontínua, criando grandes vazios urbanos, como ocorreu nas últimas décadas, também é inadequada urbanisticamente, contribuindo para a especulação fundiária e diminuindo o aproveitamento da infraestrutura urbana preexistente.[187] Outro fenômeno urbano recente é o crescimento dos condomínios residenciais fechados, que têm acentuado a segregação socioespacial na cidade.[188][189]

Patrimônio arquitetônico[editar | editar código-fonte]

A verticalização da cidade teve início na metade do século XX. Os primeiros edifícios foram:[190]

  • o Irmãos Stella (1949, primeiro edifício com mais de dois pavimentos),
  • o Conde do Pinhal (anos 1960),
  • o Grande Hotel Municipal (1954-1962, atual Paço Municipal),
  • o Vila Rica (1967),
  • o Edifício E1 da EESC/USP (1954),
  • o Thomaz Gregori (anos 1960-70) e
  • o Satélite (1975, do Banco do Brasil).

São Carlos, contava em 2009, com quase trezentos edifícios, conforme levantamento feito pela UERJ. Somente na área central contava com 118 edifícios.[191] Outros edifícios e localidades de relevância histórica e arquitetônica, alguns tombados, incluem:[192][95]

  • Fazenda Pinhal (1831)
  • Palacete Cunha Bueno (c. 1883)
  • Fazenda Santa Maria do Monjolinho (1887)
  • Palacete Conde do Pinhal (1887-1893)
  • Praça Coronel Salles (anos 1880)
  • Vila Ferroviária, ou Vila Morumbi, ou Coloninha FEPASA (anos 1880)
  • Praça Paulino Botelho ou Jardim Público (1895)
  • Palacete Bento Carlos (anos 1890)
  • Antigo Palácio Episcopal (1890, demolido na década de 1980)
  • Edifício Euclides da Cunha (1900, hoje Câmara Municipal)
  • CDCC (1902)
  • E. E. Paulino Carlos (1904)
  • Estação Ferroviária (1908, antiga de 1884)
  • Colégio São Carlos (1913)
  • E. E. Álvaro Guião (1916)
  • E. E. Eugênio Franco (anos 1910)
  • Antiga fábrica Tecidão São Carlos (anos 1910)
  • Casarão do Major José Inácio (anos 1910, projeto de Ramos de Azevedo), atrás do prédio do Colégio La Salle (1958-1970) [50]
  • Igreja de Aparecida da Babilônia (1920, capela antiga de 1870)
  • Prédios do antigo Ginásio Diocesano (1925), Seminário Menor (anos 1930-1952) e Seminário Maior (1967) [51]
  • Igreja São Sebastião (anos 1920)
  • Grêmio Flor de Maio (anos 1920)
  • ETEC Paulino Botelho (anos 1930)
  • Praça dos Voluntários (1933, renomeada em 1936)
  • Antiga Piscina Municipal (1934), na Praça Pedro de Toledo [52]
  • São Carlos Clube (1948)
  • Igreja Santo Antonio de Pádua (1949)
  • Praça da XV (1951)
  • Catedral de São Carlos (anos 1950, antiga capela de 1856)
  • Igreja São Benedito (1956, antiga capela de 1890)
  • Estádio do Paulista (1956, antigo 1926)
  • E. E. Jesuíno de Arruda (1958)
  • Campo do Rui (1958 e novo 1932)
  • Mercado Municipal (1968, antigo de 1902)
  • Estádio Luís Augusto de Oliveira (1968, antigo 1952)
  • Rodoviária de São Carlos (1982, a antiga anos 40)

Comunicação[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mídia em São Carlos

O primeiro jornal da cidade foi A Tribuna de São Carlos, de 1876.[193] Em 1889, instala-se uma empresa de telefonia, e os primeiro telefones automáticos datam de 1959, da empresa Telefônica Central Paulista.[172][194] Hoje, a imprensa e os meios de comunicação da cidade são relativamente diversos, havendo vários jornais, rádios, emissoras de TV, portais, editoras, etc. Nos últimos anos, alguns deles vêm passando por um processo de regionalização, com aumento da produção local de conteúdo.[193][195]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Notas

Referências

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