Arminho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Como ler uma caixa taxonómicaArminho
Stoat at British Wildlife Centre.jpg

Estado de conservação
Status iucn2.3 LC pt.svg
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Mustelidae
Género: Mustela
Espécie: M. erminea
Nome binomial
Mustela erminea
Lineu, 1758
Distribuição geográfica
Mapa de distribuição do arminho.
Mapa de distribuição do arminho.

O arminho (Mustela erminea) é um carnívoro mustelídeo de pequeno porte pertencente ao grupo das doninhas (Mustela spp.). A espécie ocupa todas as florestas temperadas, árticas e sub-árticas da Europa, Ásia e América do Norte. Há 38 subespécies de arminho, classificadas de acordo com a distribuição geográfica. O arminho não corre de momento qualquer risco de extinção, mas algumas populações estão ameaçadas sobretudo por perda de habitat. O tempo de vida desses animais é de 7 a 10 anos, tendo casos de arminhos que chegaram a viver 14 anos, embora sejam muito raros.

Características e comportamento[editar | editar código-fonte]

O arminho é um dos menores membros da ordem Carnivora. Os machos podem medir até 33 cm de comprimento e cerca de 120 gramas de peso; as fêmeas são bastante menores, com metade deste tamanho. O corpo é longilíneo, de patas curtas, e termina numa cauda comprida que pode atingir cerca de 40% do comprimento total. O pescoço é relativamente longo e termina numa cabeça pequena e triangular, com orelhas arredondadas e bigodes compridos. A pelagem do arminho varia de acordo com a estação: na Primavera e Verão este animal é castanho chocolate no dorso, com a barriga branca-amarelada; no Outono e Inverno a pelagem torna-se mais espessa e completamente branca. Uma das características da espécie é a ponta da cauda, sempre de cor negra.

Arminho em duas patas

O arminho é um predador solitário que prefere caçar durante a noite ou no crepúsculo, movendo-se rapidamente em ziguezagues. Podem percorrer cerca de 15 km numa única noite. As suas presas preferenciais são pequenos roedores, insectos, anfíbios, pequenas aves e frequentemente os seus ovos e juvenis. São excelentes trepadores de árvores e bons nadadores, podendo também caçar peixes ou crustáceos, se as habituais fontes de alimento estiverem indisponíveis. Uma das suas vantagens é a capacidade, conferida pelo seu diminuto tamanho, de perseguir as presas dentro de tocas. O arminho tem que comer várias vezes por dia para responder às necessidades do seu metabolismo rápido e passa grande parte do seu tempo a caçar. É também conhecido o seu hábito de guardar restos de refeições em tocas ou buracos de árvore, para consumir mais tarde. As presas são normalmente mortas com uma dentada no pescoço.

A época de reprodução é anual e começa no fim da Primavera, princípio do Verão. Os arminhos são polígamos oportunísticos e acasalam várias vezes ao longo da estação. A gestação é relativamente muito longa para um animal tão pequeno e dura cerca de nove meses, devido ao atraso propositado da implantação dos óvulos no útero até à Primavera seguinte. As crias nascem por volta de Março em ninhos construídos pelas fêmeas em tocas ou buracos de árvore. Cada ninhada tem em média entre 4 a 9 filhotes, que nascem cegos e cobertos de uma penugem branca. O crescimento é bastante rápido e com oito semanas os arminhos são já independentes. As fêmeas atingem a maturidade sexual de imediato e normalmente acasalam na época de reprodução seguinte. Os machos demoram mais tempo a crescer e tornam-se adultos ao fim de um ano.

Os arminhos sofrem frequentemente de uma infestação parasítica causada pelo nemátodo Skrjabingylus nasicola, que ocupa a zona nasal e em muitos casos causa a morte do hospedeiro.

Relação com o Homem[editar | editar código-fonte]

Retrato do rei Luís XVI de França vestindo um manto decorado com arminho

O principal interesse do Homem nos arminhos é a sua pele, especialmente a pelagem branca de Inverno, que é considerada bastante valiosa pelo menos desde a Idade Média. Por este motivo, o arminho foi e continua a ser morto em grandes números, através de armadilhas ou, recentemente, em quintas onde é criado para esse mesmo efeito. A pele do arminho é aproveitada sobretudo para golas ou bordaduras de mantos e casacos. Em França, esta pele era vista como um símbolo de realeza e é comum os monarcas aparecerem representados com mantos de arminho, tipicamente brancos com o ponteado de negro que corresponde às caudas. No Reino Unido a roupagem tradicional dos membros da Casa dos Lordes inclui uma gola de pele de arminho, que hoje em dia é substituída por um equivalente artificial.

A voracidade e eficiência do arminho como predador de pequenos mamíferos chamou a atenção humana para outras possíveis aplicações da espécie que foi, por isso, introduzida na Nova Zelândia com o objectivo de controlar as populações de coelhos, que estavam a danificar os ecossistemas nativos. Infelizmente, a ideia foi um desastre pois os arminhos, em vez de caçar os coelhos, preferiram atacar os ninhos de aves nativas como o kakapo e kiwi, que não tinham qualquer experiência contra estes ataques. O arminho é actualmente considerado uma praga e está em curso um programa com vista à sua erradicação.

Brasão da Bretanha com pontos de arminho

Simbolismo[editar | editar código-fonte]

O arminho, talvez devido à sua aparência simpática e pelagem valiosa, tem estimulado a imaginação do Homem. No Japão é considerado um símbolo de boa sorte e na Europa medieval e renascentista era visto como símbolo de pureza. As representações alegóricas de arminhos na Europa incluem frequentemente o motto latino Malo Mori Quam Foedari, que se pode traduzir como Antes a morte que a desonra, numa alusão à suposta preferência do animal pela morte quando deparado com a possibilidade de sujar a sua pelagem. Alguns exemplos conhecidos de arminhos enquanto símbolos de pureza incluem um quadro de Leonardo da Vinci (imagem) e um retrato de Isabel I de Inglaterra (imagem), onde a rainha-virgem aparece representada com um arminho no colo.

Heráldica[editar | editar código-fonte]

Outra alusão à pelagem dos arminhos encontra-se na Heráldica, havendo uma pele inspirada nos mantos de arminhos representada através de um campo branco decorado com elaborados ponteados/mosqueados negros, e uma carga (cada um dos ditos ponteados) conhecida como ponto de arminho.

Literatura[editar | editar código-fonte]

O soneto barroco "À morte de F.", do português Francisco de Vasconcelos Coutinho, faz alusão - em seu primeiro verso - a uma pessoa comparada a um jasmin mais claro que os arminhos.

Esse jasmim, que arminhos desacata,
Essa aurora, que nácares aviva,
Essa fonte, que aljôfares deriva,
Essa rosa, que púrpuras desata;

Troca em cinza voraz lustrosa prata,
Brota em pranto cruel púrpura viva,
Profana em turvo pez prata nativa,
Muda em luto infeliz tersa escarlata.

Jasmim na alvura foi, na luz Aurora,
Fonte na graça, rosa no atributo,
Essa heróica deidade que em luz repousa.

Porém fora melhor que assim não fora,
Pois a ser cinza, pranto, barro e luto,
Nasceu jasmim, aurora, fonte, rosa.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]