Armistício de Iperoig

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Pintura de Antônio Parreiras de 1928 retratando José de Anchieta escrevendo o Poema da Virgem nas areias de Ubatuba enquanto aguarda as negociações do armistício de Iperoig

O Armísticio de Iperoig foi um tratado de paz efetuado entre os portugueses e os índios tamoios em 1563. Visava a proteger a colonização portuguesa do sul do Brasil, que estava ameaçada pela Confederação dos Tamoios, uma união dos índios tamoios desde Bertioga até Cabo Frio, com apoio dos franceses, que visava a lutar contra a escravização dos tamoios pelos portugueses.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Iperoig" é um termo derivado da língua tupi antiga: significa "rio dos tubarões", através da junção de iperó (tubarão) e 'y (rio). Era o nome da localidade onde Manuel da Nóbrega e José de Anchieta ficaram reféns dos tamoios em 1562-1563.[1]

O tratado[editar | editar código-fonte]

Para negociar o tratado, os jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta se deslocaram em 1562 até Iperoig (atual Ubatuba), onde estava o líder tamoio Cunhambebe (filho). Nóbrega acompanhou Cunhambebe até São Vicente, onde o líder tamoio iria negociar com os portugueses e tupiniquins, enquanto Anchieta ficou em Iperoig como refém dos tamoios. Durante esse período como refém, Anchieta compôs, na areia da praia, seu célebre poema em latim em honra à Virgem Maria, o "Poema da Virgem".

Após meses de negociações, o tratado foi celebrado em 1563. A paz durou pouco. Um dia chegou a Aimberé a notícia de novo ataque português à aldeia de Iperoig. Novamente a Confederação mostrou sua força e respondeu ao ataque, invadindo fazendas e engenhos em pequenos grupos organizados. O rei de Portugal mandou Estácio de Sá, sobrinho do governador do Brasil, para enfrentar os índios, com soldados e armas. A tropa ficou no Rio de Janeiro.

Enfrentar o homem branco armado tornou-se cada vez mais difícil. Aimberé chamou os franceses em busca de ajuda e alguns deles lutaram ao lado de Aimberé. O desequilíbrio de forças levou os portugueses à vitória e na aldeia de Uruçumirim os tamoios foram derrotados completamente, deixando a terra livre para a colonização portuguesa.[2]

Referências

  1. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 569.
  2. Moura, Luiz Roberto de. «História - Ubatuba - Sua opção de lazer». www.ubaweb.com. Consultado em 17 de setembro de 2017 
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