Irara

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Irara no zoológico de Praga, na República Tcheca
Irara no zoológico de Praga, na República Tcheca
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae
Subfamília: Mustelinae
Género: Eira
Hamilton Smith, 1842
Espécie: E. barbara
Nome binomial
Eira barbara
Linnaeus, 1758
Distribuição geográfica
Tayra area.png

A irara (Eira barbara) é um animal onívoro da família dos mustelídeos. É a única espécie do género Eira. Tem um aspecto semelhante ao das martas e fuinhas, podendo atingir um comprimento de 60 centímetros (não incluindo a cauda). As iraras habitam as florestas tropicais da América Central e América do Sul.

A irara é também conhecida no Brasil pelos nomes de papa-mel, porque esse é um de seus alimentos preferidos, e jaguapé.[2] Nos países de língua espanhola, que constituem uma grande parte de seus domínios, a irara é chamada cabeza de cejo, que significa "cabeça de velho". Sem dúvida, é porque o animal tem uma cabeça cinzenta sobre o corpo negro e também porque suas orelhas curtas e arredondadas lhe dão um ar "humano".

Por ser um animal terrestre solitário, extremamente rápido e de hábitos diurnos, há poucas informações sobre os aspectos médicos e ecológicos da espécie, além de não existir informações consistentes sobre as populações naturais.

Por ocorrer principalmente em área de floresta, é que a irara tem sofrido perdas populacionais elevadas devido à diminuição da cobertura vegetal em grande parte do território nacional, podendo assim, estar ameaçada em algumas regiões, além de ter poucos indivíduos em cativeiro.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Ficheiro:Villafañe etal 2018.jpg
Distribuição geográfica de tayra

"Irara" vem da junção dos termos tupis i'rá, "mel" e , "tomar".[3] "Jaguapé" vem do termo tupi yawa'pé.[4] O nome da espécie vem da Eira dado na língua guarani; "barbarus" em latim significa "bárbaro" e bárbaro em grego significa "estrangeiro”. Provavelmente esse significado se refere à agressividade do animal, ou ao seu tamanho, o maior dentro dos mustelídeos.

Commons
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Taxonomia e Evolução[editar | editar código-fonte]

A espécie Eira barbara pertence à família Mustelidae, sendo que este animal possui ampla distribuição geográfica. Atualmente, tanto o gênero Eira quanto outros gêneros de Mustelidae, são considerados nativos da América do Sul, sendo que seus fósseis na América do Sul são escassos e restritos à idade pleistocênica. No Brasil, o primeiro fóssil desta espécie é proveniente da Lapa da Escrivânia, no Estado de Minas Gerais.

Através de um estudo filogenético de Eira barbara, os processos de diversificação da espécie podem ter se iniciado no Mioceno final, com isso, sugere-se que a diversificação desta espécie pode ter acontecido antes da origem do Istmo do Panamá, no Plioceno médio.

A partir de registros fósseis, é comprovado que grande parte dos gêneros encontrados hoje na América do Sul é descendente de imigrantes norte-americanos. Porém, acredita-se que Eira poderia ter tido uma origem norte-americana, pelo fato desses animais estarem mais relacionado filogeneticamente com os gêneros extintos de Trigonictis e Legionarictis. Entretanto, a população ancestral norte-americana de Eira barbara poderia ter tido origem a partir de outra população ancestral, originada da Eurásia.

Distribuição geográfica e habitat[editar | editar código-fonte]

Records of Eira barbara in the Peruvian Amazon 1 of 2.

A Irara, única espécie do gênero Eira, apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo do centro do México ao norte da Argentina. É comum em toda a América Central – Costa Rica e Panamá – e na América do Sul, ao leste dos Andes, como Colômbia, Guiana, Suriname, Venezuela, Bolívia e Paraguai.

No Brasil, a irara ocorre em quase todo o seu território, habitando os biomas da Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Caatinga e Pantanal, incluindo matas de galeria, jardins e plantações. Apesar de sua ocorrência em diversas fisionomias vegetais, é uma espécie tipicamente florestal, abrigando-se em ocos de árvores e troncos, em tocas feitas por outros animais e até mesmo em áreas de altas gramíneas.

Além de esses animais serem ótimos nadadores, eles também apresentam um forte padrão arborícola, habitando área de dossel. Além disso, toleram a proximidade com habitações humanas e utilizam os recursos que esses ambientes alterados podem oferecer como pomares e plantações de cana e milho, não apresentando preferência quanto ao uso de habitat.

Esta espécie apresenta um padrão de atividade diurno, com picos de atividade ocorrendo no início da manhã e no final da tarde, sendo que em áreas próximas a ocupação humana ela pode se tornar mais crepuscular. No entanto, a espécie já foi observada em travessia de áreas abertas, tendo sido observada atividade sexual no período noturno, sendo que, os indivíduos usam a vocalização como meio de comunicação.

A espécie utiliza áreas degradas e fragmentadas, assim como plantações de eucalipto, o que vem chamando atenção de pesquisadores, os quais tentam analisar o motivo da freqüência da irara nestas regiões.

Ecologia (dieta, reprodução e ciclo de vida)[editar | editar código-fonte]

Records of Eira barbara in the Peruvian Amazon 2 of 2.

Irara é um animal onívoro oportunista e alimenta-se de frutas, insetos, mel, pequenos vertebrados, aves e pequenos mamíferos (roedores e coelhos). A maioria das presas consumidas é proveniente de habitats fechados, o que sugere que o animal é especialista em florestas. Eira barbara é um predador ativo, sendo o olfato o método principal no forrageamento para detecção de presas.

Identified individuals of Eira barbara in the Peruvian Amazon

Tempo de vida[editar | editar código-fonte]

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Os machos atingem a maturidade sexual com 18 meses de vida e as fêmeas com 22 meses, sendo que as fêmeas podem entrar em estro (CIO) várias vezes ao ano por períodos de 3 a 20 dias. A gestação dura entre 63 e 70 dias, podendo nascer de 1 a 4 filhotes, sendo mais comum o nascimento de gêmeos. Por vezes o macho participa, junto da fêmea, da criação dos filhotes, além disso, esses animais podem viver 18 anos em cativeiro, não existindo dados sobre animais selvagens.

Conservação[editar | editar código-fonte]

Wikispecies
O Wikispecies tem informações sobre: Irara

Segundo a Red List da IUCN - International Union For Conservation of Nature, 2016, a Irara apresenta um status de conservação pouco preocupante, também classificada desta forma, pela Lista Vermelha Nacional do ICMBio em 2016 e pelo Livro Vermelho do Estado de São Paulo em 2010. Apesar desta classificação, ambas as instituições apontam um decréscimo sobre a população da Irara.

        As principais ameaças é a perda de habitat, além de lesões causadas por proprietários rurais e atropelamentos. Alguns pesquisadores identificam também como ameaça os conflitos existentes com avicultores, apicultores e agricultores, em função dos danos causados em colmeias artificiais, predação de galinhas e cultivos de frutas, resultando no abate da espécie.

           A proximidade com demais espécies silvestres e animais domésticos também afetam a Irara pela competição de recursos e pela transmissão de doenças. Apesar disso, a espécie já foi registrada em 40 unidades de conservação no Brasil, dentre elas o Parque Nacional das Emas, do Rio Preto, Serra da Capivara, Floresta Nacional de Ipanema, Tapajós e nos Parques Nacionais da Serra do Mar e Ilha do Cardoso.

Conservação no Brasil[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o governo brasileiro ainda não apresenta medidas de conservação específicas. Porém, programas de educação ambiental em escolas, vem colaborando com o conhecimento e conservação da Irara, impedindo maiores danos a população a espécie em nível nacional, mas a conscientização da comunidade rural ainda se faz necessária.

Referências

  1. Cuarón, A. D., et al. (2008). Eira barbara (em Inglês). IUCN 2015. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2015 Versão 2. Página visitada em 23 de agosto de 2015.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 968.
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 968.
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 980.

6. Emmons, L. H & Freer, F. C. Neotropical rainsforest mammals: a field guide. Illinois: University of Chicago, 1990. 307 p.

7. Fontana, C. S.; Bencke, G. A. & Reis, R. E. 2003. Livro vermelho da fauna ameaçada do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EDIPUCRS. 632 p.

8. Institudo Chico Mendes de Conservação (ICMBio). 2013. Avaliação do Estado de Conservação dos Carnívoros. Biodiversidades Brasileira, v.3, n.1, p. 195-202.

9. Michalski, F.; Crawshaw Jr, P. G.; Oliveira, T. G. & Fabia, M. E. 2006. Notes on home range and habitat use of tree small carnivore species in a disturbed vegetation mosaico of southeastern Brazil. Mammalia, p. 52-57.

10. Nowak. 1999. Walker’s mammals of the world – Vol. I – 6 ed. The John Hopkins University Press, Baltimore and ondon. 836 p.

11. Oliveira, E. N. C. 2006. Ecologia e conservação de mamíferos carnívoros de Mata Atlântica na região do complexo estuarino lagunar de Cananéia, estado de São Paulo. Tese (Doutorado em Ecologia). Universidade Estadual de Campinas, p. 217. 

12. Presley, S. J. 2000. Eira barbara. Mammalian Species. v.1, n. 6, p. 636

13. Emmons, L. H., & Feer, F. (1990). Neotropical rainforest mammals: A field guide. Chicago: the university of Chicago Press.

14. Presley, S. J. (2000). Eira barbara. Mammalian Species, 636, 1-6. https://doi.org/10.1644/1545-1410(2000)636<0001:EB>2.0.CO;2

https://www.projetooncafari.com.br/pt-BR/anta/18-mamiferos/110-irara

15. Koproski, Letícia et al. Contenção farmacológica da irara (Eira barbara Linnaeus, 1758) pela associação de tiletamina, zolazepam, xilazina e atropina. Medvep, v. 7, n. 21, p. 238-242, 2009.

16. Indrusiak C. & Eizirik E. 2003. Carnívoros, p.525-526. In: Fontana CS., Bencke GA. & Reis RE. (ed.), Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Edipucrs, Porto Alegre.

17. Fontana, C.S.; Bencke, G.A. & Reis, R.E. 2003. Livro vermelho da fauna ameaçada do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EDIPUCRS. 632p

18. Oliveira, E.N.C. 2006. Ecologia e conservação de mamíferos carnívoros de Mata Atlântica na região do complexo estuarino lagunar de Cananéia, estado de São Paulo. Tese (Doutorado em Ecologia). Universidade Estadual de Campinas. 217p.

19. Tirira, D. G. 2001. Libro rojo de los mamíferos del Ecuador. Serie Libros Rojos del Ecuador. Vol. 1. Publicación especial de los mamíferos del Ecuador. Simbioe/Ecociencia/Ministerio del Ambiente/UICN.

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