Acinonyx jubatus

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Como ler uma caixa taxonómicaAcinonyx jubatus [1]
Ocorrência: Pleistoceno Superior - Recente
Acinonyx jubatus

Acinonyx jubatus
Estado de conservação
Status iucn3.1 VU pt.svg
Vulnerável (IUCN 3.1) [2]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Subordem: Feliformia
Família: Felidae
Género: Acinonyx
Espécie: A. jubatus
Nome binomial
Acinonyx jubatus
(Schreber, 1775)
Espécie-tipo
Acinonyx venator
Brookes, 1828 (= Felis jubata, Schreber, 1775)
Distribuição geográfica
  Presença histórica  Presença baixa  Presença média  Elevada presença
  Presença histórica
  Presença baixa
  Presença média
  Elevada presença
Subespécies
  • A. j. jubatus
  • A. j. hecki
  • A. j. raineyi
  • A. j. soemmeringii
  • A. j. velox
  • A. j. venaticus

Acinonyx jubatus é o nome científico da chita ou guepardo, também conhecido como lobo-tigre, leopardo-caçador ou onça-africana, um animal da família dos felídeos (Felidae), ainda que de comportamento atípico, se comparado com outros da mesma família. É a única espécie vivente do gênero Acinonyx. Tendo como habitat a savana, vive na África, península Arábica e no sudoeste da Ásia. Fisicamente, é significativamente parecido com o leopardo. As almofadas das patas da chita têm ranhuras para se moverem melhor em alta velocidade, e sua longa cauda serve para lhe dar estabilidade nas curvas em alta velocidade. Cada chita pode ser identificada pelo padrão exclusivo de anéis existentes em sua cauda, tem uma cabeça pequena e aerodinâmica e uma coluna incrivelmente flexível, são habilidades que ajudam bastante na hora da perseguição.

É um animal predador, preferindo uma estratégia simples: caçar as suas presas através de perseguições a alta velocidade, em vez de táticas como a caça por emboscada ou em grupo, mas por vezes, pode caçar em dupla. Consegue atingir velocidades de 100 a 105 km/h, por curtos períodos de cada vez (ao fim de 400 metros de corrida), sendo o mais rápido de todos os animais terrestres, porém em uma certa ocasião, avistou-se um guepardo que correu atrás de sua presa por 640 metros em 20 segundos (medidos com um cronômetro) e 73 metros em aproximadamente dois segundos - 115,2 e 131,4 km/h respectivamente.[3]

O corpo da chita é esbelto, musculoso e esguio, ainda que de aparência delgada e constituição aparentemente frágil. Tem uma caixa torácica de grande capacidade, um abdômen retraído e uma coluna extremamente flexível. Tem uma cabeça pequena, um focinho curto, olhos posicionados na parte superior da face, narinas largas e orelhas pequenas e arredondadas. O seu pelo é amarelado, salpicado de pontos negros arredondados, e na face existem duas linhas negras, de cada lado do focinho, que descem dos olhos até à boca, formando de fato um trajeto de lágrimas. Um animal adulto pode pesar entre 28 e 65 kg. O comprimento total do corpo varia de 112 a 150 cm. O comprimento da cauda, usada para equilibrar o corpo do animal durante a corrida, pode variar entre 62 e 85 cm.

Etimologia e nomes comuns[editar | editar código-fonte]

O nome do gênero biológico, Acinonyx, significa, em latim, "garras imóveis", já que é o único felídeo que não as consegue retrair por completo, permanecendo visíveis mesmo quando recolhidas ao máximo, sendo usadas para permitir uma maior aderência ao solo enquanto corre, acelera e manobra no terreno, porém, os filhotes conseguem subir em árvores por terem as garras mais finas. O epíteto específico, "jubatus", significa em latim "com juba", e se refere às crinas que as crias da chita apresentam.

A palavra "chita", de som semelhante à palavra inglesa cheetah, deriva da língua hindi chiita que, por seu lado, talvez derive do sânscrito chitraka, que significa "salpicada de manchas". Outras línguas europeias relevantes usam variantes do latim medieval "gatus pardus", ou seja, "gato-leopardo": guépard (francês); Gepard (alemão, russo); jachtluipaard (holandês); guepardo; onza ou leopardo cazador (espanhol); ghepardo (italiano).

Distribuição geográfica e habitat[editar | editar código-fonte]

Guepardo

Encontram-se chitas no estado selvagem apenas na África, Irã e península Arábica[4] e Afeganistão ainda que no passado se distribuíssem até ao norte da Índia e ao planalto iraniano, onde eram domesticadas e usadas na caça ao antílope, de forma semelhante ao que se faz atualmente com os galgos, (especialmente da raça greyhound). Atualmente no continente asiático, só existem chitas selvagens no Irã e no Afeganistão, mas trata-se de uma população extremamente pequena (em torno de 3 000 exemplares no início do século XXI, sem contar algumas populações isoladas e as que vivem em zoológicos). É ameaçada pela pressão humana, sob a forma da caça e do pastoreio, o qual reduz o número de presas, (gazelas) disponíveis, mas por incrível que pareça, o homem não é o maior responsável por isso, pois leões e hienas fazem uma ferrenha competição com o guepardo, sendo que de vez em quando roubam a presa abatida pelo guepardo. Acrescente-se ainda que a área de ocorrência do chita no Irã encontra-se em região remota, próxima à fronteira com o Afeganistão, onde as forças de segurança iranianas tem dificuldade de penetrar devido à presença de gangues que praticam o contrabando e o tráfico de heroína. As chitas preferem habitar biótopos caracterizados pelos espaços abertos, como semi-desertos, pradarias e a savana africana.

Têm uma variabilidade genética geralmente baixa, além de uma contagem de esperma anormalmente alta. Pensa-se que foram obrigadas a um período prolongado de procriação consanguínea depois de passarem por um evento populacional designado por efeito de gargalo genético. Eles são uma espécie rara e importante, além de serem seres bonitos e rápidos, são muito caçados, principalmente para fazer casacos e tapetes luxuosos com sua pele.

Características[editar | editar código-fonte]

  • As chitas medem até 85 cm de altura e 2 m de comprimento, incluindo a cauda.
  • Possui algumas características que os distingue de outras espécies de felinos, nomeadamente não são capazes de retrair as garras, tem pernas mais compridas e a cabeça menor, não possibilitando as presenças de dentes caninos grandes e mandíbulas fortes, chegando a lembrar um cão.
  • Alcançam velocidades de 100 a 105 km/h, em corridas que duram geralmente de 250 a 640 metros.[5]
  • Os cuidados parentais duram apenas nos primeiros dois anos de vida, ensinando as crias a caçar durante esse período de dependência.
  • Além da velocidade, outra ótima qualidade do guepardo é a sua excelente visão; algumas vezes os guepardos caçam durante a noite.
  • O guepardo não forma bandos para caçar como os leões, mas os machos se juntam às vezes para caçar em pequenos grupos, especialmente se nasceram na mesma ninhada, casais também podem usualmente caçar juntos.[6]
  • O guepardo é um animal muito social, e um dos fatos que comprovam este fato, é que eles costumam lamber uns aos outros para se manterem limpos.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Em relação às fêmeas[editar | editar código-fonte]

Mãe com o seu filhote

Uma certa análise da genética das chitas, na Tanzânia, África, apontou que as fêmeas da espécie são extremamente "promíscuas". Cientistas das cidades de Londres, Nova York, Arusha e Bangcoc analisaram o DNA coletado de amostras de fezes de cerca de 176 guepardos, ou chitas, e ao longo de um período que durou nove a dez anos no Parque Nacional do Serengeti na África. Foi constatado que 45% de 47 ninhadas continham o DNA de mais de 2 pais. Segundo Dada Gottelli, da Sociedade Zoológica de Londres, isto pode acarretar em diversas doenças aos indivíduos da espécie. Ainda segundo Gottelli, tais estatísticas poderiam ser muito maiores já que a equipe de cientistas não conseguiu analisar mais amostras de fezes. "Os filhotes de chitas sofrem uma alta taxa de mortalidade nas primeiras semanas de vida, então é difícil pegar amostras de todos eles", afirmou Gottelli, zoóloga.

O fato de terem ninhadas com o DNA de vários pais pode ameaçar a diversidade genética da espécie, que normalmente é baixa.

Guepardo em uma reserva africana

"Se os filhotes são mais variados em termos de genética, isso permitirá que eles se adaptem muito bem e se desenvolvam em diferentes circunstâncias na natureza", disse Gottelli, zoóloga.

A população é estimada acima de 12 000 animais, porém eles enfrentam ameaças como a perda de seu habitat e a caça clandestina, mas por incrível que pareça, o homem não é o maior responsável pelas mortes de guepardos, embora contribua muito para tal. De certa forma, os "maiores culpados" são os leões e as hienas, que chegam a matar as chitas por causa de presas já abatidas. A altíssima infidelidade entre a maioria de chitas fêmeas, também poderá ajudar a proteger os filhotes do ataque de alguns machos (alguns costumam comer os próprios filhotes se não estiverem vigiados constantemente pela mãe).

"Esta pesquisa não foi feita entre os guepardos localizados em zona selvagens, somente com os exemplares de Zoológico e os de reservas naturais, como foi constatado com vários leões e leopardos, também na Tanzânia", África, contou Gottelli, zoóloga.[7]

Guepardos na cratera de Ngorongoro

Em relação aos machos[editar | editar código-fonte]

Os machos da espécie são muito sociáveis e são preparados para a vida social formando grupos quando jovens. Esses grupos são chamados coligações. A coligação como um todo contribui para unir os membros do grupo. Os machos são muito territoriais. O tamanho do território, também depende dos recursos que estiverem disponíveis, podendo variar de 37 a 160 km². Machos costumam marcar seus territórios urinando em objetos como árvores, troncos e rochas por exemplo. Os machos tentam matar qualquer intruso que o mesmo possa expulsar, e as lutas variam de lesões leves até a morte.

Machos de guepardo adotam os filhotes perdidos ou órfãos de outros guepardos e os criam como se fossem seus próprios filhotes, fazendo o papel de pai e mãe. Algo extremamente incomum no reino animal, principalmente entre os guepardos, já que os machos costumam matar seus próprios filhotes, isto se a mãe não estiver sob uma vigília constante. Os guepardos machos são completamente ausentes na criação dos filhotes, ficando com as fêmeas somente na época do acasalamento, o que de certa forma contribui para a relativamente baixa variabilidade genética dos guepardos, já que vários filhotes possuem um mesmo pai.

Maneiras de se comunicar[editar | editar código-fonte]

Guepardo no Quénia

O guepardo não pode rugir, ao contrário de outros grandes felinos, porém possui as seguintes vocalizações:

  • Pios: Quando os guepardos tentam encontrar uns aos outros, ou a mãe tenta localizar as crias, utiliza um chamado de alta frequência, quase latindo. O pios são feitos pelos filhotes de guepardos, quando tentam encontrar a mãe.
  • "Gagueira": Esta vocalização é emitido por um guepardo durante encontros sociais. Uma "gagueira" pode ser vista como um convite a outros guepardos, uma expressão de interesse, a incerteza, apaziguamento, ou durante as reuniões com o sexo oposto.
  • Rosnado: Acontece quando o guepardo se sente ameaçado, e quer se proteger de algum predador, embora a defesa mais usada pelo guepardo seja correr.
  • Ronrono: Esta é uma versão mais "amigável" do rosnado, normalmente é apresentado quando perigo se afasta. Observação: A chita é o único dos grandes felinos que consegue ronronar.

Hábitos alimentares e dieta[editar | editar código-fonte]

Chita comendo um impala

A chita é um animal carnívoro. Alimenta-se essencialmente de mamíferos abaixo dos 40 kg, incluindo gazelas, antílopes, zebras, impalas, filhotes de gnu, lebres, aves e quando tem vontade, pode comer até insetos. A presa é seguida, silenciosa e vagarosamente, numa distância que varia, em média, de dez a trinta metros, até ser atacada de surpresa. A perseguição que se segue dura geralmente menos de um minuto ou um minuto, durando no máximo um minuto e meio, e se a chita falha numa captura rápida, desiste, com o intuito de não gastar energia desnecessariamente, pois seu corpo superaquece, porém, mais da metade dos ataques são vitoriosos, 70% em média, ficando atrás apenas do cão-selvagem-africano, que obtém 80% de sucesso em suas caçadas. Durante a caça, o guepardo pode atingir por volta de 115 a 120 km/h em apenas 4 segundos, isso equivale a aceleração de um carro de Fórmula 1. Com isso, após a caça, a chita fica exausta, o que facilita a perda da presa capturada para animais como a hiena e o leão por exemplo. Depois que o guepardo pega a presa, leões e hienas percebem o cheiro de carne fresca e vêm disputá-la com o guepardo. Ele, muitas vezes, sai de perto, discretamente, evitando brigas, pois não tem massa muscular comparável a estes outros animais.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Chita em um zoo
Guepardo-da-áfrica-central (Acinonyx jubatus soemmeringii)

Os machos atingem a maturidade sexual a partir dos dois anos e meio ou três anos. A fêmea, um pouco mais precoce (dois anos) pode gerar de um a seis filhotes, depois de uma gestação de 90 a 95 dias. As crias podem pesar entre 150 e 300 gramas e nascem cegos, completamente indefesos. O desmame ocorre cerca de seis meses após o parto e, entre os 13 e 20 meses, abandonam a guarda da mãe para passarem a ter uma vida independente. Ao contrário de outros felinos, as fêmeas não têm um verdadeiro território próprio e demarcado, parecendo, no entanto, evitar a presença das outras. Os machos podem, eventualmente, juntar-se em grupos, especialmente se nasceram na mesma ninhada. Os guepardos, ou chitas, não se reproduzem bem em cativeiro. Uma das principais preocupações dos guepardos é com os seus filhotes: é muito comum eles serem comidos por felinos mais fortes, como os leões e outros animais, como a hiena por exemplo. Tais encontros perigosos não são raros, de forma que a mãe guepardo tem de distrair o predador em questão chamando a atenção para si enquanto os filhotes fogem para um local mais seguro. A tática é funcional visto que sua habilidade e velocidade favorecem as manobras de esquiva de possíveis ataques do agressor.

A chita pode viver de 14 a 17 anos sob as condições de alimentação e reprodução normais na natureza.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Dois guepardos

Subespécies[editar | editar código-fonte]

Antigamente, os faraós, sultões e Babilônios usavam o guepardo como cão-de-guarda e para caçar antílopes, como se fossem galgos. A subespécie de guepardo mais ameaçada atualmente é a asiática, com pouco mais de 300 exemplares vivendo livremente na natureza, sem contar as populações isoladas e os exemplares que vivem em zoológicos espalhados ao redor do mundo, porém, ainda são estatísticas alarmantes.

Guepardo asiático[editar | editar código-fonte]

Ilustração de um guepardo asiático

O guepardo asiático, também conhecido como chita asiática (Acinonyx jubatus venaticus), é uma das mais raras e principais subespécies de guepardo, que é endêmica do Irã, embora seja vista com muita dificuldade em outros países do oriente médio, e também já teve como habitat o norte da África e a Índia. Está ameaçada pela caça e destruição do habitat. Restam cerca de 300 exemplares nas zonas áridas do Irã, sem contar algumas populações isoladas, (dados de 2006). Atualmente existe um programa para proteger o guepardo asiático, que é sediado no Irã.[4]

A Ásia é o lar do guepardo asiático e do leopardo-persa que também adota o deserto iraniano como lar. O Irã está atualmente desenvolvendo um programa para proteger a espécie. Como o tópico acima diz, na Índia já foram extintos, devido à intensa caça clandestina. De acordo com uma pesquisa recente permanecem de 400 a 450 exemplares.

É evidente que continue a investigação para a monitoração do guepardo asiático, e a instalação de uma câmera com o fim de estudar mais profundamente a subespécie. O leopardo-persa, apesar de sua situação (com aproximadamente mil exemplares atualmente), ainda corre grave perigo. Junto ao leopardo-persa, o guepardo asiático é o único grande gato que ainda sobrevive no Oriente-médio. Anteriormente o leão também habitava a região.[8]

Guepardo "Real"[editar | editar código-fonte]

Guepardo "real" - note seu padrão peculiar e característico de pelagem

Por um bom tempo foi classificado erroneamente como uma nova subespécie, Acinonyx rex, (conhecido como King Cheetah em Inglês). Pensava-se que era realmente uma nova subespécie, quando, na realidade, trata-se de uma mutação que torna o sua pelagem diferente dos guepardos "comuns", que ao invés das tradicionais manchinhas redondas, existem manchas igualmente redondas, só que maiores e formando pequenas listras, e daí o nome científico Acinonyx rex, que hoje é considerado como inválido.[9] Os nativos chamam este tipo de guepardo como "leopardo-hiena", e é considerado um animal sagrado pelos nativos, praticamente tanto quanto o leão branco.

O gene recessivo tem de estar presente em ambos os pais, pois a característica está no gene que se manifesta, e esta é apenas uma das razões por que é tão raro tanto na natureza, quanto nos jardins zoológicos. A primeira aparição do guepardo "real" foi no Zimbábue, no ano de 1926. Leia os primeiros relatos do guepardo "real" de que se tem notícia: manchas alongadas e fundidas, formando padrões irregulares, inclusive alterando espessura do pelo; Listras longas ao longo da coluna estendendo-se até à cauda; Como já mencionado no parágrafo acima, é geralmente encontrado no Zimbábue, onde foi registrada sua primeira aparição, nota-se também que é onde se encontra a maioria dos guepardos "reais", guepardos "reais" e guepardos "normais" podem ocorrer em uma mesma ninhada, pois o gene recessivo pode estar presente em guepardos "normais". Este tipo de guepardo é também um pouco maior que os guepardos "comuns".

Filhote de guepardo

História evolutiva[editar | editar código-fonte]

Teriam evoluído na África durante a época Miocena (de há 26 milhões a 7,5 milhões anos atrás), antes de migrarem para a Ásia. Espécies extintas atualmente incluíam a Acinonyx pardinensis (da época Pliocena), muito maior que a chita atual, encontrada na Europa, Índia e China; a Acinonyx intermedius (Pleistoceno médio), com a mesma distribuição geográfica; a Miracinonyx inexpectatus, Miracinonyx studeri, Miracinonyx trumani (ao longo de todo o Pleistoceno), também chamado de chita americana, cujos fósseis foram encontrados na América do Norte, como diz o próprio nome, e a Acinonyx kurteni, do período plioceno, encontrado na China.

Guepardo descansando

Aventou-se recentemente, no entanto, que o gênero norte-americano Miracinonyx seria um exemplo de convergência evolutiva, constituindo-se então, não num parente próximo da atual chita, mas numa forma corredora do puma, ou suçuarana como é chamada no Brasil.

Estado de conservação[editar | editar código-fonte]

As crias de guepardo sofrem de elevados índices de mortalidade devido a fatores genéticos e à predação por parte de carnívoros que competem com esta espécie, como o leão e a hiena. Alguns biólogos defendem a teoria de que, em resultado da procriação consanguínea, o futuro da espécie possa estar comprometido, mas atualmente, alguns cientistas estão recuperando a diversidade da chita por meio de Engenharia Genética. As chitas estão incluídas na lista de espécies vulneráveis da IUCN (no português, União Internacional pela Conservação da Natureza), como espécie africana ameaçada e subespécie asiática em situação crítica.

Guepardos em zoológico

É considerada uma espécie vulnerável no Apêndice I da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção). Existem aproximadamente 12 400 guepardos na África, distribuídos em 25 países e vivendo em estado selvagem. Em relação ao tamanho territorial, a Namíbia possui 2500 indivíduos, o maior número que atualmente pode ser apresentado. A Namíbia também possui o maior número de chitas saudáveis e como consequência, com uma boa diversidade genética, um quesito que os guepardos são carentes por razão do efeito de gargalo sofrido pela espécie.

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

A pele do guepardo, ou chita como é conhecido este felino, foi durante muito tempo, considerada como um símbolo de status. No Egito antigo era muito frequente a sua utilização como animal de estimação, já que os mesmos podem ser domesticados, com cautela, claro, por tratar-se de um animal selvagem. Hoje têm uma importância econômica crescente devido ao ecoturismo, além de se encontrarem vários exemplares distribuídos por jardins zoológicos em todo o mundo. Como são muito menos agressivos que outros felinos de grande porte, as crias são facilmente vendidas como animais de estimação, principalmente na África, já que na Ásia é mais difícil de se capturar os filhotes devido à proteção que têm, principalmente no Irã, (na Ásia os guepardos são bem mais protegidos a este tipo de tráfico).

Guepardo em zoológico da Alemanha

Este comércio é ilegal, já que a propriedade privada de animais selvagens ou espécies ameaçadas de extinção é proibida pelas inúmeras convenções internacionais. Os guepardos foram perseguidos e caçados durante muito tempo pelos agricultores e pastores que os acusavam de matar os rebanhos. Quando tal espécie começou a ficar ameaçada de extinção, (vulnerável), promoveram-se inúmeras campanhas com o intuito de informar e educar ambiental e mentalmente os fazendeiros, incentivando-os a proteger este animal, e não matá-lo. O guepardo asiático também foi muito caçado, o que contribuiu para a diminuição desta subespécie, o motivo para esta excessiva caça também era a cobiçada pele e, como consequência, atualmente está em perigo crítico de extinção com pouco mais de 300 a 450 exemplares vivendo na natureza e muitos outros vivendo em vários zoológicos do mundo. Recentemente, guepardos asiáticos foram localizados para serem colarizados e monitorados, no Irã, para assegurar o futuro desta subespécie de guepardo.[10]

Referências culturais[editar | editar código-fonte]

Baco e Ariadne, de Ticiano, 1523
  • No quadro de George Stubbs, Chita com dois servos indianos e um veado (Cheetah with Two Indian Attendants and a Stag) (1764-1765), o guepardo é mostrado como um animal de caça. O quadro foi feito em comemoração à doação de um guepardo a Jorge III do Reino Unido pelo governador inglês de Madras, Sir George Pigot.
  • Na obra de Ticiano, Baco e Ariadne (1523), a carruagem do Deus é puxada por uma parelha de guepardos (que eram usados como animais de caça na Itália renascentista).
  • Em A Carícia (1896), do pintor simbolista belga Fernand Khnopff (1858-1921), é retratado o mito de Édipo e da Esfinge, representada por uma criatura com cabeça de mulher e corpo de chita, (muitas vezes erroneamente identificada como um leopardo).
  • A utilização dos guepardos como animais de estimação exóticos é retratada, por exemplo, numa peça de escultura art déco de cerca de 1925, da Wiener Werkstätte (Oficina de Viena).
  • O livro de André Mercier, Our Friend Yambo (1961), é uma curiosa biografia de uma chita adotada por um casal francês que a traz para Paris. Este livro foi, com certeza, influenciado pelo sucesso do livro Born Free (que deu origem ao filme que em Portugal recebeu o nome de Uma leoa chamada Elsa), de Joy Adamson que também escreveu a "autobiografia" de uma chita em The Spotted Sphinx (1969).
  • O filme Duma, (2005) tem como cenário as belas paisagens das savanas na África, e retrata a bela relação entre um rapaz de 12 anos com sua chita, na África do Sul.[11]
  • Na série animada ThunderCats, um dos personagens principais, Cheetara, apresenta a forma antropozoomórfica de um guepardo.
  • Na série animada e HQs Liga da Justiça a personagem Vixen, uma heroína com poder de contatar habilidades animais, é ocasionalmente vista utilizando-se da velocidade do guepardo em suas missões.

Notas

  1. Wozencraft, W. C.. In: Wilson, D. E., e Reeder, D. M. (eds). Mammal Species of the World. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2005. Capítulo: Ordem Carnivora. , 532–533 p. ISBN 0-801-88221-4
  2. Bauer, H., Belbachir, F., Durant, S., Hunter, L., Marker, L., Packer, K. & Purchase, N. (2008). Acinonyx jubatus (em Inglês). IUCN 2012. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 Versão 2. Página visitada em 08 de dezembro de 2012.
  3. Guepardo corre distância incomum para a espécie.
  4. a b Iranian Cheetah Society.
  5. Diversas informações a respeito da chita.
  6. Diversos dados sobre o guepardo.
  7. Fêmeas de guepardo são extremamente "promíscuas".
  8. United Nation Development Program UNDP.
  9. O guepardo, damisela.com.
  10. Guepardos são colarizados no Irã (ou Irão).
  11. Mais informações sobre o filme Duma, da "Warner Bros".

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Great Cats, Majestic Creatures of the Wild, ed. John Seidensticker, illus. Frank Knight, (Rodale Press, 1991), ISBN 0878579656 (em inglês).
  • Cheetah, Katherine (ou Kathrine) & Karl Ammann, Arco Pub, (1985), ISBN 0668062592 (em inglês).
  • Saúde Animal (em português).
  • Cheetah (Big Cat Diary), Jonathan Scott, Angela Scott, (HarperCollins, 2005), ISBN 0-00-714920-4.
  • Science (vol 311, p 73) (em inglês).
  • Cheetah, Luke Hunter and Dave Hamman, (Struik Publishers, 2003), ISBN 1-86872-719-X (em inglês).
  • Allsen, Thomas T. (2006). "Natural History and Cultural History": The Circulation of Hunting Leopards in Eurasia, Seventh-Seventeenth Centuries. In: Contact and Exchange in the Ancient World. Ed. Victor H. Mair. University of Hawaii Press. pp. 116–135.ISBN 978-0-8248-2884-4.
  • Matto H. Barfuss: Leben mit Geparden. Naturbuch Verlag, Augsburg 1998, Goldmann, München 2005. ISBN 3-442-15311-5.
  • Fritz Pölking, Norbert Rosing: Geparde. Die schnellsten Katzen der Welt. Tecklenborg, Steinfurt 1993. ISBN 3-924044-11-2 (em alemão).
  • P. Leyhausen: Katzen. in Grzimek´s Enzyklopädie. Bd 3. Nagetiere, Raubtiere. Brockhaus - Die Bibliothek. Brockhaus Verlag, Leipzig - Mannheim 1997. ISBN 3-7653-6111-9 (em alemão).
  • R. Conniff: Geparden - Die Geister der Savanne. in: National Geographic. Deutsche Ausgabe. Dezember 1999,10. ISSN 0027-9358 (em alemão).
  • Luke Hunter, D. Hamman: Cheetah. Struik Publishers, Cape Town 2003, ISBN 186872719X (em alemão).
  • Gus Mills, M. Harvey: African Predators. Struik Publishers, Cape Town 2001, ISBN 1-86872569-3 (em inglês).
  • Ronald M. Nowak: Walker's Mammals of the World. Bd 1. Johns Hopkins Univ. Press, Baltimore, 1999, S.834. ISBN 0-8018-5789-9 (em inglês).
  • Richard D. Estes: The behaviour guide to African mammals. Chapter 21. Univ. of Calif. Press, Berkeley 1991, S.377. ISBN 0-520-05831-3 (em inglês).
  • Caro, T. M.. Cheetahs of the Serengeti Plains: group living in an asocial species (em inglês). Chicago: University of Chicago Press, 1994. ISBN 0226094332

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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