Foca-monge-do-mediterrâneo
| Foca-monge-do-mediterrâneo | |||||||||||||||||
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Em perigo (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||
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Mapa de distribuição de M. monachus | |||||||||||||||||
A foca-monge-do-mediterrâneo[2][3][4] (Monachus monachus) é provavelmente o membro da família das focas mais ameaçado de extinção. Outrora espalhada pelo Mediterrâneo, costa e ilhas Atlânticas, hoje estima-se que sobrevivam cerca de 400 indivíduos restantes desse mamífero marinho, o que faz da espécie Monachus monachus a foca mais rara do mundo.[4]
É informalmente conhecida, no arquipélago português da Madeira, por lobo-marinho,[5] embora seja na verdade uma foca (pertencente à família Phocidae), e não pertencente à família Otariidae, da qual fazem parte os verdadeiros lobos-marinhos.
As focas-monges constituem um dos géneros da família dos focidas,[6] que compreende três espécies: a foca-monge-do-havaí (Monachus schauinslandi), a foca-monge-do-caribe (Monachus tropicalis), já extinta, e a foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus).
Características e comportamento
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A foca-monge é um animal robusto que pode atingir os 400 quilos e os 4 metros de altura, no caso dos machos. As fêmeas são sempre mais pequenas podendo atingir até 2,30 metros de tamanho.
Apresenta uma coloração castanha-acinzentada, sendo que, nas partes inferiores, apresentam manchas mais claras, amareladas e esbranquiçadas. Quanto mais velhas se tornam, mais clara é a sua tonalidade, chegando a sua pele a atingir a coloração prateada.
Quando submerge, as suas narinas paralelas fecham-se, impedindo, desta forma, a entrada de água para os canais respiratórios. Debaixo de água, servem-se do olhos para se guiarem, mas também dos seus longos bigodes, órgãos do tacto extremamente sensíveis às mudanças de pressão.
As focas passam a maior parte do tempo dentro de água. Podem mesmo dormir no mar, à superfície, num período que pode chegar a 12 minutos, ao fim dos quais tem de se movimentar para respirar. Como é um mamífero, apenas pode respirar à superfície. O seu fôlego permite-lhe, no entanto, permanecer 10 a 12 minutos submersa.
Embora realize a maior parte da sua actividade no mar, a foca depende da terra para repousar, fazendo-o essencialmente em praias escondidas no interior de grutas.
Alimenta-se de animais que captura na água, como polvos e peixes de tamanho considerável, entre os quais se encontram o mero (Epinephelus marginatus) e o congro (Conger conger). Ainda assim, além de predadores, são também presas de outros predadores maiores como a orca (Orcinus orca) e os tubarões. Porém, dado que estes animais não costumam aproximar-se das zonas costeiras, constituem ameaças muito pontuais.
Trata-se de um animal muito curioso, que facilmente se aproxima do ser humano, especialmente quando jovem. No entanto, nas épocas de criação, as fêmeas tornam-se muito ciosas das crias, tentando sempre afastá-las do Homem, podendo ter reacções imprevistas e agressivas.
Não possuem uma época própria para os nascimentos, embora se verifique uma maior concentração destes nos períodos entre outubro e novembro. A gestação demora entre 8 a 11 meses, ao fim dos quais nasce uma pequena cria indefesa, coberta por uma pelagem lanosa de cor negra. As crias ficam entregues aos cuidados das progenitoras por um período que pode ir de 1 a 2 anos, altura em que se apresentam mais brincalhonas e despreocupadas. Estes animais podem viver cerca de 20 ou 30 anos no seu estado selvagem.
Habitat
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A foca monge, a única espécie que habita território Português, vive na Reserva Natural das Ilhas Desertas e vive no arquipélago da Madeira - Portugal, zonas de costa bastante escarpadas e sempre de difícil acesso por exemplo em grutas que têm entrada submarina.
Foi-lhe atribuído o nome de foca monge devido às pregas que possui no pescoço, porque quando está em descanso faz lembrar o capucho de um monge e porque também é um animal de hábitos solitários. Esta espécie é conhecida na Madeira como Lobo-marinho, uma vez que os seus sons fazem lembrar o uivo de um lobo.
Os primeiros registos escritos portugueses da foca remontam ao ano de 1419, quando os navegadores portugueses João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegaram à Ilha da Madeira. Aí, numa baía de costa sul, ter-se-ão deparado com um animal até então desconhecido, que chamaram de lobo-marinho. Este local é ainda hoje conhecido por Câmara de Lobos, designação que deriva da original “Câmara de Lobos”. Chegou a habitar algumas praias desabrigadas, maioritariamente no concelho de Câmara de Lobos, na Ilha da Madeira, só que com a chegada do homem obrigou a que estes animais procurassem o abrigo de grutas e de locais mais acessíveis.
A foca monge é um dos animais mais raros do mundo, um dos mamíferos marinhos mais ameaçados de extinção; o seu atual estado de conservação é definido pela IUCN como Vulnerável.[7] No mundo inteiro existem cerca de 300 indivíduos. Na Madeira existem atualmente cerca de 40 animais desta espécie. As medidas de conservação que existem nos países da sua área de distribuição são essenciais para a sua conservação.[8]
Contextualização histórica
[editar | editar código]Inicialmente, a população de focas-monge (Monachus monachus) era bastante numerosa, distribuindo-se por todo o mediterrâneo, e por algumas zonas atlânticas, costeiras ou insulares. Há relatos datados da primeira metade do século XV, descrevendo colónias de mais de 5000 indivíduos nas costas do actual Saara Ocidental.
Actualmente figura entre as espécies mais protegidas do mundo, com uma presença que não excede os 500 indivíduos no mundo inteiro.
Os povos mediterrânicos, no passado, atribuíram sempre uma grande importância à foca-monge, colocando-a sob a protecção directa dos deuses, dotando-a de uma natureza parcialmente humana, evitando ao máximo capturá-la.
O primeiro contacto português conhecido com as focas-monge data de 1419, quando João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegaram à Madeira. Nessa altura, os portugueses descobriram um animal que lhes parecia estranho e deram-lhe o nome de Lobo-marinho, O nome deveu-se, muito possivelmente à sua fisionomia e aos seus bigodes longos, embora também seja verdade que esta foca é um predador muito eficiente. De qualquer forma, o local onde este animal foi primariamente avistado é hoje conhecido pela designação Câmara de Lobos, uma vez que esta localidade forma uma pequena baía em anfiteatro que no momento da descoberta se encontrava apinhada destes simpáticos mamíferos.[9]
O contacto com o ser humano foi logo prejudicial para a foca. Primeiro, foi perseguida para uso dos seus despojos com fins comerciais; depois, sofreu com a actividade piscatória, que competiu com a sua própria actividade de predação/alimentação e a empurrou cada vez mais para fora das áreas onde antes habitava. Além disso, a actividade dos pescadores tornou-se também nociva, quer pelo abate voluntário, quer pelo abate acidental com explosivos, ou pela captura em redes de emalhar.
Hoje em dia, os indivíduos sobreviventes desta exposição ao contacto humano no arquipélago português concentram-se nas Desertas, conjunto de pequenos ilhéus despovoados da Madeira, de origem vulcânica. A principal característica que levou à fixação desta espécie neste espaço foi o da desertificação humana que aqui se verifica. Embora tenham tentado colonizar estes ilhéus, os portugueses abandonaram a empresa devido a factores, dos quais o relevo acidentado, principalmente devido à acção marinha e eólica, e a ausência de água doce, foram os principais.
De uma população de 500 indivíduos distribuídos por todo o mundo, na Madeira podemos encontrar cerca de 40, numa colónia que se encontra em recuperação e na qual se regista uma taxa de natalidade anual de 1 para 3. No entanto, em 1988, apenas se contavam 6 indivíduos nesta colónia.
Preservação da espécie em Portugal
[editar | editar código]Pelo menos desde 1982 que existe um cuidado especial em preservar a foca-monge das Desertas. Esse cuidado tem vindo a ser prestado pelo Parque Natural da Madeira (PNM). Em 1988, a protecção legislativa das Ilhas Desertas veio reforçar esse esforço de preservação, tendo sido criado em 1995 a Reserva Natural das Ilhas Desertas.
Durante as décadas de 1980 e 1990, o PNM apostou na protecção da espécie in loco, na monitorização e estudo da colónia, na educação ambiental, e no contacto directo com os pescadores do Funchal e do Machico. Em 1997, criou-se nas Desertas uma Unidade de Reabilitação destinada a recuperar animais que corressem risco por se encontrarem debilitados. A protecção das focas é levada a cabo por vigilantes da natureza que patrulham as ilhas de bote.
O Projeto Lobo Marinho recolhe as informações mais atualizadas sobre a população da Madeira e seu estado de conversação.[10]
Referências consultadas
[editar | editar código]- ↑ Karamanlidis, A. & Dendrinos, P. (2015). «Monachus monachus». IUCN. IUCN Red List of Threatened Species. 2015: e.T13653A45227543. Consultado em 25 de dezembro de 2015
- ↑ «¡La población de foca monje del Mediterráneo que vive en Cabo Blanco se está recuperando!». Foca monje del Mediterráneo
- ↑ «Foca-monge: entre a ameaça e a necessidade de preservação». Foca-monge: entre a ameaça e a necessidade de preservação. Consultado em 16 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 17 de março de 2026
- 1 2 «Site oficial do Turismo da Madeira - Reservas Naturais». www.visitmadeira.pt. Consultado em 16 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 6 de dezembro de 2021
- ↑ «Mapa Avistamentos». www.pnm.pt. Consultado em 16 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 25 de janeiro de 2025
- ↑ «Monachus monachus (Mediterranean Monk Seal)». www.iucnredlist.org. Consultado em 16 de dezembro de 2016
- ↑ «Mediterranean Monk Seal». Consultado em 2 de Junho de 2026
- ↑ Valderrama, Marina (2026). «Mediterranean Monk Seal: Too Blessed to be Stressed». Consultado em 2 de Junho de 2026
- ↑ Brito, Cristina (7 de novembro de 2012). Romero, Aldemaro, ed. «Portuguese Sealing and Whaling Activities as Contributions to Understand Early Northeast Atlantic Environmental History of Marine Mammals». InTech (em inglês). ISBN 978-953-51-0844-3. doi:10.5772/54213. Cópia arquivada em 15 de maio de 2021
- ↑ «Conservação do Lobo Marinho na Madeira». Consultado em 2 de Junho de 2026. Cópia arquivada em 2 de junho de 2026