Floresta estacional semidecidual

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Remanescente (ao fundo) de Mata Atlântica do Interior em Santa Fé do Sul, Noroeste Paulista.

A floresta estacional semidecidual constitui uma vegetação pertencente ao bioma da Mata Atlântica (Mata Atlântica do Interior), ocasionalmente também no Cerrado,[1] sendo típica do Brasil Central e condicionada a dupla estacionalidade climática: uma estação com chuvas intensas de verão, seguidas por um período de estiagem.[2] É constituída por fanerófitos com gemas foliares protegidas da seca por escamas (catáfilos ou pêlos), tendo folhas adultas esclerófilas ou membranáceas deciduais. O grau de decidualidade, ou seja, a perda das folhas é dependente da intensidade e duração de basicamente duas razões: as temperaturas mínimas máximas e a deficiência do balanço hídrico. A porcentagem das árvores caducifólias no conjunto florestal, é de 20-50%.[2]

Localiza-se no norte e oeste do Paraná, região do terceiro planalto, onde apresenta neossolo, argissolo, latossolo e cambissolo.[carece de fontes?]

Também está amplamente distribuída na porção Sul do Estado de Mato Grosso do Sul, entremeada entre campos até o paralelo 21º, em que aparece nas matas ciliares, sendo chamada Floresta Estacional Semidecidual Aluvial.[carece de fontes?]

Terminologia[editar | editar código-fonte]

De acordo com Rodrigues (1999),[3] a floresta estacional semidecidual (IBGE, 1993)[4] corresponde aproximadamente às designações:

  • floresta pluvial subtropical (Wettstein, 1904)[5]
  • matas pluviais do interior (Campos, 1912)[6]
  • floresta latifoliada semidecídua tropical (Kuhlmann, 1956)[7]
  • floresta pluvial estacional tropical do planalto centro-sul (Veloso, 1962)[8]
  • floresta mesófila semidecídua (Rizzini, 1963)[9]
  • floresta estacional sub-caducifolia ou tropical (Andrade-Lima, 1966)[10]
  • floresta semidecídua de planalto (Eiten, 1970)[11]
  • matas foliadas subtropicais (Hueck, 1972)[12]
  • floresta estacional semidecídua submontana (Veloso e Góes Filho, 1982)[13]
  • floresta latifolia semicaducifólia ou mata de planalto (Leitão Filho, 1982)[14]

Tipos[editar | editar código-fonte]

Para fins apenas de delimitar regiões de estudo há uma divisão altimétrica do IBGE (2012):[15]

Algumas autores indicam ainda um quinto tipo, a floresta estacional semidecidual costeira (ou Mata dos Tabuleiros), presente no litoral do Rio Grande do Norte e Ceará.[carece de fontes?]

Flora[editar | editar código-fonte]

Dominam os gêneros amazônicos de distribuição brasileira:

Conservação[editar | editar código-fonte]

A Mata Atlântica do Interior é das ecorregiões da Mata Atlântica que se encontra em pior estado de conservação. O maior trecho (cerca de 471.204km²) de floresta estacional semidecidual fazia parte da ecorregião da Floresta Atlântica do Alto Paraná (ou Selva Paranaense)[16]. Ela se estendia desde o Noroeste Paulista até o sudeste do Paraguai e província argentina de Misiones. É notável que o grau de fragmentação dessa floresta foi tamanho, que no Brasil resta apenas 2,7% da cobertura original (cerca de 7.716km²), que tem no Parque Estadual Morro do Diabo, no Parque Nacional do Iguaçu e no Parque Estadual do Turvo, seus maiores trechos bem conservados [16]. Na realidade, a maior parte dos remanescentes dessa floresta, se localiza na província argentina de Misiones, com cerca de 11.230km² [16]. No Paraguai, existem 11.523km², que representam apenas 13,5% da cobertura original[16]. Deve-se salientar, que a situação das florestas no Brasil é a mais crítica. A maior parte dos remanescentes de floresta do interior paulista, por exemplo, não ultrapassa 10hectares. Para que um fragmento seja considerado grande, e que abrigue espécies significativas do bioma, como grandes mamíferos (como a onça-pintada), ele precisa ter no mínimo 10.000hectares (100km²)[16]. No interior de São Paulo, o único fragmento que tem área maior de 10.000hectares é o Parque Estadual Morro do Diabo. No estado do Rio Grande do Sul, esse tipo de vegetação foi reduzido 4,26% (cerca de 2.102,75km²)[17] da cobertura original.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Pereira, B. A. D. S., Venturoli, F., & Carvalho, F. A. (2011). Florestas estacionais no cerrado: uma visão geral. Pesq. Agropec. Trop. 41: 446-455. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pat/v41n3/a19v41n3.pdf>.
  2. a b IBGE (1992). Manual técnico da vegetação brasileira. 1a. ed. Rio de Janeiro: IBGE. 92 p. (Manuais técnicos em geociências, n. 1). Disponível em: [1].
  3. Rodrigues, R. R. 1999. A vegetação de Piracicaba e municípios do entorno. Circular Técnica IPEF, n. 189, p. 1-17, [2].
  4. IBGE. Mapa de vegetação do Brasil. Rio de Janeiro, 1993, [3].
  5. Wettstein, R.R. (1904). Vegetationsbilder aus Südbrasilien. Leipzig: Granz Denticke, [4]. Tradução de 1970: Aspectos da Vegetação do Sul do Brasil. Ed. Univ. S. Paulo e Ed. Edgard Blücher, [5].
  6. Campos, G. (1912). Mappa Florestal. Secretaria de Estado do Meio Ambiente. São Paulo. 102 p., [6]. Edição Fac-similar, 1987.
  7. Kuhlmann, E. Os tipos de vegetação do Brasil: elementos para uma classificação fisionômica. Anais da Associação Geográfica do Brasil, v.8, n.1, p.133-180, 1956.
  8. Veloso, H.P. Os grandes clímaces do Brasil: 1-considerações sobre os tipos vegetativos da região sul. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v.60, n.1, p.175-194, 1962.
  9. Rizzini, C.T. (1963). Nota prévia sobre a divisão fitogeográfica do Brasil. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro: IBGE, ano 25, n. 1, p. 3-64, jan./mar. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/115/rbg_1963_v25_n1.pdf>
  10. Andrade-Lima, D. (1966). Vegetação. In: Atlas nacional do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, f. II-11.
  11. Eiten, G. A vegetação do Estado de São Paulo. Boletim do Instituto de Botânica de São Paulo, v.7, p.1-147, 1970.
  12. Hueck, K. (1972). As Florestas da América do Sul: Ecologia, composição e importância econômica. Trad. Hans Reichardt. São Paul: Ed. Universidade de Brasília/Ed. Polígono. 466 p.
  13. Veloso, H. P.; Góes-Filho, L. (1982). Fitogeografia brasileira: classificação fisionômico-ecológica da vegetação neotropical. Salvador: Projeto Radambrasil. 86 p. (Boletim técnico. Vegetação, n. 1). Disponível em: <[7]>.
  14. Leitão Filho, H.F. Aspectos taxonômicos das florestas do Estado de São Paulo. Silvicultura em São Paulo, v.16A, parte 1, p.197-206, 1982.
  15. IBGE (2012). Manual Técnico da Vegetação Brasileira. 2a ed. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: [8].
  16. a b c d e «A Ecorregião Florestas do Alto Paraná - Capítulo 2». Anuário Mata Atlântica. Consultado em 27 mar. 2012. 
  17. «Floresta Estacional Semidecidual». UFSM. Consultado em 29 mar. 2012. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ramos, V. S.; Durigan, G.; Franco, G. A. D. C.; Siqueira, M. F. Árvores da floresta estacional semidecidual: guia de identificação de espécies. São Paulo: EDUSP; Biota/FAPESP, 2008. 320 p., [9].
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