Mão-pelada

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Mão-pelada, também chamado de guaxinim sulamericano
Mão-pelada, também chamado de guaxinim sulamericano
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Procyonidae
Género: Procyon
Espécie: P. cancrivorus
Nome binomial
Procyon cancrivorus
( Cuvier, 1798 )
Distribuição geográfica
Crab-eating Raccoon area.png
Wikispecies
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O mão-pelada (Procyon cancrivorus) é um mamífero carnívoro da família dos procionídeos, também é conhecido pelos nomes de guaxinim sulamericano,[1][2] jaguacinim,[3] jaguacampeba, jaguaracambé, iguanara, guaxo e cachorro-do-mangue. É bastante parecido com o Procyon lotor, com o qual possui parentesco. Esta espécie tem uma distribuição geográfica ampla, onde habita a região que vai desde a Costa Rica, a América do Sul abrangendo todo o Brasil, até Uruguai.

É um animal solitário, noturno e terrestre, mede cerca de 60 centímetros de comprimento e vive próximo a fontes de água, como rios, mangues, praias, baías e lagoas[4]. Contudo, pode ser encontrado em áreas não-aquáticas em determinadas épocas do ano, ocorrendo em todos os biomas brasileiros, tais como o cerrado, amazônia, caatinga, pantanal, mata atlântica e nos pampas.[5]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Procyon", nome do gênero, é derivado do latim e significa “antecessor do cão” ou “assim como o cão”. E, foi determinado o nome científico "cancrivorus" devido a sua preferência alimentar por crustáceos, o qual "cancro" significa caranguejo e "vorus" comedor.[5] Além disso, "Guaxinim" e "jaguacinim" procedem do tupi antigo îagûasinĩ.[6]

Distribuição geográfica e habitat[editar | editar código-fonte]

O mão-pelada apresenta uma grande adaptação a vários tipo de habitats, uma vez que podem ser encontrado em ambientes aquáticos, não-aquáticos e até áreas com perturbações antrópicas, ou seja, ações humanas que alteram seu ambiente natural. Ainda assim, esta espécie, apesar de viver adaptável a vários tipos de ambientes, tem certa dependência à áreas onde há fontes de água, sendo mais encontrada nas áreas de mangue alto, devido a sua preferência alimentar por caranguejos e a grande disponibilidade de abrigos presentes no entorno destas áreas.

Ademais, quando este animal apresenta sobreposição geográfica com o Procyon lotor, sendo estas duas espécies muito semelhantes, estes costumam se diferenciar geograficamente, como, por exemplo, na América central, onde o Procyon lotor habita as áreas de mangue, enquanto o mão-pelada em espaços de rios. E, há uma diferenciação de habitats entre machos e fêmeas, o qual as fêmeas tem maior preferência a abrigos em ocos de árvores do que os machos, isso acontece devido ao cuidado com os filhotes durante sua criação. [4][7]

Características[editar | editar código-fonte]

É um animal de porte médio, entre 60 a 135 cm, e pode pesar até 10 kg. Detém uma cauda longa e peluda com padrão anelar de coloração escura e amarelada, mas com sua ponta negra. Dispõe de uma cabeça pequena, cuja face esbranquiçada possui uma coloração negra ao redor dos olhos, e um focinho pontiagudo. Além disso, suas orelhas são arredondadas, curtas e esbranquiçadas.

A coloração de seu corpo é cinza escura com tons amarelados e tem sua região ventral amarelada e mais clara. É um animal plantígrado, ou seja, anda sobre a planta dos pés e ele detém de um membro torácico com tato bem desenvolvido e ágeis para cavar, manusear e procurar alimentos na água ou no lodo, pois são as áreas em que são mais frequentemente encontrados, e, além disso, proporciona habilidades de nadar e escalar, competências necessárias para subir em árvores quando procura por presas, abrigo contra predadores, descanso e até mesmo para nidificar.

Aliás, suas mãos são isentas de pêlos, referindo-se, dessa forma, a característica que designou seu nome popular mão-pelada. Dessa forma, este animal possui membros torácico, que lembram a mão humana espalmada, com quatro vezes mais receptores sensoriais na pele das mãos e que deixam pegadas menores e mais fortes do que as dos membros pélvicos.

O mão-pelada é animal noturno e, por isso, durante o dia se retém em abrigos, tais como buracos no chão e sob raízes. Porém, durante o crepúsculo e a noite ele é mais ativo, indo e voltando de seu abrigo, locomovendo-se por áreas do campo e realizando as atividades necessárias para a sua sobrevivência.[5] [8]

Anatomia[editar | editar código-fonte]

Distribuição do nervo isquiático[editar | editar código-fonte]

É considerado o nervo mais extenso do corpo e está integrado ao plexo sacral e lombossacral, que são formados pelos ramos ventrais dos nervos espinhais sacrais, e tem continuidade até a extremidade distal dos membros pélvicos. Assim, o nervo isquiático se origina no tronco lombrassacral, especificamente nos ramos ventrais do sexto e sétimo nervos lombares e do primeiro nervo sacral.

Ao longo de sua extensão, percorre a coxa caudalmente entre trocânter maior do fêmur e a tuberosidade isquiática e no decorrer no músculo semimembranoso, irradiando ramificações nos demais músculos laterais dos membros pélvicos, tais como o músculo glúteo médio, glúteo bíceps, semimembranoso, semitendinoso, bíceps da coxa, gêmeos, quadrado femoral e adutor magno.

Ao passo que medialmente a coxa, o nervo isquiático se contorce distalmente e se divide formando o nervo fibular, que se ramifica no joelho e preenche os músculos caudais à tíbia e a fíbula, e o nervo tibial, este que preenche os músculos flexores do tarso e extensores dos dedos.[5]

A origem do nervo isquiático do mão-pelada na região lombar é semelhante ao dos preás, cães, gatos e mocó, mas diferem nos três últimos quanto origem na região sacral, que tem origem no primeiro e segundo nervos sacrais.[5]

Glândulas salivares[editar | editar código-fonte]

Estas glândulas têm como função a produção da saliva,que é encontrada na boca e na garganta, e ela contém enzimas digestivas que ao combinar-se com os alimentos auxiliam a mastigação, deglutição e lubrificação para transportar o bolo alimentar, sendo elas a glândula parótida, submandibular, sublingual e a zigomática. Assim, a glândula parótida do mão-pelada apresenta semelhança morfológica com a dos cães, o qual ambos detêm de um formato triangular irregular e localiza-se logo depois do músculo masseter e, ademais, o seu ducto lança-se no quarto pré-molar superior.

A glândula submandibular tem formato arredondado, onde seu ducto se estende ao longo da superfície occiptomandibular do músculo digástrico e do estiloglosso, desembocando na boca proximalmente ao frênulo da língua e, dessa forma, sendo semelhante a cães, gatos e quatis. A disposição da glândula sublingual também tem semelhança com cães e gatos, o qual esta glândula se ramifica em duas partes: uma cranial e outra caudal. A fração cranial da glândula sublingual localiza-se na superfície occiptomandibular do músculo digástrico no meio da túnica mucosa da boca e músculo milo-hióideo.

E, outrossim, a glândula zigomática, com conformação também semelhante a cães e gatos, é uma glândula de tamanho pequeno e arredondada, sendo identificada somente em carnívoros. Dessa maneira, se estabelece na parcela cranial da fossa pterigopalatina e dispõe de quatro ou cinco ramificações de ductos que desembocam na mucosa lateral e finítimo ao último dente molar superior.[5]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

É um animal solitário, mas quando está livre na natureza ele se reúne em pares durante a reprodução, gerando de 2 a 6 filhotes por gestação, a qual dura em torno de 60 dias.[9] Os filhotes destes animais só conseguem abrir os olhos ao decorrer da terceira semana de vida e só após 4 meses que eles desmamam e se afastam do grupo.

A maturidade sexual dessa espécie é alcançada com um ano de vida e sua época reprodutiva ocorre uma vez por ano ao longo dos meses de julho a setembro, demonstrando, assim um ciclo monoestral, uma vez que só se reproduz uma vez por ano.[5]

Commons
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Alimentação[editar | editar código-fonte]

São animais carnívoros e sua dieta se baseia em caranguejos, frutos, anfíbios e peixes, sendo os frutos os elementos mais consumidos. Dentre os animais que fazem parte de sua alimentação estão os girinos, lagartas, besouros, cigarras, minhocas, cobras, aves, insetos e aranhas, dentre outros animais invertebrados.[10] [11]

Conservação[editar | editar código-fonte]

Dentre a classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), o mão-pelada é considerado uma espécie pouco preocupante (LC) à nível de ameaça de extinção, mas a espécie parece estar entrando em declínio. Isto é, sua população está entrando em declínio devido a perda do hábitat, como a destruição dos manguezais, atropelamento nas rodovias, caça com o objetivo de utilização de sua sua pele, prática de tiros, tráfico de animais e poluição das águas, esta última ocorre devido ao despejo de dejetos industriais e o mercúrio, proveniente das áreas de garimpo, em fontes de água que acabam envenenando várias espécies e as comprometendo em seu ambiente natural.[7] Além disto, foram encontrados indivíduos desta espécie com leishmaniose e soropositivos para a raiva, cinomose, parvovirose e leptospirose.[4]

Referências

  1. Animais vítimas do tráfico são libertados na floresta da caatinga Globo Repórter, com vídeo - acessado em 11 de outubro de 2012
  2. Guaxinim - Dicionário Michaelis acessado em 11 de outubro de 2012
  3. Jaguacinim - Dicionário Michaelis acessado em 11 de outubro de 2012
  4. a b c «Procyon cancrivorus (Cuvier, 1798) no Brasil» (PDF). 12 de setembro de 2018 
  5. a b c d e f g Pereira, Kleber Fernando. Procyon cancrivorus (mão-pelada): aspectos morfológicos das glândulas salivares e distribuição do nervo isquiático. (PDF) (Tese de Doutorado). Goiânia: Universidade Federal de Goiás 
  6. NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigoː a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 154.
  7. a b Siviero, Maria Carolina (2012). «Caracterização de micro-habitats do guaxinim (Procyon cancrivorus) em remanescentes de vegetação na região de Campinas, São Paulo (Mammalia: Carnivora)» (PDF). Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" Instituto de Biociências - Rio Claro 
  8. Cheida C.C., Rodrigues F.H.G., Mourão G.M. «Ecologia espaço-temporal de guaxinins Procyon cancrivorus (Carnivora, Procyonidae) no Pantanal central» (PDF). Universidade de Minas Gerais (UFMG) 
  9. «Mão-pelada» 
  10. «Mão-pelada». Fauna. 30 de janeiro de 2015 
  11. «Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade». www.ra-bugio.org.br. Consultado em 13 de setembro de 2018 
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