Confederação dos Tamoios

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Confederação dos Tamoios
Ultimo tamoio 1883.jpg
"O último tamoio", quadro de 1883 de Rodolfo Amoedo retratando o extermínio dos tamoios
Data 1554 a 1567
Local Brasil
Desfecho Vitória do Império Português
Beligerantes
Império Português
* Estado do Brasil

Tupiniquins

Guaianás
Tupinambás

Goitacases Aimorés

França Antártica
Comandantes
Mem de Sá
Duarte da Costa
Brás Cubas
Estácio de Sá
Cunhambebe (até 1555)
Aimberê

A Confederação dos Tamoios ou Guerra dos Tamoios foi uma revolta indígena ocorrida entre 1554 e 1567, liderada pelos chefes Aimberê e Cunhambebe, da nação Tupinambá, contra os colonizadores portugueses. No século XVI, os tupinambá ocupavam o litoral do Brasil entre Bertioga e Cabo Frio. Além deles e dos portugueses, o conflito envolveu também colonizadores franceses e outros povos nativos (tupiniquins, guaianás, aimorés e temiminós). Estas etnias situavam-se ao longo do Vale do Paraíba e da baía de Guanabara. A Guerra foi travada, de um lado, pelas facções tupinambá reunidas sob o nome “Tamoyos” e aliadas aos franceses que, estabelecidos na colônia da França Antártica a partir de 1555, disputavam a região do Rio de Janeiro com Portugal; do outro lado, pelos portugueses aliados aos tupiniquins, que tentavam estabelecer seu empreendimento colonial e subjugar a revolta. As lutas entre os lados só terminaram com a chegada de reforços portugueses, com o capitão-mor Estácio de Sá, o que deu início à expulsão dos franceses e a dizimação dos seus aliados tamoios.[1][2]

A guerra é relatada, em parte, nos escritos do mercenário alemão Hans Staden, que foi prisioneiro dos tupinambá na região da atual cidade de Ubatuba por nove meses, tendo acompanhado o chefe Cunhambebe em expedições bélicas contra os portugueses e tupiniquins da região de Bertioga.[3] Mais de três séculos depois, "Confederação dos Tamoios" foi o nome da obra do poeta romântico Gonçalves de Magalhães, datada de 1856, além disso, na mesma época, Rodolfo Amoedo representou o episódio histórico em sua pintura "O último tamoio" (1883).[4][5]

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

O nome dessa confederação vem do vocábulo tupi antigo tamyîa (ou tamuîa), que significa "avô" ou "antepassados".[6]

Povos envolvidos[editar | editar código-fonte]

Além das nações indígenas dos tupinambás, tupiniquins, aimorés, temiminós, guaianás e goitacás estiveram envolvidos os colonizadores portugueses e os franceses.[1]

Início da guerra[editar | editar código-fonte]

Precedentes[editar | editar código-fonte]

O governador da capitania de São Vicente, Brás Cubas, pretendia promover a colonização mediante a escravização de indígenas. Entre as práticas indígenas, estava o cunhadismo, pela qual um homem passava a ser membro de um determinado povo ao se casar com uma mulher pertencente a este. Por meio disto, João Ramalho, companheiro de Brás Cubas, desposou a tupiniquim Mbici, filha do cacique Tibiriçá, também conhecida como Bartira. A colaboração dos tupiniquins com os portugueses resultou numa forte aliança que possibilitou, entre outros eventos, a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, em 1554, pelos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta ao lado de Tibiriçá. A rivalidade entre as diferentes nações indígenas, existentes previamente a invasão europeia, associada à demanda de escravos para o empreendimento da colonização fizeram com que portugueses e tupiniquins se lançassem sobre os tupinambás e outros povos que opuseram-se belicamente ao jugo colonial.[carece de fontes?]

Estopim[editar | editar código-fonte]

Um ataque dos portugueses à aldeia do chefe tupinambá Cairuçu, resultou em seu cativeiro e de seu povo no território do governador Brás Cubas. Preso em péssimas condições de sobrevivência, Cairuçu morreu no cativeiro. Seu filho, Aimberê, insuflou uma revolta e fuga do cativeiro. De volta à aldeia de Ubatuba (Uwa-ttybi), assumiu o comando do povo e declarou guerra aos colonos portugueses e seus antigos inimigos tupiniquins. Para fortalecer o levante, ele se reuniu com os membros tupinambás Pindobuçu, de Iperoig (atual Ubatuba), e Cunhambebe (pai), de Angra dos Reis, constituindo o entrincheiramento de Uruçumirim, no outeiro da Glória, passando a ser o chefe da Confederação dos Tamoios junto com Cunhambebe. Posteriormente, Cunhambebe assumiu a liderança da Confederação dos Tamoios e conseguiu o apoio dos povos goitacás e aimorés. A declarativa de guerra ocorreu na mesma época em que os franceses estavam chegando ao Rio de Janeiro, na intenção de colonizar territórios pertencente aos Tupis e as partes recém conquistadas por Portugal.[carece de fontes?]

Participação francesa[editar | editar código-fonte]

Para patrocinar o conflito contra os portugueses, o francês Villegaignon ajudou os tupinambás oferecendo armamentos à Cunhambebe. Porém, uma epidemia dizimou alguns indígenas combatentes, inclusive o líder Cunhambebe, enfraquecendo enormemente o levante.

A confederação[editar | editar código-fonte]

Aimberê, da aldeia de Ubatuba (Uwa-ttybi), reuniu-se onde hoje é Mangaratiba, no litoral oeste fluminense, com os demais chefes tupinambás: Pindobuçu, de Iperoig (atual Ubatuba); Koaquira, Cunhambebe (pai), de Ariró (atual Angra dos Reis); e Guayxará, de Taquarassu-tyba. Sob a liderança de Cunhambebe e com o apoio de outras nações indígenas, como os Goitacá, os tupinambás organizaram uma aliança contra os tupiniquins e portugueses.[carece de fontes?]

Os franceses forneceram, aos tupinambás, armas para o confronto, visto que tinham interesse em ocupar a baía de Guanabara. Com a morte de Cunhambebe (pai) durante uma epidemia, Aimberê passou a ser o líder da confederação.[carece de fontes?]

A estratégia de Aimberê consistiu em ampliar ainda mais a confederação, de modo a incluir o apoio dos tupiniquins. Para isso, pediu a Jagoaranhó, chefe dos tupiniquins e sobrinho de Tibiriçá, que o convencesse a deixar os portugueses e a se juntar à confederação.[carece de fontes?]

Conflitos indígenas[editar | editar código-fonte]

Com a morte de Cunhambebe, Aimberê continuou a revolta contra os portugueses e fez o possível para que os tupiniquins lutassem a seu favor. Ele fez contato com o líder Tibiriçá, através do sobrinho Jagoaranhó, e marcou um encontro para selar a confederação. Quando os tamoios chegaram na aldeia, Tibiriçá se declarou fiel aos portugueses e matou seu sobrinho, suscitando uma investida que dizimou grande parte do povo guaianás. Apesar do armistício de Iperoig, em 1563, os combates continuaram. Em 1567, a chegada de Mem de Sá ao território do Rio de Janeiro provocou a derrota dos franceses e dos tamoios, encerrando o conflito.[carece de fontes?]

Fim da guerra[editar | editar código-fonte]

O armistício de Iperoig[editar | editar código-fonte]

Com a interferência dos jesuítas Nóbrega e Anchieta, fundadores de São Paulo, uma trégua foi selada no episódio conhecido como Armistício de Iperoig, no qual os portugueses foram obrigados a libertar todos os indígenas escravizados.[carece de fontes?]

O fim da confederação[editar | editar código-fonte]

O fim da trégua conquistada em Iperoig (atual Ubatuba) se deu com o fortalecimento da colonização portuguesa, com os portugueses se lançando sobre as aldeias indígenas, matando e escravizando a população. Os tupinambás foram se retirando em direção à baía de Guanabara. Contudo, em 1567, com a chegada de reforços para o capitão-mor Estácio de Sá, que havia fundado, dois anos antes, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, iniciou-se a etapa final de expulsão dos franceses e de seus aliados tamoios da Guanabara, tendo lugar a dizimação final dos tupinambás e a morte de Aimberê na Guerra de Cabo Frio.[carece de fontes?]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Várias ruas, praias e estradas atuais do Brasil foram batizadas com o nome "Tamoios". Por exemplo, a rodovia dos Tamoios, que corta o litoral norte paulista, região que era habitada pelos tamoios. Ou também, algumas ruas da região de Perdizes, bairro da grande São Paulo, com nomes de Iperoig e Aimberê. Existe, também, a rua dos Tamoios próxima ao aeroporto de Congonhas (na Zona Sul da cidade de São Paulo). Uma das ruas do Iguatemi (extremo da Zona Leste de São Paulo) empresta o nome desta revolta indígena.[7]

Travessa dos Tamoios, no bairro do Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro: exemplo de topônimo atual que homenageia os tamoios

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Impressões Rebeldes, documentos e palavras que forjaram a História dos protestos no Brasil. «Confederação dos Tamoios». Impressões Rebeldes. Consultado em 9 de fevereiro de 2021 
  2. PERRONE-MOISÉS, Beatriz & SZTUTMAN, Renato. 2010. Notícias de uma certa confederação Tamoio. Mana, vol.16, n. 2, Rio de Janeiro.
  3. STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil. L&PM, 2007.
  4. Costa, Richard Santiago. 2013. O corpo indígena ressignificado: Marabá e O último Tamoio de Rodolfo Amoedo, e a retórica nacionalista do final do Segundo Império. Dissertação. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.
  5. Ferretti, Danilo José Zioni. "A Confederação dos Tamoios como escrita da história nacional e da escravidão." História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography 8.17 (2015).
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 34.
  7. «DICIONÁRIO DE RUAS». dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br. Consultado em 27 de março de 2022