Leptospirose

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Leptospirose
Leptospira
Classificação e recursos externos
CID-10 A27
OMIM 607948
DiseasesDB 7403
MedlinePlus 001376
eMedicine med/1283 emerg/856 ped/1298
MeSH C01.252.400.511

Leptospirose, mal de Adolf Weil ou, na sua forma mais grave, síndrome de Weil, é uma doença bacteriana causada pelo Leptospira que afeta seres humanos e animais, frequentemente transmitida por água ou alimentos infectados pela urina de animais,[1] especialmente de ratazanas. O agente causador Leptospira interrogans foi identificado em 1907, graças a um exame post mortem realizado com uma amostra de rim infectado, embora a patologia já tivesse sido identificada em 1886, pelo patologista alemão Adolf Weil (em sua homenagem, a doença recebeu o nome de "mal de Weil"). Tem como sintomas principais: Febre de início abrupto, dores de cabeça, tosse seca, falta de ar, dores musculares e articulares, insuficiência renal aguda, delírio e miocardite.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Pode ser classificada em:

  • Forma anictérica (sem amarelamento da pele): é a forma mais benigna, com poucos sintomas e auto-limitada e presente em 90% dos doentes.
  • Forma ictérica (pele amarelada) ou doença de Weil: forma mais grave que acomete 10% dos doentes, podendo levar à morte.

Causas[editar | editar código-fonte]

É uma zoonose infectocontagiosa de distribuição mundial [2] causada por uma bactéria do tipo Leptospira que, eliminada principalmente na urina de roedores, permanece na água e infecta pessoas que entrem nessa água ou a consuma. Pessoas podem contaminar-se não apenas ao entrar em áreas urbanas alagadas pela chuva, como também em coleções de água doce como lagoas, represas, riachos e piscinas sem cloro. A bactéria invade por pequenas lesões de pele ou pelas mucosas em contato com a água (oral, nasal e ocular). [3]

Em caso de enchente o risco é maior já que muitas pessoas passam pela água suja com urina o que permite as bactérias infectar centenas ou milhares de pessoas na mesma hora. É mais comum em zonas rurais e em regiões quentes e úmidas de clima tropical.

Entre as principais causas, pode-se incluir a falta de saneamento básico e da rede de esgoto tratado e a falta de coleta de lixo. [2]

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

A Leptospira penetra ativamente por mucosas ou lesões na pele. Após a penetração no hospedeiro, espalham-se rapidamente pela via linfática e sanguínea e os principais órgãos alvos são rins, fígado, cérebro e pulmões. Cerca de 5 a 7 dias após a infecção, aparecem os primeiros sintomas, que podem diminuir ou cessar ou podem aumentar ao desenvolver a forma mais grave da doença [4]. A síndrome da angústia respiratória aguda (SARA) é a principal causa de morte em pacientes com leptospirose grave. A liberação de componentes bacterianos como LPS e fração glicolipoprotéica causam ativação da resposta imune com agravamento do quadro clínico do paciente. O LPS da Leptospira difere das demais bactérias Gram(-) ativando TLR2 ao invés do TLR4 em humanos. A fração glicolipoprotéica (GLP) é capaz de inibir a Na+/KATPase contribuindo para o agravamento da doença, como insuficiência renal, hepatite e SARA. Além destes componentes bacterianos a bactéria apresenta moléculas de superfície celular (OMPs) como a lipoproteína LIPL32, também reconhecida pelo TLR2, encontra-se aumentada durante o curso da infecção [5]. Na leptospirose também foi descrito um aumento nos ácidos graxos não esterificados (NEFA) no plasma concomitante com diminuição do nível de albumina. Esta relação: aumento dos NEFA com diminuição da albumina está diretamente relacionada à gravidade da disfunção hepática e renal.[6]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Como ocorre em várias outras doenças infecciosas, o quadro clínico da leptospirose varia muito de indivíduo para indivíduo. O paciente pode apresentar desde quase nenhum sintoma, o que é o mais comum, ou podem apresentar sintomas que confundem-se com de outras doenças [7] e até um quadro grave com risco de morte. O período de incubação pode variar de 2 a 45 dias. A média é 10 dias de intervalo entre a contaminação e o início dos sintomas da leptospirose que incluem [8]:

  • Dor de cabeça
  • Febre alta (38-40 ° C)
  • Dor muscular localizada (geralmente nas pernas e nas costas)
  • Dor abdominal
  • Náuseas e vômitos
  • Falta de apetite
  • Diarreia
  • Tosse
  • Calafrios
  • Olhos vermelhos e inchados
  • Icterícia

Sintomas incomuns incluem[8]:

  • Rash cutâneo sem prurido
  • Gânglios, baço e/ou fígado inchados.

A maioria dos pacientes melhora em uma semana, mas algumas vezes a evolução da doença é bifásica, com alguma melhora por 10 a 15 dias seguido de nova piora dos sintomas, podendo evoluir para a fase mais grave e que possui mais complicações, conhecida como doença de Weil. [7]

Complicações[editar | editar código-fonte]

A evolução para a forma mais grave da doença ocorre em cerca de 5% a 10% de todos os casos [9] e é chamada Doença de Weil , e é caracterizada por[10]:

Os pacientes que apresentam a forma mais grave da doença possuem sinais de icterícia (pele amarelada) após o terceiro dia de doença. Um sinal muito característico da forma grave é a icterícia bilirrubínica (icterícia mais vaso dilatação, uma mistura de pele amarelada e vermelha, muitas vezes de aspecto alaranjado).

Do aparecimento dos sintomas à internação leva cerca de 5 a 6 dias, pois os casos mais leves apresentam nos primeiros dias de contágio sintomas semelhantes a outras doenças infecciosas como a dengue, a gripe e os resfriados. [11]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico clínico da doença não é fácil, por seus sintomas serem comuns em diversas outras infecções. O diagnóstico pode ser feito através de exames laboratoriais, sendo o bacteriológico definitivo para tal [12], por meio de cultivo de amostras de sangue ou urina em condições típicas, ou do teste de aglutinação microscópica, padrão-ouro pra leptospirose, mas disponível apenas em grandes laboratórios. É confirmado por meio de testes sorológicos como o Ensaio Detector de Anticorpos de Enzimas (ELISA, no acrônimo em inglês) e o PCR (sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase = Polymerase Chain Reaction).

O diagnóstico do final é normalmente feito através da sorologia sanguínea.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Em países com clima tropical, a incidência média é de um caso para cada 10 mil habitantes. Em países com clima temperado/frio, a incidência média é de um caso para 100 mil habitantes. O motivo disso é que o clima quente e úmido, comum em áreas tropicais, favorece a procriação de ratos, transmissor da doença. [13]

Em países ou municípios em que há falta de saneamento básico e rede de esgoto, a proliferação de roedores portadores da doença é favorecida, assim como em áreas onde há grande ocorrência de inundações. Pessoas que possuem profissões que tem contato direto com fluídos ou alimentos que podem ser infectados possuem mais chances de contrair a doença. [14]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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A leptospirose é tratada com antibióticos, como a doxiciclina ou a penicilina e principalmente com estreptomicina que elimina a bactéria dos rins e, conseqüentemente, a transmissão desta doença. É importante beber apenas água tratada ou fervida para evitar reinfecções. Outros antibióticos e internação hospitalar pode ser necessária em casos graves. [15]

É indispensável a procura de um médico.

Leptospirose em cães[editar | editar código-fonte]

A leptospirose pode afetar os animais domésticos da mesma forma que os humanos. Também conhecida como Doença de Stuttgart ou tifo canino, acomete os cães, mas pode ser transmissível ao homem. Ao contrário dos humanos que apresentam mais o gênero Leptospira Interrogans, os cães apresentam principalmente o gênero L. canicola, mas podem apresentar também o L. icterohaemorrhagiae e o L. grippotyphosa.

A contaminação pode ocorrer através da ingestão de água e alimentos contaminados pela urina, por cheirar e lamber os órgãos genitais de outros animais contaminados e por estar em contato com animais silvestres ou de produção que apresentam a doença.

O tempo de incubação pode variar de 5 a 20 dias. Cães adultos machos e cães de centros urbanos são os que mais se infectam e a fase mais grave da doença costuma a acometer principalmente os animais mais velhos. Os animais infectados podem ser reservatório da doença por longos períodos de tempo ou pelo resto da vida e, portanto, ser fonte de doença para outras espécies.

Podem ser observados três formas da doença:

  • Ícterícia: mais leve, provocada principalmente pela L. icterohaemorrhagie.
  • Urêmica: provocada principalmente pela L canicola e atinge principalmente animais idosos e apresenta grande taxa de mortalidade.
  • Gastrintestinal: provocada principalmente pela L. canicola.

Os sintomas podem ser febre alta, diminuição da temperatura corporal, icterícia, mudança de coloração nas mucosas conjuntivas e bucais, insuficiência renal, dor ao toque na região hepática, renal e dorsal, rigidez ao se movimentar, mudança de coloração na urina, apatia, sonolência, inapetência, vômitos, diarreias, hemorragia, erupções e úlceras na língua em casos mais avançados.

Os métodos que podem ser utilizados para dar o diagnóstico para a doença são os métodos de soro aglutinação e exames de sangue para melhor observação do agente patológico que pode ficar no sistema sanguíneo em algumas fases da doença.

É uma doença tratada por meio de antibióticos, como a penicilina. É recomendado manter o animal estável durante a fase grave da doença prevenindo grandes lesões em órgãos como o fígado e os rins. Na fase aguda, se necessário e dependendo do grau, pode-se fazer uma terapia intensiva de suporte. Além disso, quaisquer medicamentos administrados de maneira errada podem comprometer ainda mais o quadro clínico do animal.

O método de prevenção da doença é feito pelos exames preventivos e pela vacinação anual.

É indispensável à procura de um médico veterinário para avaliar o caso. [16]

Referências

  1. http://www.who.int/topics/leptospirosis/en/
  2. a b «Sorovares de Leptospira spp. Predominantes em exames sorológicos de caninos e humanos no município de Uberlândia, Estado de Minas Gerais.» (PDF). 
  3. Perigos Ocultos nas Paisagens Brasileiras: Como evitar doenças infecciosas. Stefan Cunha Ujvari - Editora Senac, 2010
  4. «Leptospirose: uma doença de ocorrência além da época das chuvas!» (PDF). 
  5. Goncalves-de-Albuquerque CF, Burth P, Silva AR, Younes-Ibrahim M, Castro-Faria-Neto HC, Castro-Faria MV. 2012. Leptospira and inflammation. Mediators Inflamm 2012:317950.
  6. Burth P, Younes-Ibrahim M, Santos MC, Castro-Faria Neto HC, de Castro Faria MV. 2005. Role of nonesterified unsaturated fatty acids in the pathophysiological processes of leptospiral infection. J Infect Dis 191:51-57.
  7. a b «Center for disease control and prevention - Singns and Symptoms». 
  8. a b http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/spanish/ency/article/001376.htm
  9. «GONCALVES, Adrelírio J. Rios; SANTINO FILHO, F.; QUAGLIOTA JR., Reynaldo and SUZUKI, Lúcia Emi. Formas graves da síndrome de Weil. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. [online]. 1969, vol.3, n.2, p. 94-100» (PDF). 
  10. http://emedicine.medscape.com/article/220563-overview
  11. COSTA, Everaldo et al. Formas graves de leptospirose: aspectos clínicos, demográficos e ambientais. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 34(3): 261-267, Mai-jun, 2001.
  12. «Leptospirose em cães: Prevalência e fatores de risco no meio rural do município de Pelotas, RS» (PDF). 
  13. http://www.who.int/zoonoses/diseases/lerg/en/index2.html
  14. «Leptospirose: análise dos dados epidemiológicos de 2010 a 2014» (PDF). 
  15. http://www.cdc.gov/leptospirosis/treatment/index.html
  16. Doenças infecciosas em animais domésticos, Joachim Beer. Editora Roca, 1988. [S.l.: s.n.] pp. 318 – 321. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]