Campo (bioma)

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Achala, Argentina.

Campo é um tipo de bioma/vegetação caracterizado pela predominância da vegetação rasteira, normalmente constituída de gramíneas com ocorrência maior ou menor de arbustos e árvores.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A mais comum acepção, que deu origem à extensa toponímia, é de que campo é uma grande área livre de vegetação de maior parte. Daí designar tanto uma área agrícola, como uma pastagem plantada para alimentação animal ou uma pradaria natural.

Nomenclatura[editar | editar código-fonte]

Lindmann (1906) empregou a nomenclatura campinas para designar genericamente os campos classificando-os de limpos ou sujos segundo a quantidade de arbustos lenhosos raquíticos que continham.

Assim, campo passou a designar paisagens tão distintas quanto os pampas que ocorrem desde o Rio Grande do Sul para o sul e oeste em terras do Uruguai e Argentina, quanto os cerrados que eram designadas como savanas que ocorrem no centro-oeste do Brasil.

Na terminologia adotada pelo IBGE no entanto, campo o paisagístico que designa uma área ou região cujo bioma é caracterizado pela vegetação rasteira e arbustiva constituída principalmente por gramíneas e arbustos esparsos, com pequenas as árvores de maior porte reunidas em capões e nas matas de galeria das margens dos rios e lagos.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Dada essa amplitude de significados o vocábulo não tem sido utilizado para descrever biomas que tipicamente eram chamados da campos, preferindo a maioria dos autores empregar o termo para designar um grupo ou coleção de biomas (biócoro) que possuem as mesmas características básicas, embora a clara diversidade entre si.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, os campos ocorrem de maneira descontínua no norte e no sul, a partir de seus extremos.

No norte os campos ocorrem nas terras altas de Roraima onde o clima tropical é atenuado pela altitude e também sob a forma de hilea ou campos inundáveis na ilha do Bananal e ilha de Marajó esta última na foz do Rio Amazonas no Pará, que ficam submersas nas águas fluviais em boa parte do ano.

No sul, onde ocorre clima subtropical com verões quentes mas inverno rigoroso, os campos se abrem a partir do Rio Grande do Sul onde são designados como Pampas, e seguem para o norte até o centro do Paraná onde são designados como Campos Gerais e se estendem para o sul e oeste para além das fronteiras com o Uruguai e Argentina respectivamente, numa extensão de cerca de 170 mil Km2.

No esquema de classificação da vegetação do IBGE (2012), a expressão "vegetação campestre" é usada num sentido amplo, inclusive englobando tipos de vegetação como savana e estepe. Neste sistema, os Pampas são caracterizados como um tipo de estepe.[1] Entretanto, outros autores preferem empregar o termo "campo" em sentido restrito, aplicando-o aos Pampas.[2]

Fauna[editar | editar código-fonte]

Embora povoado por cerca de 102 espécies de mamíferos, 476 de aves e 50 de peixes o campo é frequentemente definido como um bioma pobre em diversidade biológica. Entre outros animais os campos abrigam a onça-pintada, capivara, veado, lontra, cateto, lobo guará, tamanduá, jaguatirica, gato-palheiro, gato-maracajá e aves como a ema, marrecos, arara-azul.

Solo[editar | editar código-fonte]

Frequentemente descrito por seu solo frágil com tendência à desertificação, quase que a totalidade da área original dos Campos Gerais do Paraná e maior parte dos Pampas já foi muito transformada em área de agricultura intensiva de soja e trigo. Com resultado de um desastre histórico de desmatamento e queimadas, a agricultura mecanizada e química acabou produzindo erosão e lixiviamento do solo a níveis de desertificação em algumas áreas no sudoeste e do oeste no Rio Grande do Sul.

Nas intercessões dos relevos ondulados com planaltos e bordas dos grandes vales e rios que corta, os campos tendem a ter maior riqueza e diversidade vegetal com a presença a de maior porte como o pinheiro do Paraná, a Imbuia, cabreúva, canafístula, açoita-cavalo, grápia, a [caroba], o [angico-vermelho] e o [cedrote], o que por vezes prejudica a sua principal característica é a presença de grandes espaços abertos com predominância de gramíneas rasteiras.

Isto ocorre tipicamente no Paraná nas intercessões da Mata dos Pinhais e Serra do Mar e nos campos de altitude como os da Serra da Mantiqueira, também descritos como “campos de cima”. A proximidade do litoral acarreta também peculiaridades com nos casos dos campos da ilha de Marajó no Pará e do Banhado do Taim no Rio Grande do Sul

Referências

  1. IBGE (2012). Manual Técnico da Vegetação Brasileira. 2a ed. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/vegetacao/manual_vegetacao.shtm>.
  2. Overbeck, G. E. et al. Brazil's neglected biome: the South Brazilian Campos. Perspectives in Plant Ecology, Evolution and Systematics, v. 9, n. 2, p. 101-116, 2007. Disponível em: <http://ecoqua.ecologia.ufrgs.br/arquivos/Reprints%26Manuscripts/Overbeck_et_al_2007_PPEES.pdf>.