Assoreamento

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Poluição e assoreamento no Ribeirão Caladinho, um pequeno curso hidrográfico da zona urbana de Coronel Fabriciano, no Brasil.

Assoreamento é o processo em que se observa no leito dos rios acúmulo de detritos, lixo, entulho ou outros materiais. No fundo dos rios e lagoas, esse acúmulo interfere na topografia de seus leitos impedindo-os de portar todo o seu volume hidrico, provocando transbordamento em épocas de grande quantidade de chuvas.

Portanto, entende-se que a deterioração das margens está adjunta ao desmatamento ciliar, ou seja, o mau uso do solo e a exploração dos recursos ambientais estão intimamente relacionados aos problemas no meio ambiente. Desse modo, a remoção da vegetação nas costas energiza a erosão do solo, colaborando com o assoreamento dos rios[1]

Assoreamento no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil o despejo sistemático de esgotos domésticos, lançados, direta ou indiretamente, nas margens dos rios, é uma das causas de morte da vida aquática nos rios e lagos que não deve ser confundido com o processo de assoreamento.

Não se deve confundir também os processos erosivos, causados pela turbulência das águas e ventos, com o fenómeno do assoreamento fluvial, que pode ser seguido de Desertificação.

O assoreamento é um fenômeno muito antigo e existe há tanto tempo quanto existem o mar e os rios do planeta.

Fenômeno de assoreamento relacionado ao homem[editar | editar código-fonte]

Porém o homem vem acelerando este antigo processo através do desmatamento, desbarrancamentos e outras ações que acabam por expor as áreas à erosão; na construção de favelas sem contenção de Encosta, além de desmatar, a erosão é acelerada devido à declividade do terreno; mas também pelas técnicas agrícolas inadequadas, quando se promovem desmatamentos extensivos para dar lugar a áreas plantadas, impedindo grandes áreas de terrenos de cumprirem com seu papel natural de absorvedor de águas e aumentando, com isso, a potencialidade do transporte de materiais, devido ao escoamento superficial.

Diversas ações realizadas pelo homem estimulam o processo de erosão e da início ao assoreamento:

  • O desmatamento desprotege o solo da chuva.
  • As construções de favelas em encostas causam a declividade do terreno, além de que ocorre o desmatamento, acelerando assim a erosão.
  • Técnicas agrícolas não planejadas, quando promovem desmatamentos extensivos para dar lugar a cultivos causam a erosão do solo.
  • A ocupação do solo, retirando a permeabilidade do solo, impedindo grandes áreas de terra de cumprirem com seu papel de absorvedor de águas e aumentando, com isso, o potencial do transporte de materiais, devido ao escoamento superficial. [2]

Consequências[editar | editar código-fonte]

O assoreamento não chega a estagnar um rio, porque a sua força acumula criando novos caminhos em outras direções, como se o rio reclamasse seu caudal original, mudando drasticamente seu rumo. O assoreamento de um rio, nas vizinhanças duma cidade, quando não remanejado pelas autoridades, pode criar lagos nos espaços urbanos deixando as populações inteiras ilhadas em suas casas.

Muitas praticas causam o assoreamento, como a implantação de lavouras, condição que se dá quando a terra é lavrada ou tem-se a preparação da terra para cultivar, próximas de margens de rios, nos topos e encostas de morros. As principais consequências disso serão o aumento no assoreamento dos rios e deslizamentos de terra, que tem por implicação: uma redução no volume de água do rio, que pelo excesso de detritos se tornam turvas e impedem a penetração da luz, impedindo a renovação do oxigênio que os peixes e outros organismos precisam para continuar a viver.  Além de que colaborar para o desequilíbrio do ecossistema[3]

As consequências do assoreamento de rios e lagos podem ser sentidas diretamente pela população. Os rios perdem a capacidade de navegação, uma vez que os bancos de areia que se formam atrapalham a passagem de barcos, navios ou canoas, como também tema diminuição da velocidade de vazão. É válido ressaltar, também, que a água desses rios, ao encontrar obstáculos, desvia-se para outras direções, podendo atingir espaços onde antes não existiam cursos d'água, como ruas, casas ou outros espaços urbanos, causando, portanto, as enchentes urbanas.

Outro problema é que, quando os detritos se misturam à água escoada, o curso dos rios fica mais pesado e volumoso, além de turvo, o que causa problemas como a eutrofização. Inclui-se ainda a isso a perda da vegetação subaquática e das condições de habitat para peixes e outros animais, dificultando até mesmo o acasalamento e a reprodução das espécies.[4]

O assoreamento torna-se ainda pior quando, além dos sedimentos, lixo e esgoto são despejados sobre o rio, acumulando ainda mais dejetos em seu leito e ocasionando o fenômeno de eutrofização, invalidando o consumo da água

A deposição de sedimentos em Reservatório é um grande problema no Brasil. No caso da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, por exemplo, foi calculado em 400 anos o tempo necessário para o assoreamento total do reservatório da Barragem.

Apesar de não "matar" os rios, o assoreamento pode aumentar o nível de terra submersa e ajuda a aumentar os níveis da enchente nos espaços urbanos e rurais de ocupação humana.

Formas de evitar o assoreamento[editar | editar código-fonte]

Para evitar o fenômeno de assoreamento é preciso que a população se conscientize, assim como a conscientização das indústrias para que os lixos domésticos e industriais não sejam jogados nos rios. Também é necessário a ação dos governos com projetos de conservação dos rios e que realizem o desassoreamento e a conservação das matas ciliares.

No entanto, a melhor saída é preservar a região e as matas do entorno. Também se faz necessário colocar barreiras para que os sedimentos não se acumulem rapidamente sobre elas, para que assim elas barrem a entrada de objetos sedimentares nos rios e conservem o solo das margens, evitando erosões fluviais.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Carvalho, Newton de Oliveira - Hidrossedimentologia Prática - CPRM - Rio de Janeiro, 1994 : 372p. il.
  • Lucas Soares Bedendo - Curso de administração - ETFG Sebrae- Minas Gerais, 2014.
  • Rios, Jorge L. Paes - Etudes des Courrents Turbulents par Anemometrie Laser - INPG - Grenoble, 1979 (Tese de Doutorado).

Referências

  1. SOUSA, M. E.; SANTOS FILHO, N. E. da S.; PEREIRA, L. A.; LYRA, L. H. B (2012). Diagnóstico e monitoramento do assoreamento no rio São Francisco entre Petrolina-PE e Juazeiro-BA. [S.l.: s.n.] 
  2. a b «Assoreamento Progressivo». Portal São Francisco 
  3. Jubilut, Paulo. «A falação do novo código florestal». Biologia Total 
  4. «Assoreamento, as principais causas e suas consequências.». Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco - CBHSF