Restinga

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Restinga na praia da Jureia, em Iguape, SP.
Restinga, com fisionomias herbácea e florestal, no Parque Estadual Paulo Cesar Vinha, em Guarapari, ES.
Habitat de restinga na praia de Itaguaré, Bertioga, SP.
Habitat de restinga em Ilha de Margarita, Venezuela.

A restinga é um espaço geográfico formado sempre por depósitos arenosos paralelos à linha da costa, de forma geralmente alongada, produzido por processos de sedimentação, onde se encontram diferentes comunidades que recebem influência marinha, podendo ter cobertura vegetal em mosaico. Esse tipo de vegetação também pode ser encontrado em praias, cordões arenosos, dunas e depressões em diversos estágios sucessionais existentes fora da restinga na parte interiorana do continente. A restinga também pode se formar nos estuários dos rios, pela deposição de sedimentos, dando origem à formação de rios ou assoreamentos.[1]

Podem apresentar vários tipos de fisionomias: herbáceas, arbustivas e arbóreas.[2]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, alguns autores, como Löfgren (1898), usam o termo "restinga" apenas para o tipo de terreno, chamando sua vegetação de "nhundú" ou "jundú".[3][4] Para outros, a restinga pode ser definida como um terreno arenoso e salino, próximo ao mar e coberto de plantas herbáceas características. Ou ainda, de acordo com a resolução 07 de 23 de julho de 1996 da CONAMA, "entende-se por vegetação de restinga o conjunto das comunidades vegetais, fisionomicamente distintas, sob influência marinha e fluvio-marinha. Estas comunidades, distribuídas em mosaico, ocorrem em áreas de grande diversidade ecológica sendo consideradas comunidades edáficas por dependerem mais da natureza do solo que do clima"."

As restingas se distribuem geograficamente ao longo do litoral brasileiro, em pontos específicos na extensão de mais de 5000 km, não ocorrendo de forma contínua. As principais formações ocorrem no litoral de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Alagoas,Sergipe e Bahia. Um exemplo é a Restinga da Marambaia, no litoral do Rio de Janeiro.

Fisionomias[editar | editar código-fonte]

Correspondência entre os esquemas de diversos autores para as fisionomias da restinga:[5][6][7][8][2]

Ule (1901) Rizzini (1979) Araújo e Henriques (1984) Pereira (2003)
halófila,
psamofitas reptantes,
praial graminóide
herbácea aberta de praia
herbácea fechada inundável
brejo das ciperáceas brejo herbáceo herbácea inundada
pós-praia herbácea fechada de cordão arenoso
thicket baixo de pós-praia Palmae arbustiva fechada não inundável
Myrtenrestinga thicket de Myrtaceae arbustiva fechada não inundável
Sumpfrestinga arbustiva fechada inundável
Clusiarestinga,
Heiderestinga
scrub de Clusia
e scrub de Ericaceae
aberta de Clusia
e aberta de Ericaceae não inundável
arbustiva aberta não inundável
Clusiarestinga,
Heiderestinga
scrub de Clusia
e scrub de Ericaceae
aberta de Clusia
e aberta de Ericaceae inundável
arbustiva aberta inundável
floresta arenosa litorânea (mata seca) florestal não inundável
mata de Myrtaceae florestal inundável
florestal inundada

Proteção legal[editar | editar código-fonte]

Para conter a degradação destas áreas geográficas, que são as restingas, garantindo, especialmente, que estas possam continuar exercendo sua importante função ambiental de fixadoras de dunas e estabilizadoras de manguezais, o Código Florestal brasileiro (Lei 12.651, de 25 de maio de 2012) enquadra as áreas das restingas como Áreas de Preservação Permanente - APP, não podendo as mesmas serem devastadas e ocupadas, conforme inciso VI do art.4º e 7º da Lei. A Resolução Conama 303, de 20 de março de 2002, que dispõe sobre parâmetros, definições e limites de APP, estabelece que constitui APP a área situada nas restingas: em faixa mínima de 300 m, medidos a partir da linha de preamar máxima; ou em qualquer localização ou extensão, quando recoberta por vegetação com função fixadora de dunas ou estabilizadora de mangues.[9]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

São exemplos de restingas os cordões de areia que formam a Ria de Aveiro ou a Ria Formosa, assim como diversas lambdas arenosas na foz de alguns rios, como é o caso do Cabedelo na foz do Rio Douro.[1]

Em Portugal, restinga também significa escolho, recife[10], como no topónimo Ponta da Restinga nos Açores.

Referências

  1. a b «Aula 8: Estuários, deltas e lagunas». Universidade do Porto. Consultado em 5 de novembro de 2012 
  2. a b Thomazi, R. D., Rocha, R. T., Oliveira, M. V., Bruno, A. S., & Silva, A. G. (2013). Um panorama da vegetação das restingas do Espírito Santo no contexto do litoral brasileiro. Natureza on line, Santa Teresa/ES, 11 (1): 1-6, link.
  3. Löfgren, A. (1898). Ensaio para uma distribuição dos vegetaes nos diversos grupos florísticos no estado de São Paulo. Boletim da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, n.11, p.5-50, 2a ed., [1]. [1a ed., 1896.]
  4. WALTER, B. M. T. (2006). Fitofisionomias do bioma Cerrado: síntese terminológica e relações florísticas. Tese de Doutorado, Universidade de Brasília, [2].
  5. Ule, E. (1901). Die Vegetation von Cabo Frio am der Küste von Brasilien. In: Engler, A. (ed.). Botanische Jahrbücher für Systematik 28: 511-528, link.
  6. Rizzini, C.T. (1979). Tratado de fitogeografia do Brasil. São Paulo, HUCITEC/EDUSP. v. 2, pp. 521-572.
  7. Araújo, D.S.D., Henriques, R.P.B. (1984). Análise florística das restingas do estado do Rio de Janeiro. In: Lacerda, L.D., Araújo, D.S.D., Cerqueira, R., Turcq, B. (org.). Restingas: origem, estrutura, processos. Niterói, CEUFF. pp. 159-192.
  8. Pereira, O.J. (2003). Restinga: origem, estrutura e diversidade. In: Jardim, M.A.G., Bastos, N.N.C., Santos, J.U.M. (ed.). Desafios da Botânica Brasileira no Novo Milênio: Inventário, Sistematização e Conservação da Diversidade Vegetal. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi. pp 177-179.
  9. «IBAMA Restinga». Ibama.gov.br 
  10. «Restinga». Infopédia. Consultado em 5 de novembro de 2012 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lacerda, L.D. et al. (orgs.). 1984. Restingas: origem, estrutura, processos. Niterói: CEUFF.
  • Rawitscher, F.K. 1944. Algumas noções sobre a vegetação do litoral brasileiro. Boletim da Associação dos geógrafos brasileiros ano 4, n. 5, p. 13-28, [3], link.
  • Silva, S. M. 1999. Diagnóstico das Restingas no Brasil. In: Fundação BIO RIO, Workshop Avaliação e ações prioritárias para a conservação da biodiversidade na Zona Costeira e Marinha. Porto Seguro, Anais Eletrônicos. link.


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