Campinarana

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Vista lateral de uma área com vegetação alagada, possivelmente campinarana, em Manaus, AM.

Campinarana é um termo regionalista para um tipo de vegetação da região amazônica, com fisionomias variadas, de campestres a florestadas. Diferencia-se da Floresta Amazônica propriamente dita pela flora distinta e pelo porte menor das árvores e caules mais finos.

Seu solo é arenoso e bastante lixiviado, dos tipos Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos.

Ocorrência[editar | editar código-fonte]

Ocorre, por exemplo, no Alto Rio Negro (região da Cabeça do Cachorro, em São Gabriel da Cachoeira, AM) e no Médio Rio Branco (Roraima),

Terminologia[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, Spruce (1908) usou o termo "caatinga" (ou florestas baixas, florestas brancas, monte bajo) para um tipo de vegetação do alto rio Negro, além do termo "caatinga-gapó" para um outro tipo, em áreas inundadas.[1]

O termo atualmente em uso, campinarana, por sua vez, foi empregado por Adolpho Ducke (1938, 1954),[2][3] Sampaio (1940, 1944),[4][5] Egler (1960),[6] Projeto Radambrasil (1973-1987)[7] e IBGE (2012).[8]

Dücke e Black (1954) usaram o termo "campina" para as clareiras de gramíneas na Amazônia, com flora similar às "caatingas" amazônicas. Distinguiram também os "campos" (com flora do Cerrado) e as "campinaranas" (definidas como transição entre as florestas amazônicas e os campos e campinas).[3]

O IBGE (2012) propõs uma reformulação, reunindo os termos "Caatinga da Amazônia", "Caatinga-Gapó" e "Campina da Amazônia" sob a categoria "Campinarana" num sentido amplo; os dois primeiros termos são usados, prioritariamente, para designar os tipos de campinarana mais adensados e/ou arborizados; o segundo, em áreas inundadas na maior parte do ano; e o terceiro, para os mais abertos ou campestres.[8]

Tipos[editar | editar código-fonte]

Formações de Campinarana (lato sensu), de acordo com o IBGE (2012):[8]

  • 1. Campinarana Florestada
    • Caatinga da Amazônia
    • Ressaca
    • Caatinga-Gapó (florestada)
  • 2. Campinarana Arborizada
    • Campinarana (stricto sensu)
    • Caatinga-Gapó (arborizada)
  • 3. Campinarana Arbustiva
    • Campina da Amazônia (arbustiva)
    • Caatinga-Gapó (arbustiva), ou Varetal
  • 4. Campinarana Gramíneo-Lenhosa
    • Campina da Amazônia (gramíneo-lenhosa)

Referências

  1. SPRUCE, Richard. Notes of a botanist on the Amazon & Andes. London: Macmillan and co., 1908. link. [Cf. v. 1, p 211; v. 2, 354-356]
  2. DUCKE, A. A flora do Curicuriari, afluente do rio Negro, observada em viagens com a Comissão Demarcadora das Fronteiras do Setor Oeste. In: Anais da 1a. Reunião Sul-Americana de Botênica, 1938, Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Jardim Botânico, 1938. v. 3, p. 389-398.
  3. a b Dücke, A.; Black, O. A. (1954). Notas sobre a fitogeografia da Amazônia Brasileira. Bol. Técn. IAN, Belém, 29: 1-62. [1].
  4. SAMPAIO, A. J. Fitogeografia. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro: IBGE, ano 2, n. 1, p. 59-78, jan. 1940, [2].
  5. SAMPAIO, A. J. A flora amazônica. In: Amazônia brasileira: excerptos da Revista Brasileira de Geografia. Rio de Janeiro, IBGE, 1944. p. 92-102.
  6. EGLER, W. A. Contribuições ao conhecimento dos campos da Amazônia. I. Os campos do Ariramba. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Nova Série Botânica, Belém, n. 4, p. 1-36, jun. 1960, [3].
  7. BRASIL. Ministério das Minas e Energia. Departamento Nacional de Produção Mineral (1973-1987). Projeto Radambrasil. Levantamento de recursos naturais. 34 vols. Rio de Janeiro.
  8. a b c IBGE (2012). Manual Técnico da Vegetação Brasileira. 2a ed. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: [4].

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Guimarães, F. S., & Bueno, G. T. (2016). As campinas e campinaranas amazônicas/The amazonian campinas and campinaranas. Caderno de Geografia, 26(45): 113-133, [5].
  • Mendonça, B.A.F. (2011). Campinaranas amazônicas: pedogênese e relações solo-vegetação. Tese, Universidade Federal de Viçosa. [6].
  • Takeuchi, M. (1960). A estrutura da vegetação na Amazônia. III - A mata de campina na região do Rio Negro. Bol. Mus. Paraense E. Goeldi, Bot., 8: 1-13.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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