Hábito (botânica)
Hábito é um termo frequentemente utilizado em morfologia vegetal para descrever a forma geral de uma planta, tendo em conta características como a dimensão, estrutura, posição e duração do caule, o padrão de ramificação, o desenvolvimento durante o ciclo de vida e a textura.[1][2]
Descrição
[editar | editar código]Em botânica, o conceito de hábito refere-se à forma geral de uma planta e descreve uma série de componentes macro-morfológicos, tais como o comprimento e desenvolvimento do caule, o padrão de ramificação e a dureza e textura. Enquanto muitas plantas se encaixam perfeitamente em algumas categorias principais, tais como gramíneas, lianas, arbustos ou árvores, outras podem ser mais difíceis de categorizar. O hábito de uma planta fornece informações importantes sobre a sua ecologia, sendo uma indicação da forma como se adaptou ao seu ambiente. Cada hábito indica uma estratégia de adaptação diferente. O hábito também está associado ao desenvolvimento da planta, pelo que pode mudar à medida que a planta cresce, sendo nessa aceção mais apropriadamente designado por hábito de crescimento. Além da forma, o hábito indica a estrutura e textura da planta indicando, por exemplo, se a planta é herbácea ou lenhosa.
Cada planta começa o seu crescimento como uma planta herbácea. As plantas que permanecem herbáceas são mais baixas e sazonais, morrendo no final da sua estação de crescimento. As plantas lenhosas, como as árvores, arbustos e trepadeiras lenhosas (lianas), adquirem gradualmente tecidos lenhosos (lignificados), que fornecem resistência e proteção ao sistema vascular,[3] e tendem a ser masis altas e relativamente longevas. A formação de tecido lenhoso é um exemplo de crescimento secundário, uma alteração nos tecidos existentes, em contraste com o crescimento primário (Meristema|meristemático]]), que cria novos tecidos, como a ponta alongada de um rebento de planta. O processo de formação da madeira (lignificação) é mais comum nas espermatófitas (plantas com sementes) e evoluiu independentemente várias vezes. As raízes também podem lignificar, auxiliando no papel de sustentar e fixar plantas altas, e podem fazer parte de um descritor do hábito da planta.
O hábito da planta também pode referir-se ao facto de a planta possuir ou não sistemas especializados para o armazenamento de hidratos de carbono ou água, permitindo que a planta renove o seu crescimento após um período desfavorável. Quando a quantidade de água armazenada é relativamente elevada, a planta é designada por suculenta. Essas partes especializadas da planta podem surgir dos caules ou nas raízes. Exemplos incluem plantas que crescem em climas desfavoráveis, climas muito secos onde o armazenamento é intermitente dependendo das condições climáticas, e aquelas adaptadas para sobreviver a incêndios e voltar a crescer a partir do solo após terem a sua parte aérea danificada pelo fogo.
Para além da distinção entre herbáceas e lenhosas, a descrição do hábito geralmente inclui uma descrição das estruturas acima da superfície do solo, vegetativas ou reprodutivas, distinguindo se morrem no final da estação de crescimento anual e se se tornam lenhosas. Embora essas estruturas sejam de natureza anual, a planta em si pode ser anual, bienal ou perene. As plantas herbáceas que sobrevivem por mais de uma estação possuem órgãos de armazenamento subterrâneos e, portanto, são designadas por geófitas.
Forma de crescimento
[editar | editar código]Nas plantas, a forma de crescimento é a configuração morfológica da planta em relação à sua vida útil, à duração das suas partes individuais, à sua ramificação e a outras características morfológicas externas. O conceito de forma de crescimento das plantas sobrepõe-se fortemente à forma de vida e é frequentemente utilizado como sinónimo desta.[1]
De acordo com a definição proposta por Werner Rauh, a forma de crescimento das plantas é o princípio organizacional de cada espécime, ou seja o seu plano de construção. A forma de vida é, portanto, a forma concretamente realizada do que é possível no habitat dentro da amplitude do plano de construção.[2] Na literatura, porém, não se faz distinção entre forma de vida e forma de crescimento, ambos os termos são usados como sinónimos.[2]
Terminologia descritiva
[editar | editar código]Entre os termos usados para descrever o hábito das plantas, inclueme-se os seguintes:
- Acaulescente – as folhas, flores ou inflorescências brotam do solo e parecem não ter caule. Também são conhecidas como formas em roseta, algumas das muitas condições que resultam de entrenós muito curtos (ou seja, distâncias curtas entre os nós no caule da planta). Nestas plantas é frequente a existência de um caudex, sendo as folhas por vezes descritas como radicais ou de emergência radical.
- Planta ácida – plantas com seiva ácida ou látex acídico, normalmente devido à produção de sais de amónio (málico e ácido oxálico)
- Actinomórfica – partes das plantas que apresentam simetria radial na sua disposição.
- Arborescente – que cresce com um hábito semelhante ao de uma árvore, normalmente com um único caule lenhoso (tronco).
- Ascendente – que cresce na vertical, em direção ascendente.
- Assurgente – crescimento ascendente.
- Ramificação – dividindo-se em vários segmentos menores.
- Caduca – caindo prematuramente.
- Caulescente – com um caule bem desenvolvido acima do solo.
- Caulirosulado – disposto em cachos semelhantes a rosas na extremidade do caule (para descrever folhas ou brácteas).
- Cespitoso – formando tufos densos, normalmente aplicado a plantas pequenas que crescem em tapetes, tufos ou aglomerados.
- Rastejante – crescendo ao longo do solo e produzindo raízes em intervalos ao longo da superfície.
- Decídua – caindo após completar a sua função.
- Decumbente – o crescimento começa prostrado e as extremidades ficam eretas.
- Deflexo – curvado para baixo.
- Crescimento determinado – Crescimento por um tempo limitado, formação floral e folhas (ver também «indeterminado»).
- Dimórfico – de duas formas diferentes.
- Ecad – uma planta que se presume estar adaptada a um habitat específico.
- Ecótono – a fronteira que separa duas comunidades vegetais, geralmente de grande importância – árvores em bosques e gramíneas na savana, por exemplo.
- Ectogénese – variação nas plantas devido a condições externas à população.
- Ectoparasita – planta parasita que tem a maior parte da sua massa fora do hospedeiro, o corpo e os órgãos reprodutivos da planta vivem fora do hospedeiro.
- Epígeo – que vive na superfície do solo. Veja também os termos para sementes.
- Epifloidal – crescendo na casca das árvores.
- Epifloédico – um organismo que cresce na casca das árvores.
- Epífilo – que cresce nas folhas. Por exemplo, a espécie Helwingia japonica tem flores epifílicas (que se formam sobre as folhas de outras espécies).[4]
- Epífita – que cresce noutro organismo, mas não é parasita. Não cresce no solo.
- Epifítico – que tem a natureza de uma epífita.
- Equinoccial – uma planta que tem flores que abrem e fecham em momentos definidos durante o dia.
- Ereto – que tem um hábito ou posição essencialmente vertical.
- Escape – uma planta originalmente cultivada que se tornou selvagem, uma planta de jardim que cresce em áreas naturais.
- Perene – permanecendo verde no inverno ou durante o período normal de dormência de outras plantas.
- Eupotámos – vivendo em rios e riachos.
- Eurihalino – vivendo normalmente em água salgada, mas tolerante à salinidade variável.
- Euritermo – tolerante a uma ampla gama de temperaturas.
- Espécies exclusivas – confinadas a locais específicos.
- Exóticas – não nativas da área ou região.
- Exsicato – planta seca, mais frequentemente utilizada para espécimes em herbários.
- Crescimento indeterminado – inflorescência e folhas que crescem por um período indeterminado, até serem interrompidas por outros fatores, como geada (ver também Determinado).
- Lasso – não ereto, crescimento não estritamente vertical ou pendente a partir do ponto de origem.
- Litófita – Cresce em rochas
- Endolítica – cresce em fendas de rochas.
- Epilítica – cresce na superfície de rochas.
- Mallee – termo aplicado a certas espécies australianas que crescem com múltiplos caules que brotam de um lignotúbero subterrâneo.
- Parasítico – usando outra planta como fonte de nutrição.
- Precoce – floração antes do surgimento das folhas.
- Procumbente – crescimento prostrado ou rasteiro, mas sem enraizamento nos nós.
- Prostrado – deitado no chão, folhas, caules ou até mesmo flores em algumas espécies.
- Reptante – rastejante ou que exibe crescimento reptante.
- Roseta – aglomerado de folhas com entrenós muito curtos que se aglomeram, normalmente na superfície do solo, mas às vezes mais acima no caule.
- Rostelado – semelhante a uma roseta (cf. rostellum).
- Rosulado – disposto em forma de roseta.
- Estolho – um ramo alongado e delgado que cria raízes nos nós ou na ponta.
- Estolão – um ramo que se forma perto da base da planta, cresce horizontalmente e cria raízes e produz novas plantas nos nós ou no ápice.
- Estolonífero – plantas que produzem estolões.
- Semi-ereto – que não cresce perfeitamente reto.
- Sufrutescente – um pouco arbustivo ou arbustivo na base.
- Ereto – Crescendo para cima.
- Virgato – semelhante a uma varinha, caule delgado e ereto com muitas folhas ou ramos muito curtos.
- Lenhoso – formando crescimento secundário lateralmente ao redor da planta, de modo a formar madeira.
Referências
[editar | editar código]- ↑ a b Gerhard Wagenitz, Wörterbuch der Botanik. Die Termini in ihrem historischen Zusammenhang. 2., erweiterte Auflage. Spektrum Akademischer Verlag, Heidelberg/Berlin 2003, ISBN 3-8274-1398-2.
- ↑ a b c Peter Sitte, Elmar Weiler, Joachim W. Kadereit, Andreas Bresinsky, Christian Körner: Lehrbuch der Botanik für Hochschulen. Begründet von Eduard Strasburger. 35.ª edição, p. 989. Spektrum Akademischer Verlag, Heidelberg 2002, ISBN 3-8274-1010-X.
- ↑ Judd et al. 2007, Chapter 4. Structural and Biochemical Characters.
- ↑ Dickinson 1999.