Ribeirão Pires

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Município da Estância Turística de Ribeirão Pires
"Pérola da Serra"
Bandeira da Estância Turística de Ribeirão Pires
Brasão da Estância Turística de Ribeirão Pires
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 19 de março
Fundação 25 de março de 1714 (304 anos)
Emancipação 01 de janeiro de 1954 (64 anos)
Gentílico ribeirão-pirense
Padroeiro(a) São José
Prefeito(a) Kiko Teixeira (PSB)
(2017 – 2020)
Localização
Localização da Estância Turística de Ribeirão Pires
Localização da Estância Turística de Ribeirão Pires em São Paulo
Estância Turística de Ribeirão Pires está localizado em: Brasil
Estância Turística de Ribeirão Pires
Localização da Estância Turística de Ribeirão Pires no Brasil
23° 42' 39" S 46° 24' 46" O23° 42' 39" S 46° 24' 46" O
Unidade federativa  São Paulo
Região
intermediária

São Paulo IBGE/2017 [1]

Região
imediata

São Paulo IBGE/2017

Região metropolitana São Paulo
Municípios limítrofes Ferraz de Vasconcelos; Suzano; Rio Grande da Serra; Santo André; Mauá
Distância até a capital 35 km[2]
Características geográficas
Área 99,175 km² [3]
Distritos Ouro Fino Paulista
População 121 848 hab. Estimativa IBGE/2017[4]
Densidade 1 228,62 hab./km²
Altitude 800 m
Clima subtropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,784 elevado PNUD/2010[5]
PIB R$ 1 486 905,084 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 13 347,20 IBGE/2008[6]
Página oficial
Prefeitura http://www.ribeiraopires.sp.gov.br/

Ribeirão Pires é um município do estado de São Paulo, na Região Metropolitana de São Paulo, integrando um grupo de municípios conhecidos como Região do Grande ABC, na Zona Sudeste da Grande São Paulo, em conformidade com a lei estadual nº 1.139, de 16 de junho de 2011[7] e, consequentemente, com o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo (PDUI)[8]. A população estimada em 2017 era de 121.848 habitantes e a área é de 99 km², o que resulta numa densidade demográfica de 1116,07 hab/km².

Seus municípios limítrofes são Ferraz de Vasconcelos a norte, Suzano a nordeste e leste, Rio Grande da Serra a sudeste e sul, Santo André a sudoeste e Mauá a noroeste. Tornou-se município em 30 de dezembro de 1953, quando foi desmembrado de Santo André. Sua data oficial de emancipação político-administrativa foi instituída em 1º de janeiro de 1954 pela Lei Municipal 2.463/1983, sendo comemorado o seu aniversário no dia 19 de março, dia de São José, Padroeiro da Cidade.

Estância turística[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Estância turística (São Paulo)

Ribeirão Pires é um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto ao seu nome o título de Estância Turística, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.

História[editar | editar código-fonte]

A cidade de Ribeirão Pires se formou somente a partir das últimas décadas do século XIX, ainda que alguns documentos do século XVIII façam referência específica ao território. No entanto, não se constatou nesse período, nenhum indício de formação urbana, apenas ocupação rural e esparsa. Remanescente dessa época temos unicamente a Capela do Pilar

O núcleo urbano de Ribeirão Pires, de fato, irá se constituir quando a região denominada hoje Grande ABC, passa a se estruturar como subúrbio de São Paulo, fornecendo produtos agrícolas, tijolos, pedras, lenha, carvão, etc. para suprir as necessidades da metrópole que cresce, impulsionada pela economia cafeeira.

Atendendo a essas mesmas necessidade, são implantados a Ferrovia, ligando Santos à Jundiaí com o objetivo de escoar o café, que vinha do interior paulista, para o porto de Santos, e os Núcleos Coloniais, nos arredores paulistanos, visando entre outras coisas o abastecimento da capital.

A cidade permanece com características de subúrbio rural até a década de 1950, quando as indústrias já haviam se espalhado por outras cidades da região, promovendo uma reestruturação do espaço metropolitano, agora como subúrbio industrial. Embora Ribeirão Pires não tivesse a mesma ocupação industrial, as grandes áreas desocupadas na cidade permanece como reserva de valor, destinadas a loteamentos para moradia de baixa renda, pronta para se integrar, assim, a essa nova função, que seria facilitada com a implantação de um poder local.   

Assim, Ribeirão Pires, até então distrito de Santo André, dela se desmembra passando em 1954 a se constituir município independente, cuja instalação se dá em 1955.

Na década de 1970, outro fator que interfere na ocupação territorial foi a promulgação da lei de proteção aos mananciais que estabelece 100% do território como área a ser preservada[9].

Fundação[editar | editar código-fonte]

A cidade de Ribeirão Pires formou-se a partir da instalação da Ferrovia (Estrada de Ferro Santos a Jundiaí) e do Núcleo Colonial, portanto não podemos atribuir sua formação a apenas alguns fundadores, aliás, não podemos nem falar em uma fundação da cidade[9], já que as informações encontradas até o momento são imprecisas. De qualquer modo, por efeito da Lei Municipal 2.246/1983, aprovada pela Câmara Municipal, determinou-se o dia 25 de março de 1714 como data oficial da fundação de Ribeirão Pires, quando ainda se chamava Caguaçu. De um modo mais abrangente, a história de Ribeirão Pires pode ser dividida em três períodos:

Período Colonial (1500 a 1815)[editar | editar código-fonte]

Época em que Ribeirão Pires não existia com este nome e estava inserida em uma região denominada Geribatiba, sob domínio do cacique Caiubi. Segundo pesquisa realizada pelo historiador Wanderley dos Santos (1951-1996), "é no século XVIII que surgem as primeiras referências documentais específicas ao território do atual município. Em 1677, devido a descobertas de lavras de ouro na região, o capitão-mor Antônio Correia de Lemos foi nomeado para a sua administração, fixando residência no atual Pilar Velho".[10] No ano de 1714, Antônio Corrêa de Lemos constrói a Capela de Nossa Senhora do Pilar. Em 1716 chega à localidade a família do mestre de campo Antônio Pires de Ávila. No século XVIII, passa a se chamar Caguaçu precisamente toda a costa da serra, incluindo Ribeirão Pires. Em 22 de abril de 1745, a região se integra à Freguesia da Sé, por ordem de Dom João V. Posteriormente, parte do território de Caguaçu que compreendia os atuais municípios de Ribeirão Pires e Mauá passou a ser denominado de Bairro do Pilar.

Período Imperial (1815 a 1889)[editar | editar código-fonte]

Época em que Ribeirão Pires se chamava "Sítio do Ribeirão Pires". Neste período ocorre a integração do Bairro do Pilar à Freguesia do Brás (1818) e depois à Freguesia de São Bernardo (1831) - gérmen do que virá a ser a região do Grande ABC Paulista. O vilarejo do Sítio do Ribeirão Pires fica abandonado, com esparsa ocupação, muitas terras devolutas e presença de muitos posseiros.

Período Contemporâneo (1890-atual)[editar | editar código-fonte]

  • Surgimento e consolidação da ocupação rural (1896-1953): Com a inauguração da Parada de Trem de Ribeirão Pires, em 1885, pela São Paulo Railway, possibilitou-se a chegada de imigrantes italianos e a fundação do Núcleo Colonial de Ribeirão Pires em fevereiro de 1887. Logo em seguida, em 1888, começam a chegar os primeiros imigrantes italianos, e o desenvolvimento da pequena vila começa a se acentuar. Wanderley dos Santos atesta que "os primeiros imigrantes se instalaram nas redondezas da capela de Nossa Senhora do Pilar, onde havia 20 grandes lotes coloniais. No período de dezembro de 1887 a março de 1888, a Comissão de Terras e Colonização, sob orientação do engenheiro Joaquim Rodrigues Antunes, concluiu trabalhos de medições de terras cedidas a este núcleo e explorou para reconhecimento as terras adjacentes ao Pilar.[10]" Eram dois os núcleos: a sede, localizado no atual Largo da Matriz e próximo à Estação Ribeirão Pires e o Pilar, localizado no antigo Bairro do Pilar (ou Pilar Velho). No ano de 1895 foi construído o prédio da atual estação ferroviária, sendo inaugurado em 1 de janeiro de 1900.[11] Quando a ferrovia foi construída, em 1867, não havia paradas na região, sendo as mais próximas as de São Bernardo (atual Santo André) e Rio Grande. Em 1883 é criada a estação em Mauá e em 1 de março de 1885 foi inaugurada a primeira parada de Ribeirão Pires. Após constantes reivindicações dos moradores locais, a São Paulo Railay obtém autorização para construir uma estação de 3ª classe. Assim, é inaugurada em 1º de janeiro de 1900 a Estação Ribeirão Pires, preservada até os dias atuais[11]. Devido à sua importância histórica, foi tombada pelo Condephaat em 2011, pela Resolução SC-89.[12]
  • Emancipação e início da transição da ocupação rural para a urbana (1954-1976): A emancipação de Ribeirão Pires é um processo que decorre das transformações territoriais da região hoje denominada Grande ABC Paulista, à época chamada apenas de município de São Bernardo. Este processo começa em 1907, quando Ribeirão Pires perde seus domínios territoriais sobre a região do Alto da Serra, elevada a Distrito de Paz com o nome de Paranapiacaba. Junto com o Alto da Serra, saem de seu domínio as estações de Rio Grande (hoje Rio Grande da Serra) e Campo Grande. Em outubro de 1934, Ribeirão Pires perde a Estação do Pilar (atual estação de Mauá). Em novembro de 1938, o município de São Bernardo passa a se chamar Santo André e fundando, ao mesmo tempo, o município de São Bernardo do Campo. Em janeiro de 1939, Ribeirão Pires passa a ser distrito do município de Santo André. Uma década depois, "surge a SARP (Sociedade Amigos de Ribeirão Pires), que nos anos seguintes liderará o movimento pró-emancipação da cidade"[13]. O movimento cresce e se organiza de tal modo que "em 30 de abril (de 1953) é entregue à Assembléia Legislativa a representação que reivindica a elevação de Ribeirão Pires à condição de município". Em 19 de março de 1953, Ribeirão Pires, com cerca de 15 mil habitantes, emancipa-se do município de Santo André[14]. Em dezembro de 1963 é a vez do distrito de Icatuaçu (hoje município de Rio Grande da Serra) se desmembrar de Ribeirão Pires. Com a emancipação, começam a surgir os primeiros equipamentos públicos característicos de uma cidade: o Ginásio Estadual Dr. Felício Laurito é fundado em fevereiro de 1957. Em dezembro de 1963, a cidade é elevada a Comarca (o que lhe permite ter um Juiz de Direito na cidade). A comarca, no entanto, só começa a operar efetivamente a partir de 1967 após tramitação burocrática.
  • Consolidação da ocupação urbana (1977-1996): Com a forte industrialização do Grande ABC Paulista iniciada pelo Plano de Metas de Juscelino Kubitschek no final da década de 1950, a abertura da Rodovia SP-31, a conclusão do desmonte do antigo Morro Santo Antônio (1976) e o surgimento do Centro Comercial (ou Centro Novo), Ribeirão Pires começa a ganhar contornos de cidade e entra em uma nova era, com a elevação do adensamento populacional e a formação de habitações justapostas entre si. Em março de 1971, inaugura-se o Paço Municipal Arthur Gonçalves de Souza Junior. Em março de 1972, a cidade ganha sua primeira e única biblioteca pública com o nome de Biblioteca Olavo Bilac. Em 1973, é instalada a Faculdade de Ciências e Letras de Ribeirão Pires. Em 1976, inaugura-se o Fórum de Ribeirão Pires. Em 1975, são finalmente iniciadas as obras de remoção do antigo Morro Santo Antônio para abertura do Centro Comercial. Com 50 mil habitantes, começam a surgir novos loteamentos e bairros e a ocupação começar a se tornar um problema para as administrações municipais[15]. Em novembro 1976, a Lei Estadual 1.1172 passa a classificar Ribeirão Pires como Área de Proteção e Recuperação de Mananciais, tornando obrigatória a preservação da Bacia Billings, Tamaduateí e Guaió. Em 6 de julho de 1986, Ribeirão Pires ganha o seu primeiro terminal rodoviário.
  • Era do turismo e do desenvolvimento sustentável (1997-atual): Após 20 anos da Lei de Proteção aos Mananciais (LPM), as bases da política municipal de sustentabilidade foram lançadas oficialmente durante o Fórum de Desenvolvimento Sustentado (FDS), realizado em abril de 1997, no Teatro Municipal Euclides Menato. Naquele momento, o Brasil estava prestes a completar cinco anos da realização da Eco-92 ou Rio-92, e vivia um momento de profunda discussão sobre os impactos acarretados pelo desenvolvimento não-planejado no meio ambiente. No âmbito nacional, o governo federal já começava a trabalhar na Agenda 21 Brasileira. Em Ribeirão Pires, algumas ações de conscientização foram realizadas anteriormente, como a I Semana Municipal de Meio Ambiente (1979), no entanto, a cidade carecia de um instrumento de maior alcance, capaz de apontar diretrizes para a preservação do meio ambiente nas próximas décadas. E foi isso o que aconteceu com a realização do FDS, que resultou em uma cartilha com informações históricas, indicadores econômicos, sociais e um diagnóstico detalhado dos cenários global, nacional e municipal, além de apontamentos para a ação governamental. Por se tratar de um documento lançado nos primeiros meses da Administração 1997-2000, que necessitava de indicadores, o FDS apresentou falhas provenientes da falta de conhecimento da real situação da máquina pública e do tamanho dos problemas do município. Essas falhas foram corrigidas em agosto de 2001, com a publicação da cartilha “Na Construção da Sustentabilidade”, que lançou oficialmente o Fórum da Cidade (FC)[16] ­e realizou plenárias regionais e temáticas, envolvendo cerca de 800 pessoas[17]. Munido de mais informações, o Fórum da Cidade representou um aperfeiçoamento do FDS e trouxe como resultado a Agenda 21 Local (2003), uma das primeiras agendas municipais publicadas no Brasil após o lançamento da Agenda 21 Brasileira (2002). Com isso, a cidade despontou no começo do século XXI como uma das poucas a se preocupar com o desenvolvimento sustentável, seguindo as recomendações da Eco-92. Em 2004, obedecendo as determinações da Constituição Federal (Cap. II, art. 182) e do Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.2557/2001), a Prefeitura instituiu, dentro do prazo estipulado de cinco anos, o Plano Diretor de Ribeirão Pires, que revisou e substituiu os anteriores: Plano Diretor Integrado de Ribeirão Pires (PLADIRP), criado em 1995, e o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), de 1971. A diferença entre esses planos e o de 2004 foi exatamente a necessidade de adequá-lo ao que exigia a Constituição Federal, por meio da lei regulamentadora de 2001. Em 2009, houve a compatibilização do Plano Diretor com a Lei da Billings (Lei Estadual n.º 13.579/2009), que fundou regras específicas para a proteção e a recuperação dos mananciais da Represa Billings. Em 2014, o Plano Diretor foi revisado e ampliado, cumprindo o que determina o art. 39, §3º do Estatuto da Cidade.
    • Estância Turística: A conquista do título de Estância Turística (1998) representou uma batalha árdua - desde 1959 -, quando não uma possibilidade remota. O encadeamento de esforços, na esfera da legislação estadual e dos investimentos infraestruturais no município, foi preponderante para a sua realização. Contudo, para que este projeto se tornasse realizável, a cidade experimentaria um percurso de quatro décadas de espera e inúmeras proposituras fracassadas[18]. Após alcançar o título de Município de Interesse Turístico (MIT), em 1986, foi somente em dezembro de 1998, após oito proposituras, que a cidade constituiu como Estância Turística, evento este oficializado pela Lei Estadual 10.130, sancionada pelo governador Mário Covas a partir do Projeto de Lei 770/96, do deputado estadual Luiz Carlos da Silva. Com a Lei Complementar n.º 1.261/2015, a Prefeitura anunciou em 30 de agosto de 2017, o início da elaboração do Plano Diretor de Turismo, realizado sob supervisão técnica do SENAC (Serviço Nacional do Comércio), com entrega prevista para março de 2018. O Plano Diretor de Turismo é uma exigência prevista no art. 2º, item VI, da mencionada lei complementar.

Geografia e Clima[editar | editar código-fonte]

Ribeirão Pires situa-se a uma altitude média de 800 metros. O clima do município, como em toda a Região Metropolitana de SP, é o subtropical. Verão pouco quente e chuvoso, e Inverno ameno e de poucas chuvas, embora a umidade do oceano muitas vezes forma a típica neblina nas tardes de inverno, deixando o ar úmido e provocando garoa. A média de temperatura anual gira em torno dos 18 °C, sendo o mês mais frio julho (Média de 15 °C) e o mais quente fevereiro (Média de 22 °C). O índice pluviométrico anual fica em torno de 1.400 mm.

Gráfico climático para Ribeirão Pires
J F M A M J J A S O N D
 
 
278
 
27
17
 
 
252
 
27
17
 
 
228
 
27
17
 
 
155
 
25
15
 
 
114
 
22
12
 
 
85
 
21
11
 
 
87
 
20
11
 
 
65
 
22
12
 
 
143
 
24
13
 
 
151
 
25
15
 
 
159
 
26
16
 
 
234
 
26
17
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: Tempo Agora

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Brasão de armas da Família Pires
Brasão de armas da Família Pires

O nome do município de Ribeirão Pires é atribuído ao proprietário de uma sesmaria na região de Cassaquera (atual Mauá), o mestre de campo Antônio Pires de Ávila, em cujas terras passava um ribeirão denominado "dos Pires". Daí, Ribeirão Pires. No entanto, é importante salientar que o surgimento da cidade se dá apenas no final do século XIX. Não há indícios de que a ocupação territorial da família Pires de Ávila tenha contribuído para o desenvolvimento de uma vila, ou freguesia[9].

A origem do nome "Ribeirão Pires" não é consensual. Há pelo menos duas linhas de investigação relativamente aceitas. A primeira atribui a Salvador Pires a origem do nome, em razão de ter morado próximo a um córrego que ficava em sua fazenda e a, segunda, a Antônio Pires de Ávila.

Teoria de Pedro Taques[editar | editar código-fonte]

Os defensores desta linha usam como referência os escritos de Pedro Taques[12], dos quais podemos inferir que:

"[...] O Ribeirão “dos Pires” foi assim denominado porque habitou nesta região ribeirinha um português chamado Salvador Pires, casado com Maria Rodrigues e vindo da cidade do Porto a São Vicente, em 1531, com seu pai, João Pires de Darques, o gago, os quais passaram a morar na vila de Santo André da Borda do Campo em 1553. Salvador era homem rico e recebera “meia légua de terras na tapera do índio Baibebá, partindo pelo campo de Piratininga direito à serra, por ser o mencionado Pires lavrador potentado, que dava avultada soma de alqueires de trigo ao dízimo, além das colheitas de outros frutos todos os anos”[19].

Essa tese é desmentida por Marcos Rogério Ribeiro de Carvalho[20], que comprova que o assentamento de Salvador Pires localizava-se na Serra da Cantareira, cuja sesmaria tinha cerca de 36Km, "próxima à cachoeira do Jatuhai, Patuaí ou Jatuaí, em Sorocaba, da primeira volta do Rio Tietê acima da choeira para o rio abaixo da banda de Araçoiaba"[20].

Edith Porchat[13], informa que "Salvador Pires foi possuidor de terras e escravos, ocupando diversos cargos na Câmara. Foi também procurador do povo da vila de São Paulo e, em 1573, juiz ordinário. Dono de enorme latifúndio nas terras banhadas pelo Tietê, dirigiu numerosos índios catequisados, vindo a morrer em 1592"[14].

Teoria de Wanderley dos Santos[editar | editar código-fonte]

A segunda linha é a do historiador Wanderley dos Santos (1951-1996), que afirma:

"Dois anos depois da construção da Capela de Nossa Senhora do Pilar, recebe o lugarejo de Caguaçu a família do mestre de campo, Antônio Pires de Ávila, filho de Manoel de Ávila e de Ana Ribeiro Razão, da qual ficaram conhecidas suas terras pelo nome de Ribeirão Pires. Embora fosse o ribeirão homônimo denominado anteriormente de “grande”, devido ser o maior das redondezas. O dito mestre de campo, natural de São Paulo, era irmão de Izabel, Maria, Tereza, Josefa, Cecília e Miguel"[10]

Foto do Ribeirão Grande (ou Iguaçú) , que margeia a Avenida Valdírio Prisco e passa por baixo da ferrovia, na Rua Capitão José Gallo. Por engano, o chamam de Ribeirão Pires. O Ribeirão Grande nasce ao norte da cidade, no bairro do Pilar Velho, e corre no sentido sul para a Represa Billings .

Considerando que Antônio Pires de Ávila tenha dado origem ao nome Ribeirão Pires, impõe-se o fato de que o verdadeiro Ribeirão dos Pires fica localizado na região das vilas Sueli e Belmiro, próximo à divisa com Mauá (correndo em paralelo à Av. Rotary e Rodoanel Mario Covas). O ribeirão que corta a cidade, com nascente no Pilar Velho, é o Ribeirão Grande[10] e jamais poderia se chamar Pires, pois quem morou na região do Pilar Velho foi o capitão-mor Antônio Corrêa de Lemos a partir de 1714. Dois anos depois, em 1716, o mestre de campo Antônio Pires de Ávila chega à região, porém em uma localidade diferente da de Corrêa de Lemos. Por esta razão, não se pode afirmar que o Ribeirão Grande seja o Ribeirão Pires.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2008

População total: 107 046 habitante

  • Urbana: 104 508
  • Rural: 0-
  • Área Territorial: 107 km²
  • Homens: 51 634
  • Mulheres: 52 874

Densidade demográfica (hab./km²): 1 053,51

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 18,38

Expectativa de vida (anos): 69,93

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,00

Taxa de alfabetização: 94,55%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,807

  • IDH-M Renda: 0,757
  • IDH-M Longevidade: 0,749
  • IDH-M Educação: 0,915

(Fonte: IPEADATA)

Bairros[editar | editar código-fonte]

Ribeirão Pires possui 26 bairros que foram instituídos pela Lei Municipal 2481/1983, com as seguintes denominações:

Bairros Vilas
Centro Jardim Itacolomy, Vila Maria José Menato (Vila Menato), Vila Ugliengo, Centro Velho, Zona Comercial Central, Vila Fortuna, Jardim Santa Cruz, Jardim Panorama, Vila Eliza, Vila Prisco, Vila Nova Fortuna, Vila Sortino e Vila Cleide.
Centro Alto Vila Mortari, Parque Santista, Núcleo Colonial, Vila Clara, Sub. divisão de O. Zampol, Vila Aurora e Vila Tavolaro.
Roncon Vila Nova, Jardim Luzo, Sub. Divisão de Aluizio A. Buzaid, Morro do Embaixador, Jardim Rib. Pires, Vila Mara, Jardim São Francisco.
Santana Vila Guerda, Jardim Capistrano, Herdeiros de Luiz Roncon, Jardim Colorado, Vila Caiçara, Vila Amélia, Sub. Divisão Paulo de T. M. Vieira, Vila Fiorentina, Vila Aparecida, Jardim Centenário, e parte da V. Maria.
Pastoril Jardim Pastoril, Cia. Parstoril, Vila Albertina, Vila Manoel Dourado, Vila Ribeirão, Sub. div. Helena Del Corto, Vila Oneida, Vila Icléia.
Barro Branco Vila Pereira Barreto.
Santa Luzia Estância Holywood, Vale do Sol, Jardim Boa Vista, Jardim Ideal, Jardim Santa Luzia (Alfredo Petrachi), Parque Santa Luzia, Vila Moderna, Jardim Hortência, Jardim Itapeva, Vila Érica Yara, Vila Santo Antonio e Vila Oásis.
Aliança Parque Aliança, Vila Gomes, Vila Belmiro, Jardim Guanabara, Jardim Nina Rosa, Sub. divisão de Manoel Rodrigues.
São Caetaninho Jardim Esperança, Estância das Rosas, Estância das Rosas II, Jardim Santo Antonio, Jardim Lisboa, Recanto Vista Alegre, Espólio José Francisco, Sub. divisão de José Francisco de Carvalho e Planalto Bela Vista.
Colônia Vila Fonseca, Cia. Avícola, Vila Sônia, Jardim Colonial, Sub. Divisão de Mário Zampol, Sub. Divisão Paulo M. T. Vieira, Jardim Dois Melros, Jardim Alvorada, Vila Dionísio, Jardim Colonial, Jardim Boa Sorte, Sub. Divisão Aristides Ramos, Vila Maria, Vila Maracá, Estância Paulista, Vila Conceição, Vila Colônia, Bosque Santana, Sub. Divisão Regina Sartori Bertoldo.
Bocaina Jardim Celso, Jardim Santa Eliza, Vila Suely, Vila São Manoel, Recanto Alegre, Jardim Santa Inês e Jardim do Mirante.
Suíssa Vila Luppi, Herd. E. Luppi, Herd. de D. Zampol, Sub. divisão de L. Zampol, Herdeiros de F. Zampol, Sub. divisão de Benedito Crisante, Vila Zampol, Vila Nova Suissa Santista, Recanto Suisso, Jardim Garibaldi, Vila Vicentina, Vila Rosal, Desdobro de Luiz Chemello, Recanto Santo Antonio, Sítio Santo Antonio, Sub. divisão de L. Carlos Pegoraro, Balneário Nova Suissa, Sub. Divisão de F. Serralha, Vila Maria Cristina, Estância Noblesse, Sub. Divisão de Archangela Mano, Balneário Santo Antonio, Jardim São Domingos e Vila Maristela.
Sertãozinho Não possui vilas.
Represa Sítio do Francês, Jardim Vista Linda, Chácara Icatuaçú, Jardim Paz, Jardim Planteucal, Jardim Caçula, Califórnia Paulista, Jardim Alteza, Jardim Guaripocaba, Chácara Engenho da Serra, Sítio Taquaral, Jardim Club de Campo, Sub. Divisão Silveira Lima (F. dos Tecos) e Balneário Palmyra.
Ponte Seca Vila Marquesa de Santos, Jardim Valentina e Parque do Governador.
Guapituba Jardim Guapituba.
Pilar Velho Estância Hidromineral Hiramaia, Chácara do Pilar, Jardim Pilar Velho, Jardim José Moreira, Jardim Santa Rosa, Recanto Leda.
Soma Desdobro de Osny Ribeirão, Estância Alto da Serra e Jardim Itaquera.
Pouso Alegre Jardim Califórnia, Estância Santista, Jardim Aymoré, Sítio Pouso Alegre, Jardim dos Eucaliptos, Vila Casa Branca, Vila Mery, Estância São Jorge, Jardim Bandeirantes. Jardim União, Vila Luzitania, Parque Pouso Alegre e Propriedade de Benedito V. das Almas.
Casa Vermelha Chácara das Flores, Chácara Oriente, Sítio Casa Vermelha e Chácara Aguiar.
Itrapoá Vila Rosana, Sítio Gamela, Jardim Petrópolis, Jardim Nossa Senhora de Fátima, Jardim Rancho Alegre, Jardim das Campinas, Sítio Santa Helena, Sub Divisão de Nobuo Iamamoto, Sítio Itrapoá.
Ouro Fino Paulista Vila Ouro Fino, Sub divisão Manoel F. Ribeiro, Sítio Ouro Fino, Granja Ouro Fino, Jardim Sol Nascente, Sítio Santana, Vila Siqueira e Jardim Novo Ouro Fino.
Tecelão Jardim Itaquera, Chácara Paraizo, Vila Santa Izabel, Recanto Leda.
KM4 Sítio Ouro Fino, Parque Ouro Fino e Jardim Aprazível.
Tanque Caio Vila Rica a Vila Bonita.
Quarta Divisão Chácara Rosalina, Jardim Zilda, Recanto Irani, Vila dos Pintos.

Transporte coletivo[editar | editar código-fonte]

Como quase todas as cidades que fazem parte da Região Metropolitana de São Paulo, o município tem seus limites conurbados (formam uma área urbana contínua), o que faz com que a maioria de seus habitantes trabalhe em cidades vizinhas, especialmente as do ABC Paulista. Esta característica fez com que o município desenvolvesse um sistema de transportes coletivos diferenciado, com picos de utilização na parte da noite e do começo do dia, que indiretamente incorpora inclusive as redes (intermunicipais) de trens da CPTM e de ônibus da EMTU.

Sendo assim, podemos dizer que o sistema de transporte coletivo de Ribeirão Pires é formado por: - Ônibus Municipais (operados por uma empresa particular - Rigras) e com pontos centralizados no Terminal Rodoviário de Ribeirão Pires (TERRP). Esta centralização levou à implantação do sistema de integração no qual os usuários podem trocar de ônibus para seguir viagem. O TEERP também recebe ônibus intermunicipais e interestaduais que servem algumas regiões de São Paulo como os Litorais Norte e Sul e o Vale do Paraíba. As linhas municipais de ônibus estão operadas por uma empresa: Rigras [21]

  • Jardim dos Eucaliptos
  • Pereira Barreto
  • Vila Bonita
  • Bosque Santana/ Santa Rosa
  • Nossa Senhora de Fátima/ Petrópolis
  • Parque das Fontes
  • Ouro Fino Somma
  • Ouro Fino KM4
  • Cooperhodia
  • Vila Sueli
  • Jardim Mirante
  • Recanto Suisso
  • Vila Nova Suissa
  • Vila Aurora via Tavolaro
  • Vila Aurora via Hospital
  • Jardim Valentina (Pq. Governador ou Rua Santa Fé)
  • Vila Marquesa
  • Jardim Caçula
  • Jardim Caçula via Matinha
  • Santo Bertoldo (Conceição ou Hosp. São Lucas)
  • Jardim Ribeirão Pires
  • Jardim Luso
  • Santa Luzia (Hollywood ou Boa Vista)
  • Santa Clara/ Portal Iramaia
  • Parque Aliança (Faculdade)
  • São Caetaninho (Jardim Serrano)
  • Jardim Serrano /Faculdade
  • Vila Gomes/ Vila Belmiro/ Jardim Guanabara/ Planalto Bela Vista

- Ônibus Intermunicipais (operados por empresas particulares) - Gerenciadas pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), órgão do governo do estado de São Paulo e que ligam Ribeirão Pires a diversos municípios da Grande São Paulo e a várias regiões da capital paulista.

O TEERP também recebe ônibus interestaduais que servem algumas regiões de São Paulo como os Litorais Norte e Sul e o Vale do Paraíba.

- Trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que servem à Linha 10 Turquesa - "Brás - Rio Grande da Serra", em que há integrações gratuitas com as seguintes linhas:

  • Linha 7 Rubi (Luz - Francisco Morato - Jundiaí) - a integração direta só é possível quando esta Linha estende, por algum motivo, o percurso até a Estação Brás
  • Linha 11 Coral (Luz - Estudantes)
  • Linha 12 Safira (Brás - Calmon Viana)

- Ainda há possibilidade de integrações gratuitas com as seguintes Linhas do Metrô de São Paulo:

Na Estação Prefeito Celso Daniel - Santo André é possível fazer a integração (tarifada) com o Corredor Metropolitano de Trólebus da Metra, com destino a Diadema, Ferrazópolis (São Bernardo do Campo) ou São Mateus (Distrito de São Paulo).

Religião[editar | editar código-fonte]

  • Aspecto religioso: A maior parte da população de Ribeirão Pires se declara católica, de acordo com o mais recente censo. A Paróquia de São José conhecida como Igreja da Matriz, situada no centro da cidade é a principal igreja do município, que conta também com outras paróquias, como a Paróquia de Sant'anna, que coordena outras capelas, Capela Sagrado Coração de Jesus (uma das mais novas e maiores capelas da cidade), Capela São Francisco de Assis, Capela Santa Rita de Cássia e Capela São Judas Tadeu (Capela Particular da Firma de Móveis Bartira). Entre outras paróquias em destaque com festividades temos a Igreja de Santo Antônio e a Igreja do Pilar, onde todos os anos se realiza a mais importante festa oficial da Município, a festa do Pilar.
  • Outras religiões: O município conta também com adeptos de muitas outras religiões como a Evangélica, Anglicana, Espírita, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ("Mórmon") e o Candomblé. É inclusive, sede de grandes encontros religiosos como o das Testemunhas de Jeová que construíram o primeiro Salão de Assembleias do Brasil na década de 70 no bairro da Vila Nova Suiça.

Patrimônio Cultural[editar | editar código-fonte]

Ribeirão Pires possui um considerável acervo arquitetônico e paisagístico. Possui três bens culturais reconhecidos pelo Estado de São Paulo e dois na esfera municipal:

  • Capela do Pilar: Tombada pelo Condephaat em 24 de abril de 1975, registrada no Livro do Tombo Histórico sob inscrição nº 97, p. 13, 06/05/1975. Antônio Correa de Lemos foi nomeado capitão-mor de Caaguassu e, em pagamento de uma promessa, mandou erigir a Capela do Pilar Velho que se tornou o centro das romarias da região. Neste local originou-se um povoado que, em 1831, transformou-se no Bairro do Pilar, vinculado à Freguesia de São Bernardo. A capela constitui-se em importante exemplar arquitetônico do século XVIII. De pequenas dimensões, apresenta em sua elevação frontal uma torre, acréscimo feito em 1809, e, no trecho que corresponde à nave, apenas uma porta, com verga em arco pleno. Lateralmente, a fachada apresenta uma varanda reentrante, típica das construções bandeiristas. A edificação chegou até os dias de hoje praticamente inalterada.[22]
  • Conjunto Ferroviário de Ribeirão Pires: Tombado pelo Condephaat em 18 de outubro de 2011, registrado no Livro do Tombo Histórico sob inscrição nº 389, p. 112/113, 11/10/2012. O Conjunto Ferroviário de Ribeirão Pires foi implantado ao longo da antiga São Paulo Railway, posteriormente denominada Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, a primeira linha ferroviária em território paulista, que conectou o planalto ao litoral. O conjunto, composto por Estação, Armazém e Vila Ferroviária, representa o período de consolidação da companhia e promoveu o desenvolvimento da região. As tipologias arquitetônicas refletem o partido adotado pelos ingleses nas primeiras construções ferroviárias de São Paulo, com a introdução de novas técnicas como a alvenaria de tijolos e o ferro fundido. Sua vila registra a forma de moradia associada ao segmento de ferroviários e mantém o valor simbólico para a compreensão do conjunto de estações ao longo da linha.[23]
  • Moinho de Trigo Fratelli Maciotta (Fábrica de Sal): Tombado pelo Condephaat em 12 de dezembro de 2016. O antigo ‘Moinho de Ribeirão Pires’, assim chamado à época, é uma típica construção fabril do final do século XIX, constituído de estrutura autoportante com tijolos de olaria, argamassa de saibro, paredes com espessura de 70cm, arcos em abóboda e uma emblemática chaminé industrial que remontam um período de efervescência da industrialização do Estado de São Paulo e da imigração italiana no Brasil. Projetado pelo engenheiro Federico Maciotta, com ajuda de seus irmãos Ottavio e Anacleto, todos imigrantes de Gênova (Itália), o moinho é, por si só, um testemunho edificado da história de Ribeirão Pires e um marco de sua formação urbana[24]. Empreendedores, os irmãos compraram as terras do Major Claudino Pinto de Oliveira, o Major ‘Cardim’, e edificaram próximo à ferrovia o Molino Di Semole Fratelli Maciotta e C., que funcionava com a tecnologia de moagem por cilindros – a mais avançada na época. Estudos indicam que o ‘Moinho de Ribeirão Pires’ é mais antigo que o Moinho Central, da família Matarazzo (1900).[25]
  • Casa de Herbert Richers: Construída em 1957 pelo produtor de cinema Herbert Richers, a casa foi inicialmente pensada para seus pais, Guilherme Richers e Maria Luísa Wulfes, habitarem. No entanto, em 1968 e 1969, foram gravadas tomadas para dois filmes: Papai Trapalhão e Golias contra o homem das bolinhas, respectivamente. A gravação mobilizou toda a cidade, que possuía apenas 20 mil habitantes na época. Participaram do filme dois atores mirins da cidade e a mobília foi patrocinada pela loja de móveis de Ricardo Nardelli. A promoção dos filmes foi ampla e contou com a participação das autoridades locais e do Ribeirão Pires Futebol Clube, além do elenco do filme. Foi tombada a pedido do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural e Natural, com estudos técnicos do CATP - Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio. O tombamento na esfera municipal foi oficializado por meio do Decreto Municipal 6.770, de 20 de outubro de 2017.
  • Bar da Estação: O Bar da Estação de Ribeirão Pires é um dos últimos exemplares de toda a Estrada de Ferro Santos a Jundiaí (EFSJ). Elemento obrigatório nas estações de metrópole e subúrbio, foi construído no começo dos anos 1930, por Jacyntho Gasperini, imigrante de Trento (Itália), que chegou a ter fábrica de cerveja no Brasil. Desde sua inauguração, o singelo bar foi testemunha de várias gerações, que fizeram uso dele como ponto de encontro para os moradores da vila ou para visitantes, que aguardavam a chegada do trem ou desembarcavam na cidade. Com o passar dos anos, o barzinho resistiu à modernização e manteve-se praticamente inalterado. Hoje, é uma edificação charmosa no Conjunto Ferroviário de Ribeirão Pires, tombado pelo Estado em 2011. O tombamento na esfera municipal foi oficializado por meio do Decreto Municipal 6.796, de 19 de janeiro de 2018.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Ribeirão Pires é um município turístico 1998. Sua luta para se tornar estância turística vem desde 1959, quando, já emancipado de Santo André, se consolidou como destino de veraneio de santistas e paulistanos. Em 1985, após vários investimentos e criação de pontos turísticos, torna-se um Município de Interesse Turístico (MIT), até que, em dezembro de 1998, alcança o sonhado título. Rica em atrativos culturais e naturais, a cidade é a única da Região Metropolitana de São Paulo com este título.

Pontos turísticos oficiais[editar | editar código-fonte]

  • 1971 - Capela do Pilar: Erguida em 1714 em virtude de uma milagre atendido por Nossa Senhora do Pilar, a mando do Capitão-Mor Antônio Corrêa  de Lemos e abençoada pelo Frei Pacífico, no dia 25 de março, é o mais emblemático ponto turístico de Ribeirão Pires, instituído pelo Decreto 976/1971 (utilidade pública). Caracteriza-se como um sítio arqueológico tombado pelo Condephaat em 1975. Sua arquitetura em taipa de pilão é típica do período bandeirantista, com paredes autoportantes de 40 cm de espessura, telhas coloniais e acabamento rústico. A torre sineira não é original e foi acrescida em 1809. Os detalhes em cantaria foram realizados no final do século XIX por imigrantes italianos, que dominavam essa arte, a partir de pedras extraídas da antiga Pedreira de Santa Clara. Atrás da capela, existe um terreno em relevo que foi usado como cemitério cristão por moradores antigos e imigrantes italianos - depois abandonado com a inauguração do Cemitério São José.
  • 1974 - Mirante Santo Antônio: É um dos principais pontos turísticos do município, associado à religião e aos festejos juninos, em razão do dia de Santo Antônio. É o único ponto turísitoc de onde se pode obter uma vista panorâmica do município, em 360º, abrangendo o Centro, a Ferrovia e a Represa Billings. Considerada o marco oficial do turismo de Ribeirão Pires, em 19 de março de 1974, surgiu a partir da desapropriação de uma área de 14.650 m2, junto à Av. Humberto de Campos, que pertencia à Associação dos Amigos de Santo Antônio. Esta associação, por sua vez, iniciou a construção da capela de Santo Antonio em 1942 e a finalizou em 1945. A torre sineira foi inaugurada somente em 1948 e a tradicional Festa de Santo Antônio foi oficializada em 1976.
  • 1975 - Parque Municipal Milton Marinho de Moraes (antigo Camping Municipal): Desapropriado pela prefeitura em 1974, foi inaugurado em 1975 como "Camping Municipal", com amplo espaço verde à beira da Represa Billings. Em 1984, teve o nome alterado para Milton Marinho de Moraes. Em 1997, passou por reformas, ganhando um viveiro e um orquidário, além de melhorias nas instalações anteriores, como banheiros, restaurante, churrasqueiras, quiosques, mesas, esculturas etc.
  • 1976 - Mirante de São José: Erguido a 801,4 metros acima do nível do mar, permite visão privilegiada da região central da Município de Ribeirão Pires. No local, há uma estátua representando São José, eleito Santo Padroeiro do município. O local possibilita uma vista de 180º do município. A estátua é uma obra do escultor Gildo Zampol, com atelier em São Paulo mas toda uma história de vida em Ribeirão Pires.
  • 1981 - Pedra do Elefante: Descoberta na década de 1950 por Valentino Redivo, quando das atividades de prospecção decorrentes da Pedreira da Quarta Divisão, a imensa pedra está localizada no alto do Morro da Suindara e é um dos primeiros pontos turísticos naturais do município. Do local, pode-se avistar municípios vizinhos como Suzano, Mauá (Vale do Tamanduateí) e parte da Zona Leste de São Paulo. A área foi desapropriada pelo Decreto Municipal de 03 de setembro de 1981, tornando-se um ponto turístico municipal.
  • 1987 - Parque Pérola da Serra: Inaugurado em março de 1987, o local conta com um imóvel construído em 1945, residência em estilo colonial de influência mexicana, caramanchão e túnel de aproximadamente 100 metros. Local propício para quem quer tranquilidade, passeios e caminhadas com ar puro. O local foi antigamente a Chácara Preferida, construída em 1945 pelo casal José Gomes Fernandes e Alice Salgueiro, detentores do patrimônio financeiro do Banco Novo Mundo e das Casas Lotéricas Preferidas (maior rede de loterias do Estado). A casa principal, demorou quatro anos para ser construída e foi acompanhada de jardins, gruta artificial e um caramanchão de alvenaria, mas com elementos naturais artisticamente talhados. O local possui uma galeria de captação de águas subterrâneas de 100 metros de extensão por 1,5 metros de altura, gerando boatos de que se tratava de um túnel projetado para fuga ou esconderijo de pessoas. Uma outra lenda que povoa o imaginário popular da cidade é que o local foi utilizado clandestinamente para jogos de Cassino, atividade proibida no Brasil desde 1946. Este mito é reforçado pelo fato da chácara ter sido utilizada constantemente para festas aos finais de semana, onde havia grande circulação de automóveis. A área de 36 mil m2 foi decretada de utilidade pública em 1986 e no ano seguinte aberta ao público com a denominação de Parque Municipal Pérola da Serra. Em 2003, foi reformado como um espaço de Ecoturismo, ganhando área para arvorismo (tirolesas e trilhas), bancos e sinalização padronizada.
  • 1987 - Gruta da Quarta Divisão: Em 1987, o Grupo Pierre Martin de Espeleogia descobre a Gruta da Quarta Divisão, na Chácara Paraíso, uma das áreas mais bonitas de Ribeirão Pires. A gruta é citada como a maior de granito do Brasil, com 130 metros de projeção horizontal e 19 metros de desnível. A Sociedade Brasileira de Espeleogia cadastrou a gruta, propriedade de Antonio de Almeida[13].
  • 2008 - Vila do Doce (atual Complexo Turístico Vila do Doce): A Vila do Doce se encontra na área central da cidade, com quiosques de artesanato local e diversas opções de alimentação, inaugurada no dia 19 de janeiro de 2008 a Vila do Doce é um dos locais mais movimentados da cidade, onde também acontecem apresentações artísticas, sendo uma das opções de lazer e turismo da cidade, atraindo pessoas de toda a região. Em 2017, foi denominado "Complexo Turístico Vila do Doce", abrangendo a Praça da Melhor Idade, o Boulevard Ernest Solvay (praça onde foi instalada a Vila do Doce) e a Praça da Bíblia (antigo Boulevard Central, onde fica o popular "Palco da Praça").
  • 2015 - Centro de Exposições e História Ricardo Nardelli: Inaugurado em 18 de maio de 2015 no Dia Internacional dos Museus, o Centro de Exposições e História é um dos maiores espaços expográficos do Grande ABC. Conta com quatro pavimentos acima do térreo e dois amplos salões de exposição. Em suas dependências estão instalados o Museu Histórico Municipal Família Pires, o Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio (CATP), a Pinacoteca Municipal Guilherme de Carvalho Dias e o Centro de Documentação Histórica.

Espaços culturais[editar | editar código-fonte]

  • 1996 - Centro Educacional, Cultural e de Esportes Ayrton Senna da Silva: Concebido em 1985 como Centro Cívico, o CEC Ayrton Senna foi instituído somente em 1994, pela Lei Municipal 3.728, mas finalizado e totalmente entregue em dezembro de 1996. Localizado nas antigas várzeas do Ribeirão Grande, as quais foram aterradas após o desmanche do antigo Morro Santo Antônio (atual Centro Novo), foi composto originalmente de uma biblioteca municipal, um teatro, um centro de exposições com auditório, um centro educacional com duas creches e uma escola primária, além de uma praça cívica e um ginásio de esportes. Hoje, o espaço abriga a Secretaria de Esportes, a Secretaria de Educação, o Teatro Euclides Menato e da Tenda Multicultural. Neste local é realizado, anualmente, o Festival do Chocolate e outros eventos como o Rebanhão, a Marcha para Jesus, maratonas, festas etc.
  • 2004 - Centro Cultural e Educacional Ibrahim Alves de Lima: Conhecido popularmente como 'Fábrica de Sal', o complexo conta com um amplo espaço, incluindo a Biblioteca Municipal Olavo Bilac, a Escola Municipal Lavínia Figueiredo Arnoni, o Edifício Dom Helder Câmara e a Praça Celso Daniel. O prédio histórico - antigo Moinho de Ribeirão Pires (Molino di Semole Fratelli Maciotta) - foi erguido em 1898 pelo engenheiro italiano Federico Maciotta e encontra-se em processo de tombamento provisório pelo Condephaat, podendo ser considerado o primeiro moinho de trigo do Estado de São Paulo. É composto pela Biblioteca Municipal Olavo Bilac (Edifício Sérgio Tank), Centro Cultural (Edifício Dom Helder Câmara), EM Prof.ª Lavínia Figueiredo Arnoni e Praça Prefeito Celso Daniel. Encontra-se interditado desde 2009, em virtude da salinidade encontrada nas paredes e no ambiente. Em 2017, o atual governo iniciou a fase de captação de recursos, visando a sua recuperação.

Museus[editar | editar código-fonte]

  • 1983 - Museu Histórico Municipal Família Pires: O Museu Histórico de Ribeirão Pires foi criado por lei em 1983, sendo inaugurado somente em 24 de março de 1985. É uma instituição que tem como objetivo colecionar documentos, fotografias, iconografias, jornais, mapas, livros e objetos tridimensionais portadores de valor excepcional para a preservação da memória coletiva do município. Seu acervo conta hoje com cerca de 500 objetos tridimensionais e 10 mil documentos. Em 2015, teve sua nova e definitiva sede inaugurada no Centro de Exposições e História Ricardo Nardelli, construída em parceria com o Governo do Estado, por meio de recursos do DADE. É um dos pontos turísticos oficiais de Ribeirão Pires, sendo o primeiro exclusivamente dedicado à preservação da memória municipal.
  • 1985 - Pinacoteca Municipal Guilherme de Carvalho Dias: Planejada inicialmente para operar na futura Casa da Cultura (atual CEEJA Valberto Fusari), a Pinacoteca foi criada por decreto em outubro de 1985, mas entrou em funcionamento somente em 27 de março de 1987, exatamente às 20h, na Chácara Pérola da Serra, desapropriada em 1986 pela Prefeitura. Hoje, exibe um acervo de 83 obras, das quais constam artistas locais e de outras cidades. O acervo é organizado em duas coleções: paisagens e igrejas históricas. Há também obras mais recentes, como a coleção "Paisagens de Ribeirão Pires", adquirida pela Prefeitura em 2008 e 2010 (2ª coleção), do consagrado artista do realismo fantástico, Paulo Acencio, e "Festa do Pilar - 80 Anos", adquirida em 2015. Esta última coleção é assinada por jovens ilustradores do Filezão Ilustrado, coletivo que atua representando a nova geração dos artistas visuais da cidade.
  • 2015 - Museu Aberto de Arte Contemporânea (MAAC): Criado em 2011 como 'Museu a Céu Aberto' este equipamento foi regularizado por lei em 2015 e hoje é reconhecido oficialmente como museu público pelo IBRAM e SISEM. Conta com um acervo aberto de mais de 100 obras, entre esculturas, monumentos, miniaturas e grafites. Seu acervo está exposto no perímetro central e nas principais vias da cidade.
  • 2016 - Museu Ferroviário Municipal João Evaristo de Abreu Duarte: Atendendo a uma antiga demanda de mais de 1000 ferroviários aposentados que moram em Ribeirão Pires, o Museu Ferroviário foi criado em homenagem a João Evaristo de Abreu Duarte, primeiro chefe da estação de Ribeirão Pires, que trabalhou de 1895 a 1920 na antiga São Paulo Railway & Co. O Museu está instalado no antigo Armazém de Cargas da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), inaugurado junto com a nova estação em 1898. A instituição ficou sob gerencia do Sindicato dos Ferroviários, desde sua inauguração, em 30 de abril de 2016, até 21 de dezembro de 2017. Desta data em diante, passou a ser gerenciado pelo Departamento de Patrimônio, vinculado à Secretaria de Turismo de Ribeirão Pires.

Eventos do calendário oficial turístico[editar | editar código-fonte]

  • Festa de Santo Antônio (desde 1976): Evento de cunho religioso, é realizado com apoio da Prefeitura desde junho de 1976 (quase três anos após a desapropriação do morro e da capela). É uma festa típica do período junino, em razão do dia 13 de junho, quando se celebra, no calendário católico, a devoção ao santo com a tradicional Missa do Pão Bento. A festa já teve quadrilhas juninas, mas perdeu essa característica e hoje é composta de eventos culturais, shows sertanejos, gastronomia junina e atividades litúrgicas. O ponto forte da festa é o aspecto religioso, além do inverno, do ambiente familiar e da vista da cidade do alto do morro.
  • Festa de Nossa Senhora do Pilar (desde 1978): Evento de cunho religioso criado em 1936 apenas como romaria em dedicação à Virgem do Pilar. Em 1978, a prefeitura oficializou a festa e passou a dar apoio nos preparativos, como luz, som, contratação de artistas para shows etc. O aspecto litúrgico (missa, missa campal, romaria etc) fica a encargo da Paróquia Santa Luzia, proprietária e administradora da capela. O apoio da prefeitura foi fundamental para o evento se tornar um dos mais tradicionais do Estado, realizando-se ininterruptamente a cada ano no final do mês de abril e começo de maio - coincidindo com as comemorações do 1º de Maio (Dia do Trabalho). Celebrada no adro da Capela do Pilar (a programação litúrgica realiza-se no interior da capela), a festa se assemelha a uma grande quermesse, com atrações folclóricas, música popular, gastronomia e exposição de artesanato.
  • Meia-Maratona Trilheira de Ribeirão Pires (desde 2001): Corrida a pé que tem como trajeto ruas do município e trilhas da mata atlântica, e que realiza-se anualmente desde 2001 e que conta com a organização do Rotary Club local em parceria com a Prefeitura Municipal.
  • Festival do Chocolate (desde 2005): Evento de caráter gastronômico realizado desde 2005, já foi considerado o quinto maior festival do gênero no estado de São Paulo. No festival, encontra-se uma grande variedade de chalés que comercializam chocolates e salgados. O atrativo principal são shows com cantores de apelo nacional. Em 2013[26] e 2016[27] não foram realizadas as respectivas edições, sob alegação oficial de falta de recursos financeiros.
  • Festival do Cambuci (desde 2014): Realizado desde 2014 com apoio da Prefeitura de Ribeirão Pires em parceria com a Rota do Cambuci (criada em 2009), o evento tem como foco principal a exploração gastronômico e cultural do cambuci, uma espécie nativa da Mata Atlântica. A edição de 2016 contou com 4 mil visitantes e parceria do Consórcio Intermunicipal Grande ABC e Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC[28].
  • Festa de Corpus Christi (desde 2017): Evento de cunho religioso e católico, realizado após o domingo da Santíssima Trindade, onde relembra a quinta-feira santa em que Jesus criou a consagração da eucaristia. Consiste de uma procissão que remonta a jornada do povo de Deus até a Terra Prometida (Canaã). Após a procissão, os fiéis se alimentam do próprio corpo de Jesus Cristo, representado na hóstia. É realizado na cidade desde 1969, quando o fiel Maurício Martins Migliani decidiu decorar as ruas Major Cardim e Emma Mortari, tal como era feito na Vila de Santa Isabel, na capital. A partir daí, os tapetes se expandiram para outras ruas e a tradição se consolidou. Em 2017, tornou-se um evento oficial do calendário do município de Ribeirão Pires, conforme a Lei Municipal 6.212/2017.

Mobilidade[editar | editar código-fonte]

Principais Vias[editar | editar código-fonte]

  • Avenida Prefeito Valdírio Prisco (Antiga Brasil)
  • Avenida Francisco Monteiro
  • Avenida Humberto de Campos
  • Estrada da Colonia
  • Estrada Ribeirão Pires-Suzano

Rodovias[editar | editar código-fonte]

  • SP-31 - Rodovia Índio Tibiriçá
  • SP-43 - Estrada de Taiaçupeba/ Estrada da Quinta Divisão
  • SP-122 - Rodovia Dep. Antonio Adib Chammas
  • SP-021.png Rodoanel Mário Covas (A rodovia atravessa Ribeirão Pires, porém, sem acesso direto ao município.)

Saúde[editar | editar código-fonte]

A Rede pública de sáude é composta pelas UBS - Unidades Básicas de Saúde, USF - Unidades de Saúde da Família, a UPA - Unidade de Pronto Atendimento 24 horas que atende os casos de emergência como pronto atendimento e algumas especialidades médicas e o Hospital e Maternidade São Lucas que é mantido pela prefeitura, recebe os casos de internação e mantém suas atividades como maternidade. Quanto a rede particular de atendimento médico, além de várias clínicas, há o Hospital e Maternidade Ribeirão Pires, com diversas especialidades realiza exames complexos, com clínicas de especialidades, maternidade e pronto socorro.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O município é cortado pelo Ribeirão Grande, que nasce no Pilar Velho e desce pela atual Av. Prefeito Valdírio Prisco até fazer barra na Represa Billings. O Ribeirão Pires, que deu origem ao nome do município, passa atrás de uma colina chamada "Morro Santo Antônio". Além disso possui uma série de nascentes, que sustentam o comércio de água, uma das grandes atividades econômicas do município. A cidade é banhada pelos rios Guaió e Taiaçupeba e pela Represa Billings, além dos dois ribeirões citados.

Imprensa[editar | editar código-fonte]

Ribeirão Pires possui vários jornais que circulam localmente com notícias do município e, eventualmente, de Mauá e Rio Grande da Serra. Os principais veículos, em ordem cronológica de fundação, são:

Ano Nome Editor Situação
Jornais
1920 O Boatinho Oirevas Inafts Encerrado
1956 A Voz de Ribeirão Pires Geraldo Antão Piedade Encerrado
1984 A Voz de Ribeirão Pires Fausto Piedade Encerrado
1968 A Imprensa Noêmia Giachello Encerrado
1989 Folha Gemecê de Menezes Ativo
1993 A Cidade Encerrado
2003 Mais Notícias Gazeta Ativo
2008 A Voz de Ribeirão Pires Marcelo Marques Encerrado
2011 Acontece RP Thiago Quirino Encerrado
2013 Tribuna Acontece Marcio Prado / Thiago Quirino Encerrado
2014 A Voz de Ribeirão Pires Samuel Boss Encerrado
2014 Diário de Ribeirão Pires Rafael Ventura Ativo
2016 Serrano Ricardo Silveira Ativo
Revistas
2007 Contemporânea Ricardo Silveira Ativo
2010 Aqui! Marcio Marques Ativa
2010 Mais Conteúdo Gazeta Encerrada
2017 Pilares Caio Ativa

Administração Pública[editar | editar código-fonte]

Como Ribeirão Pires foi emancipada pelo Estado em 30 de dezembro de 1953 e fundada em 19 de março de 1954, as eleições municipais ocorreram somente em 03 de outubro do mesmo ano. Concorreram ao cargo Arthur Gonçalves de Souza Júnior (que estava investido do cargo de vereador em Santo André) e Euclides Menato. Venceu o primeiro, com margem pequena de vantagem. Naquele tempo, o eleitor escolhia separadamente o vice-prefeito e, para este cargo, venceu Lucas Ângelo Arnoni. No dia 1º de janeiro de 1955, a cidade passou a ser efetivamente governada de forma autônoma.

Prefeitos de Ribeirão Pires[editar | editar código-fonte]

Ordem Prefeito/a Nome popular Vice Partido Ideologia Votos % Válidos Início Fim Duração
Arthur Gonçalves de Souza Júnior Arturzinho Lucas Ângelo Arnoni UDN Direita 01/01/1955 31/12/1958 4 anos
Francisco Arnoni Chiquinho Arnoni Adaquir Prisco PTN Direita 1.534 01/01/1959 31/12/1962 4 anos
Mário Netto (interino) - - PSP Direita - - 31/08/1962 15/10/1962 45 dias
Adaquir Prisco Adaquir Santinho Carnavalle PDC Direita 01/01/1963 31/12/1966 3 anos
Santinho Carnavalle - Antônio Simões MDB Centro 3.044 01/01/1967 31/01/1970 3 anos e 1 mês
Antônio Simões - Hidetoci Nakano ARENA Direita 2.803 01/02/1970 31/01/1973 2 anos e 11 meses
Valdírio Prisco Prisco Antônio dos Santos ARENA Direita 3.175 01/02/1973 31/01/1977 3 anos e 11 meses
Luiz Carlos Grecco Grecco João Maziero ARENA/PDS Direita 4.094 01/02/1977 14/05/1982 5 anos e 3 meses
10º João Maziero Maziero - PDS Direita - - 15/05/1982 14/03/1983 9 meses
11º Valdírio Prisco Prisco José Marcio Farah Rasga PMDB Centro 15/03/1983 31/12/1988 5 anos e 9 meses
12º Luiz Carlos Grecco Grecco Valberto Fusari PTB/PDS/PPB Direita 9.684 23,91% 01/01/1989 31/12/1992 4 anos
13º Valdírio Prisco Prisco Roberto Massanobu Tokuzumi PMDB Centro 15.494 26,69% 01/01/1993 31/12/1996 4 anos
15º Maria Inês Soares Freire Maria Inês Jair Diniz Martins PT Esquerda 18.964 39,97% 01/01/1997 31/12/2000 4 anos
16º Maria Inês Soares Freire Maria Inês Jair Diniz Martins PT Esquerda 27.076 51,03% 01/01/2001 31/12/2004 4 anos
17º Clóvis Volpi Volpi Jorge Mitidieiro PV Centro 22.866 37,86% 01/01/2005 31/12/2008 4 anos
18º Clóvis Volpi Volpi Ednaldo de Menezes PV Centro 44.034 73,2% 01/01/2009 31/12/2012 4 anos
19º Saulo Mariz Benevides Saulo Leonice Moura PMDB Centro 24.601 58,31% 01/01/2013 31/12/2016 4 anos
20º Adler Alfredo Jardim Teixeira Kiko Gabriel Eid Roncon PSB Centro 17.703 30,31% 01/01/2017

Informações[editar | editar código-fonte]

  • As primeiras eleições de Ribeirão Pires ocorreram 03 de outubro, passados menos de dois meses do trágico suicídio de Getúlio Vargas, com o país sob forte atmosfera de luto.
  • Arthur Gonçalves de Souza Júnior precisou renunciar ao cargo de vereador em Santo André para assumir como prefeito em Ribeirão Pires[13].
  • Os prefeitos Antônio Simões, Valdírio Prisco e Luiz Carlos Grecco ficaram conhecidos como prefeitos biônicos, em razão do sistema de eleição indireta instituído pela Ditadura Militar. Ou seja, foram eleitos não pelos votos diretos recebidos, mas por um cálculo eleitoral baseado na legenda mais votada.
  • Nascido em maio de 1946, Luiz Carlos Grecco foi o candidato mais jovem a se eleger prefeito em Ribeirão Pires. No pleito de 15 de novembro de 1976 ele tinha 30 anos.
  • Em sua primeira eleição, Grecco venceu graças ao quociente eleitoral, pois o candidato mais votado foi José Valdemar Romaldini (MDB), com 7.300 votos. A ARENA foi a legenda mais votada com a somatória dos três candidatos (Grecco, Antônio Simões e Santinho Caranavalle), perfazendo mais de 7.600 votos, fator que elegeu o mais bem votado desta legenda. Isso fez com que Grecco se tornasse prefeito com pouco mais de 4 mil votos.
  • Na campanha de 1976, Grecco foi apoiado como sucessor do então prefeito Valdírio Prisco, naquela época ainda na ARENA. Mas os dois logo viriam a romper politicamente e se tornariam os maiores rivais políticos da cidade por mais de três décadas, até que, em 2008, se uniram na mesma chapa para tentar vencer o candidato Clóvis Volpi.
  • Em maio de 1982, Grecco renunciou ao cargo de prefeito para disputar como deputado federal, pelo antigo PDS, a pedido do governador Paulo Maluf.
  • João Maziero, vice de Grecco, demitiu todos os assessores do ex-prefeito ao assumir o cargo e declarou apoio a seu maior rival, Valdírio Prisco, que migrara da extinta ARENA para o PMDB.
  • O vice-prefeito Valberto Fusari faleceu no exercício do mandato, em 08 de novembro de 1991. A função de vice-prefeito passou a ser exercida pelo vereador Luiz Vieira de Moraes, presidente da Câmara Municipal naquela ocasião[13].
  • As eleições municipais de 1992 ocorreram sob fortes suspeitas de fraude e manipulação dos resultados. Praticamente todos os partidos pediram a recontagem dos votos (na época, cédulas impressas), inclusive o candidato eleito, Valdírio Prisco, que desconfiou do fato de as urnas terem sido abertas no local de apuração e depois fechadas sem a divulgação dos resultados.
  • Em 03 de outubro de 1996, Maria Inês Soares Freire se tornou a primeira mulher a assumir a prefeitura da cidade. Dos sete candidatos que disputaram, ela foi a única mulher e pertencia a um partido trabalhista de centro-esquerda. Maria Inês também foi a primeira a encerrar um longo período de revezamento de famílias tradicionais de imigrantes que governavam a cidade desde a emancipação.
  • Clóvis Volpi foi o prefeito mais popular da história da cidade. Em 2008, atingiu a inédita marca de 73% da preferência do eleitorado.
  • Leonice Moura foi a primeira vice-prefeita da cidade. Também foi a primeira ocupante do cargo de vice a disputar candidatura contra a continuação do próprio governo ao qual foi eleita.
  • Saulo Benevides foi o único prefeito de Ribeirão Pires a não obter êxito na renovação do mandato após a alteração da Constituição Federal que criou este direito.
  • Adler Alfredo Jardim Teixeira (Kiko) conseguiu se igualar ao prefeito Lauro Gomes, que administrou duas cidades diferentes do Grande ABC[29] Kiko, foi prefeito de Rio Grande da Serra por dois mandatos e conseguiu se eleger prefeito de Ribeirão Pires em 02 de outubro de 2016.
  • Ao ser eleito com 27 anos, Gabriel Roncon se tornou o vice-prefeito mais jovem da história da cidade[30].

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «O recorte das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias de 2017» (PDF). Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2017. p. 20–34. Consultado em 10 de agosto de 2017. 
  2. «Distâncias entre a cidade de São Paulo e todas as cidades do interior paulista». Consultado em 1 de fevereiro de 2011. 
  3. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  4. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (30 de agosto de 2017). «Estimativas da população residente no Brasil e unidades da federação com data de referência em 1º de julho de 2017» (PDF). Consultado em 16 de abril de 2018. 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 31 de julho de 2013. 
  6. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  7. «Lei Complementar nº 1.139, de 16 de junho de 2011». Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Consultado em 1 de fevereiro de 2017. 
  8. «Região Metropolitana de São Paulo». Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de São Paulo. Consultado em 1 de fevereiro de 2017.. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2017 
  9. a b c SCALABRINI, Marina Veiga. Histórico de Ribeirão Pires. Ribeirão Pires: CATP (Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio); Prefeitura da Estância Turística de Ribeirão Pires. 2003. n.p.
  10. a b c d SANTOS, Wanderley (2016). História de Ribeirão Pires. Santo André, SP: EDUFABC. 44 páginas 
  11. a b BOTTACIN, Roberto (1995). A parada do trem: Ribeirão Pires 1895-1995. Ribeirão Pires, SP: Do autor. pp. 7,8 
  12. CONDEPHAAT (18 de outubro de 2011). «Conjunto Ferroviário de Ribeirão Pires». Consultado em 20 de outubro de 2016. 
  13. a b c d MEDICI, Ademir. Vamos fazer tijolos? Informações e dicas sobre a formação étnica, social e urbana de Ribeirão Pires. Ribeirão Pires (SP): s.n. 1996. n.p.
  14. «Prefeitura Municipal da Estância Turística Ribeirão Pires». A Cidade. Prefeitura da Estância Turística de Ribeirão Pires. S.d. Consultado em 28 de outubro de 2016.  Verifique data em: |data= (ajuda)
  15. CONSTRUÇÃO, Revista. «Ribeirão Pires: prevenir para não remediar». A Construção 
  16. LARANJEIRA, Leandro (05 de agosto de 2001). «Maria Inês diz que agora é mais fácil governar». Diário do Grande ABC. Consultado em 16 de fevereiro de 2018.  Verifique data em: |data= (ajuda)
  17. OESP (22 de agosto de 2003). «Ribeirão Pires, município em área de manancial, lança Agenda 21 Local». O Estado de S. Paulo. Consultado em 17 de fevereiro de 2018. 
  18. DUARTE, Marcílio (2012). «Políticas Públicas Para a Cultura: Um Estudo de Caso Sobre o Teatro em Ribeirão Pires». Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Comunicação e Cultura (CELACC). Consultado em 29 jan. 2017. 
  19. TAQUES, Pedro (1871). Nobiliarquia Paulistana: genealogia das principais famílias de São Paulo. São Paulo, SP: Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. pp. 5–8 
  20. a b CARVALHO, Marcos Rogério Ribeiro de (2012). «Nos caminhos da Serra». Nos caminhos da Serra: Arqueologia, História, Patrimônio e Memória. A ocupação humana na Serra da Cantareira entre os séculos XVII e XX. Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo. Consultado em 28 de outubro de 2016. 
  21. http://www.rigras.com.br
  22. Condephaat. «Bem tombado: Capela de Nossa Senhora do Pilar». Consultado em 16 de dezembro de 2016. 
  23. «Condephaat». Bem tombado: Conjunto Ferroviário de Ribeirão Pires. Consultado em 16 de dezembro de 2016.  Verifique data em: |data= (ajuda)
  24. DUARTE, Marcílio (31 de julho de 2015). «Diretriz de Tombamento do antigo Moinho de Trigo Fratelli Maciotta (Fábrica de Sal)». Diretriz de Tombamento do antigo Moinho de Trigo Fratelli Maciotta (Fábrica de Sal). CATP - Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio. Consultado em 23 de dezembro de 2016. 
  25. DUARTE, Marcílio (2016). Lista indicativa do Patrimônio Cultural e Natural de Ribeirão Pires. Ribeirão Pires: s.n. 21 páginas 
  26. «Folha Ribeirão Pires - Cancelado o 9º Festival do Chocolate - cancelado festival do chocolate». www.folharibeiraopires.com.br. Consultado em 18 de novembro de 2016. 
  27. «Saulo admite cancelar Festival do Chocolate - Diário do Grande ABC». Jornal Diário do Grande ABC 
  28. «3º Festival do Cambuci de Ribeirão Pires acontece em junho». www.abcdoabc.com.br. Consultado em 18 de novembro de 2016. 
  29. «Kiko repete Lauro Gomes, faz história e se elege em Ribeirão Pires - Diário do Grande ABC». Jornal Diário do Grande ABC 
  30. «Gabriel Roncon 40». Eleições 2016. Consultado em 17 de novembro de 2016. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Categoria no Commons
Wikivoyage Guia turístico no Wikivoyage